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Esperteza saloia

por João Távora, em 27.02.20

ctt.png

O anunciado novo “rebranding” da marca CTT em que desaparece o clássico cavalo, cinco anos depois de ter despendido milhares de euros numa outra ´parece-me uma aberração. É exemplo acabado da vertigem parola com que em Portugal, quando não se sabe mais o que fazer, se finge começar tudo do zero para parecer moderno e eficiente ou associar a ilusão a uma determinada “geração espontânea”. Acontece que uma identidade é essencialmente uma construção que requer tempo, e é a antiguidade que confere confiança (o valor mais precioso), seja às instituições ou às empresas. Uma marca com quinhentos anos só tem a ganhar em exibir um símbolo que remeta para a sua História. Este aparente delírio, que irá custar uma pipa de massa em montras, vinis e estacionário, é justificado pela gestão dos CTT com a pretensão de que deixando cair o cavalinho, o público percepcionará a diversificação de serviços em que a distribuição postal perde importância. Enganam-se: a empresa vai gastar uma pipa de massa apenas para prescindir duma mensagem de confiança. De resto não me venham dizer que o problema está na privatização do negócio: é mesmo fruto da endémica saloiice do país, que de refundação em refundação, a única coisa que tem conseguido preservar é a mediocridade.

Publicado originalmente aqui



1 comentário

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De Anónimo a 27.02.2020 às 18:13

Boa tarde,
estou completamente de acordo com o que escreve. Aliás, bastava a expressão "endémica saloiice" para ter um tratado sobre o assunto.
Na minha muito modesta e por certo bastante pessimista opinião, os exercícios de "rebranding" são, salvo raríssimas excepções, uma escapatória para o marasmo ou a simples e prosaica perda de valor.
Veja o exemplo da marca nívea. Haverá alguém que não identifique o logo? Provavelmente não. Houve necessidade de alterá-lo por dá cá aquela palha? Não. A produção de produtos de qualidade foi suficiente para gerar confiança nos consumidores. A perenidade dos símbolos é simples reflexo de confiança, isto é, valor acrescentado. 
É claro que os donos podem tentar desbaratar um capital de confiança com largas dezenas de anos (vide CTT), mas provavelmente estarão mais interessados em disponibilizar aos consumidores produtos de qualidade. Ao que parece, querem ganhar dinheiro. Cambada de ET's...

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