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Filomena Martins e o resto da redacção do Observador

por henrique pereira dos santos, em 12.09.20

Já referi aqui como são divertidos os comentários de Filomena Martins aos números que vão sendo publicados em Portugal sobre a pandemia.

O mais interessantes desses comentários é o facto de Filomena Martins conseguir fazer uma coisa que é realmente difícil: a partir de números reais, tortura-os até que digam o que Filomena Martins quer - é fantástica a ginástica que faz para responder de raspão ao facto de lhe fazerem notar que os casos aumentam, mas a mortalidade não - mas mantém sempre uma grande capacidade de ir sempre citando números reais.

Desta vez a ânsia de drama, a vontade de nos pôr todos preocupados, vai aliás dizendo várias vezes que nos devemos todos preocupar, vai tão longe que resolveu alindar os números, dizendo que os três mortos de ontem tinham todos entre 40 e 49 anos.

Não liguei muito à afirmação, até porque na verdade não ouço os comentários como leio notícias, ouço os comentários como quem ouve stand-up comedy, portanto o rigor informativo que espero é o que espero de um comediante, e guardei na secção "números pontuais sobre os quais se retiram ilacções gerais sem qualquer legitimidade ou racionalidade".

Mas como morrerem três pessoas, no mesmo dia, naquela faixa etária, sendo uma possibilidade, é de alta improbabilidade, resolvi ir ver o que diz o Observador: "Dos três mortos registados no boletim desta sexta-feira, um tinha entre os 40 e os 49 anos. Outro dos mortos foi registado na casa dos 60 aos 69 e o último tinha mais de 80 anos".

E pronto, é isto o que a imprensa tem para nos oferecer.

Não, não é apenas Filomena Martins que funciona assim na redacção do Observador a propósito da epidemia, é praticamente toda a redacção que escreve sobre a epidemia e que acha que o seu papel de serviço público é levar-nos a ser socialmente responsáveis, e não transmitir informação minimanente objectiva.

Nada de novo, é verdade, mas é pena assistir em directo ao suicídio da imprensa às mãos dos que deveriam ser os principais interessados em mantê-lo vivo.



3 comentários

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De Anónimo a 12.09.2020 às 16:56


200, 300 400 infetados....
Não seria mais esclarecedor e responsável uma informação completa?.



"Dia AAAA/MM/DD, Covid-19.

500 testados. 400 infectados dos quais 300 assintomáticos.
XXX entraram em regime hospitalar. YYY tiveram alta"



 400 infectados !!!...Afinal não é o mesmo testar 400 e surgirem 400 infectados, ou testar 10 milhões e surgirem os mesmos 400 infectados.
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De Antonio Maria Lamas a 12.09.2020 às 19:11

Gostava que os media se debruçassem sobre o "mistério" dos 5.800 mortos a mais no período compreendido entre Março e Maio dos quais só 1800 são do C19.
Isso é que eu gostava de ver explicado pela DGS e o MS.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 13.09.2020 às 13:30

Caro António,


Tambem gostava. A actual situação veio comprovar que o "jornalismo" português é, de modo geral, miserável.
Como se costuma dizer, ums galinha nunca será águia, por mais que bata as asas.
Catarina Silva

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