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Fogo e sociedade

por henrique pereira dos santos, em 28.09.17

Uma das dificuldade de gestão do problema dos fogos por parte de qualquer governo é a discrepância entre o peso social dos fogos no Verão e a sua irrelevância no resto do ano.

No ano passado, depois de arderem perto de trinta mil hectares na zona em que a Montis tem, por enquanto, grande parte da sua actividade, resolvemos promover um passeio, mais ou menos de dois em dois meses, com pessoas que sabem do assunto, pelas áreas queimadas.

A ideia era ir falando do fogo fora da pressão dos fogos de Verão, demonstrar que o fogo não é todo igual, mostrar, no concreto, que há diferenças grandes dentro de áreas ardidas, mostrar que não são um deserto uniforme e, ao mesmo tempo, ir acompanhando a recuperação das áreas ardidas.

A ideia central é aumentar a capacidade de compreensão do fogo, os mecanismos que geram o padrão de fogo que temos e explicar como evolui a vegetação após fogo, no sentido de aumentar a capacidade crítica sobre as políticas de gestão do fogo e do mundo rural.

O programa tem sido executado, já estiveram connosco Manuel Rainha, Paulo Fernandes, António Salgueiro, Hélia e Elisabete Marchante, os três primeiros altamente qualificados no uso do fogo e as duas últimas altamente qualificadas na gestão do problema das espécies invasoras, porventura o mais grave problema ambiental associado aos fogos.

O maior elogio chegou-me um dia destes numa mensagem lateral ao assunto, por parte de um dos participantes, bombeiro e que conheço mal, dizendo-me que quando participou no passeio com Paulo Fernandes e me ouviu falar pensou "este gajo é burro" mas que com o tempo e o que se passou este ano achou que afinal as coisas pareciam fazer mais sentido.

Sabendo que a Montis é uma pequena organização de conservação, que as suas actividades se dirigem essencialmente aos sócios, procurámos, na altura, que se aproveitasse a elevadíssima qualidade das pessoas envolvidas, produzindo conteúdos para orgãos de comunicação social, ou pela presença de um jornalista, ou podendo nós produzir informação que os jornalistas usariam como entendessem.

Ninguém mostrou o mínimo interesse em tirar partido desta produção de informação concreta, com pessoas muito qualificadas, sobre o assunto que aparentemente interessa a todos e, ainda por cima, de forma muito barata.

Continuamos com o programa de visitação e discussão do fogo, fora da época alta dos fogos, e neste dia 14 de Outubro lá teremos o Henk Feith connosco. Seremos os mesmos do costume, entre os cinco do passeio menos concorrido, aos vinte e poucos do passeio mais concorrido.

E seremos o espelho da forma como a sociedade se relaciona com a gestão do fogo: aos milhares quando é para correr atrás das chamas, uma dezena quando é para compreender o que podemos fazer para não ter de correr tanto atrás das chamas.

Declaração de interesses: sou o presidente da Montis

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4 comentários

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De carlos gonçalves a 30.09.2017 às 00:12

("porventura" em vez de "por ventura"...)
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De henrique pereira dos santos a 30.09.2017 às 20:03

hesitei, não fui verificar porque estava com pouco tempo (e também por gostar da vincar a ideia de "por ventura", mas corrijo já
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De carlos gonçalves a 30.09.2017 às 20:40

Também gosto de "por ventura". É muito mais belo que "por sorte". Mas achei que queria dizer e pareceu-me que só poderia querer dizer "por acaso".
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De henrique pereira dos santos a 01.10.2017 às 07:05

Sim, não há a menor dúvida que o sentido da frase é por acaso e, como disse, foi simplesmente um erro de ortografia em que hesitei e não fui verificar. Mas, ao mesmo tempo, gostaria de poder manter a ideia de que é por acaso que estou a dizer, mas também é uma sorte que assim seja, porque se a esse problema dos fogos se juntassem muitos outros ambientais, a situação seria mais complicada.
Em qualquer caso, foi um erro de ortografia e agradeço a correcção que foi feita.

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