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Estúpidos e irresponsáveis

por henrique pereira dos santos, em 19.10.20

Numa conversa civilizada, entre pessoas civilizadas, os negacionistas eram tratados de estúpidos e irresponsáveis para baixo.

O conceito de negacionista não era claro, mas pareceu-me que englobava todos os que se limitam a repetir que não há evidência de que a evolução da epidemia esteja a ser controlada pelos comportamentos individuais - a ideia de que os vírus não estão adaptados à diversidade dos comportamentos individuais que nos caracterizam é uma ideia muito estranha para mim, tal como me parece estranha a ideia de que a nossa capacidade de adaptação ao contexto é brutal, ao contrário da capacidade de adaptação do vírus, que é mínima - e, consequentemente, procuram discutir cada medida de gestão da epidemia numa base de custo/ benefício para o conjunto da sociedade, em detrimento de o fazer unidimensionalmente com base no hipotético benefício para a quebra das cadeias de contágio e outras quimeras do mesmo tipo, sem qualquer consideração pelos efeitos laterais das medidas tomadas.

Irresponsáveis, porque discutem a autoridade e as medidas, querem saber por que raio deverá haver uma obrigatoriedade de uso de máscaras em espaços abertos, ao arrepio das recomendações da Organização Mundial de Saúde, estúpidos porque não percebem o que se está a passar, o que tem como resultado que o comportamento de alguns põe todos em risco.

A ostracização da maçã podre, a eliminação do elemento que traz a podridão ao conjunto, é uma das linhas de força da comunicação dos regimes que destestam ovelhas negras porque tem uma grande virtude: faz de cada um de nós um polícia da podridão dos outros.

Se todos cumpríssemos todas as regras como deve ser, já teríamos resolvido isto, mas há sempre quem passe o tempo a lançar a confusão: “A conclusão a que chegámos é que a evolução clínica, e estamos a falar em doentes, é mais relevante do que a evolução laboratorial para determinar se um indivíduo se mantém ou não infecioso. Estas pessoas se tiverem tido doença ligeira ou doença assintomática mas com teste positivo, se ao décimo dia não tiverem febre e agravamento dos sintomas considera-se que não estão a infetar outras”.

Lá está, esta ideia de precedência da avaliação clínica sobre a avaliação laboratorial é um perigo para todos porque deixa à solta milhões de assintomáticos que estão por aí a fazer a infecção progredir.

E mais, dar liberdade a pessoas sem necessidade de teste negativo é, para além de estúpido, completamente irresponsável.

Se esta campanha negacionista continua, não sei mesmo o que um dia poderá dizer Graça Freitas, depois do que disse hoje na citação acima, às tantas ainda vai concluir que afinal a mortalidade é mais baixa do que se pensava, que afinal existia alguma imunidade e não é preciso deixar infectar 60% das pessoas para parar cada surto, que se calhar é preciso concentrar recursos na protecção dos vulneráveis em vez de os gastar em milhares de testes e seguimento com os quais se pretende quebrar cadeias de contágio, que a quebra da economia vai reduzir os recursos disponíveis para a saúde pública, que haver aumentos de doentes respiratórios no Outono/ Inverno é da natureza das coisas e, horror e maldição, vender álccol depois das oito da noite é completamente irrelevante para o desenvolvimento da epidemia.

Se não se acabar já com os malandros que dizem coisas, como felizmente está a acontecer em muitos sítios, ainda vai aparecer alguém a dizer que a pobreza é o principal factor associado à doença e que não é grande ideia tentar parar uma doença (os resultados das políticas de supressão da actividade viral no Verão estão a ser fantásticos e bloquearam a actividade viral no Outono/ Inverno em toda a Europa, como qualquer pessoa pode verificar) através de medidas de eficácia duvidosa e efeitos bem concretos e reais no aumento da pobreza.



6 comentários

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De Carlos Sousa a 19.10.2020 às 19:36

É fácil, se a pandemia aumentar a culpa é das pessoas porque não cumprem as regras mas se a pandemia diminuir o sucesso é do governo porque agiu atempadamente. 
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De Elvimonte a 20.10.2020 às 00:20

“A conclusão a que chegámos é que a evolução clínica, e estamos a falar em doentes, é mais relevante do que a evolução laboratorial para determinar se um indivíduo se mantém ou não infecioso. Estas pessoas se tiverem tido doença ligeira ou doença assintomática mas com teste positivo, se ao décimo dia não tiverem febre e agravamento dos sintomas considera-se que não estão a infetar outras”.



Mas a senhora DGS disse mesmo isso? Estou estupefacto! Será que finalmente consultou a página do CEBM da Universidade de Oxford?
(https://www.cebm.net/covid-19/infectious-positive-pcr-test-result-covid-19/)


Será que viu aqueles vídeos do Prof. Michael Mina?
("Michael Mina - The problem of PCR sensitivity: False Infectious - False negatives as False positives"
https://www.youtube.com/watch?v=4vvgefwKgSU
"Michael Mina - The neglected CT (Cycle Threshold) levels to determine viral load and infectiousness"

https://www.youtube.com/watch?v=oxoE47qT3fE) 
A minha mulher diz que ele é "um pão", parecido comigo há uns anos atrás (melhor estivesse calada), mas não creio ser essa a causa de tais afirmações por parte de tão augusta personagem na pele de DGS. E, quem sabe, que "o coração tem razões que a razão desconhece" e a razão parece não abundar por aquelas paragens.



Será que descobriu aquele artigo do NYT "Your Coronavirus Test Is Positive. Maybe It Shouldn’t Be."?
(https://www.nytimes.com/2020/08/29/health/coronavirus-testing.html)


É que, se assim for, já terá chegado à conclusão que "With a cutoff of 35 [cycles], about 43 percent of those tests would no longer qualify as positive. About 63 percent would no longer be judged positive if the cycles were limited to 30." E, chegada a esta conclusão, terá que conceder estarmos perante uma epidemia de casos, não de infecções, aquilo que designo por "casodemia". 


Receio, no entanto, que as manadas de votos, embaladas pelo excelente trabalho de desinformação da indústria noticiosa, continuem com a cabeça enterrada na areia a dar razão a apps e máscaras em espaços abertos.


 



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De Antonio Maria Lamas a 20.10.2020 às 10:39

Excelente comentário a um mui excelente post de HPS.
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De Ricardo a 20.10.2020 às 10:49

Fiz copy paste do post da Helena do Blasfémias para o Reddit e fui banido por desinformação, é assim que estão as coisas hoje em dia!

Já agora, o post era este:
A Argentina viveu um dos mais longos confinamentos do mundo: seis meses. A Argentina é agora um dos países que regista maior número de casos de Covid.





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De The Mole a 20.10.2020 às 11:20


Seja como for, estamos feitos: NUNCA nenhum dos nossos "políticos"/padrinhos terá coragem para reconhecer que errou e que arruinou (mais...) o país para nada...
Por isso irão continuar pelo caminho que erradamente escolheram - talvez aliviando gradualmente e ligeiramente as "medidas" - até o COVID passar à história. Só que entretanto deram cabo da sociedade, da pouca liberdade que ainda havia, da economia, etc.
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De V.Valente a 20.10.2020 às 23:12

Negacionista é todo e qualquer IDIOTA que sem qualquer habilitação para falar sobre um tema que nao percebe patavina... atreve-se a vomitar postas de pescada armado em sabichão.  Não so fala do que nao sabe... como vai contra aqueles que sabe... à maré de uns interesses bem sabidos.   Este tipo de mamifero costuma andar pelas redes sociais e por blogs tipo... este.  Tanto o fazem como autores de artigos como comentadores.  É a honestidade intelectual que temos.  Pior de tudo é que.... piore a coisa o que piorar... podia ate morrer meio mundo.. e terem alertas do mundo inteiro... esta idiotice é permanente.  

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