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Enquanto se vai desfazendo o nevoeiro

por henrique pereira dos santos, em 05.05.20

"The concept of herd immunity is most commonly used in the design of vaccination programmes. Defining the percentage of the population that must be immune to cause infection incidences to decline, herd immunity thresholds constitute convenient targets for vaccination coverage. In idealised scenarios of vaccines delivered at random and individuals mixing at random, herd immunity thresholds are given by a simple formula (1−1𝑅! ⁄ ) which, in the case of SARS-CoV-2, suggests that 60-70% of the population should be immunised to halt spread considering estimates of 𝑅! between 2.5 and 3. A crucial caveat in exporting these calculations to immunization by natural infection, is that natural infection does not occur at random."

Não percebendo eu nada disto, logo a 24 de Março escrevi sobre imunidade de grupo, exactamente por me parecer que o conceito estava a ser usado com manifesto abuso. E para conhecer este conceito não era preciso saber nada de epidemiologia, bastava-me o que sabia do funcionamento dos ecossistemas.

Claro que fico contente em ler agora que o que escrevi não era uma tolice - não me incomoda excessivamente dizer tolices, incomoda-me sim a bovina passividade com que aceitamos regras absurdas como as que, em Itália e Espanha, permitiam passear-se o cão, mas não as crianças - e que transferir este conceito teórico, usado essencialmente para definir programas de vacinação, não deve ser usado sem mais para fazer o que fizemos na gestão desta epidemia.

"Individuals who are more susceptible or more exposed are more prone to be infected and become immune earlier, which lowers the threshold. The herd immunity threshold declines sharply when coefficients of variation increase from 0 to 2 and remains below 20% for more variable populations."

Com a inconsciência dos ignorantes, meti-me em várias discussões pela simples razão de me parecer absurdo considerar grupos de pessoas livres, diferentes e autónomas como superfícies homogéneas a que se aplicava a matematização simplificada de processos complexos.

Claro que fico contente em perceber melhor o fundamento dessa minha intuição.

"Heterogeneity in the transmission of respiratory infections has traditionally focused on variation in exposure summarised into age-structured contact matrices. Besides overlooking differences in susceptibility given exposure, the aggregation of individuals into age groups curtails coefficients of variation with important downstream implications. Popular models based on contact matrices use a coefficient of variation around 0.9 and perform similarly to our scenarios for 𝐶𝑉=1. Supported by existing estimates across infectious diseases, we argue that 𝐶𝑉 is generally higher and prognostics more optimistic than currently assumed. However plausible, this needs to be confirmed for the current COVID-19 pandemic and, given its relevance to policy decisions, it should be set as a priority."

Com uma teimosia que até a mim me irrita, fui defendendo a ideia de que não fazia sentido nenhum tomar medidas de impacto social e económico brutal e certo, com base em modelos matemáticos sem qualquer suporte empírico e que davam resultados absurdos, nunca verificados em lado nenhum.

Claro que fico contente que haja quem, com maior capacidade e conhecimento, use o conhecimento empírico de outras epidemias para aferir modelos e, surpresa das surpresas, chegue à conclusão de que realmente é preciso ir com mais calma na aceitação dos resultados de modelos matemáticos pouco sofisticados. É verdade, estes modelos são matematizações de processos complexos também, mas pelo menos têm a virtude de chamar a atenção de que são apenas modelos, que devem ser aferidos com informação empírica, não são bases para a prescrição de medidas sociais e políticas cuja não adopção nos levaria a um rasto de mortos insuportável.

"... Based on the spectrum of current knowledge, a high level of pragmatism may be required in policy responses to serological surveys. On the one hand, if CV is very low, the most stringent control measures would need to be continued for suppression of the epidemic. The other side of that coin is a scenario where keeping only the mildest control measures (protecting the elderly to reduce mortality rates) is optimal. It would therefore be imperative to conduct longitudinal serological studies in representative samples of the population, as control measures are relaxed.  Given a percent positivity in an initial survey, the speed at which that figure increases after control measures are eased would reveal what the most likely value of CV is, and simultaneously advise which control measures should be enforced."

E, claro, fico satisfeito que o pensamento único, e mágico, sobre a resposta social e política à epidemia vá sendo desfeito à medida que vamos sabendo mais.

O que me assusta, e assusta mesmo, é a facilidade com que continuamos a aceitar restrições sérias de direitos individuais - uma nota para chamar a atenção para uma observação lúcida de António Costa, o do jornal ECO, não o outro, para a defesa que a Ministra da Saúde fez de que os direitos das instituições são inerentemente superiores aos direitos dos indivíduos, na entrevista que deu à SIC - com base na ideia de que a segurança é mais importante que a liberdade.

Não é, a liberdade é uma condição prévia à segurança, prescindir da liberdade é um caminho para servidão, e não há segurança que valha a quem aceita ser escravo.

 



39 comentários

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De Eremita a 05.05.2020 às 10:35

Há décadas que se fazem modelos que incluem a heterogeneidade das populações. A grande dificuldade é medir a heterogeneidade e é por isso que se usa a percentagem calculada pela equação clássica. Não confunda o seu esclarecimento com o esclarecimento dos epidemiologistas. Qualquer epidemiologista está a par desses modelos. O próprio Neil Ferguson, autor do modelo que tanto tem criticado, tem trabalhos em que leva em conta a heterogeneidade das populações (https://www.imperial.ac.uk/people/neil.ferguson/publications.html). É por um princípio de precaução que ninguém usa percentagens de 10 ou 15% para concluir que existe imunidade de grupo. Pode ficar muito satisfeito com a sua intuição, mas é absolutamente irrelevante no desenho das políticas de saúde pública. 
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De JPT a 05.05.2020 às 10:57

O que há é isto: o mesmo jornalista que era universalmente gabado por fechar os noticiários com bizarras homilias moralizantes, é, agora, universalmente insultado por exercer a sua profissão, fazendo perguntas incisivas a uma responsável política e expondo as contradições e evasões com que a mesma lhe respondia.
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De Anónimo a 05.05.2020 às 11:05

Vá lá! Desta vez esta melga não se atrasou a comentar um post do HPS...
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De Eremita a 05.05.2020 às 12:50

Só "melga"? Não consegue uma descrição mais capaz?
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De Anónimo a 05.05.2020 às 17:23

Consigo, consigo. 

Lembra-se de um post do HPS em 10.04.20, em que ele disse que “Ao ter 14% da população infectada, a continuidade das cadeias de contágio é muito má, e o surto morre.”? Você, nos comentários a esse post, escreveu (arrogantemente - serve esta palavra?) “ [os 14%] só na sua cabeça asseguram a imunidade de grupo”.


Ora, vai-se a ver, e afinal 14% é bem capaz de chegar para conferir “imunidade” bastante ao “grupo” para parar esta epidemia. Você que sabe tanto, e até sabe dos modelos do Neil Ferguson que incorporam heterogeneidade, não explicou que era possível que 14% chegassem. Se o tivesse feito na altura, talvez o pessoal estivesse mais disponível para o escutar hoje.


Tem razão: “Melga” não é a descrição “mais capaz”, mas não quis ir buscar vocabulário camiliano para o descrever. 

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De Eremita a 05.05.2020 às 22:12

Escrevi e escreveria outra vez pelas razões que não deve ter lido ou não percebeu. Mas reparo agora que quer conversa... Isso faz de si o quê? Uma melga de melgas? Compreenderá que não me posso dispersar, sobretudo enquanto não me demonstrar que leu o artigo científico em causa. Fica a impressão de que apenas leu o título do jornal e está a cometer o mesmo erro do HPS. Chame-me o que entender, mas venha com argumentos. Se é só para melgar ou insultar, isto fica chato.
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De Anónimo a 05.05.2020 às 23:34


Não, não é conversa o que quero. Tentei só chamar a sua atenção para o facto de esse tom arrogante que usa para se dirigir a toda a gente prejudicar a recepção da mensagem. Não creio ter insultado, e certamente não fui eu quem “melgou”.


Deixe-me dar um exemplo: Quando me diz (a mim, alguém que você nem sabe quem é) “Compreenderá que não me posso dispersar, sobretudo enquanto não me demonstrar que leu o artigo científico em causa”, revela uma soberba que normalmente só serve para esconder insegurança. Seja o que for que eu tenha feito com o paper do Penha-Gonçalves (presumo que é este o tal “artigo em causa”) declarar que não quer dialogar comigo porque eu ou não o li ou não o percebi, é o oposto do que os cientistas devem fazer com os “leigos”. Leigos no sentido de pessoas comuns, não cientistas, que se preocupam com o que se está a passar e tentam perceber o que provavelmente vai acontecer a seguir, socorrendo-se das opiniões dos cientistas para isso. Não é uma boa atitude a sua, e causa repúdio nas “pessoas comuns”, prejudicando a “public understanding of science”, que é uma das mais nobres missões de todos os cientistas.


Regressando à questão dos argumentos: Não há duas maneiras diferentes de interpretar o que está escrito no “artigo cientifico em causa”: Não é só na cabeça do HPS que 14% podem assegurar imunidade de grupo. É também na do Penha-Gonçalves…

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De Eremita a 06.05.2020 às 11:54

A minha arrogância é uma fracção ínfima da arrogância ignorante do HPS e apenas reactiva. Para quem apanhou a conversa a meio, é natural que pareça exagerada. Mas há um contexto.


A minha mensagem aqui é muito simples: desmascarar as tolices do HPS. Não tenho outra.


Não venha com a conversa da responsabilidade social dos cientistas. Assumo esse papel noutros lugares há décadas. Perco o tempo que for necessário a explicar o que sei, gosto de o fazer e não creio que o faça com altivez. O que tento fazer com estes comentários é outra coisa. Não estou a fazer divulgação de ciência, estou a mostrar-me irritado com a pose de um pavão. 


OK, agora é a "insegurança". Já fui mais psicanalisado aqui do que em toda a minha vida. Se soubesse que seria assim teria poupado uma fortuna em profissionais do ofício.


A única conclusão lógica e responsável que se tira desse artigo é que seria interessante medir a heterogeneidade da população à infecção/imunização. Qualquer outra conclusão é abusiva porque não se conhece a heterogeneidade. Isto não é mecânica quântica. Se numa população de 1000 pessoas houver 100 superspreaders que andam freneticamente a contactar uns com os outros e 900 eremitas reclusos, 10% asseguram a imunidade de grupo pois muito provavelmente corresponderão à seroconversão dos 100 superspreaders. Mas é muito difícil avaliar a heterogeneidade das populações e é por isso que continua a ser mais prudente calcular o valor da imunidade de grupo de outra forma.  HPS foi a correr refugiar-se na entrevista ao Observador, não por estar interessado em conhecer a realidade, apenas porque queria reparar o ego. Não é uma boa motivação para compreender a realidade. HPS não faz a menor ideia de como são feitos os modelos. Há umas semanas, escrevia que isto não era matemática. Depois, creio que no mesmo dia, escreveu que os modelos não traduzem as subtilezas do comportamento das pessoas, para logo a seguir se mostrar entusiasmado e triunfante com as notícias dos tais 10-15% previstos por... um modelo. É evidente que não passa pela cabeça de HPS a complexidade que estes modelos têm, o que não o impediu de tratar os epidemiologistas que fazem modelos abaixo de primatas. É um padrão que tem repetido: bazófia, conclusões precipitadas, incoerência, negacionismo, incapacidade em reconhecer os erros grosseiros que comete, recusa em responder às perguntas óbvias, mas conclusões atrás de conclusões e sentenças a um ritmo quase diário e em raciocínios circulares (o que não o impede de criticar os outros de circularidade, claro). Tudo o que ele tem escrito aqui, copiando o mártir André Dias, tem sido grotesco na manipulação da informação. Veja-se a sua previsão de que a epidemia teria chegado ao fim nos EUA a 21 de Abril e que muitos teriam de "lavar a face" pelo exagero na reacção à pandemia. Ontem morreram 2350 pessoas nos EUA e houve quase mais 25 mil casos. A 4 de Maio as previsões de mortos até ao Verão quase duplicaram (de 70 mil passaram a 130 mil). Mas se alguém confrontar o HPS com estes números ele dirá que se trata de uma "desonestidade intelectual" porque o seu texto dizia que era una previsão à Zandinga (esta defesa é recorrente nele, apesar de ainda não ter admitido que inflacciona os números de morte de gripe de forma muito variada). Que mais ninguém o desmascare, mostra a treta de sociedade civil que temos. Que HPS ainda consiga recrutar aliados é ainda pior. Enfim, fique com a conclusão de que basta 10% de imunidade de grupo. Não encontrará nenhuma instituição que defenda essa ideia, mas eu sei que é giro ter ideias heterodoxas que vão contra o sistema e ficar com a sensação de que nos querem calar. Os maluquinhos das teorias da conspiração começam assim.
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De zazie a 06.05.2020 às 12:11

Pois eu acho que seria muito mais pertinente questionar, não o "mártir André Dias", mas o messias e herói André Dias" que é a fonte primária do que aqui aparece.


Os blogues passaram, na sua maioria, a ser depósito de segunda e filtrado, para ficar melhor no retrato, das conversas e flashs-mobs do Facebook.
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De Anónimo a 06.05.2020 às 12:16


Eu explico-lhe as nossas diferenças.
Enquanto admiti previsões por baixo, do simples para o dobro (baseado em números observados cujos critérios foram revistos posteriormente, mas deixemos isso de lado), os modelos que está a defender faziam previsões dez vezes acima.
Eu digo de forma clara que as minhas previsões estavam erradas e nem sequer perco muito tempo a tentar justificar os erros porque, desde o primeiro momento, eles eram admitidos, mas as pessoas responsáveis pelos modelos que previram uma mortalidade dez vezes acima do verificado, não só influenciaram as decisões cujos efeitos iremos ver daqui para a frente, como passam o tempo todo a encontrar justificações fantasiosas para o que andaram a dizer.
Tudo isto é irrelevante (eu sou um pavão ignorante e desonesto como tem repetidamente demonstrado, portanto a única coisa de espantar é que continue a ler o que escrevo), o que é verdadeiramente relevante é saber o que quer dizer quando diz "continua a ser mais prudente calcular o valor da imunidade de grupo de outra forma", essa prudência aplica-se a quem? Aos milhões de pessoas que passarão a estar debaixo da linha de pobreza por causa das medidas tomadas para acalmar o medo de burgueses como nós dois?
Tenho as minhas dúvidas que fosse nessa prudência que estivesse a pensar, e é pena.
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De Eremita a 07.05.2020 às 00:47

Só se tivesse um tempo de vida infinito é que começaria a discutir consigo o "desconfinamento". Discuta esse assunto com outros. O que me preocupa aqui é o seu uso da informação, mais nada. Não me pronuncio sobre as medidas. O que sei eu sobre esse assunto? Pronuncio-me sobre a forma grotesca como lida com a informação e sobre as suas inconsistências. Mais nada, porque já sobra pano para mangas. 
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De henrique pereira dos santos a 06.05.2020 às 12:19

Embora me pareça evidente que fui eu que escrevi o comentário anterior, dada a incapacidade de interpretação de textos simples manifestada nestes comentários, venho esclarecer que fui eu que escrevi o comentário que aparece como anónimo.
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De Eremita a 06.05.2020 às 13:50

De que modelo está a falar? E qual foi a previsão? Uma coisa de cada vez.
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De zazie a 06.05.2020 às 12:21

Pelo que consegui apanhar a coisa aparece como negação ao catastrofismo do Buescu. Até que ponto por cá uns meros artigos nos jornais, em entrevistas do Buescu foram determinantes para a decisão política do confinamento, não sei mas sou capaz de suspeitar.


De seguida aparece o tal informático com hobby ecológico-florestal a negar tudo.
Não há perigosidade alguma no vírus porque é igual a todas as anteriores gripes e até mata menos que as que mataram em 2017-18- euromomo. 
O resto é propaganda dos media para venderem medo.


Ninguém questionou que o medo é o melhor instinto que o ser humano tem e que, sem ele, nunca tínhamos sobrevivido.


A única questão pertinente do André Dias e que o HPS ainda tentou pegar mas perdeu-se, é a comparação deste corona com os outros e a sua forma de actuar por ciclos "biológicos", por efeito de falta de hospedeiro, e UHV. Como é outra questão. Por confinamento é a forma que todo o mundo escolheu. Não se vai saber como seria sem ele.
Por UV falta verificar a partir de agora e, tendo em conta o oposto do que o André Dias afirma- por efeito dos raios solares matarem o vírus libertado na atmosfera e depositado nos objectos. Não é dentro de nós que o vai fazer.


Resta a questão política que nem me interessa mas que teve já afirmação sem qualquer dúvida, por parte do AD. 
Toda esta contabilidade, todo este controle mundial da OMS, todos estes países a testarem, toda esta informação vai acabar no próximo ano!


Taxativamente afirmado ontem por ele. Porque até a Saúde 24 nem vai encaminhar mais ninguém e os testes desaparecem porque há muito mais virus a competirem e não vão faltar oportunidades de o fazer aos "velhinhos" logo no Inverno.
Até lá o desconfinamento, é preparação para deixar morrer a loucura mundial da pandemonia.
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De Dave a 07.05.2020 às 13:14

O Buescu  é aquele bacano que se andou a gabar nos jornais de que nunca tinha visto uma exponencial na Natureza? O tipo nunca terá cultivado bactérias, nem ouvido falar do decaimento do número de amendoins quando eu estou por perto?!...
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De zazie a 07.05.2020 às 15:03

É um neófito do reino da macacada. Nem sei se não será um primo remoto de outra linhagem da regressão das espécies.


Primeiro dizia que era tudo ilusão e histerismo, depois inventou uma catástrofe estatística e recolheu-se em casa 
ahahaha


Mas, dada a boa genética materna, nem sei se não o levaram mesmo a sério. E isso é que a desgraça da paróquia. Qualquer dia seguem o psicopata do André Dias.




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De Anónimo a 11.05.2020 às 16:35

Pequeno comentário numa discussão bem interessante:

"Por confinamento é a forma que todo o mundo escolheu."

Há pelo menos 2 países que não o escolheram, Suécia e Bielorússia; haverá mais, como a Tanzânia, mas não sei a que ponto os seus números serão fiáveis... 
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De zazie a 11.05.2020 às 19:46

E que é que eu tenho a ver com isso se essa citação não é minha?
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De henrique pereira dos santos a 06.05.2020 às 12:28

Esqueci-me de outra diferença: os dois sabemos que ontem foram registadas 2 350 mortes nos Estados Unidos, mas eu não digo que morreram 2 350 pessoas porque os dois sabemos que é mentira
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De Dave a 06.05.2020 às 14:04


Eu fui agora mesmo olhar para os gráficos do Imperial para ver o que láá está: para o início de Maio, e para o cenário com confinamento, eles "previam" para o caso dos EUA qualquer coisa como  2 leitos para cuidados intensivos ocupados por 100,000 habitantes e com o pico no número de leitos ocupados já ultrapassado. Fui procurar a média do número de mortos por covid registados no início de Maio nos EUA: andam à volta de 0.55 por 100,000 habitantes (é um valor subestimado, obviamente) e constata-se que um pico na mortalidade já foi ultrapassado ; o número de leitos  para cuidados intensivos ocupado no início de Maio nos EUA anda à volta de 5 por 100,000 habitantes.



Eu concluo que a ordem de grandeza e a escala temporal "previstas" pelo modelo do Imperial estão correctas ; o que é que querem pedir mais a modelos deste tipo?



Alguém sabe onde posso encontrar amendoins aqui por perto?
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De zazie a 06.05.2020 às 14:55

Os modelos do Imperial passaram do 80 para o 8, até no caso de Inglaterra.
A questão não é essa.
É que, os que negam a intensidade, morbidade e letalidade do vírus são os mesmos que depois admitem imunidade de grupo por muito mais gente contaminada que ultrapassa largamente os modelos exagerados criticados.


Ficam depois com o dilema dos mortos. Pode-se esconder ou inventar contagiados mas não se metem mortos no porão, pensava-se.
Mas metem! conseguem agora dizer que nem morreram por efeito do vírus. Morreram porque estatisticamente estavam a mais por ter havido falta de mortes no Inverno ameno.
E, quando isso não chega, morreram até de poluição, se for preciso, ou por efeito do tabaco,como diz o famoso AD. 
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De Eremita a 07.05.2020 às 00:41

A única diferença é que eu reconheço os meus erros. O Henrique não reconhece nada. Tentou desesperadamente aumentar os números de mortos da gripe, pela associação aos números da pneumonia (maioritariamente bacteriana) e pela embaraçosa confusão com o excesso de mortes Inverno. Não reconheceu estes erros. Pelo contrário, quando inadvertidamente apresentei números de mortos por dia (creio que nos EUA) que tinham sido extraordinariamente altos porque reflectiam a inclusão extraordinária de mortes de dias anteriores, apontou o erro e eu reconheci-o. É essa a diferença. Se, desta vez, aponta um erro parecido, reconhecerei de novo o erro, mas limitei-me a repetir o número noticiado na imprensa e reportado pelo site que tenho usado para acompanhar os números da pandemia. 


https://www.worldometers.info/coronavirus/country/US/

https://observador.pt/2020/05/06/eua-passam-da-marca-dos-71-mil-mortos-covid-19-fez-2-333-mortes-nas-ultimas-24-horas/


Mas se a sua ideia é repescar o argumento das mortes por ou com covid-19, há limites para a paciência. Ponha uma coisa nessa cabeça: o que aconteceu na Itália e na Espanha foi uma tragédia. Sabe quantos médicos morreram de covid-19 na Itália? Para cima de 100. O que está a  acontecer no RU, EUA e muito possivelmente, em breve, no Brasil, é uma tragédia.  Se a sua ideia é continuar a subtrair mortes para "salvar a face", está já a funcionar ao nível da Cristina Miranda do Blasfémias e de outros malucos conspiracionistas e o seu caso ainda é mais grave do que eu pensava. Se aplicar esse preciosismo às mortes por gripe ou com gripe, sabe como ficam os números? Já percebeu que os números da gripe são mais incertos do que os números da covid-19 ou ainda não? Tem alguma dúvida de que os número de mortos por/com covid-19 serão revistos em alta nos próximos meses, não se sabendo ainda se teremos de acrescentar mais 5% ou mais 25%? Ainda pretende argumentar que a pandemia nos EUA está resolvida e que estes números de mortes são uma invenção da imprensa? É isso? Depois de esclarecer estas questões, fale-me da China, Henrique. Agora que voltou a responder e antes que se ofenda outra vez por não sei o quê e se remeta ao silêncio de novo, explique-me a sua teoria sobre o que se passou na China pois ardo de curiosidade. 

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De henrique pereira dos santos a 07.05.2020 às 08:12

Francamente não sei quantos médicos morreram em Itália com covid (e menos ainda sei quantos morreram de covid) mas duvido que tenham sido só cem.

A razão é simples: havendo mais de 400 mil médicos em Itália, isso daria uma percentagem de 0,025%. Ora não sendo os médicos imortais, e sendo um grupo de maior risco por razões evidentes, tenho alguma dificuldade em aceitar que tenham uma mortalidade que é metade da mortalidade na população em geral.
Há no entanto um aspecto relevante: o número de médicos diz respeito a médicos no activo, e a covid tem mais de 80% das suas vítimas mortais entre pessoas com mais de 70 anos, o que pode explicar essa percentagem tão baixa.
De uma maneira ou de outra, não percebi bem para que serve esse número atirado ao ar e sem contexto: quantos médicos morrem por ano em Itália e por que razão morrerem mais de cem numa epidemia é uma tragédia diferente de morrerem por outra razão qualquer?
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De Eremita a 07.05.2020 às 13:43

Henrique, quer mesmo discutir esta treta? O número serve, já que pelos vistos está numa situação em que fuma mas não inala, para ilustrar a excepcionalidade da pandemia. Pode continuar com essa pose blasé a dizer que é tudo uma ilusão criada pela atenção extraordinária que a pandemia está a receber. Se é essa a sua tese, "game over", porque não vale a pena contrariar um negacionista. Em todo o caso, esse seu raciocínio volta a ser tão absurdo que até o Henrique deu com um dos erros. Junte  ainda outro "aspecto relevante": a epidemia na Itália foi muito localizada e muitas especialidades não devem ter tido um papel activo, o que baixa enormemente esse denominador dos 400 000. Pela sua brilhante lógica, se houver um fogo, forem recrutados 50 bombeiros de um corpo de 5000 para combater as chamas e os 50 morrerem, essa situação não é diferente da de um outro fogo muito maior em que estiveram envolvidos os 5000 bombeiros e morreram 50 porque a mortalidade foi a mesma (1%). O único denominador que faria algum sentido ter usado é o dos médicos envolvidos no combate à epidemia, que será provavelmente pelo menos uma ordem de magnitude inferior aos 400 000 que resolveu ir buscar para nos fazer perder tempo. A China, Henrique, concentre-se e diga-me o que aconteceu na China, por favor...


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De henrique pereira dos santos a 07.05.2020 às 14:29

Concentrar-me-ia nesse denominador se demonstrasse que os médicos mortos (ou seja, o numerador) estavam todos ligados à resposta à covid, o que está muito longe de ser verdade.
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De Dave a 07.05.2020 às 14:54

Está-se mesmo a ver que eles morreram engasgados com cascas de pistachios: foi uma epidemia que grassou na Lombardia este Inverno. A malta em Turin tropeçava nos pistachios desde o amanhecer; só que amendoins , népias! 
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De Eremita a 07.05.2020 às 15:00

Desafio aceite. Vou demorar algum tempo a reunir a informação.  Posso juntar suicídios de médicos ligados ao combate à COVID-19 ou vai argumentar que, nesses casos, foi um suicídio "com COVID-19" e não por causa da COVID-19?
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De henrique pereira dos santos a 07.05.2020 às 15:15

trate os suicídios à parte, como sabe o problema do suicídio é tratado pela epidemiologia e existe conhecimento associado às variáveis que fazem aumentar o suicídio, incluindo a depressão económica e, evidentemente, outras situações de stress emocional como estas da covid.
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De Eremita a 07.05.2020 às 17:53

Sim. Era justamente no stress emocional associado à resposta à COVID-19 nas urgências que estava a pensar. Mas estes casos podem ficar de fora. 
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De zazie a 07.05.2020 às 18:44

Mais uma vez essa dos médicos e nº é cópia do André Dias, via Facebook
Alguém lá deu o link para a contabilidade.  o AD também diz que é natural por ser tudo velho e porque tudo é natural e normal para os negacionistas. 
Só que alguns desses médicos mais velhos foram voluntários a tratar o coronavirus e morreram precisamente em actividade.


https://portale.fnomceo.it/elenco-dei-medici-caduti-nel-corso-dellepidemia-di-covid-19/?fbclid=IwAR0BwDY1Uswn7y4_eKz_XjtALHlltfB-GA90fBJdwLcaJlFqBDUNZSipnBQ
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De Anónimo a 06.05.2020 às 14:07


pois eu acho que está em plena fase de euforia , com a mania que é o super homem.
controle-se.
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De Dave a 05.05.2020 às 13:39

É pá, mas por que raio é que os tipos do Imperial que têm carradas de modelos sofisticadíssimos para populações heterogéneas (com patches, com metapopulações e mais o raio que os parta) espalhados pelo laboratório não se lembraram de os usar? (hum... coçando a cabeça...) Terão sido comprados pelos chineses, ter-se-ão deixado embalar pelas cantigas do pato Donald? (hum ... coçando a cabeça...). Ups, tenho de ir!, antes que apareça por aí o chefe à minha procura ...
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De Luís Lavoura a 05.05.2020 às 15:33

regras absurdas como as que, em Itália e Espanha, permitiam passear-se o cão, mas não as crianças

Não são regras absurdas. Proíbe-se aquilo que é exequível proibir. É exequível convencer uma criança de que não pode sair à rua, mas é inexequível exigir o mesmo de um cão.

Da mesma forma, em Portugal exigiu-se o fecho de todas as pequenas lojas, mas permitiu-se a abertura de lojas que vendem comida. Apesar de nas lojas que vendem comida se poderem verificar (e eu observei, por vezes) grupos de gente em grande proximidade social. O ponto é que é inexequível proibir as pessoas de irem comprar para comer.

Ou seja, não se trata de regras absurdas, trata-se de regras tão restritivas quanto o exequível na prática.
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De henrique pereira dos santos a 05.05.2020 às 18:18

Luís, qualquer regra que trate melhor um cão que uma criança é uma regra absurda, seja qual for a justificação que quiseres dar para isso.
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De Anónimo a 05.05.2020 às 18:23

Ai Henrique, por muito mal que isto possa soar, já anseio pela época dos fogos...
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De Anónimo a 05.05.2020 às 18:48

Ui, neste sítio levam tempo a validar os comentários!
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De Anónimo a 05.05.2020 às 21:42

Lamento nos comentários anteriores aparecer como anónimo. Não foi minha intenção, mas tenho de confessar que não é meu hábito "entrar" nestes sítios como comentadora, nem sei como proceder à identificação.
Posto isto aqui vai: Maria Ribeiro
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De Anónimo a 07.05.2020 às 22:21

Falácias indutivas: 

Franco-atirador texano[editar (https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Fal%C3%A1cia&veaction=edit&section=80) | editar código-fonte (https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Fal%C3%A1cia&action=edit&section=80)]

A hipótese é confirmada somente pelos argumentos do interlocutor que se mostraram corretos, sendo os outros descartados pelo próprio.

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