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Gente realmente importante

por João-Afonso Machado, em 07.12.19

IMG_2149.JPG

Viveu uma vida inteira de lavoura. E dela tirou o bastante para comer e construir a sua casinha, que é o seu orgulho. Com toda a razão, na simplicidade das suas paredes e no bom gosto dos caixilhos verdes e brancos das janelas; ou nos bem tratados buxos do jardim, nas suas cameleiras também.

A senhora tem aparecido na televisão. Chama-se Maria da Glória Gonçalves e vive em Ribeira de Baixo, ali ao lado de Ribeira de Pena. Uma povoação condenada a submergir após a conclusão da nova barragem sobre o Tâmega, a barragem de Daivões.

O Estado pretendeu indemnizá-a com 76 mil euros. Ela diz que com isso compra um terreno, mas não sobra para o resto. Para nele edificar uma casa, entenda-se. E que não pretende dormir em cima do dito terreno...

A alternativa foram uns contentores colocados em Ribeira de Pena. Mas o próprio Presidente da Câmara opôs-se a essa desumanidade. E estamos nisto...

Maria da Glória Gonçalves é perseverante: dali não sai, assegura. A água ainda demorará uns anos a atingir aquela quota. É assim mesmo - contra o Estado, marchar, marchar!



8 comentários

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De Luís Lavoura a 09.12.2019 às 10:31

O Estado pretendeu indemnizá-a com 76 mil euros. Ela diz que com isso compra um terreno, mas não sobra para o resto.

Isso é falso. Só pode.

Na minha zona, que é mais litoral e muito mais rica que Ribeira de Pena, um terreno perto de uma aldeia com aptidão para construir uma moradia custa da ordem de 20 mil euros. Não custa 76 mil, nem um terço disso custa.

Já a construção pode ficar bastante cara, sem dúvida. Agora, dizer que um terreno custa 76 mil euros, é uma mentira.
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De EMS a 09.12.2019 às 10:56


Não entendo porque quer tanto diabolizar o estado.

É uma empresa privada que vai construir e explorar a barragem.

Também é essa mesma empresa que está a pagar indemnizações consideradas insuficientes e,  a meu ver, a gerir de uma forma desumana o processo de realojamento.
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De Luís Lavoura a 09.12.2019 às 11:27

<i>O Estado pretendeu indemnizá-a com 76 mil euros.</i>

<i>contra o Estado, marchar, marchar!</i>

O autor do post parece-me estar serimente equivocado quanto à construção de barragens em Portugal. É que, elas não são construídas pelo Estado, mas sim por empresas privadas. Nomeadamente, a barragem de Daivões está concessionada à empresa Iberdrola (declaração de interesses: sou cliente dela), e será essa empresa, creio, quem terá oferecido os 76 mil euros de indemnização à senhora.

Portanto, se o autor do post quer marchar, marchar!, então àvante! Mas não se equivoque no sentido da sua marcha - é contra a Iberdrola, não contra o Estado.
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De Luís Lavoura a 09.12.2019 às 12:34

As indemnizações oferecidas têm, em geral, em conta o valor de mercado das casas.
Ora, o valor de mercado da casa, velha e com deficientes condições, que a senhora habita será, provavelmente, muito baixo. É uma casa de madeira carunchosa, com pouco ou nenhum isolamento térmico, telhado de chapa, etc.
Já se a senhora quiser construir uma casa nova, com materiais modernos e em boas condições, pois sair-lhe-á mais caro. Sem dúvida.
Mas é assim que é justo: indemniza-se a pessoa pelo valor do barraco que ela habita, não pelo valor da boa casa que ela pretende construir. Não se compreenderia que se fosse oferecer à senhora uma casa nova em troca de uma velha.
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De João-Afonso Machado a 09.12.2019 às 13:14

Está concessionada à Iberdrola, não está? E por quem? Por si?
Para que saiba, esta barragem corresponde a mais um dos projectos megalómanos de Sócrates.
Quanto à casa (que não é a que se vê na ftgrf) - nova, impecável, com jardim, árvores e canteiros e ausência de alumínios. A ensinar muita gente o que é ter um gosto austero mas bom.
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De Luís Lavoura a 09.12.2019 às 13:23

Está concessionada à Iberdrola pelo Estado, mas quem decide se a constrói, como a constrói, quando a constrói, e que indemnizações paga, é a Iberdrola. No limite, a Iberdrola tem todo o direito de decidir não construir a barragem. Logo, repito: se o JA-M quer marchar, marche contra a Iberdrola, dizendo-lhe que, ou não construa a barragem, ou então pague indemnizações mais altas.

Quanto à barragem ser um projeto "megalómano" de Sócrates, pois parece que a Iberdrola não concorda com o JA-M: para a Iberdrola, a barragem faz sentido e será rentável, logo, não é nada megalómana. O JA-M tem que ir explicar à Iberdrola que a barragem é megalómana, não é a nós (a mim e aos outros leitores do blogue) que deve fazê-lo.

Tome consciência, JA-M, que já não estamos no tempo de Salazar, nem de Vasco Gonçalves: atualmente, os projetos de produção de energia elétrica são privados. Quem decide construir ou deixar de construir centrais produtoras são empresas privadas, não é o Estado.
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De João-Afonso Machado a 09.12.2019 às 13:45

A Iberdrola ganhou um concurso público estadual.
Claro que a obra lhe interessa, senão não concorria ou rejeitava a concessão. Tudo pressupondo fazer as contas bem feitas (embora o próprio P. da Câmara não vá nessa conversa). E a Sócrates também, o seu Governo delas sempre quis viver.
Salazar e V. Gonçalves desconheço - sou de tempos antigos, os d' El-Rei nosso Senhor. 
Agora LL, tenho de me ausentar. Se quiser insistir na sua história, só logo à tarde lhe poderei responder.
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De Anónimo a 11.12.2019 às 11:46

E se o Estado desta vez não tem culpa, fica para quando tiver! 
O Estado passa a vida a assenhorar-se de tudo que é nosso por mais humilde e rudimentar e pobre que seja . Leva-nos tudo, para a ralé depois ir estoirar para Paris...
Grande e sabedora cronica ...

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