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Ex Ministro do Ultramar confessa que…

por Vasco Mina, em 26.07.14

“Sou contra o neoliberalismo repressivo”. E quanto às políticas do Estado Novo? Porque reabriu, à época, o Campo do Tarrafal? Neste ano em que comemoramos os 40 anos do 25 de Abril  recordo-me sempre de um comentário do meu pai que sempre fazia, nos tempos do PREC, quando discutia política com os amigos: “Tanto anti-fascista e eu nunca tinha dado conta!” O Prof. Adriano Moreira dá hoje uma entrevista no Jornal i que é de leitura obrigatória pois partilha uma visão muito lúcida e estimulante da política internacional e do posicionamento estratégico histórico e atual de Portugal. Mas, confesso, surpreende-me sempre que responsáveis do Estado Novo (sim, governantes de Salazar e Marcelo) se assumem, pela via da repressão / limites à liberdade, contestatários dos atuais modelos de governação. Reconheço, também, dois aspetos positivos nestas intervenções: i) mudanças de perspetiva com o caminhar e a leitura dos tempos (como diria alguém, “só os burros não mudam”); ii) tolerância e integração política da sociedade portuguesa para quem teve, no passado, outras responsabilidades políticas que hoje seriam objeto de crítica.



4 comentários

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De xico a 26.07.2014 às 13:44

Confesso que tenho dificuldade em perceber onde quer chegar. Acha então que o actual governo está tão próximo de Salazar que os que com ele trabalharam deviam apoiar Passos Coelho?! É isso?
Ou quer dizer que o Estado Novo se assumia como um sistema neo liberal, ou até liberal (económicamente, bem entendido)?
É que se for isso muito surpreendido ficaria em saber que um estado corporativista se pudesse identificar com o liberalismo económico.
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De Orlando Braga a 27.07.2014 às 17:31

Este texto (http://corta-fitas.blogs.sapo.pt/ex-ministro-do-ultramar-confessa-que-5787705) de Vasco Mina é o exemplo acabado do efeito da segunda lei da termodinâmica, ou princípio da entropia (http://sofos.wikidot.com/entropia), aplicado às ideias. Bergson escreveu o seguinte:


“A palavra vira-se contra a ideia. A letra mata o espírito. E o nosso mais ardente entusiasmo, quando se exterioriza em acção, condensa-se por vezes tão naturalmente em frio cálculo de interesse ou vaidade, um adopta tão facilmente a forma do outro, que poderíamos confundi-los, duvidando da nossa própria sinceridade, negando a bondade e o amor — se não soubéssemos que a morte conserva ainda algum tempo as feições do vivo”. (“A Evolução Criadora”).


O tempo separa a ideia e o real, que originalmente pareciam muitíssimo unidos. O tempo separa a ideia do seu sentido original, e sem que a ideia dê por isso… separa, e depois opõe a ideia e a acção que reclama a ideia… a acção, depois de instalada a entropia (http://sofos.wikidot.com/entropia), introduz ruído no diálogo entre a ideia e o real até que o diálogo se transforme em um monólogo de um ventríloquo.


Foi o que passou com Marcello Caetano, e agora passa-se com Passos Coelho.


Ambos acabaram em monólogos de ventríloquos — o primeiro com as “conversas em família” na televisão, entropicamente já muito afastadas das ideias de Salazar; e o segundo em um monólogo de ventriloquia acerca da ideia de “liberdade” que se afastou da ideia original de “liberdade” que surgiu depois do 25 de Novembro de 1975, com Sá Carneiro, Amaro da Costa, Ramalho Eanes, e outros.


E o Vasco Mina — o autor do texto (http://corta-fitas.blogs.sapo.pt/ex-ministro-do-ultramar-confessa-que-5787705) — só vê a putativa (e discutível) entropia das ideias de Adriano Moreira; não consegue ver a sua (dele, do Vasco Mina) própria entropia, porque ele continua a considerar a “liberdade” aquilo que já não é.


O neoliberalismo é de facto repressivo; Adriano Moreira tem toda a razão.


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De Vasco Mina a 27.07.2014 às 21:04

Caro Orlando Braga,
Eu também considero que o neoliberalismo (seria interessante definir bem o que significa este conceito mas vou assumir aqui, para efeito do debate, a dimensão que habitualmente é comentada pela esquerda) tem aspectos que são repressivos. Agora eu não me recordo alguma vez ter ouvido ou lido que o Prof. Adriano Moreira tenha considerado o sitema político e económico do Estado Novo como sendo repressivo nem tão pouco uma referência à prisão do Tarrafal. Por convite de Salazar e por opção própria aceitou (já no imnício da década de 60) ser governante e isso significa, em qualquer circunstância e para qualquer Governom, que se aceita o sistema vigente. Por isso e apesar de concordar com parte do conteúdo intríseco da afirmação, fico surpreendido com o que hoje se afirma tendo em consideração o que no passado se assumiu e nunca se criticou. Isto sim é que é a verdadeira entropia.
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De c. a 30.07.2014 às 15:40

O autoritarismo - e uma vasta "coorte" para o servir e perpetuar - são uma pecha nacional.
Veja-se, por exemplo, como se quer impor uma mudança ortográfica - sem qualquer parecer favorável, excepto o de um dos responsáveis dela e contra todos os restantes pareceres, alguns emanados de organismos oficiais - e se encontra gente disposto a obedecer.

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