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Fogos e incentivos

por henrique pereira dos santos, em 25.09.17

Um dia destes um amigo do Facebook perguntava-me se pagar por horas de vôo, em vez de pagar por disponibilidade, não era um incentivo aos fogos.

Disse imediatamente que não, não me parecia que o problema se pusesse assim, e que a variabilidade interanual era muito grande, portanto descartei a hipótese em duas penadas, no que diz respeito aos meios aéreos.

Mas depois fiquei a pensar: e se a mesma lógica se aplicasse ao dispositivo das corporações de bombeiros, valeria a pena?

O pagamento às corporações de bombeiros tem, se não me engano, três grandes gavetas: 1) o pagamento estrutural, com base numa fórmula complicada em que entra, por exemplo, o números de saídas (esqueçamos agora o que isso pode significar de empolamento das famosas ignições); 2) o pagamento de infra-estruturas; 3) o pagamento de despesas incorridas (quilómetros percorridos, refeições servidas e coisas assim).

Saltemos por cima das minudências e salto eu por cima do que defendo: a separação do combate aos fogos florestais da protecção civil (os fogos florestais são um problema de gestão de perdas económicas que deve ser feito por quem sabe de gestão florestal e conhece bem o comportamento do fogo naquelas circunstâncias, é por isso uma tarefa muito qualificada e que requer conhecimento de gestão florestal), a profissionalização do combate aos fogos florestais e a criação de um corpo profissionalizado único de bombeiros florestais, o que penso que não será feito por nenhum governo, pelo menos sem ser muito gradualmente e com pezinhos de lã.

Resta por isso ir vendo o que pode ser mudado aos poucos no que existe, o que abre espaço ao uso do financiamento das corporações de bombeiros como incentivo.

Na verdade, se em vez do complicado ressarcimento de despesas, que exige um pesado sistema burocrático de controlo e é, necessariamente, muito permeável a abusos e fraudes, as corporações de bombeiros fossem pagas por disponibilidade, deixava de ser indiferente fazer muitos ou poucos quilómetros, ter muitos ou poucos homens num fogo, etc., pelo contrário, quanto mais eficiente fosse o combate, menores seriam as despesas para uma receita igual.

Talvez valesse a pena estudar esta hipótese a sério.



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