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Fogos de Inverno

por henrique pereira dos santos, em 14.01.25

fogo californea.jpg

O boneco acima foi publicado por Paulo Fernandes, com a seguinte legenda: "Há duas Califórnias, uma rica em recursos e conhecimento, com o mais poderoso exército de combate a incêndios do mundo ..., a outra pobre em ambas as coisas mas com muito gado e um mosaico de fogo frequente e pequeno. O mapa mostra bem quem obtém os melhores resultados".

O mesmo Paulo Fernandes deu-me a conhecer um fogo que ele descreveu do seguinte modo: "Foram 1742 ha, 17 de dezembro de 2001 em Góis. Algum vento (20 km/h) mas nada de especial e globalmente perigo meteorológico apenas moderado". Aqui está a fotografia do dito fogo:

fogo dez Góis.jpg

E acrescentou informação que me parece de interesse geral: "Em fev-março costumam ocorrer fogos de vento Fohen, como na Califórnia, nas serras de Aveiro, com vento leste. Não é difícil antever que possam ser mais graves com a conjugação certa de vento e secura".

O que se passou na Califórnea (tanto quanto percebi do que fui lendo, se já me custa perceber o fogo em Portugal, menos ainda me sinto à vontade para falar de fogos fora deste cantinho) foi uma conjugação de uma seca prolongada, ventos habituais, mas que desta vez mais fortes e uma lógica de gestão do território que esqueceu as lições do passado sobre o risco de fogo, nomeadamente no que diz respeito à necessidade de preparar as casas para as chuvas de fagulhas que ocorrem nos incêndios deste tipo (muito intensos, com ventos muitos fortes e uma grande quantidade de combustíveis secos disponíveis).

Nestas circunstâncias o combate é practicamente inútil, e o que há a fazer é sair da frente por um caminho seguro, deixando para trás o que tiver de ser.

O facto de isto ter ocorrido no Inverno não é muito relevante, a temperatura não é um factor determinante, sobretudo se comparado com secura e vento, nem um sinal relevante de alterações climáticas (vale a pena ouvir aqui a sensatez de Carlos da Câmara sobre este ponto em concreto).

Falar de alterações climáticas sobre estas matérias, como explica aqui quem sabe, não é muito útil, podendo mesmo ser contraproducente, não porque não estejam a ocorrer alterações climáticas, mas porque para a gestão do fogo é muito mais relevante a gestão de combustíveis e a engenharia das construções que as adaptem para as poucas vezes em que o fogo ocorre em condições extremas porque, tarde ou cedo, isso acontecerá e o combate será pouco mais que inútil.

Fogos de Inverno sempre houve e haverá, a maior parte dos quais, muitíssimos úteis e que devem ser deixados em paz, acompanhados, mas deixados em paz, porque são uma maneira muito barata e eficiente de evitar problemas no Verão.

Mas com combinações de vento e secura que, sendo raras, podem acontecer, a coisa pode ser um problema sério, num Inverno qualquer, se continuarmos neste sonambulismo sobre gestão de combustíveis finos que resulta do abandono das terras marginais e pobres.


12 comentários

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De henrique pereira dos santos a 16.01.2025 às 11:13

Faça as contas à energia produzida no fogo e à quantidade de água necessária para a absorver.
Depois descreva a cadeia logística para garantir que essa água está onde faz falta.
Depois calcule os tempos necessários para pôr essa água onde a quer.
Depois compare com a velocidade de evolução do fogo.
Nessa altura descanse e deixe de dizer disparates sobre um assunto sobre o qual desconhece o básico do básico.

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