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Eufemismos

por João-Afonso Machado, em 22.06.20

Para início, o que parece ser verdade: - mais coisa, menos coisa, o Governo de Costa lidou bem com a pandemia. Soube ser prudente e manter o sangue-frio. Disse umas mentiras, aqui e ali, mas o resultado final dos decretados estados de emergência foi francamente positivo.

Faça-se justiça!

Depois Costa percebeu - e bem - que o País não podia parar, urgia saísse de casa e desse andamento adequado à economia nacional. Até aqui, nada que se lhe aponte.

Ainda depois, "marcelou" o estado de calamidade. Foi onde as coisas começaram a correr mal.

Imagino eu: uma multidão citadina enfiada, semanas a fio, nos seus apartamentos. (Felizmente sem vagas de calor ainda.) Essa mesma multidão finalmente liberta, apenas com indicações de precaução...

Repare-se: a doença entrou em Portugal pelo (povoadíssimo) Norte, através de uns desgraçados fabricantes de calçado que foram a uma feira de sapatos em Milão. E durante árduos meses, o Norte era o mal dos males, só ele contabilizava mais doentes do que o todo do País inteiro (continente e ilhas). 

No aspecto nacional, a situação inverteu-se completamente. Hoje é a chamada região de Lisboa e Vale do Tejo quem está no cerne das preocupações governamentais. Cujos membros já alvitraram duas explicações para o fenómeno:  - a primeira, o problema do operariado da construção civil; - a segunda, aquilo que esses ilustres do Poder dizem ser «focos perfeitamente determinados».

Mentiras. Mentiras que matam.

Desde logo, e para não incorrer em acusações de xenofobia, basta ver a televisão. Os "comandos" da Linha de Sintra atacando a Linha de Cascais, descaradamente, sem máscaras, obrigando a intervenção das forças de segurança; os cercos policiais a uma série de bairros do crime que a Polícia vem fazendo ultimamente. Quem são os envolvidos nessas peripécias?

Depois as "festas" nocturnas. Em Carcavelos, em diversas praias do Norte, em Setúbal, em Lagos, em tantos outros lugares ao longo da nossa costa.

Troquem-se por termos interpretáveis a «construção civil» e os «focos determinados».

E sejamos sinceros:

A rapaziada olhou para os números. Percebeu que a doença dá, na esmagadora maioria dos casos, direito a umas semanas de duolce faire niente em casa. Mesmo os hospitalizados são uma minoria. Os casos mortais, outra minoria, menor ainda, incidindo sobre idades avançadas. E a malta quer é saber de Nikes e Adidas e que se lixem os cotas.

Depois é a propagação da doença. as tais semanas de repouso. E a continuidade do vírus.

Dispenso-me de considerações jurídicas. Dispenso Marcelo, já acredito mais em Costa. Isto é um problema do foro da polícia. Cães na rua, miudagem em casa.


8 comentários

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De Anónimo a 22.06.2020 às 16:42

Choldra com a acanalhada que não respeita os outros-são terroristas! Há muita maneira de praticar terrorismo...
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De Anónimo a 22.06.2020 às 17:15

iz você:


"(...) o Norte era o mal dos males, só ele contabilizava mais doentes do que o todo do País inteiro (continente e ilhas)."


Isto é uma impossibilidade aritmética. O Norte poderia ter contabilizado TANTOS doentes como o país inteiro [nem foi o caso], mas nunca MAIS doentes que o país inteiro...
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De Luís Lavoura a 22.06.2020 às 18:19

Portanto, para o autor deste post, o problema é a miudagem. É ela que anda a sair de mais para a rua, contraindo e causando a contaminação. Os mais velhos são puras e simples vítimas.
Mas, que dados objetivos tem o autor deste post para confirmar a sua teoria? Nenhuns! Que eu saiba, a DGS não tem publicado nenhuns dados que permitam confirmar a teoria de que o foco das transmissões são jovens.
E, com base nesta simples teoria, o autor do post propõe o seu remédio: porrada na miudagem. Cães-polícias para cima dela. Força bruta e porrada na garupa. Que lindo. Como se não vivêssemos numa democracia, onde há direito de reunião, mas sim num estado policial.
O autor do post sofre de um problema generacional: é velho e não suporta os jovens.
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De JPT a 22.06.2020 às 21:15

Meu caro, você é a única pessoa a quem está pandemia fez bem à saúde (sem ironia). 
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De João-Afonso Machado a 23.06.2020 às 11:38

Lavoura: notícia acabadinha de chegar no Expresso - «beber uns copos na rua passou a ser crime».
Só por maldade fascista???
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De Anónimo a 23.06.2020 às 11:22

Sendo muito difícil a existência a breve prazo de vacina (que não tomarei!), podem estes casos ser benéficos no caminho para a imunidade de grupo, notando que:
Número de internados estável ou em queda;
Número de doentes nas UCI estável ou em queda.

Em vez de condenar estas pessoas eu dou-lhes os parabéns por darem o corpo às balas no caminho para a imunidade.
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De Anónimo a 23.06.2020 às 11:22

Logo que regressaram ás aulas , miúdos e raparigas entre os 15 anos e os 18, acampam á porta do meu local de trabalho, cada um com o seu charro de ervas e garrafa de cerveja de litro, vodca e vinho tinto :-bebe tu , agora  bebo eu!... 
Passa-se por eles e ouve-se- disfarça... e assobiam para o lado.Isto passa-se agora e já de antes da pandemia. Continuam. Zona em emergência...
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De pitosga a 23.06.2020 às 15:55


João-Afonso Machado,
Concordo!  Todo o texto.  'Isto' só vai à porrada, mais ou menos cães.  A chulice tem sido precoce na infância e na adolescência.



Nota: A região de Lisboa e Vale do Tejo é uma divisão administrativa em termos de saúde. Tem como seu centro a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, responsável por hospitais, centros de saúde e todo o pessoal. Para terem uma ideia da importância e da quantidade de tachos e de panelas, escrevam no google 'Administração Regional de Saude ' com um espaço no fim.

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