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God Bless America

por Jose Miguel Roque Martins, em 26.01.22

Ao contrario de muitos, aceitaria pagar um preço para não depender do escudo protector dos EUA. Não porque considere os EUA uns monstros, pelo contrario, acho que muito lhes devemos, mas porque um dia, poderemos vir a ser confrontados pela  sua falta de interesse em assumir sacrifícios pela nossa defesa.  Esse dia não parece muito distante se é que não chegou.

A crise na Ucrânia é , em larga medida, uma resposta à enunciação estratégica de que é no Pacifico que se jogam os principais interesses dos EUA, agravada pela vulnerabilidade e falta de interesses comuns dos países ocidentais Europeus. Teria Putin sequer imaginado esta jogada arriscada e perigosa, se sentisse o compromisso totalmente empenhado dos EUA na defesa dos interesses de segurança dos Europeus?

Para além de criticas estapafúrdias, a esquerda sempre lembrou, bem, que o imenso esforço económico Americano na defesa da Europa, não era por amizade, mas por interesse. Fizeram-no por calculo? Obviamente. Apenas quem acredita no Pai Natal ou no Socialismo, pensa que, no mundo real, as pessoas, países e instituições se movem essencialmente por ideais.

Foi também por calculo, que os países Europeus não investiram na sua defesa, ficando mesmo aquém dos compromissos contratualmente  assumidos, convencidos de que o interesse dos EUA seria eterno e que para sempre se poderia contar com um alinhamento milimétrico de interesses.

God Bless America por décadas de protecção, mas é tempo da Europa começar a fazer pela vida,

 



6 comentários

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De anónimo a 26.01.2022 às 12:17


"Diplomacia" informal. Desenha-se no caso da Ucrânia uma situação semelhante à "crise dos mísseis" com os mísseis russos em solo cubado. Via diplomacia informal os norte-americanos retiraram os seus mísseis da Turkia e os russos retiraram os seus de Cuba. Ambos, EUA e Rússia, sabem que numa contenda total não haverá vencedores. As forças militares precisam de quando em vez de dar prova de vida.
Quanto aos países da União Europeia e restantes países europeus, não estão "praí" virados. Não há dinheiro para grandes forças militares apenas muita sarna para se coçarem.
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De balio a 26.01.2022 às 15:42


A crise na Ucrânia é, em larga medida, uma resposta à enunciação estratégica de que é no Pacifico que se jogam os principais interesses dos EUA



Não. A crise na Ucrânia foi criada pelos EUA, que resolveram queixar-se que a Rússia tencionava invadir - coisa que a Rússia nunca disse ou sugeriu que tencionasse fazer. A Rússia apenas acumulou tropas perto da fronteira - coisa que já tinha feito, da mesmíssima forma, há um ano, e nessa altura não invadiu, tal como agora não invadirá.


Trata-se de uma crise artificial, criada pela Ucrânia (que tem a mania de gritar "lobo" para extrair mais um bocado de dinheiro à União Europeia, como agora extraiu) e pelos EUA. Os quais pelos vistos continuam muito interessados na Europa, mais que no Pacífico.
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De balio a 26.01.2022 às 15:43


Teria Putin sequer imaginado esta jogada arriscada e perigosa


Qual jogada? Putin apenas movimentou as suas tropas dentro do seu território. Não fez jogada nenhuma, fez aquilo que qualquer país tem o direito de fazer.
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De Anónimo a 26.01.2022 às 20:22

Não esquecer que os E"U"A  renunciaram , formal e oficialmente,  , a ser WASP...
Thomas Jefferson, R.Lee,  "Ted" Roosevelt  já foram "apeados"...Outros aguardam...
Se aceitarmos as palavras de Ignacio Camacho ( ABC ) de que , no Afeganistão, "un bando de cabreros armados con Kalashnikov"  expulsou o "mais poderoso exército do Mundo" , é de aguardar , com justificada curiosidade, quem estará disposto a morrer por uma parte da Ucrânia...e, já agora,  em nome de que País...
JSP


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De passante a 26.01.2022 às 23:38

God Bless America por décadas de protecção,


Contra a URSS, suponho.


Mas note-se que a URSS foi muito útil aos EUA - ajudou a tirar os europeus de África, antes que ali fizessem um bloco geo-estratégico embaraçoso, e justificou um fabuloso orçamento militar em tempo de paz.


As más línguas dizem que o camarada Lev Davidovitch Bronstein trouxe 20 milhões de dólares de Nova Iorque em 1917, que gastou na Rússia sob o nome de Trotsky. Terá sido um bom investimento.

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De Anónimo 78 a 27.01.2022 às 10:55

Antecipadas desculpas porr um comentário fora da linha dos anteriores.
<i>...é tempo da Europa começar a fazer pela vida,</i>
O primeiro problema é a França. Os franceses sempre foram ciosos do que entendem ser a sua importância para o mundo. A CEE foi inicialmente um negócio paritário entre a agricultura francesa e a indústria alemã mas quando recentemente um jornalista perguntou a Macron o que achava do facto da economia alemã ser dominante, Macron (fez-me lembrar Kim Jong-un) disse que isso era verdade mas militarmente a França era mais forte. É minha opinião que os franceses não aceitarão uma evidente superioridade militar alemã (seria o que faltava para Le Pen ou outro acabar com a UE) nem os alemães aceitarão fazerem um exército e pô-lo sob comando alheio.
Outro problema são outra vez a França e todos os países do Sul que durante anos nem conseguiram cumprir o acordo da NATO de atribuírem 2% dos orçamentos aos gastos com a Defesa. Ora para criar um exército europeu (que não seja exclusivamente alemão e sueco e francês, se possível) não vão chegar 2%, que terão de ser retirados do investimento público e das políticas sociais. Qualquer governo que o tente, cai nas primeiras eleições ou na primeiro moção de censura. Ou seja, só seria possível por decisão supranacional (ainda que negociada) mas os protestos de rua levarim ou à queda dos governos ou a algumas supressão das liberdades. Veja-se o que por muito menos, fizeram os "coletes amarelos" que forçaram Macron a recuar.
A mim parece-me um drama de Shakespeare. Os dados são claros, a tragédia identificada mas as circunstâncias impedem que possa ser evitada.

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