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Um dia ouvi uma história, que nunca confirmei, sobre Filipe I de Portugal (Felipe II de Espanha).
Embora a historiografia portuguesa tenda a não tratar muito bem os reis da dinastia filipina, há um razoável consenso de que Filipe I foi um bom governante.
A tal história diz que foi o inventor moderno do despacho escrito, um avanço fundamental na burocracia (a burocracia tem muito má fama popular, mas qualquer gestor competente sabe perfeitamente que a burocracia é uma conquista da civilização), porque sendo taciturno e reservado, detestando o peso da presença e de estranhos que a governação verbal exige, resolvia grande parte dos assuntos por escrito.
Para os actuais padrões mediáticos (convenhamos, por razões compreensíveis decorrentes do problema estrutural das democracias, em que há um desfasamento entre as capacidades necessárias para ganhar eleições e as capacidades necessárias para governar bem), Filipe I seria um péssimo governante por, usando uma expressão que não é minha mas resume bem a questão, ter poucas competências para responder ao bullying mediático, independentemente das suas competências para governar.
Note-se que bullying mediático não é uma expressão excessiva, é mesmo esta a definição do que foi feito a Maria Lúcia Amaral (e muitos outros antes dela), explorando as suas conhecidas e reconhecidas dificuldades de comunicação, largamente compensadas para solidez da sua governação e do seu bom senso, em detrimento da avaliação da sua governação.
O jornalismo, mesmo quando a elogia profundamente como faz João Miguel Tavares na sua crónica de hoje, entende que Maria Lúcia Amaral não era uma boa governante, não por tomar decisões completamente erradas, como a criação da protecção civil nos termos e com a evolução que existe, como a adjudicação do SIRESP, como a compra dos Kamov (tudo péssimas decisões de António Costa que ainda ontem ouvi citar como demonstrativo das qualidades que deveria ter um Ministro da Administração Interna), mas porque, embora competente no seu trabalho, demasidada gente, a começar pelo rebanho mediático (sim, sim, o comportamente de rebanho é das coisas mais tristes que hoje caracterizam uma profissão que se tornou relevante sobretudo por jornalistas que eram pessoas livres, antes de serem jornalistas), decidiram que ser bem falante é muito mais importante que ser bem pensante e bom executante.
Depois queixam-se que auto-estradas, que dependem de bom planeamento e melhor execução e manutenção, bem mais que de boas palavras, deixem de cumprir integralmente a sua função.
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