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Gosto de encontrar um chão comum

por henrique pereira dos santos, em 20.07.21

Num dos meus posts sobre o equívoco que existe na sociedade sobre o papel do Estado Novo no desenvolvimento económico e social do país, um dos comentadores contestou radicalmente a ideia e falou especificamente na educação ("Fome, miséria, analfabetismo, tortura, assassinatos foram as grandes obras de Salazar").

Alguém retorquiu que para quem se queixava do sistema de ensino do Estado Novo, o comentador escrevia muito bem, o que aparentemente indiciava que tinha sido beneficiado pelos investimentos do Estado Novo no ensino, portanto não seria só miséria e analfabetismo.

O primeiro comentador respondeu que no seu caso não tinha estudado em escolas financiadas pelo Estado Novo porque eram escolas que se localizavam em salas cedidas por privados (as professoras terão sido pagas pelo Estado, suponho eu).

Pessoalmente acho que conduzir discussões por este caminho é bastante inútil e por isso pedi informação concreta sobre locais e datas que me permitissem avaliar a crítica que era feita.

E, curiosamente, os factos confirmam, em toda a linha, os posts que tenho escrito sobre a evolução do ensino durante o Estado Novo, mas não é isso que me faz contente, o que me deixa mesmo satisfeito é que com base numa troca civilizada de informação podemos manter as divergências de ponto de vista e, ao mesmo tempo, encontrar um chão comum que os dois reconhecemos.

O comentador informa-me que fez a primeira classe no Monte do Lobato em 1951, tendo a escola mudado para o Monte da Corcha no ano lectivo seguinte, onde depois se veio a construir uma escola oficial (não consegui apurar a data, mas pelas fotografias que vi é uma escola do plano dos centenários que foi dado como terminado em 1959, se não estou em erro, portanto a escola deve ser da segunda metade dos anos 50).

Estes dois montes situam-se no Alentejo, em Mértola, quase em cima da serra algarvia, isto é, numa zona não muito povoada (os xistos centrais ou as areias do vale do Tejo e litoral alentejano são mais pobres, inegavelmente, mas ainda assim). Convém lembrar que o concelho de Mértola passou de cerca de 20 mil habitantes em 1900 para cerca de 30 mil em 1950, começando depois a diminuir chegando ao século XXI com menos de 10 mil habitantes (situação muito comum, com variações ainda mais importantes em muitos concelhos do Alentejo).

Este é o contexto dos factos descritos (podem ser lidos, parcialmente, aqui, aqui, aqui e aqui, descritos pelo comentador José Silva Costa. Digo parcialmente porque entretanto também andei à procura de mais informação que me permitissem ter um quadro o mais completo possível do que se estava a passar).

O descrito ilustra muito bem o que tentei descrever nos meus posts e é coerente com a bibliografia sobre o assunto, nomeadamente um artigo recente a que já aqui fiz referência.

A recusa dos pais em mandar os filhos à escola por não reconhecerem valor nisso, o esmagador absentismo escolar e tudo o que caracterizava o ensino em Portugal há muitos anos, de tal maneira que no fim da primeira república a escolarização - não confundir com analfabetismo, a taxa de escolarização mede a percentagem a população em idade escolar que vai de facto à escola - dificilmente ultrapassaria os 20%, passando depois para perto dos 100% no fim dos anos 50 do século XX.

Para mim parece-me evidente que num país com uma escolarização entre os 20 e 30%, para além dos aspectos sociais referidos nas ligações acima - sejam elas académicas ou não - há um problema de recursos humanos (não é possível haver professores num país que não tinha alunos antes) quando qualquer governo decide investir no ensino, para além do problema, apesar de tudo mais fácil, da falta de infraestruturas.

O Estado Novo lidou com todos estes problemas ligados à escolarização de forma razoavelmente articulada e bastante pragmática: 1) reduziu o número de anos obrigatórios (fez uma opção que parece um contra-senso, mas aparentemente preferiu ter menos anos obrigatórios reais a ter mais anos teóricos) numa primeira fase (mais tarde aumentou-os de novo); 2) reduziu ainda mais os anos obrigatórios para as raparigas, dando resposta ao contexto social prevalecente; 3) criou os regentes escolares e os postos escolares como mecanismos rudimentares para ir aumentado a literacia enquanto não tinha capacidade para chegar a todo o lado ao mesmo tempo (sim, é verdade que havia mestres que praticamente sabiam apenas ler e escrever, e mesmo assim); 4) investiu no magistério primário, uma profissão então essencialmente feminina ou de base religiosa, incluindo regras que hoje seriam inegavelmente consideradas abusos intoleráveis, como impedir as professoras de casar sem autorização (embora o pudessem fazer com outro professor), regra que se aplicava então a várias profissões; 5) e lançou um ambicioso programa de construção escolar (tão ambicioso que a sua execução terá ficado pelos 50%).

A mim parece-me razoável que a programação dos investimentos tenha tido em conta a densidade populacional e, por isso, escolas na região citada não tenham sido a primeira prioridade.

Os textos de José Silva Costa reflectem bem o facto da formação de professores ter sido mais rápida que a construção de escolas: quatro professoras avaliaram a possibilidade de ficarem na escola nova a criar, num primeiro momento em casas particulares (num ano começam num monte mais pequeno, provavelmente por ter sido aí que foi possível encontrar espaço, para logo no ano seguinte mudar para um monte maior e com mais miúdos, e onde viria a ficar a escola criada de raiz) e depois já numa escola construída pelo Estado, ironicamente numa altura em que a população rural estava já em perda.

Não sei os anos, mas as minhas primas direitas (uma delas minha madrinha) que tinham ficado orfãs bastante cedo, na região do vale do Vouga com elevada densidade populacional, tiveram a oportunidade de fazer o magistério primário, provavelmente ainda nos anos 40, e as primeiras colocações que tiveram foram no Alentejo, de onde contam histórias semelhantes às que se podem ler no blog de José Silva Costa.

O que é relevante é que a situação no princípio dos anos 50 era inegavelmente má, mas era má desde sempre, não correspondeu a uma política de favorecimento do analfabetismo ou desinteresse na educação, era inegavelmente má mas em rápida alteração.

A alteração poderia ter sido mais rápida? Era possível fazer melhor?

Provavelmente sim, mas isso não é matéria histórica, isso é especulação, o que é historicamente errado é dizer "Fome, miséria, analfabetismo, tortura, assassinatos foram as grandes obras de Salazar" e politicamente esse erro histórico impede-nos de olhar objectivamente para os factores que permitiram ao regime (que não era tão monolítico como frequentemente se diz e, seguramente, não era apenas Salazar) fazer transformações sociais que o país perseguiu durante mais de cem anos, sem conseguir resultados relevantes.

E, o que é mais grave para o nosso quotidiano, é uma boa maneira de fugirmos ao debate que interessa: afinal como é possível que o Estado Novo, no meio de uma guerra condenada internacionalmente, tenha conseguido o maior período de convergência com os países mais desenvolvidos e nos últimos vinte anos, com a chuva de ajudas comunitárias e tudo o resto que é hoje inegavelmente melhor que na época, andemos a arrastarmo-nos numa triste estagnação?

Claro que partir da base miserável de que partiu o Estado Novo e fazer alguma coisa de jeito é incomparavelmente mais fácil que partir de uma base muito mais exigente, como temos hoje, e ainda assim ter bons resultados. Reconhecer isso faz parte do debate e não o anula: que raio andamos a fazer nos últimos vinte anos (ou antes, se a raiz do problema for anterior, como provavelmente é) que nos impede de criar riqueza suficiente para nos aproximarmos mais dos países mais ricos?



35 comentários

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De Anónimo a 20.07.2021 às 17:16

- L'Invention du quotidien. 1.,Michel de Certeau, Arts de faire;
El fin de una época permite enunciar eso que la ha hecho vivir, como si lehiciera falta morir para convertirse en libro
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De Tiro ao Alvo a 20.07.2021 às 19:05

O trabalho do economista Fernando Alexandre, sobre a aplicação de fundos nas empresas, talvez ajude a responser a algumas questões aqui levantadas.
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De Anónimo a 21.07.2021 às 08:05

“O que raio andamos a fazer?” Infelizmente a resposta é simples: o socialismo nunca conduz senão à pobreza…
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De Anónimo a 21.07.2021 às 08:34

Caro Sr. , o 25 de Abril só aconteceu porque os defensores "dos amanhãs que cantam" sabiam bem ao que iam, isto é, que os cofres estavam bem cheios! Ou tem dúvidas de que , se assim não fosse,  se atreveriam a tamanha empreitada, herdando um país pobre para gerir?  Ninguém assalta uma casa antes de se informar se o seu recheio vale a pena...
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De Anónimo a 21.07.2021 às 08:55

(cont.) -   
O progresso económico e social desse período (sobretudo na década 60-70) era sentido pela população e paralelamente tinha-se diariamente a percepção do desenvolvimento humano numa sociedade mais próspera com cada vez melhor qualidade de vida. Se isto era a percepção do dia a dia,  também os estudos e os gráficos confirmam esta realidade. 
E estes farsolas cantadores de amanhãs que nunca chegam,  também perceberam as notórias transformações do país e que o "tal" regime _ afinal_ apresentava bons resultados! E (mais grave para eles) podia ter sucesso...  Vai daí  pensarem "ou é agora ou nunca" antes que nos seja tarde.
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De Anónimo a 21.07.2021 às 11:14

E os finórios cantadores, ansiosos por tomarem eles a vez no poder urgentemente, conseguiram-no, através de um ataque de surpresa (usando  linguagem militar). Foi-lhes fácil tomarem o país _e vangloriam-se eles_ que não houve contestação da população. Pudera! No primeiro instante ficaram sem reacção.  Depois ficaram assombradas e a estupefacção era geral. Quem como eu viveu essa época, apesar de muito jovem, sabe que é uma verdade incontestável que as pessoas foram completamente apanhadas de surpresa e ninguém estava à espera de uma "revolução", pois as circunstâncias do país não indicavam esse "grande" imperativo de mudança. As transformações e as mudanças já estavam a acontecer. Mesmo nos costumes e na questão da censura, menos rígida, de que pouco se tem falado. Vivia-se com esperança e tudo se nos afigurava um futuro próspero e seguro, com pleno emprego e melhorias em todos os indicadores. Hoje, essa verdade vem ao de cimo cada vez mais, como os investigadores, os académicos, o sabem e não o contestam. Uma verdade bem ocultada nestes 47 anos, que não vem a debate por ser um grande incómodo para a democracia falhada em muitos aspectos (demasiados).


O que aconteceu a seguir, "é dos livros". E está explicado nos estudos da "Psicologia das massas". Empiricamente também sabemos o que sucede por "contágio" nos comportamentos colectivos...
Evidentemente que a propaganda tratou logo de criar o mito da adesão popular à Democracia.  ( O que é espantoso, porque, nem hoje sequer, estes governantes aprenderam o que é uma verdadeira democracia! )


Só quem não conhece a nossa psicologia e a curiosidade tão característica do nosso povo e a sua propensão para "ajuntamentos" é que pode imaginar que a nossa revolução teve uma grande adesão popular! 

Quem se lembra saba que , pelo menos,  o começo foi assim. A seguir aprendeu-se a viver em democracia e soubemos adaptar-nos aos tempos como em tudo na vida. E foi bom por largo tempo... 
Mas o sonho acabou-se de há una tempos para cá.
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De Anónimo a 21.07.2021 às 16:55

Certamente havia um reduzidíssimo número de pessoas politizadas. Eram uma minoria, mas muito bem respaldada, com muitas conexões e adesões às modas de então, com apoios vindos dos camaradas lá "de fora" e os ventos favoráveis que sabemos, soprados mercê dos exílios dourados (de alguns). O cheiro da canela de outras paragens era prometedor. Significa isto que o desejo de uma transformação política no país se circunscrevia apenas a uma camada ínfima, talvez a mais escolarizada, e não chegava a atingir as restantes camadas da população, pelo menos fazendo fé, crendo nas afirmações aqui feitas sobre "o nosso atraso, analfabetismo, miséria e ignorância". E, sendo assim, lá se vai a narrativa (ou mito) fácil de desconstruir, de que a maioria do povo suspirava por mudança de regime e tinha fome de democracia. 
Portanto, o povo "atrasado, analfabeto, miserável e ignorante", que saiu à rua e se "ajuntou", foi para ver em directo a cena da prisão do Presidente da República e do Presidente do Conselho (1º Ministro). E nada mais. Curiosidade popular apenas. Ninguém queria perder pitada duma cena tão improvável e tão inédita na nossa História, como seria encontrar um ET ou como seria impensável vermos  ser presa a Rainha de Inglaterra. Toda a gente conhece as imagens da multidão em cima das árvores, ou empoleiradas em estátuas para terem o melhor ângulo e  assistirem de camarote ao acontecimento histórico !  Não sei o que o povo esperava ver, mas calculo que nesse "Dia Inteiro" havia o desejo de, pelo menos, umas algemas...  O povo sempre se regozijou com o sangue dos gladiadores na arena e pelava-se com os relaxados das fogueiras. 
Queimar na praça pública ficou-nos...   E ficou também para a posteridade a "adesão popular" espontânea _ da propaganda _, no  nosso "Dia inicial claro e limpo". Para todos os gostos, como se vê.

 Nos dias menos claros e menos limpos, esse instinto  de queimar na praça tem sido instigado através de rasuras na História, manipulando factos e apresentando uma visão alternativa, ideológica. E se pudessem provocar um "apagão" monumental, tanto melhor. (Mas depois também ficávamos sem a maioria dos monumentos e eles seriam apanhados...  em cuecas, perdão, em falso). 


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De Anónimo a 21.07.2021 às 17:23

Depois de se apanharem numa casa com "bom recheio", desbarataram tudo, faliram o país e já vamos em 3 (três) bancas rotas!!! É obra desenganada, hem?!
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De Anónimo a 21.07.2021 às 09:27

Comparar os tempos de Salazar com os tempos da UE em que Portugal anda sempre a mendigar, é o mesmo que comparar a estrada da Beira com a beira da estrada. ("Fome, miséria, analfabetismo, tortura, assassinatos foram as grandes obras de Salazar").

Havia fome. Hoje há fartura.
Havia miséria, hoje todos vivem bem.
Havia analfabetismo, hoje alguns jornalistas nem escrever sabe.
Havia assassinatos, hoje os que há são inventados pelo CM.
Eu não defendo o Salazar aonde ele tem de ser acusado. Mas que ele era honesto e patriota ninguem pode esquecer. Goste-se ou não do personagem.
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De Anónimo a 21.07.2021 às 09:45

Al menos 12 muertos y 100.000 evacuados por las fuertes inundaciones en el centro de China

Pekín moviliza al Ejército ante la amenaza de desplome de dos presas de la provincia de Henan, cercanas a su capital, Zhengzhou, y a la ciudad de Luoyang

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De Anónimo a 21.07.2021 às 12:20

HPS, para aferir da qualidade do ensino no Estado Novo, bastaria lembrar aos mais esquecidos que os grandes e famosos nomes do nosso jornalismo  (José Saramago, Rogério Rodrigues entre outros de igual qualidade ainda no activo) tinham como habilitações académicas o 7º ano do Liceu ! Corresponde ao actual 11º ano de escolaridade. 
O sucesso das Escolas Técnicas, imediatamente desaparecidas após o 25A, vocacionadas para a preparação dos alunos com um ensino mais profissionalizado, mais técnico e orientado para o mundo do trabalho. Geralmente conectado com as necessidades da região onde se inseriam, portanto com imediata saída profissional. Para dar só um exemplo, a região da Covilhã proporcionava aos estudantes que o desejassem, formação na área da indústria têxtil. Saíam de lá a "saber fazer" com grande preparação técnica. O saudoso Medina Carreira quanto falava nessas escolas, comparando-as com a anedota que é hoje a escola ou "passatempo" das "Novas Oportunidades" que não profissionalizam ninguém, mas dão muito "boas" estatísticas e sempre maquilham as taxas de escolaridade e reduzem o  número do abandono escolar. 
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De Anónimo a 22.07.2021 às 00:04

As questões relacionadas com a escolaridade em Portugal são muito complexas, independentemente da política. Da minha experiência pessoal, directa ou indirecta (estendida aos 2 ramos da família), e das inúmeros estórias que ouvi contar, os níveis de escolaridade no período de 1920/4 a 1973 dependiam de muitos factores (estou a falar da região do Douro). Os meus 4 bisavôs sabiam ler e escrever (pelo menos 1 deles tinha a 4ª classe). Ambas as minhas avós tinham a 4ª classe (feitas em 1918/20), ao contrário dos meus avôs, que se ficaram pela 3ª classe (rapazes, tinham de trabalhar no campo; logo que aprendiam a ler, escrever e contar, saíam da escola. Ambos foram pastores). A maioria dos seus filhos foram à escola já no tempo da ditadura nacional. Todos (9+7) foram à escola, e o nível de escolaridade dependeu de factores como a ordem de nascimento (mais novo, mais escolaridade), vontade ou circunstâncias específicas. Os filhos mais velhos fizeram a 4ª classe, à excepção de uma tia que, por vontade própria só estudou até à 3ª classe, a minha mãe, nascida em plena II Guerra Mundial, tirou o "antigo 5º ano dos liceus", marcando o destino escolar dos irmãos mais novos: 2º ano dos liceus, 7º ano e licenciatura. Estamos a falar de famílias que viviam da agricultura, com propriedades, algumas herdadas, mas na maioria compradas, que produziam tudo o que comiam e vendiam o excedente (sem subsídios) - casais fartos, mas trabalhosos. Não havia luxos (por exemplo, não se comia carne bovina - gado para trabalho e venda - roupa e calçado era de trabalho, só havendo uma muda para ocasiões mais formais), mas os filhos eram estimulados a estudar para melhorar de vida, para aprender a gerir melhor a sorte que lhes cabia (finda a 4º classe eram mandados estudar para a capital do distrito). Proibidos de beber (e controlados por ambas as minhas avós, que abominavam o álcool; diziam que um bêbado era a tragédia de uma casa). O meu pai, com 12 anos em 1942, acabado de fazer a 4ª classe, queria continuar a estudar. Porém, os tempos eram duros e, como muitos outros, saiu de casa para o Porto, para ser marçano, trabalhando em troca de comida e um tecto. Já casado, retomou o sonho de estudar tendo chegado ao 5º ano (antes de 1974).
Uma das minhas avós contava que a escola dela tinha sido numa casa particular, e a professora tinha parte do salário pago pela aldeia (1920/23). Já o meu tio materno mais velho, estreou a escola (hoje fechada) da aldeia, feita após o golpe de 1926, com ensino até à 4ª classe. A escola não tinha funcionários, os dois professores faziam o trabalho administrativo e cabia às mães das crianças a limpeza da sala de aula e das casas de banho - situação que se manteve até à escola fechar, creio que já no início do século XXI.
Os factos narrados são até 1974. Posteriormente, o único tio licenciado fez o doutoramento. Na minha geração, a maioria das raparigas/mulheres é licenciada enquanto a maioria dos rapazes tem o 12º ano. Existem vários com mestrado e alguns com doutoramento. Os meus avós tinham muito orgulho nos filhos e nos netos, mas sei que ambas as gerações beneficiaram da sua força, coragem, trabalho, disciplina e sacrifício. O atraso de Portugal era imenso (a 4ª classe era muito rara nas senhoras da idade das minha avós), a pobreza empurrava as crianças ao trabalho ou ao casamento precoces, numa tentativa de diminuir o peso das "bocas a comer", a desorganização familiar (violência, muitas vezes associada ao alcoolismo, abandono) levava ao abandono dos filhos. 
Por último, e a título de curiosidade, a 3ª geração (todos nascidos após 1995) apresenta uma grande diversidade escolar: 12º ano, alguns licenciados, mestres ou a fazer o doutoramento. Menos a querer ir para a universidade, mais a enveredar por cursos profissionais. Outras vidas, objectivos, esperanças, tempos.


Fiquem bem,
Catarina Silva
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De Anónimo a 22.07.2021 às 08:40

Ainda não me informei devidamente sobre um tema aqui trazido por alguns comentadores, sobre as escolas que funcionavam em casas particulares durante o Estado Novo. Não sei se se referiam às situações em que, nessa época, era possível a quem tivesse o curso do Magistério, fundar uma Escola Primária a expensas pessoais. Teria que ser devidamente autorizada pelo Estado, havia uns requisitos e eram feitas algumas exigências para o seu funcionamento e depois teria uma certificação (do Estado). O/a  professor/a comprometia-se a fazê-la funcionar, mas desconheço os detalhes e os moldes em que isso era feito, mas sei de 2 casos em que foi assim. E não aconteceram em lugares recônditos, em princípio mais carenciados de meios, pois um foi em Coimbra na própria casa da professora por ter uma grande área, e outro em Chaves. Ignoro se eram raros ou  frequentes estes casos, mas talvez alguém tenha melhor informação sobre este assunto e a possa divulgar. 
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De Anónimo a 26.07.2021 às 00:24

Caro Anónimo,


Do testemunho da minha avó, posso deduzir que a escola seria autorizada/oficial ou oficializada - tinham de fazer os exames - penso que seriam 2, durante a instrução primária, onde pelo menos num deles, o da 4ª classe, era na sede do concelho e por um professor diferente do seu (ainda antes de 1926). As professoras tinham mais 1 ou 2 anos além da 4ª classe. Tenho pena que estes assuntos não sejam mais estudados, ou pelo menos preservada a sua memória.
No Minho sei de uma família que doou o terreno para a escola da freguesia. Ainda no Douro, numa aldeia com história interessante (Cheires, perto de Sanfins do Douro), a população, farta de caminhar no meio do pó ou da lama e de carregar cântaros de água, planeou, organizou e financiou os arruamentos e a canalização da água. 


Catarina Silva
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De Anónimo a 26.07.2021 às 11:47

Tudo tem a sua leitura. No contexto da época, chama-se ao gesto que acaba de descrever, iniciativa, generosidade, espírito comunitário de "arregaçar as mangas". No contexto actual, outros verão nisso indícios de negligência e de demissão do Estado e... também terão razão. Mas nem 8 nem 80 e tudo se quer num meio-termo. Tornámo-nos tão dependentes do Estado no nosso quotidiano, que se foi perdendo o espírito de iniciativa e uma certa autonomia nas populações. Espera-se tudo do Estado-Providência e por isso somos hoje,  "o país RSI" no dizer da Helena Matos. Não que eu ache que o Estado não tenha obrigações, mas depois paga-se o preço dessa presença avassaladora nas nossas vidas. Não há almoços grátis.
 Sem querer alongar-me muito, a propósito da generosidade das pessoas e de doações de terrenos, lembro-me que na altura do "Verão quente", e da ocupação de casas e propriedades rurais, uma família que conheci doou, de livre vontade, (a um certo partido muito "activo" na época) um grande terreno e mais um contributo para que aí construíssem  uma creche. Foi um gesto muito apreciado pelo partido. E acrescento que mantiveram sempre relações muito cordiais e de muito boa vizinhança.
A. Ponte
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De Anónimo a 26.07.2021 às 19:25

Agradeço o seu esclarecimento, Catarina Silva. Penso que era concedido um alvará a essas Escolas particulares. Os exames eram sempre feitos na capital do distrito, para onde se deslocavam os alunos e portanto nunca eram examinados pelo próprio professor nem na sua Escola de origem, fosse ela pública ou privada. Daí os professores serem muito briosos e muito exigentes com os seus alunos, para fazerem boa figura e não os deixarem mal...Conta-se que era um momento solene o exame da 4ª classe. 
Fique bem.
A.Ponte
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De JMC a 23.07.2021 às 20:45

Uma achega para interrogações suas:

"Na década de 60, com a concretização da entrada para a EFTA e a abertura ao investimento directo estrangeiro e a ampliação dos mercados de exportação daí decorrentes; com o início da guerra colonial, que dinamizou o mercado interno, e o aumento das trocas com as colónias, cuja população foi engrossada com milhares de emigrantes que nelas se fixaram; com a abertura ao turismo e com as remessas das poupanças do elevado número de emigrantes que buscavam a salto melhores condições de vida na Europa desenvolvida, que chegou a mais de um milhão de trabalhadores no fim da década; e com a elevação dos salários, devida à redução da força de trabalho disponível provocada pela mobilização militar e pela emigração quase tudo mudou, e isso está espelhado nas taxas de crescimento económico obtidas. A recusa da admissão do Reino Unido nas CEE e a constituição, por ele, de uma zona de comércio livre, a EFTA, que não se preocupava com os regimes políticos ditatoriais e permitia aos membros menos desenvolvidos a manutenção de algumas das suas pautas aduaneiras, pode dizer-se que foi uma bênção para o Estado Novo. E é este epifenómeno de pouco mais de uma década, das quatro que o regime durou, criado fundamentalmente por influência externa e mantido pela repressão política interna, que os saudosistas apontam como mérito desenvolvimentista do regime fascista em Português Suave.

A partir de então, e até ao choque do aumento dos preços do petróleo, em 1973, decidido pelos países árabes produtores como retaliação ao apoio dos países ocidentais a Israel na guerra israelo-árabe, cresceram as exportações em termos absolutos e em relação às importações; cresceu o investimento directo estrangeiro; cresceram as receitas directas e indirectas do turismo e as remessas dos emigrantes, disponibilizando capital de crédito; cresceu a despesa do Estado com a guerra colonial (grande parte feita no mercado interno, porque diversas potências aliadas forneciam a título de ajuda ou de contrapartida muito do equipamento militar mais dispendioso e concediam licenças para a produção interna de veículos e do grosso do armamento ligeiro, e as munições eram também de fabrico nacional); e a economia entrou num outro ritmo, passando a crescer a taxas incomparáveis com as taxas irrisórias das três décadas anteriores. A década 60, por isso, ficou constituindo o verdadeiro período desenvolvimentista legado pelo Estado Novo, no qual o país foi atenuando o seu atraso em relação às economias da Europa Ocidental, que apesar disso continuou muito grande. Mas a fragilidade do feito era de tal ordem que ao primeiro abanão começou a ruir."


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De henrique pereira dos santos a 23.07.2021 às 23:52

Agora imagine as asneiras feitas antes e depois para que, em muito melhores condições, não tenham conseguido resultados minimamente semelhantes.
Acha mesmo que propaganda disfarçada de ciência responde a interrogações de quem quer que seja?
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De JMC a 24.07.2021 às 09:55


HPS:
Se acha que o comentário é "propaganda disfarçada de ciência", está quase tudo dito. Nele é referido e contextualizado o que possibilitou o aumento das taxas de crescimento económico e a fragilidade do modelo. Tentava responder a uma das suas interrogações. É opinião, não propaganda nem ciência, nem propaganda disfarçada de ciência.
Não se precipite nos seus julgamentos. Tenha calma.
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De henrique pereira dos santos a 24.07.2021 às 18:28

Responderei com mais tempo, mas os processos de intenções sobre quem tem uma opinião diferente da sua são uma marca de água indisfarçável.
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De henrique pereira dos santos a 24.07.2021 às 21:51

Tem toda a razão, precipitei-me em qualificar o texto como sendo propaganda disfarçado de ciência.
Agora que o li completo, percebo que realmente não há sombra de ciência no texto, é mesmo propaganda sem qualquer intenção de ter base científica.
Acho é que para ter alguma credibilidade tem de se decidir: ou afirma que ao primeiro abanão ruiu tudo ou afirma que houve grandes progressos depois do 25 de Abril, as duas coisas ao mesmo tempo é que não é possível.
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De JMC a 25.07.2021 às 08:34

HPS.
Você deve estar confuso. E parece sofrer de uma obsessão desmesurada pela ciência, com que julgará poder explicar-se tudo. Refreie-se um pouco, porque a ciência, nas questões humanas, nomeadamente a explicar a história, tem muito que se lhe diga.
Voltando à vaca fria. O regime caiu de podre, depois do abanão do aumento dos preços do petróleo e dos seus próprios bloqueios para pôr fim a uma guerra colonial que constituía um grave problema político e um drama social, que consumia perto de 40% do orçamento do Estado.
Não é necessário ser cientista para afirmá-lo, basta-me ter vivido esses tempos: os rituais das cerimónias do 10 de Junho e a distribuição das medalhas póstumas, aumento da inflação dos preços, congelamento dos aumentos salariais, não homologação dos contratos colectivos de trabalho que os previssem, ao arrepio do que tinha sido a leve abertura legislativa efectuada pelo marcelismo em 1969-70.
Acho até engraçadas as justificações que são aqui apresentadas pelos saudosistas (você e outros) para defenderem as opções políticas do regime corporativo-salazarista, nomeadamente no que respeita à regressão da escolaridade obrigatória da 4.ª para a 3.ª classe (que, pelos vistos, deixou de ser um facto e passou a ser uma medida pragmática inteligente).
O que os saudosistas do regime revelam é um grande desconhecimento acerca dele, e defendem-no baseados em histórias que lhes foram contando, nomeadamente sobre o desenvolvimento económico ocorrido a partir da década de 60, um facto que nunca vi negado. Mas, até isso, para eles parece não ter tido causas (eventualmente, para além da sagacidade do Salazar para fundar a EFTA, devido às então CEE terem rejeitado a adesão do país, e ter convidado o Reino Unido a integrá-la).
Também não é necessário ser cientista para constatar a melhoria das condições de vida a seguir ao golpe de Estado de 25 de Abril de 1974, basta-me tê-la vivido. A grande questão é que a burguesia dependente portuguesa apanhou um cagaço de todo o tamanho com a liberdade devolvida ao povo, a que não estava de todo habituada, e tentou reverter uma situação que não tinha retorno possível (28 de Setembro e 11 de Março de 1975), mesmo recorrendo ao terrorismo bombista, e parte dela deu às de vila Diogo, abandonou empresas e fugiu com dinheiro.
Se quiserem reescrever a história desses tempos (você e outros saudosistas), estejam à vontade. Gozam desde então a liberdade que o regime corporativo-salazarista nunca concedeu ao povo, em quem é suposto residir a soberania. Assumam-se como saudosistas ou salazaristas ou o raio que quiserem. Estarão a exercer um direito. E também poderão passar a reconhecer o que os vossos representantes, sós ou coligados, fizeram nestes últimos 45 anos, à conta do que foi jorrando da nova teta das chamadas ajudas europeias de coesão. Não vale é atribuírem as culpas apenas a esta parte do corjedo de turno, porque elas são repartidas. Não será necessário serem cientistas, bastará não serem estúpidos.
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De henrique pereira dos santos a 25.07.2021 às 10:24

Pede-me para me refrear e diz-me que sou saudosista do regime anterior?
Ou está mesmo empenhado em demonstrar que o que escreve é mesmo só propaganda sem qualquer base objectiva que se possa discutir racionalmente?
Nunca viu negado o desenvolvimento económico e social dos anos 60? Então leia o que escreveu Pedro Marques, o presidente da JS de que não me lembro o nome ou Ana Catarina Mendes, por exemplo, em resposta a Nuno Palma.
Com certeza tem causas: uma maior abertura ao exterior, e uma fundação sólida das contas públicas, depois de mais de um século de finanças públicas miseráveis, pelo menos, só que ainda não percebeu que do que se trata é da convergência, não é do progresso económico e social em termos absolutos: nos últimos vinte anos há muito progresso económico e social em Portugal, por exemplo, o avanço da digitalização, o que não há é convergência com os países mais desenvolvidos, e foi isso que aconteceu entre meados dos anos 50 (ainda antes da fundação da EFTA), até 1973 e depois também no tempo de Cavaco, durante a preparação para a adesão ao euro.
Portanto o burguesia fugiu com o capital e a diminuição do capital traduziu-se numa melhoria generalizada das condições de vida. Uma tese interessante, original e que, se a conseguir demonstrar, lhe daria um prémio Nobel da economia, se houvesse prémio Nobel da economia.
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De JMC a 25.07.2021 às 12:16

HPS.
Lamento dizer-lhe, mas você é mais obtuso do que me pareceu.
Então, num país atrasado há séculos o aumento das taxas de crescimento económico terão significado para quê? Para manter o atraso ou para reduzi-lo?
O desenvolvimento económico começou antes da adesão à EFTA, a partir de meados da década de 50, com a criação de muitas novas empresas, com cuja produção eram substituídas algumas importações. Conviria aos saudosistas demonstrarem em que medida esse desenvolvimento económico interno pré adesão à EFTA contribuiu significativamente para a convergência com o nível dos países mais desenvolvidos.
Sim, “a burguesia fugiu com o capital (com o que pôde) e mesmo assim houve uma melhoria generalizada das condições de vida”. Admira-me a sua boçalidade, que parece dificultar-lhe a compreensão de que uma economia que se abriu ao exterior, estabelecendo relações diplomáticas e comerciais com todo o mundo, mesmo com dificuldades na obtenção de crédito, e que ampliou o mercado interno pela transformação das condições em que se vivia, miseráveis em muitos casos, tenha produzido “uma melhoria das condições de vida”, mesmo que não tenha retirado o país da cauda da Europa.
Soube agora uma triste notícia que me retira qualquer disposição para continuar a dialogar consigo. Morreu um herói nacional, o Otelo Saraiva de Carvalho. É uma lei da vida que me enche de tristeza. Suponho que os saudosistas do corporativismo-salazarista rejubilem. Portanto, ponto final nesta troca de galhardetes. Passe bem.
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De Anónimo a 25.07.2021 às 13:42

"Suponho que os saudosistas do corporativismo-salazarista rejubilem."

Acertou, só não foi em cheio porque não faço parte dos "saudosista do corporativismo-salazarista", mas por outros motivos que desvaloriza. Tem uma visão muito maniqueísta da vida, caro sr.! Passe bem.
ASN
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De henrique pereira dos santos a 24.07.2021 às 07:43

Já agora, pode dizer-me onde encontro esse texto, para saber o seu contexto?
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De JMC a 24.07.2021 às 09:58


HPS:
Surpreende-me o seu interesse para um texto que qualifica de "propaganda disfarçada de ciência", mas forneço-lhe o link:
http://aparenciasdoreal.blogspot.com/2021/06/facetas-do-regime-fascista-em-portugues_21.html
Poderá é não gostar da conclusão.
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De henrique pereira dos santos a 24.07.2021 às 20:34

Interesso-me pelo contraditório, mesmo quando o acho sectário
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De Anónimo a 24.07.2021 às 10:32

Já agora, HPS, reparou que não houve uma única linha de referência ao estado  do país ou que  a identificasse esta nossa  pobreza quase endémica em Democracia? 
Nem foram contabilizadas as quantias  e somas   a s t r o n ó m i c a s   que vimos recebendo há décadas, das ajudas externas, e que mesmo assim conduziram o país a três bancas rotas em Democracia e ao nosso declínio sendo um dos países mais pobres da Europa! Da cauda da Europa!!!  
E o mais estranho é que a esta gente, lhes passa ao lado justificarem o injustificável: porque razão, somos pobres depois de tantos auxílios e de tão generosas ajudas externas?!  É-lhes assim tão visceralmente difícil identificarem a verdadeira "Causa" da nossa pobreza?   Mas em contrapartida,  encontram justificações (demoníacas) nas "causas" da nossa riqueza para a diminuirem e desvalorizarem esse período da nossa maior convergência económica e social. Não é difícil julgo que se trata de uma grande emolação, de pura inveja desse período de prosperidade que NUNCA conseguiram igualar, nem competir, apesar de todos os auxílios  de que dispusemos  e beneficiámos em Democracia. Naquelas cabeças torna-se uma coisa imperdoável, que não conseguem engolir (passe o termo) ... Grande embaraço difícil de gerir, que lhes  atrapalha a "narrativa" oficial... 


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De Anónimo a 24.07.2021 às 12:58

Peço desculpa, HPS, mas aqui vai uma errata:
-bancarrota (em vez de  "banca rota")

-por que razão (em vez de "porque razão")
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De Anónimo a 24.07.2021 às 10:51

JMC, você é um pobre de espírito! Julga que engana quem, com essa propaganda descarada, tão fácil de desmontar? Olhe que estas "versões" que vocês trataram de propagar sobre o anterior regime têm pés de barro e estão a ficar ultrapassadas pelas revelações que têm surgido recentemente. Os papalvos que vocês andaram a enganar há décadas com as vossas "narrativas"  já estão, há muito, a abrir os olhos!
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De Anónimo a 24.07.2021 às 11:07

"a fragilidade do feito era de tal ordem que ao primeiro abanão começou a ruir."



Agora não! Agora é tudo muito, muito, seguro. Direi mais: mesmo muito seguro. 
Entretanto... (e é aqui que a porca torce o rabo)  já temos no "histórico",  não 1(um) "abanão" ... não 2(dois) "abanões" ... mas 3 (três) "abanões" ! E não é que a coisa não se aguentou e "começou a RUIR" ?!
Com tantas "bênçãos" externas e mesmo assim ...  Ele há coisas!
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De Anónimo a 24.07.2021 às 13:50


"propaganda disfarçada de ciência" parece ter surpreendido JMC.
Lembro ao comentador JMC que os seus comparsas de facção fizeram um reparo idêntico ao Nuno Palma, quando o acusaram de ser um disfarçado "propagandista" do antigo regime, escudado nos seus estudos científicos.Aí já valeu? Mesmo sabendo que o sucesso económico período é uma conclusão "científica" de facto, indesmentível e reconhecida em todos os estudos dos meios académicos? Embora se procurasse que não fossem divulgados e menos ainda debatidos.


Mas não esbraceje tanto, meu caro, nem se canse inutilmente! Vão pensar que se está a afundar, agarrando-se desesperadamente como um náufrago para tentar salvar uma teoria (já) desacreditada. Não vale o esforço, caro sr... olhe que uma mentira não tem salvação nem se transforma numa verdade por ser muitas vezes repetida.  Em geral vai ao fundo e a prego.  
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De Anónimo a 24.07.2021 às 23:34

 depois de ter regredido a escolaridade obrigatória da 4.ª para a 3.ª classe.

Bastaria esta frase para demonstrar algum desconhecimento da realidade e do contexto da época. Explico-lhe por que razão houve essa redução do número de anos de escolaridade. As crianças mal chegavam aos 9-10 anos eram retiradas da escola pelos pais, os rapazes sobretudo, porque era necessária a sua ajuda nos trabalhos agrícolas e não só. O facto de terem de aguardar pelo fim dos 4 anos, era, na perspectiva dos pais, demasiado tempo que se reflectia numa perda na economia doméstica. Acontece que acabavam por nem sequer permitirem que os filhos iniciassem a escolarização. Houve então necessidade de adoptar medidas adequadas a estes contextos, e foi quando foi tomada a decisão de se sacrificar um ano de escolaridade, reduzindo o número de anos de frequência escolar, de quatro para três anos, para que, deste modo inteligente, não se deitasse tudo a perder no combate ao analfabetismo. "Mais vale um pássaro na mão do que dois a voar". 
Foi uma medida racional, ajustada às necessidades das famílias e que colheu frutos, porque simultaneamente as crianças regressaram à escola sem prejuízo dos respectivos contextos familiares  e da economia doméstica. 
 Neste momento podemos concluir que esta iniciativa representou uma "evolução" no combate ao analfabetismo de forma eficaz e não como se afirmou uma "regressão" como à primeira vista parecia ser.
Acrescento que a Escola foi um factor de mudança nas mentalidades e nos costumes e tornou-se o elemento central e de convergência nas pequenas localidades  e a sua importância foi de tal forma assumida pelas populações que toda a comunidade se envolvia e participava na vida escolar dos filhos. Tanto que a reintrodução da obrigatoriedade da 4ª classe foi novamente normalizada e (finalmente) aceite sem relutância pelas famílias..  
 . 
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De Anónimo a 25.07.2021 às 10:43


O exemplo dado do combate ao analfabetismo aqui evidenciado revela, quanto a mim, uma forma de trabalhar mais produtiva, porque dirigida a um objectivo  (sem perda de tempo com o acessório e com os vícios dos "rodriguinhos" que bem conhecemos hoje).  

-  Mostra um extraordinário interesse de conhecimento do país real e proximidade das populações. 
- Revela ainda uma surpreendente capacidade de Planear, Planificar, Delinear Estratégias racionais e "descomplicadas", com Estratagemas "pensados" com um objectivo específico,  tornando, assim, cada medida mais "direccionada", logo, mais eficaz por ser adequada à área onde se pretende actuar, neste caso, o combate ao anafabetismo.

- Ora isto chama-se "fazer o trabalho de casa", i.e., pressupõe um estudo prévio, com recolha de informação e de dados no "terreno"  o que propiciava, desde logo, uma coisa que hoje praticamente desapareceu: a proximidade e o envolvimento com as populações. Daí resultou:
- um grande interesse em conhecer as especificidades das populações e  capacidade de Adaptação aos contextos sociais da época, de acordo com as suas  necessidades, sem ruptura com as suas tradições e respeitando as características culturais.   


Hábitos que se perderam... Vícios que se adquiriram e sobretudo muito ignorar o país e as populações.
O contraste com o desfasamento que hoje existe entre os poderes "distantes" de uma casta oligárquica que paira acima de todos nós, vivendo numa bolha inatingível e desconhecendo por completo a realidade e por isso sem uma estratégia, sem um plano, sem um Objectivo para o país  r e a l .

Surpreendente ao que nos conduziu a Democracia. A velocidade alucinante a que os seus carros topo-de-gama voam, passando por nós sem nos ver, atrás de vidros fumados, é bem o símbolo  desse poder que nos ignora Decepcionante!

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