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Ou melhor, não foi bem isto, o que disse foi o essencial disto, mas a propósito da ideia do governo pegar nos dinheiros do Fundo de Coesão e os investir nos metros de Lisboa e do Porto, isto é, pegar nos dinheiros que a União Europeia disponibiliza (os contribuintes europeus, para ser mais preciso, o que nos inclui a nós) para diminuir o fosso entre regiões mais pobres e mais ricas da União, e investi-lo nas regiões mais ricas do país.
Agora o que está em causa já não é o Fundo de Coesão, mas o Fundo Ambiental (o tal que paga meio milhão de euros para os festivais de música ficarem mais verdes e, para ficar feita a declaração de interesses, também entregará qualquer coisa perto de 50 mil euros a uma associação de que sou presidente, sob a forma de Prémio ICNF de conservação).
Primeiro a questão de linguagem: o Governo pega no dinheiro dos contribuintes, entrega-o ao Metro e diz que o Metro vai gastar 210 milhões. Saltemos por cima deste fait-divers.
O Ministro anuncia isto na Assembleia da República e, aparentemente, daí não resultam imediatamente perguntas da oposição (pelo menos os jornalistas não deram por isso) sobre as razões para, havendo recursos públicos para investir na descarbonificação da economia, o Governo optar por aumentar a macrocefalia do país, investindo onde estão os votos, e também a riqueza, em vez de investir nas economias que poderiam gerir o problema dos fogos, a conservação da biodiversidade e a criação de emprego nas regiões mais pobres.
Não vale a pena argumentar que não existem, ou não são possíveis essas economias, porque existem e o seu potencial de crescimento é grande, uma vez que lhes sejam pagos os serviços de ecossistema prestados, como demonstraram anteriores opções na aplicação dos fundos de carbono.
O que está em causa é uma verdadeira opção política: o Governo prefere investir em Lisboa em vez de pagar os serviços de ecossistema e depois persegue judicialmente as vítimas desta opção.
E é uma opção política com larguíssimo suporte político porque, tirando o Partido Comunista de vez em quando, não se ouve um pio das restantes forças partidárias, com medo de perder os votos dos utilizadores de metro de Lisboa e Porto.
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