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Exige-se um mínimo de sentido de Estado:

por Vasco Lobo Xavier, em 17.12.14

A questão não se resume apenas à opção da privatização ou não da TAP nem a discussões sobre as letrinhas miudinhas do memorando ou interpretações que elas possibilitem. O problema é saber se se permite que sindicatos possam manietar o Estado e chantageá-lo ao ponto de se privar o sistema democrático e constitucional de tomar as suas opções. É só isto. Não interessam as opiniões de irresponsáveis como Mário Soares, Louçã, o Bloco ou os Comunistas, a quem agora se aliam pessoas como Ferreira Leite, Bagão Felix e por aí fora, para quem quanto pior melhor, e para quem a política da terra queimada e posteriormente salgada por cautela é o melhor caminho: isso é para os doidos e eu de doidos não percebo nada. Já não é que se lixem as eleições, é que se lixem as famílias portuguesas, e é isso que essa gente quer.

Também não interessa discutir essa coisa da “qualidade do serviço público”, com que os mesmos enchem a boca quando falam dos transportes públicos, da Carris, da CP, da TAP, dos mais variados serviços públicos, do ensino público e até da RTP e da PT e do diabo que os carregue e que nos sobrecarregam de impostos, qualidade de serviço esse que ninguém vê nem sente e só se ouve falar quando querem justificar as constantes greves com que estragam a vida às mais variadas pessoas que querem e precisam de trabalhar ou de ir para as escolas.

A questão é saber: podem os sindicatos da TAP chantagear-nos? Podem manietar-nos? Um país inteiro? E quanto a isto o PS e António Costa deviam ter uma posição séria e frontal, pois mais tarde ou mais cedo terão de confrontar-se com coisa semelhante. Não interessa a privatização, é a greve: estão a favor da greve contra a privatização? Sim ou não? Estão a favor de que o Estado seja manietado desta forma pelos sindicatos da TAP? Sim ou não? Acham bem que os portugueses sejam impedidos de ver os seus na época natalícia? Sim ou não? Acham bem que a economia portuguesa seja devastada desta forma? Sim ou não? E a Madeira, cuja economia depende imenso da TAP e do fim de ano? Que se lixe também? Sim ou não?

O PS e António Costa, se tiverem um mínimo de sentido de Estado, deviam ter respostas claras. Mas não têm respostas, ou não têm sentido de Estado. Temos pena.

 


6 comentários

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De manuel branco a 18.12.2014 às 09:14


Sobre o sentido de Estado: eu não tenho posição acerca da privatização da tap, devo frisar. Agora, qualquer que seja o caminho por que enveredem , tenho o direito de querer que o processo seja transparente. E é aqui que desconfio muito do sentido de Estado do próprio Estado.

A ideia com que fiquei é que andaram, ou pelo menos quiseram dar essa ideia, à procura de comprador para a empresa. Foi a lufthansa, foi a dos EAU e aparentemente ninguém mordeu o anzol. Mais estranho foi o caso da Avianca que é uma companhia antiga. Ficou-se com a ideia de que o comprador ou não era sério ou não tinha dinheiro. E no entanto é uma grande companhia, ao que sei.

Dos nomes que por aí falam actualmente só vejo três. Duas low-cost e alguém que não é do ramo. A Azul pode estar a crescer mas é uma companhia com seis anos de vida. Que credibilidade de historial  e estabilidade pode ter? a globalia nem fui verificar mas é outra low-cost. Julgava eu que se a TAP fosse vendida seria para uma empresa de linha, estabelecida e com créditos. Fosse ela qual fosse. Mais estranho ainda é o caso de Pais do Amaral, sem ligações à aviação civil. Só que aqui a coisa pode até suscitar mais interrogações: ele é o acciionista principal de uma empresa cotada na bolsa, a reditus, que entre as empresas que comprou conta a tecnoforma e a forminfvest, ou pelo menos uma delas. Porque razão nenhuma grande companhia mostrou interesse? porque a tap está tão mal que não tem interesse? ou porque sentem que não vale a pela concorrer?

Responsabilidade e transparência com os dinheiros públicos não são monopólio dos sindicatos. Começa pelo governo e é aqui que eu espero que as coisas fiquem claras, tintim por tintim. Música tipo  os privados são melhores porque são  e é esta a nossa ideologia para acabar no final no liberalismo de 1834 é que não. 
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De Vasco Lobo Xavier a 19.12.2014 às 01:49

Meu Caro, eu não sei tanto do negócio como você. Sei que este tipo de chantagem para impedir decisões legítimas e democráticas, ao nível da chantagem, não devem ser permitidas. E que o PS deveria ter uma posição clara sobre o assunto. Já se o negócio é bom ou mau, não falo, não sei, não estudei. Sei que já não tenho mais dinheiro para pagar mais impostos para o Estado gastar mais dinheiro para injectar capital na TAP de que esta precisa para sobreviver. Não tenho. E o meu banco diz-me que já não me empresta mais dinheiro se eu só o utilizo os empréstimos para pagar impostos. Estou a brincar. Quase. Mais ou menos.

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