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Esta diferença, faz toda a diferença.

por Jose Miguel Roque Martins, em 18.02.21

“A IL é liberal na economia. É. O Bloco não é. Certo. E de resto? Quais são as diferenças? Se alguém se der ao trabalho de as enviar, agradeço.”

A propósito de um comentário ao meu ultimo Post, senti vontade de responder á questão transcrita, que Pedro Barros Ferreira deixou no Observador.

Em Portugal o liberalismo não é apenas desconhecido: vai contra os instintos naturais de um povo com tradições estatistas arreigadas e sem desejos especiais de liberdade, como o nosso. Por isso, muitas duvidas se levantam!

Em Portugal, parece-me que a maioria da população,  quer que alguém comande e obrigue todos os outros a fazer o que eles acham certo. Sem responsabilidades, num mundo feito à sua imagem e semelhança. É pelo menos essa a minha convicção pela  experiência pessoal que tenho.

Por esse motivo, teve o Estado Novo tanto sucesso e adesão. Uma ideia clara e articulada do certo. Deus, Pátria e Família. Um líder forte, Salazar. Uma Defesa musculada do instituído. A confusão entre a moral e a política, a clara distinção entre o bem e o mal.

Com a instituição de um regime democrático, veio a perturbação. Afinal o  que é certo? Quem manda? Quem cuida de nós? Mudou-se o regime mas não os instintos naturais.

As esquerdas radicais, com décadas de experiência internacional, chegam-se  à frente e impõe o seu ideário. Estado, controlo social, conflito. Um passo necessário para atingir o seu verdadeiro objectivo: a ditadura de uma elite de iluminados que sabem o que é bom para os outros, o fim da democracia.

O bloco de esquerda é actualmente o expoente máximo desse movimento. Tem um objectivo, a ditadura da esquerda caviar. Tem um programa, a crispação da vida social e económica, o caos que promova a revolução. Tem a mobilização, imprescindível para promover o absurdo. E tem um pressuposto de êxito perigoso em Portugal, o de querer mandar e impor uma verdade universal.

Já os partidos liberais entendem que a liberdade é uma condição determinante para que qualquer ser humano se realize plenamente. O que só tem tradução numa democracia plena. Que numa terminologia católica corresponde ao livre arbítrio. E que numa terminologia marxista, não tem qualquer tipo de correspondência possível.

O liberalismo não é de esquerda ou direita e, tanto quanto sei, nem estava representado na primeira assembleia constituinte Francesa. Pretende, ao contrario das esquerdas e direitas tradicionais, impor o menos possível. É a defesa da liberdade e da responsabilidade individual. É um caminho alternativo a uma sociedade monolítica ou só para alguns.

Por isso, nos costumes, os partidos liberais são .....liberais. Dão espaço, a que cada um escolha o caminho que considere certo e justo, no limite da liberdade dos outros. Nos costumes, não pretende impor nada, nem indicar caminhos. Pretende tão somente que todos possam viver a sua vida, tão próximo dos seus ideais e valores quanto possível. Acredita que não compete ao estado impor moralidades que são do foro individual.

Enquanto indivíduos, os liberais são o que entendem dever ser. De ultra-conservadores a libertinos. De crentes a ateus. De fácil identificação ou difíceis de definir. Acomodando o maior numero possível de diferentes sensibilidades  humanas e respeitando todas. Desejando dar a liberdade a cada individuo de escolher o que melhor lhe convém. 

Como é moda, faço uma declaração de interesses. Sou liberal, com instintos conservadores. Agnóstico com valores cristãos. E não me sinto nada desconfortável em conviver com quem tenha convicções diferentes das minhas em termos de costumes. Estou convencido que não me compete, nem tenho autoridade moral especial para julgar ou impor as minhas crenças aos outros. Olhar para mim, tentar viver pelos meus valores, já me consome energia suficiente. Respeito a diversidade de orientações sexuais, religiosas, gastronómicas, de traje e até morais, sem prescindir de ser o que sou, de acreditar no que acredito e de o defender com unhas e dentes. Direito que considero que os outros também têm. Por isso, os liberais têm linhas vermelhas, como a defesa intransigentemente da liberdade para todos, até dos nascituros, e a delimitação das liberdades individuais que ameaçam o direito dos outros. Mas apenas esses.

Era um votante tradicional do CDS, voto, agora,  na IL, apesar de obviamente não espelhar exactamente as minhas convicções. Um partido político perfeito, é um partido de um.

Por tudo isto, parece fácil responder ao Pedro Barros Ferreira, até numa versão curta.

Tem razão, o liberalismo não é de direita ( ou de esquerda). É um campeonato à parte. E quem precisa de um rotulo de direita não deve votar IL.

Para além de antagónicos na esfera económica, há diferenças profundas nos “costumes” entre o Bloco e a Iniciativa Liberal. Ao contrario do Bloco de esquerda, a iniciativa liberal é plural e não sugere nem pretende impor uma moral a toda a sociedade ou aos seus apoiantes. Não diz o que está certo. Apenas pretende que as pessoas tenham liberdade, quando em causa, não estão as liberdades dos outros.

Esta diferença, faz toda a diferença.



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