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Esperança no bom senso energético

por Jose Miguel Roque Martins, em 03.12.23

Nos últimos anos foi crescendo a percepção da necessidade de eliminar os efeitos estufa provocados pelas emissões de carbono, um objectivo extremamente pertinente. Por potencialmente evitarem alterações climáticas graves, por serem sempre extremamente positivas em termos de impactos na saúde humana. Multiplicaram-se iniciativas, anunciaram-se grandes investimentos em energias renováveis, admite-se o fim da vida como a conhecemos, com restrições severas à circulação e transportes rodoviários.

Apesar do aumento do consumo energético, os resultados, se bem que insuficientes, começam a aparecer

Captura de ecrã 2023-12-03, às 10.32.59.png

 

Na produção de energia eléctrica, que continua a aumentar, o carvão e derivados do petróleo ( os grandes poluentes), mantiveram-se em níveis quase constantes ( um pouco menos de carvão, um pouco mais de petróleo) nas fontes da sua produção.

Captura de ecrã 2023-12-03, às 10.05.56.png

Os enormes esforços na energia eólica e solar, quanto muito, têm conseguido fazer face ao novo consumo mas não parecem ter a possibilidade de expulsar o carvão e petróleo que são, ainda, responsáveis por mais de metade da produção de energia eléctrica. 

Talvez numa lógica de erradicar todos os males em simultâneo, desistiu-se de apostar no nuclear, uma energia limpa em termos de emissões de carbono, que baixou o seu contributo de cerca de 15% das fontes de energia eléctrica em 1985, para pouco menos de 10% em 2022. Provavelmente mais do que pelo problema de gestão de resíduos radioactivos ( problema grave mas gerível num contexto de necessidade), pelos receio de desastres nucleares. 

Hoje, as novas centrais de 5º geração, apresentam um nível de segurança incomensuravelmente superior ás do passado, capazes de automaticamente de evitarem tudo o que aconteceu, que sendo mau, não representava um padrão alucinante de desastres no contexto das cerca de 100 centrais em uso durante décadas. 

Captura de ecrã 2023-12-03, às 10.14.22.png

A única hipótese real de ultrapassarmos rapidamente o problema das emissões, é também apostar massivamente na substituição do carvão e petróleo pelo nuclear. Não existe, neste momento, nenhuma outra possibilidade assente apenas em energias limpas e renováveis que o consiga fazer, como se infere pelo pouco progresso alcançado nos últimos anos. 

É pois com grande esperança que saúdo a declaração de 20 países que se propõem triplicar ( é um começo) a produção de energia eléctrica até 2050, com base na energia nuclear, o que poderá ler aqui

 


15 comentários

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De Anonimo a 03.12.2023 às 13:36

Como cientistas, alguns, referem, a transição energética é um mero chavão publicitário. A crescente produção "verde" vai encaixar no aumento de consumo energético,  nada mais. Imagine-se se, por passe de mágica, todos os carros a gasolina passassem a eléctricos. 
Curioso ver o just stop oil mas ninguém grita o just stop google ou facebook.
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De urinator a 03.12.2023 às 15:06

a radio atividade existiu sempre.
os resíduos das centrais diminuem de emitir radiações.
já se fala no seu uso em países civilizados
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De balio a 03.12.2023 às 15:23

E de onde vem o urânio? Pensam que há uma quantidade infinita dele?
Não há! Não há suficiente urânio para fazer funcionar muitos mais do que os reatores nucleares atualmente existentes. Qualquer aumento substancial do número total de reatores conduzirá o planeta a um problema de escassez de combustível nuclear.
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De urinator a 03.12.2023 às 16:10

as matérias primas minerais e os sais das zonas agrícolas também se esgotam
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De Elvimonte a 03.12.2023 às 15:46

Este vai ser à queima-roupa...


Se algum dia for a Marte, tenha muito cuidado com o efeito de estufa: a atmosfera do planeta é constituída por 95% de CO2.


"Mars' atmosphere however is 95% carbon dioxide, 3% nitrogen, 1.6% argon, and it has traces of oxygen, carbon monoxide, ....".
(https://marsed.asu.edu/mep/atmosphere)


O facto da temperatura média à superfície do planeta rondar -60 ºC (menos sessenta) é apenas uma questão de pormenor. 


"The temperature on Mars is relatively low, averaging about minus 80 degrees Fahrenheit (minus 60 degrees Celsius)."
(https://www.space.com/16907-what-is-the-temperature-of-mars.html)


Leve T-shirt, calções e chinelos.
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De urinator a 03.12.2023 às 16:12

por favor não respirar nem emitir metano pelo 'tubo de escape'
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De Anonimo a 03.12.2023 às 16:22

A única hipótese real de ultrapassarmos rapidamente o problema das emissões...



Hipótese em produção, também há o factor consumo.
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De IMPRONUNCIÁVEL a 03.12.2023 às 22:56

Os EUA, China, Índia, Rússia, e os outros grandes detentores de petróleo e gás ... riem a bom rir do desespero da Europa.
Agora que a Europa foi desapossada do acesso a essas energias poluentes, tenta convencer esses países que detêm o poder no Mundo a comprarem-lhe aquilo que lhes resta: as tecnologias e produtos de energia diferentes do petróleo e gás.
A Europa ao cortar com a Rússia, não apenas perdeu competitividade energética, como também passou a ser um actor político e geo-estratégico secundário.
Já ninguém liga à Europa.
Foi comida pelo Zelensky dos EUA.
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De balio a 04.12.2023 às 09:30


A Europa ao cortar com a Rússia, não apenas perdeu competitividade energética, como também passou a ser um actor político e geo-estratégico secundário.



Exatamente.
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De Elvimonte a 04.12.2023 às 02:41

"Nos últimos anos foi crescendo a percepção da necessidade de eliminar os efeitos estufa provocados pelas emissões de carbono, um objectivo extremamente pertinente." (autor do post)


Este vai ser longo. Comecemos pelos espectros de absorção de radiação, não apenas infra-vermelhos, de alguns dos constituintes da atmosfera terrestre, o que se mostra nesta figura https://clivebest.com/blog/wp-content/uploads/2010/01/595px-atmospheric_transmission.png , distinguindo-se entre radiação recebida e emitida. 


Como pode constatar-se, o vapor de água é o constituinte dominante na absorção de infra-vermelhos e, por isso, aquele que apresenta maior efeito de estufa. Esclareça-se que a radiação solar se extingue por volta dos 4 micron, daí resultando que maiores comprimentos de onda correspondem não a radiação recebida, mas sim emitida. 


O CO2 apresenta 4 bandas estreitas de absorção de radiação infra-vermelha centradas nos 2, 2.9, 4.3 e 17 micron. Esta última banda é a mais larga, estendendo-se por cerca de 2 micron. Destas 4 bandas, apenas a centrada nos 4.3 micron se situa fora das bandas de absorção do vapor água (vd. figura referida acima), de que ninguém fala e cuja concentração é uma a duas ordens de grandeza maior do que a do CO2.  


De notar a existência de uma "janela atmosférica" (de que também ninguém fala e cuja designação é mesmo essa), situada aproximadamente entre os comprimentos de onda 8 e 14 micron, para a qual não existe praticamente nenhum componente atmosférico com capacidade efectiva de absorção. Na figura referida acima essa janela corresponde ao vale situado imediatamente abaixo da zona colorida a azul no topo.



(continua)
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De Elvimonte a 04.12.2023 às 02:42

(continuação)


Se depois do referido ainda há quem pense que as emissões de CO2 de origem humana, principalmente as resultantes de processos de combustão, constituem a causa do período quente que (ainda) atravessamos, recomendo a leitura do artigo científico "Radiative Energy Flux Variation from 2001–2020"  (Atmosphere 2021, 12(10), 1297; https://doi.org/10.3390/atmos12101297).


Nele são analisados os fluxos radiativos no topo da atmosfera medidos pelo programa CERES (NASA), concluindo-se que, no perído 2001-2020, a radiação infra-vermelha de pequeno comprimento de onda que sai para o espaço (componente reflectida) diminuiu e a de grande comprimento de onda (emitida pelo planeta e atmosfera), precisamente aquela que o CO2 e principalmente o vapor de água deviam absorver, aumentou - a cabal demonstração da "saturação" da atmosfera terrestre e da eficácia da janela atmosférica. 


Conclui-se ainda que a variação verificada naqueles fluxos radiativos é compatível com a diminuição em cerca de 5% da cobertura nebulosa registada no período e que, em consequência, a diminuição do fluxo de radiação de pequeno comprimento de onda que sai para o espaço é a causa principal do aquecimento registado no período.



"The declining TOA SW (out) is the major heating cause (+1.42 W/m2 from 2001 to 2020). It is almost compensated by the growing chilling TOA LW (out) (-1.1 W/m2). This leads together with a reduced incoming solar of -0.17 W/m2 to a small growth of imbalance of 0.15 W/m2. We further present surface flux data which support the strong influence of the cloud cover on the radiative budget." ... "The current enthalpy is still ca. 600 ZJ below the medieval maximum 1000 years ago grounded on the 2000 years OHC reconstruction reported by Gebbie and Huybers [11]. ... With a possible interception by another phase of a negative radiative net flow, it would take centuries until we reach the medieval OHC maximum again." 
( "Radiative Energy Flux Variation from 2001–2020", link acima)



(continua)
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De Elvimonte a 04.12.2023 às 02:45


(continuação)


prntscr.com/12dlhbr – anomalia de temperatura medida por satélite (RSS e UAH) 1993-2016 em função da concentração de CO2, onde se pode constatar que não existe correlação entre concentração atmosférica de CO2 e temperatura - evidência do fenómeno de "saturação" já referido.


prntscr.com/wg63ma - gráfico de temperaturas do período inter-glacial do Holoceno - alterações climáticas constantes sem intervenção humana.


“Our analyses of ice cores from the ice sheet in Antarctica shows that the concentration of CO2 in the atmosphere follows the rise in Antarctic temperatures very closely and is staggered by a few hundred years at most.” - evidência de uma componente termicamente induzida da concentração atmosférica de CO2, fruto da acentuada diminuição da solubilidade deste gás na água com o aumento da temperatura.
(Niels Bohr Institute, 

https://www.nbi.ku.dk/english/news/news12/rise_in_temperatures_and_co2/)


"For emissions targets to be met by 2030, drastic society-changing events will have to take place within the next eight years. The very fabric of our current trade system and the global supply chain will have to be torn to shreds and replaced with an exceedingly limited production model. Not only that, but the human population would have to be reduced by billions." - a "agenda" parece obviamente eugenista.


Afinal, "The real enemy then is humanity itself." 
("The First Global Revolution", Alexander King e Bertrand Schneider, 1992 - https://archive.org/details/TheFirstGlobalRevolution/page/n85 - publicado sob o auspício do Clube de Roma na sequência de relatórios anteriores) 
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De lucklucky a 04.12.2023 às 11:19


A quantidade de pessoas que aprenderam o método cientifico mas são incapazes de o aplicar...


Pergunta do dia que os jornalistas não estão interessados, com o aumento da área verde no planeta supostamente devido ao aumento de CO2 a concentração de O2 na atmosfera tem aumentado?



Impressiona como uma profissão funciona em monocultura.

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