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Enfrentando um assunto doloroso

por João Távora, em 29.08.18

Papa Francisco.png

O arcebispo Carlo Maria Vigano, divulgou há dias uma carta com gravíssimas acusações ao Papa Francisco, de ter anulado sanções contra o cardeal McCarrick que terá abusado de jovens seminaristas e sacerdotes, assim como acusa vários bispos americanos e os Jesuítas de apoiarem a agenda LGBT. Trata-se obviamente de um acto desesperado de guerra que visa atingir mortalmente o sucessor de Pedro que, como seria de esperar, hoje se escusou a defender-se na Praça de São Pedro.

Acontece que na Igreja sempre conviveram facções, houve luta pelo poder e nela concorreram ambições, vaidades e pessoas diferentes, algumas certamente homossexuais, com inaudita capacidade de intriga. É da natureza dos homens e das suas organizações, não é difícil imaginar.

Mais grave que tudo isso são os comportamentos repugnantes denunciados um pouco por esse mundo fora, a inacção ou conivência da hierarquia com esse tipo crimes que nunca deveriam ter acontecido pelas mãos de homens de Deus. E nesse sentido importa perceber como foram possíveis tais actos, e qual a ”fragilidade” que é porta aberta a tais escândalos. Não importa se foram poucos em termos relativos ou espalhados no tempo, importa que a Casa de Deus (paróquias, escolas, santuários, etc.) tem de ser um local sagrado e de santidade – como caminho do pecador para o exemplo de Jesus Cristo.

O que me angustia por estes dias é como explicar as notícias que hoje são manchete a uma criança. Não basta dizer que o assunto é complexo: irónico é como o Papa Francisco que pela primeira vez em décadas conseguiu trazer alguma “boa imprensa” ao Vaticano, poder ver-se agora cilindrado na voragem mediática por causa de um arcebispo reaccionário (sim, reaccionário, que conservador sou eu).  

Irónico é constatar que a maior crise que a Igreja hoje enfrenta, apesar dos encarniçados inimigos que há duzentos anos a sitiam e afrontam, acontece afinal por responsabilidade própria. Como já avisara o Papa Bento XVI aquando da sua visita a Portugal em 2010 “A maior perseguição à Igreja não vem de inimigos de fora, mas nasce do pecado da Igreja”.

Nesta hora difícil, o Papa, pastor desta nossa Igreja peregrina que é legado de Pedro e esposa de Jesus, eleito para nos guiar neste tempo, com a inspiração e poder do Espírito Santo, necessita de muita oração dos católicos por todo o mundo a quem se impõe que se unam à sua volta. Para levar de vencida mais esta crise e devolver-lhe o prestígio e a autoridade que é exigível aos que professam a mensagem e exemplo de Cristo.



17 comentários

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De Carlos Conde a 30.08.2018 às 21:12


O Papa Francisco é o Papa dos não católicos.
Representa a vitória da teologia da libertação dentro da Igreja.
No fundo é o Papa dos marxistas que, não entrando nas igrejas, conseguiram impôr um dos seus, após a abdicação de Bento XVI.
Presta-se a fomentar clivagens em vez de promover a união.
Apadrinha causas polémicas, com a mesma óptica sempre presente.
Um fariseu à frente da Igreja Católica...
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De João Távora a 31.08.2018 às 01:25

Tantonio disparate, meu Deus. 
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De Francisco a 31.08.2018 às 10:38


A questão é de fundo e não se refere apenas ao Papa Francisco. Ao Papa Francisco devemos ouvir como Papa, dar o benefício da dúvida e procurar a verdade.

Existe um grupo liberal/progressista dentro da Igreja que a pretende mudar, contudo não gosta da doutrina, nem da liturgia, nem de nada sagrado, nem da Igreja constituída hierarquicamente, nem gosta do Papa, apenas gosta do Papa Francisco porque espera dele obter a nova Igreja à medida das suas ideias, é hipocrisia desobedecer aos Papas Paulo VI, João Paulo II e Bento XVI e vir agora assumir um amor e obediência.



Foi o conservadorismo que tolerando e dizendo que perante os erros é possível interpretá-los de forma correcta que permitiu os liberais/progressistas irem durante estes 50 anos destruindo o que de Católico existia. Foi também o conservadorismo que permitiu que o Cardeal McCarrick fosse subindo na hierarquia e termos hoje em dia como bispos e cardeais os seus seguidores.


O Papa Francisco esperemos seja vítima como foram os seus antecessores, aos bispos e ao Papa o que se pede é a verdade e perante a destruição que existe não façam apenas à de conta que está tudo bem. É preciso apurar a verdade sobre isto.


O João Távora diz que é conservador, pergunto o que pretende conservar? Sem Tradição, Sagrada Escritura e Magistério que inclui todos os Papas não temos Igreja Católica. Sem uma transmissão verdadeira da Fé, fundada na Verdade e na Vida temos apenas um clube onde Jesus é amigo e mestre espiritual do mundo.


O que pretende conservar? Continuando a dizer que está tudo bem e deixando o grupo liberal/progressista mudar a Igreja para grupo espiritual do mundo dentro de pouco tempo não há nada para conservar. Conservar a missa, as igrejas, o sagrado, a doutrina, já são diferentes. Conservar a família cristã, está a ser alterada, a seguir vão aos jovens.


Por favor veja aqui https://catequesematerial.wordpress.com/ os manuais e guias da catequese, é tudo antropologia. Se não for a boa vontade dos catequistas não se transmite a Fé às crianças. Se os padres não dão catequese e não falam da doutrina nas homilias quando é que nos confirmam na Fé? O que há para conservar?


A nós que somos jovens casais não nos foi transmitida a Fé, as gerações anteriores em vez disso estavam a desbaratar o tesouro que tinham recebido em troca do amor e da paz, possivelmente com boa intenção. Nós não temos nada, queremos transmitir a Fé aos filhos e nem os guias da catequese nos ajudam. Os padres só falam de amor e paz e de conversão só para nos convertermos uns aos outros na fraternidade. Por isso não podemos ser conservadores porque não nos foi transmitido nada para conservar, somos da Tradição, Sagrada Escritura e Magistério de sempre, da Igreja Católica Mãe e Mestra que ensina e transmite a Fé com clareza e exigência, onde Cristo é Rei.
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De João Távora a 31.08.2018 às 11:47

Não percebo em quê a abertura da Igreja às periferias e o foco na misericordia poderá comprometer a doutrina ou a liturgia. Estou fora dessa competição e intriga à volta duma ideia de pureza formal. Concentro-me na oração pela união da igreja à volta do Papa que acredito tenha sido eleito pelo poder do Espirito Santo. Esse é o meu partido. 
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De Francisco a 31.08.2018 às 12:28


Compromete quando é feito com ambiguidade, permitindo interpretações e práticas diferentes onde o resultado é a mesma situação e pessoas estarem em pecado mortal numa diocese e noutra já não estarem.


Outro exemplo, porque na missa na consagração do Cálice aqui em Portugal é "derramado por todos" e do lado de lá da fronteira em Espanha é "derramado por muitos"? Não é a mesma Igreja? Infelizmente por aqui não existiu essa união à volta do Papa quando o Papa lhes pediu. Onde está quando estamos há 16 anos há espera para utilizar a 3ª edição do missal do Papa São João Paulo II de 2002?


Doutrina e liturgia comprometida já temos, não é de agora com o Papa Francisco. Nas periferias também estamos nós jovens casais que querem educar os filhos na Fé e não temos ajuda, que querem levá-los à missa e ensiná-los a rezar mas o padre torna tudo numa festa.


O problema da abertura às periferias e foco na misericórdia do Papa Francisco é de ao mesmo tempo existir o tal movimento liberal/progressista e padres/bispos/cardeais promotores da cultura LGBT. Não é fácil ver as duas a crescerem e tornarem-se normal levando tudo a um relativismo moral.



Na minha opinião o conservadorismo em que está sempre tudo bem vai continuar a permitir a destruição e a relativização onde se vão gerar cada vez mais periferias: católicos não praticantes, agnósticos e ateus.



Penso que o que ensina a Igreja é que o Espírito Santo aconselha e ilumina os cardeais na eleição do Papa, mas estes podem sempre afastar, mesmo inconscientemente, esse conselho. Por isso a eleição é feita pelos cardeais, em que o Papa eleito é o nosso Papa. A união e oração é importante mas tem de ser feita sempre pedindo a Verdade.
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De Carlos Conde a 31.08.2018 às 14:12

Por favor considere o Segundo Mandamento.
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De pitó a 01.09.2018 às 16:16

Carlos Conde, Francisco e outros: Continuem a ensinar. Tudo o que escrevestes é fonte de aprendizagem, dado ser fonte de raciocínio.
Mas cuidado que «Neste blog não se aceitam comentários ofensivos»

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