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Eureka!

por henrique pereira dos santos, em 27.04.20

Desde que me comecei a interessar pelo assunto da epidemia em curso que estranho a quantidade de pessoas, especialmente das que têm formação em ciências biológicas e afins, das quais discordo na forma de lidar com este surto epidémico.

Um excelente artigo de João Pires da Cruz fez-me ver as coisas de forma mais clara e perceber melhor a raiz dessas divergências, de muito do medo instalado e do apoio generalizado à adopção de medidas não farmacêuticas que ofendem direitos fundamentais das pessoas, sem que exista evidência sólida da utilidade de cada uma delas.

Lavar as mãos, de longe a medida não farmacêutica sobre a qual existe maior consenso e evidência empírica da sua eficácia, quase não aparece nas discussões, quando comparada com a ideia maluca de que passear cães é uma justificação mais válida para os Estados deixarem pessoas sair de suas casas que passear crianças.

Finalmente percebi os dois pontos fundamentais em que assentam as diferentes abordagens do problema.

A primeira, muito evidente no artigo que citei acima, é o diferente valor que atribuímos ao facto do contágio da doença se fazer através de um processo em que o vírus não passa directamente de uma pessoa para outra, mas sim através de um período em que o vírus tem de estar no meio exterior, que lhe é hostil, entre infectante e hospedeiro.

Já tinha uma ideia de que a desvalorização deste passo justifica muitas divergências, mas só quando li o artigo percebi até que ponto condiciona a visão da coisa, ao ver que como este passo está totalmente ausente do artigo em causa, levando à conclusão de que só mexendo na forma como as pessoas se relacionam se pode lidar com a epidemia.

O segundo ponto fundamental só o consegui perceber bem hoje de manhã: para a esmagadora maioria das pessoas, a percepção é a de que a principal via de contágio da doença é o facto de duas pessoas partilharem o ar que respiram.

A verdade é que não parece ser assim, muito pelo contrário, excepto em circunstâncias especiais como o contexto hospitalar (mais precisamente, para citar directamente o que Organização Mundial de Saúde diz: "In the context of COVID-19, airborne transmission may be possible in specific circumstances and settings in which procedures or support treatments that generate aerosols are performed; i.e., endotracheal intubation, bronchoscopy, open suctioning, administration of nebulized treatment, manual ventilation before intubation, turning the patient to the prone position, disconnecting the patient from the ventilator, non-invasive positive-pressure ventilation, tracheostomy, and cardiopulmonary resuscitation").

O que parecem ser as vias mais importantes de contágio são outras: a proximidade em relação a quem, estando infectado, tosse, espirra ou fala em cima de outra pessoa e, sobretudo, acima de todas as outras (existe também bibliografia para outros coronas que dão indicações nesse sentido), o toque em superfícies previamente contaminadas, seguida do toque das mãos com a boca, olhos e nariz.

Mais uma vez, a Organização Mundial de Saúde: "People can catch COVID-19 from others who have the virus. The disease spreads primarily from person to person through small droplets from the nose or mouth, which are expelled when a person with COVID-19 coughs, sneezes, or speaks. These droplets are relatively heavy, do not travel far and quickly sink to the ground. People can catch COVID-19 if they breathe in these droplets from a person infected with the virus. This is why it is important to stay at least 1 metre (3 feet) away from others. These droplets can land on objects and surfaces around the person such as tables, doorknobs and handrails. People can become infected by touching these objects or surfaces, then touching their eyes, nose or mouth. This is why it is important to wash your hands regularly with soap and water or clean with alcohol-based hand rub).

A diferente consideração por estes dois factos (que há um passo desfavorável ao vírus entre infectante e hospedeiro e que a principal forma de contágio não é a partilha do ar que respiramos, mas o contacto com superfícies onde se depositam vírus) é a origem de formas diferentes de olharmos para a gestão da epidemia: a mim não me parece que seja o contacto directo a questão central e temos de nos concentrar em reduzir o risco do contacto com superfícies contaminadas, especialmente em espaços confinados, mas quem não atribui importância a estes dois factos e está mesmo convencido de que nos infectamos muito pela partilha do ar que respiramos, é natural que ache que o fundamental é não partilharmos o ar que respiramos.

E não admira a ferocidade das discussões das divergências: conceder ao Estado o direito de não nos permitir partilhar o ar que respiramos é uma experiência social radical, corrosiva para os fundamentos da nossa humanidade e da nossa vida em comum.



31 comentários

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De zazie a 27.04.2020 às 09:54

Não é o ar- é o local- é a densidade populacional, como ele explica.
Tanto faz que seja por transmissão directa como por tocar em superfície contaminada.
O Vírus não nasce da terra nem do espaço, precisa de hospedeiro. 
O resultado é igual, para o pressuposto de que ele parte.


O Estado atribui Cartão de Cidadão para alguma coisa. 
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De Luís Lavoura a 27.04.2020 às 09:55

Eu sinceramente não percebi o artigo de João Pires da Cruz nem o vejo como "excelente". Nem tive paciência para o ler até ao fim, e não percebi qual é a mensagem que ele pretende transmitir.
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De zazie a 27.04.2020 às 12:16

O v. problema é nem saberem português. E isso aplica-se, também, ao autor do post.


Ele não fala em ar. Ele diz uma coisa básica que se resume nisto- as estatísticas são mentira porque acabam a "medir" por igual, o que é variável e não cabe nelas.


Fica-se apenas por dizer (por palavras caras) que a historieta das contaminações por milhões de habitantes não são nada porque tudo depende da distribuição deles (aquilo a que o HPS chamou ar) e isso é válido para transmissão directa como para tocar em superfície.
O problema é que há quem acredite em magia e sonhe com superfícies contaminadas pelo próprio vírus sem passar por pessoas e pelo Estado dono do ar que contamina as pessoa. 
Enfim... primária era boa recomendação. Muitos ditados. 
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De marina a 27.04.2020 às 15:07

ele quer dizer que o vírus "vive" ( está activo) num espaço/tempo diferente do nosso, logo , a nossa matemática não serve para modelar.
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De zazie a 27.04.2020 às 17:33

Está vivo, não. Só está vivo em nós. E quer dizer o que eu disse. A matemática não serve para estatísticas em que o nº seja igual para todo o local.
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De zazie a 27.04.2020 às 17:40

Que raio de "espaço-tempo" do vírus é diferente do nosso?
Acaso vive na 4ªdimensão?


leste a treta do artigo? eu, por acaso li. Se for preciso traduzo aquilo para linguagem comum.
Escreveu o que eu disse. Não serve para estatísticas por milhão de habitante. E as modelações que existem não partem de pressupostos humanos.
Ele disse que o vírus não anda à procura de hospedeiro. Pois não. Por isso o ar e o tempo não é o dele em abstracto e geral em toda a parte, para os modelos funcionarem.


O espaço/tempo é humano e depende de muitos outros factores. 
Não disse mas digo eu- até depende dos geográficos. Os gregos têm "mais ar" porque têm ilhas a separar. 


O que ninguém sabe é a tal questão "biológica" do próprio vírus. Nem sequer o Vasco Barreto responde a isso.


Claro que não é por via do palerma de informática e de quem o papagueia que se poderá saber algo do ciclo do próprio vírus.


Mas eu acredito que esse ciclo existirá- Porque o vírus não é artificial. 
Só será mais complicado de perceber esse ciclo pelas características específicas e únicas que ele tem.


E essas são muito complexas. Ninguém ainda as entendeu. Daí que não haja vacina na calha. E tratamento é melhor esquecer porque vírus não se tratam- não são moléculas. 
Em se entendendo as tais características de superfície dele, do modo como se une às nossas células, sim. Pode-se depois perceber que raio de bicho é diferente dos parentes.
O problema, dei-me conta agora, é que eles nem os parentes estudaram antes. 
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De marina a 27.04.2020 às 18:23


mas achas que o homem falou da teoria da relatividade e de nos pormos no lugar do vírus porque Zazie  ?porque as dimensões onde "vive" são iguais às nossas , pq a geometria é igual?   e sim sei que o vírus nem está vivo nem está morto, ainda para mais.
lê isto , para te entreteres.


https://www.martinsfontespaulista.com.br/matematica-do-espaco-tempo-a-teoria-da-relatividade-548001.aspx/p
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De zazie a 27.04.2020 às 18:43

Thanks. Depois leio. Agora tenho de trabalhar.
Deixei aí o resumo do sujeito.
Mais outro que conseguiu ser pago por escrever no jornal uma treta que ninguém entendeu.


Há gente com sorte, caramba.
Podiam pagar-me a mim para traduzir estes sábio-covides.
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De marina a 27.04.2020 às 18:33

aliás , se leste o artigo , deves  ter lido o titulo : "o mundo visto pelo vírus " . tens de perceber que há entes que existem , aqui na Terra , na Twilight Zone   .
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De zazie a 27.04.2020 às 18:40

Aquilo não é artigo de cientóino? como é que achas que cientóino armado em letrado fala? 
Fala cientóinês em estrangeiro. Nem o Lavoura de quântica é capaz de entender o "colega".
ehehehe
Tem de se traduzir a coisa para português, que é outro problema ainda mais difícil para gente de ciências perceber...
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De zazie a 27.04.2020 às 18:45

Oh, vai-te catar com o livro de matemática
eeheh


Eu acho que as pessoas ficam com tanta vergonha perante um tipo que se auto-intitula cientista que depois até têm medo de dizer que nem percebem a ideia do sujeito e inventam o que nem ele foi capaz de pensar. 


eehehhe
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De zazie a 27.04.2020 às 18:06

Toma lá:

1-     « O que existe para o vírus são pessoas, sendo que todo o espaço para ele é composto de contacto entre pessoas. Ainda que estas se mexam num espaço bidimensional como é o nosso chão, o espaço para o vírus tem uma geometria completamente diferente. Esta é alterada no tempo conforme as pessoas são suscetíveis ou não a transportar o vírus. Se calçarem os sapatos do vírus, percebem que o mundo para ele tem uma matemática completamente diferente.»

 

Tradução- o vírus entra onde mais facilmente consegue entrar. Portanto depende também de tempo.


2-      «O vírus vê no metro de Tóquio ou de Nova Iorque uma geometria completamente diferente daquela que vê no Sul da Líbia ou no interior do Arizona.  Fazer médias por milhão de habitantes é uma asneira infantil, mas fazer contas desde que foram implementadas medidas, que não parece assim tão pateta, depende do rigor das medidas e de como foram cumpridas pela população. Repare-se que o Norte e o Sul de Portugal estavam sujeitos às mesmas medidas de contenção e, no entanto, “por milhão de habitantes” temos resultados muito diferentes.»


Tradução- os locais e aglomerações populacionais são diferentes- a contaminação ou defesa dela também deve ser diferente. Não é percentagem por milhão de habitantes de um país- exemplo- Lisboa/Porto- Alentejo ou Norte interior isolado geograficamente

Depois diz que isto devia ser levado em conta mas não adiante como. Apenas refere que as estatísticas matemáticas não têm em conta estas variáveis.

Nem vou querer saber onde o HPS desencantou o “eureka” por um texto que nem percebeu.

 

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De marina a 27.04.2020 às 18:45


Lê isto muito bem e medita sobre o que o senhor quis dizer  " nosso chão, o espaço para o vírus tem uma geometria completamente diferente. Esta é alterada no tempo conforme as pessoas são suscetíveis ou não a transportar o vírus.."

 
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De zazie a 27.04.2020 às 21:29

Daqui a nada vou meditar na cama a pensar nisso 
AHAHAHAHAH


No planeta terra o vírus entra conforme o hospedeiro. E fica nas superfícies, de acordo com quem o transporta. 
Sendo que aí é mais complicado porque depende do local. Nos transportes não interessa a área nem o hospedeiro em particular onde ele está.
Porque há muitos a entrarem e a tocarem no mesmo "espaço geográfico" durante o dia. 
Susceptível a transportar são todos. Muito provavelmente, pelas estatísticas, são os que mais se deslocam- não aqueles a quem depois pior pode fazer.
Pela ordem de ideias dele tinha de haver confinamento com regras específicas para cada agregado familiar ou casa ou sei lá que mais.


Mais valia ser à "aldeia gaulesa". Bloqueio por bairro limpo. Mas isso só em terras pequenas se sabe e até se vai fazendo na prática. Ao princípio foi assim. Sei de terras onde havia apenas uma pessoa e até o presidente da câmara andava atrás dela porque saía de casa. 
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De marina a 27.04.2020 às 19:34


mas eu percebi o artigo , é bastante claro  e eu sou muito empático , rapidamente calcei os sapatos do vírus e imaginei outros espaços -:)   : os modelos matemáticos que os especialistas estão a usar para estudar  não servem , posto que , diz ele , como citas , mas não leste ..."  sendo que todo o espaço para ele é composto de contacto entre pessoas. Ainda que estas se mexam num espaço bidimensional como é o nosso chão, o espaço para o vírus tem uma geometria completamente diferente. Esta é alterada no tempo conforme as pessoas são suscetíveis ou não a transportar o vírus. Se calçarem os sapatos do vírus, percebem que o mundo para ele tem uma matemática completamente diferente.»



e  , conclui : "única forma de responder a este problema de engenharia era induzir alterações na geometria do espaço do vírus. A questão é que isso foi feito de forma meio atabalhoada porque ninguém tinha resolvido um problema"
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De zazie a 27.04.2020 às 21:32

Atabalhoada é favor. Esse é pior que o José Gil. Deve ser o Carlos Amaral Dias lá da paróquia, ou o bolinha semiótica à Deleuze-Guattari.
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De zazie a 27.04.2020 às 22:29

O que ele quer dizer é que o vírus também passa para os objectos e destes para as pessoas. Mas nem vejo grande diferença na questão. Apenas maior capacidade de resistência do vírus e maior contágio difícil de contrariar.


Daí que não faça grande sentido comparar com espirros de gripe e tudo o mais. Ninguém apanhava gripe com capacidade para destruir pulmões, rins, coração e meses de doença só por tocar num qualquer objecto onde alguém que nem estava doente tivesse tocado.


Este vírus é tramado. Não se sabe qual o seu calcanhar de Aquiles. Não tem grande utilidade andar a compará-lo com Ebolas ou IHV ou outras coisas ao lado. E, pior que isso, andar-se a fazer ondas acerca da perigosidade apenas com a treta das estatísticas.
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De zazie a 27.04.2020 às 18:34

A questão do ciclo de existência do vírus é mesmo a determinante.


Infelizmente, para mim, ainda não encontrei um único artigo válido que fale nisso.
Estou a falar de artigos científicos à séria e não de palermas reformados ou maluquinhos, ou gabarolas de cv martelado.


Estudo que explique mesmo, com comparações com o passado, o  que se pode saber acerca do ciclo de tempo de duração de um vírus novo.


Os que já existem não contam porque há memória no nosso organismo e, por isso, eles têm depois variações e temos de levar vacina periódica para aproveitar a memória antiga e mais defesa de variação nova.


Creio que é praticamente impossível saber-se o ciclo de vida de um vírus novo sem ser em laboratório.
Precisamente porque nunca houve sociedade alguma que não se tenha defendido e feito tudo para travar a propagação.
Um modo básico de se dizer que o vírus podia ser aniquilado era mesmo esse.
Se ficasse sem hospedeiro.


Localmente sempre foi isso que aconteceu, quando as terras se fechavam para a praga não entrar.
Agora isso é praticamente impossível nos nossos dias e acaba sempre por entrar. 
Pode acabar em lockdown total como na Nova Zelândia. 
Mas isso só é válido se eles se tornassem num satélite do planeta, isolados de tudo o resto.


Resta experiência laboratorial. 
E, em termos pragmáticos, porque válidos e logicamente possíveis, sem haver mais nada- ir-lhe dificultando a entrada.
Como todo o "parasita" que precisa de hospedeiro, sozinho, por ele próprio, não se replica. Fica mais fraco. 


Os malucos dizem o oposto- é preciso inventar muitas "caixas termiteiras" para agarrar o bicho e, enquanto se entretém com elas lá vai procriando em hospedeiro imune e não nos chateia.


É a cena do import- export de criancinhas para fazerem do tal carro vassoura que tantas palmas recebeu de gente que devia ter juízo, caso o pânico não fosse de tal ordem que estão por tudo a troco de alguma esperança.
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De henrique pereira dos santos a 27.04.2020 às 19:09

As terras fechavam-se para a praga não sair
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De zazie a 27.04.2020 às 19:18

Fechavam-se mais para não entrar. Depois de entrar isolavam-se os contaminados.


Há bons relatos históricos das pragas. Pode encontrar até no Observador um bem completo e com excelentes exemplos.


Aliás, bastava estar a par dos bloqueios que se fazem em toda a parte sem ser aqui na boa da Europa. Na Ucrânia fecham aldeias para não entrar ninguém. Bloqueio total.
Agora. Não foi há um século.
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De zazie a 27.04.2020 às 19:22

Tem aqui um artigo simples que conta histórias verídicas e, onde pode comprovar, como as sociedades se isolavam e impediam contaminações.
Nos dois sentidos. As que conseguiram que nem entrasse, praticamente ficaram imunes a 2ª vaga. 
https://observador.pt/2020/04/12/as-aldeias-gaulesas-que-resistiram-a-gripe-espanhola/?fbclid=IwAR10om3ZtHKgndhkphG0BJT-KxaKWO3cu5UmVdIg7PXsm9U6DYKwH93toIQ
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De marina a 28.04.2020 às 01:08


já me fartei de rir contigo -:)   não tens imaginação nenhuma , eu gosto  de imaginar como seria existir em universos onde   não houvesse espaço como o conhecemos nem tempo, de aí achar piada ao artigo .

quando, e se, subirmos de nível não estarás a pensar que vai ser como aqui , pois não ? na volta  "existimos" num espaço descontinuo, como o vírus,   e quadrimensional ou mais , sei lá.
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De zazie a 28.04.2020 às 08:31

AAHAHAH


O meu problema é estar vacinada contra esta língua de pau à Deleuze-Guattari
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De zazie a 27.04.2020 às 09:57

Ele não concluiu o raciocínio e podia.
Se o determinante é a engenharia onde o vírus actua e nela está incluído o espaço-tempo, então pode-se perfeitamente voltar à História e aos exemplos do passado-


Ao afastar o contágio, está-se também a aumentar tempo. E isso é válido para o vírus- fica com mais tempo e mais espaço até conseguir hospedeiro.


Resultado a tirar daqui fica à escolha de exemplos também históricos-
Tende então a enfraquecer- por falta de hospedeiro para se propagar ou aumenta de intensidade?
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De zazie a 27.04.2020 às 10:01

O enorme problema para quem precisa de trabalhar coloca-se aos que têm de usar transportes públicos.
Aí sim. Estão as superfícies porque a desinfecção delas não implica a desinfecção dos utentes e está outra coisa mil vezes pior- a porcaria do ar condicionado.
Nos autocarros devia voltar-se à boa tradição dos estores e janelas abertas e acabar com o ar-condicionado.
O problema mantém-se no metropolitano- o mais perigoso de todos os espaços. 
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De pitó a 27.04.2020 às 12:23


Henrique Pereira dos Santos, como já afirmou em diversos post, o senhor não percebe nada disto. E como também já lhe tenho escrito, toca-me a sua honestidade. Eu, com uma licenciatura em medicina, percebo umas coisas; poucas, mas percebo.

Todas as formas de Vida fazem pela sua vida. É simplesmente assim. Quem não sentir isto vai andar à nora com algoritmos, estudos e estatísticas. Coisas que são do homem mas não são da Vida. Aquilo a que chamamos de 'formas inferiores' de Vida são as superiores, dado existirem, sem grandes mudanças, há milhões de anos. Calcula-se que mais de um quinto [80%] das espécies parasitam outras. Nós, humanos, somos parasitados por fora e por dentro por milhares de 'espécies inferiores' e que, em troca nos dão 'cartões de crédito' para a nossa vida. Chama-se a isso 'simbiose' — nós damos e eles dão. Como dizem os chineses, um negócio só é bom quando satisfaz as duas partes.

Sabe, como eu:
[ * ]   que os Corona são vírus que existem há milhões de anos, vivendo e reproduzindo-se em animais vários. No homem, têm sido conhecidos como causa de constipações, de maior ou de menor gravidade; e foram cientificamente identificados há uns 40 anos.

[ * ]   que não estamos perante uma pandemia mas perante um golpe político.
[ * ]   que ainda não entendemos quem é que vai ganhar milhões de milhões com o pânico.


Espero poder escrever-lhe mais,


Abraço
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De Luís Lavoura a 27.04.2020 às 16:30

Todas as formas de Vida fazem pela sua vida.

Sim. Mas um vírus não é uma forma de vida. Um vírus não vive: apenas se reproduz, e mesmo isso, somente quando tem à sua disposição uma célula viva para poder fazer o trabalho por ele.

Um vírus é como um capataz: não trabalha, apenas dá instruções a quem trabalha.
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De zazie a 27.04.2020 às 17:46

Exacto! até que enfim que o Lavoura diz alguma coisa certa e útil para o outro que tem a mania que é médico.


Dá ordens, É isso mesmo. Entra e dá ordens e o nosso organismo obedece trama-nos.
Dá ordens com uma eficácia que só a Natureza consegue. 
Daí poder-se dizer, em termos figurados, que é vida. Apenas por isso. E isso não é vantagem nossa sobre ele. É o inverso.


Agora como é que algo tão eficaz conseguiu esta mutação apenas por entrar no estômago de chineses, sendo que depois nem eles tiveram infecções preliminares  e também falam do "1º caso" é algo que me ultrapassa.


A entrada de um vírus por via do estômago é coisa que não me parece conseguir logo uma mutação rápida no ADN...
Se tivesse entrado directamente no sangue, sim. Parecia-me mais viável a mutação e depois a reprodução rápida para tanta gente no local.
O resto foram os aviões mais para a Europa que para lá, ao que parece.
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De pitó a 02.05.2020 às 21:19


Claro que os vírus são uma forma de vida. Se se reproduzem (multiplicam-se) não são calhaus sem olhos.
Em mais de metade das sequências no DNA humano não é conhecida a sua função: qual o motivo por que estão lá.
Vexa não quererá ser tratado como uma pedra, eu creio. Apesar de não o conhecer [só nos post] nunca o apreciei. O HPS parece-me que lhe tem estima. Ficamos assim.
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De Anónimo a 27.04.2020 às 13:27

Sobre as posições dos Governos sobre a epidemia:


Estas posições são win-win: a curva aplana-se e clamam os louros pelas suas sábias decisões; a curva não se aplana ou demora mais tempo a aplanar, a culpa é da falta de medidas ainda mais restritivas ou do povo que não as cumpre.


Se alguém grita: epa, mas se não houvesse medidas os resultados seriam os mesmos eles podem dizer: não, não seriam e nunca ninguém conseguirá provar o contrário (e chamar a atenção para a Suécia está visto que não resulta!).


Se a economia ficou destruída pelo caminho? A culpa foi do COVID e eles fizeram tudo bem e ainda veem aumentar a sua popularidade com vista ás respectivas reeleições
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De António Pires a 27.04.2020 às 13:35

Caro Henrique Pereira dos Santos
Como gosta de compreender o que se está a passar e prever o que se vai passar, aqui vão mais umas achas para a fogueira:
Na sequência de um comentário que fiz ao seu post anterior, fui simular no modelo que construí da epidemia qual a influência que o valor de R0 teria durante este período de quarentena.
Parti do pressuposto que a doença tem as mesmas características em Março e em Abril, em particular que a relação entre o número de infectados e o número de internados é a mesma. Assim sendo, tendo o número de internados atingido um máximo na primeira quinzena de Abril, com uma tendência decrescente daí em diante, fui procurar qual o valor de R0 que produziria no modelo referido o mesmo efeito no número de infectados. O que encontrei foi que o valor se situa entre 2.9 e 2.95 casos por caso no início da epidemia (14 dias como valor médio de contágio). O máximo do número instantâneo de infectados terá ocorrido entre 5 e 12 de Abril, o que concorda com o resultado a que cheguei através da curva de Gompertz.
Poderei concluir que a estimativa para R0 está correcta.
Isto significa (é o que o modelo dá) que se acabarmos com o confinamento (admiti que isso se faça durante mês e meio) o número de infectados não ultrapassará o que ocorreu até à quarentena.
Há apenas que proteger os grupos de risco, particularmente as pessoas que devido a outras doenças tenham o sistema imunitário debilitado. Haver muitas mortes de repente seria mau para os próprios e causaria um pânico injustificado.
Na verdade, a mortalidade só é moderada para essas pessoas. Para as pessoas com saúde é baixíssima. O que a covid faz (e o que a gripe faria) é antecipar a morte de pessoas que apenas teriam uma esperança de vida de alguns meses. Pode parecer duro mas é a vida.
Para que não me comecem a acusar de insensibilidade, afirmo que pertenço ao grupo de risco dos maiores de 70 anos.
Claro que, com a conclusão a que cheguei, proibir ir a concelhos vizinhos no fim de semana do 1º de Maio não tem pés nem cabeça. Chamem-lhe folclore ou outra coisa qualquer.

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