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Falta a Maioria Absoluta

por Vasco Mina, em 16.05.17

O João Miguel Tavares, no seu artigo de hoje do “Público” coloca, em título, a seguinte questão: “O que é que mais pode correr bem?” Como habitualmente, o texto é excelente, sempre muito certeiro e com um humor inexcedível. Falta apenas a resposta e em minha opinião o que falta mesmo a António Costa é ganhar as eleições legislativas e com maioria absoluta. É que à atual solução governativa carece alguma legitimidade política em termos de votos. O grande desafio do PS em 2017 não é ganhar as autárquicas (cuja vitória já está garantida) nem cumprir o défice (que já se percebeu que vai conseguir atingir), mas sim livrar-se do PCP e do BE que (não surpreendentemente) vão aumentando semanalmente a parada de exigências ao Governo. Aguardar pelas eleições até ao final do mandato (ou seja, final de 2019) poderá ser muito arriscado pois apesar dos bons ventos (nacionais e internacionais) vivemos tempos em que o imprevisível é uma constante.

Nestas circunstâncias, António Costa necessita de gerar um acontecimento político que possa provocar eleições legislativas antecipadas. O atual PM já demonstrou habilidade política suficiente para uma manobra deste tipo. Precisa, apenas, de convencer Marcelo Rebelo de Sousa e para tal tem de encontrar argumentação que deixe o PR sem alternativa. Um cenário possível é o da apresentação do Orçamento para 2018 com propostas inaceitáveis para os seus atuais parceiros políticos. Note-se que as eleições autárquicas se realizarão a 01 de Outubro e que o OE terá de ser entregue na AR cerca de duas semanas depois. Tempo suficiente para o Governo introduzir alterações no OE que significarão, para comunistas e bloquistas,  “pisar” as tais linhas vermelhas e que jamais aprovarão.

Em Outubro deste ano o PS estará no topo das sondagens e com alta probabilidade de ganhar eleições com maioria absoluta. O PSD estará numa das suas maiores crises políticas de sempre, Assunção Cristas (mesmo com bom resultado em Lisboa) nunca conseguirá, em legislativas, um resultado acima do melhor resultado de sempre do PP. O PCP e o BE não serão levados a sério pela grande maioria do eleitorado (que se encontra ao centro e é quem decide as eleições) e não terão, por isso, resultados superiores aos alcançados nas legislativas de 2016. A somar a tudo isto, aquilo que João Miguel Tavares escrevia no artigo acima referido: “o país está tão espetacular que até parece mal dizer mal”.

O chumbo do OE conduzirá, fatalmente, a eleições legislativas antecipadas! É o que falta correr bem a António Costa!



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