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Empresas e bem colectivo

por henrique pereira dos santos, em 26.03.24

"É bom para as empresas, mas um prejuízo público", escrevia um amigo meu a propósito de plantações florestais (como é normal, a questão são os eucalitpos, sobre a plantação dos quais este meu amigo até tem uma posição moderadíssima, quando comparada com o mainstream ambiental).

De resto, ainda na semana passada ouvi um investigador, um bom investigador que conheço, de quem gosto e que tem trabalho muito válido em questões ambientais, fazer uma diatribe contestanto o trabalho dos seus colegas que investigam especificamente os impactos da plantação de eucaliptos.

Depois da minha entrada habitual nestas circunstâncias ("manda-me os links dos teus artigos que reflectem a tua investigação científica sobre eucaliptos"), estivemos um bom bocado a discutir, de forma cordial, civilizada e racional, as razões de cada um para termos as divergências que temos da avaliação do que se sabe sobre o impacto da plantação de eucaliptos (ele, na posição clássica do ambientalismo "a espécie interessa", eu, na posição minoritária entre os que não estudam o assunto, mas maioritária entre os que estudam o assunto "a espécie até pode interessar marginalmente, mas deixa de ter relevância quando se avalia o peso da espécie, face ao peso do modelo de gestão, nos impactes gerados").

Dificilmente algum de nós muda de posição sobre o que pensa da plantação de eucaliptos e a raiz disso está na frase que citei primeiro, que é de um terceiro (também investigador), que corresponde a uma ideia muito enraizada na sociedade, mas que me parece bastante frágil, a ideia de que as empresas são entidades reais autónomas, e não meras organizações de pessoas, como as igrejas, as associações, os grupos almoçaristas, as comissões fabriqueiras, as famílias, as tribos, os grupos musicais ou quaisquer outras designações que damos a agrupamentos de pessoas.

É dessa ideia que nasce outra ideia muito mais prejudicial, a ideia de que as empresas têm interesses.

A verdade é que as empresas são pessoas ou, se quisermos, uma forma específica de organizar pessoas e grupos de pessoas, accionistas, consumidores, trabalhadores, fornecedores, receptores de impostos, reguladores, tribunais, fiscalizadores, enfim, grupos diferentes de pessoas, mas sempre pessoas concretas.

Como em todos os grupos há diferenças, quer entre pessoas separadamente, quer nos grupos em que se organizam, mas no fim de tudo estão sempre pessoas.

As plantações florestais (de eucaliptos, mas de outra coisa qualquer, a que se podem juntar os usos agrícolas, e coisas funcionalmente semelhantes a plantações florestais) se são benéficas para as empresas que as promovem, é porque as empresas que as promovem (os accionistas que nela investem, os gestores que dela retiram os seus ganhos, os trabalhadores que dela retiram o pagamento do seu trabalho, os consumidores que usam os seus produtos, os fornecedores que têm nelas o seu mercado, o Estado que nelas se financia, os receptores de apoios sociais que nelas têm a origem dos seus recursos e até os ambientalistas que nelas definem o inimigo de que se alimenta a sua utilidade social) criam alguma coisa socialmente útil.

Uma empresa não paga impostos, por exemplo, quem os paga ou são os seus accionistas (raramente), ou, de maneira mais geral, os seus consumidores, mas também os seus trabalhadores que vêem o o preço do seu trabalho ser afectado pela comissão que o Estado cobra por cada hora de trabalho de cada um de nós.

Quando uma coisa é boa para as empresas não quer dizer que seja boa para todos, por exemplo, não saindo dos eucaliptos, se uma área está ocupada com uma plantação de eucaliptos, não pode ser dedicada à conservação da biodiversidade, prejudicando as pessoas que beneficiariam dessa área de biodiversidade.

É aquilo a que os economistas chamam um custo de oportunidade, se os recursos são usados numa coisa, não são usados noutra.

Note-se que se a área for usada para optimizar a produção de biodiversidade, isso significa um custo de oportunidade para a produção de eucalipto.

Numa e noutra opção há ganhadores e perdedores, mas não há bem público, ou prejuízo de um lado e bem privado ou prejuízo privado noutro, há bem e prejuízo privado e público nas duas opções.

Tornar claro o que se ganha e se perde em cada opção é bom e útil, porque ajuda a tomar melhores decisões privadas e colectivas.

Eu não vejo em que medida ter decisões tomadas por terceiros sobre recursos que são meus conduzirá a melhores opções para todos, a menos que se considere que os terceiros são tão melhores que eu, que mais valia que governassem a minha vida.

O que nunca vi é a demonstração de que isso alguma vez se tenha verificado em algum lado, salvo em franjas da sociedade (no governo das crianças, no governo de pessoas com fragilidades sociais irrecuperáveis e coisas que tais, e mesmo assim com limitações muito claras).

Os bens públicos resultam das decisões privadas de cada um de nós, não são uma abstracção que se possa definir tecnicamente por grupos de sábios.

As empresas são apenas uma das formas de organização social que ajudam a materializar o que queremos fazer da nossa vida, sendo especialmente eficazes nalgumas actividades (e pouco úteis noutras), acabando sempre, sempre, por servir, bem ou mal, pessoas, sendo muito pouco provável que apenas se sirvam a si próprias.


23 comentários

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De G. ELias a 26.03.2024 às 12:50

Os bens públicos resultam das decisões privadas de cada um de nós, não são uma abstracção que se possa definir tecnicamente por grupos de sábios.

Não percebi bem o que queres dizer aqui.
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De henrique pereira dos santos a 26.03.2024 às 15:01

Confesso que a frase me parece suficientemente clara, de maneira que não percebo as tuas dúvidas, o que me impede de tentar explicar melhor. Consegues explicar-me melhor que dúvidas é que a frase te suscita?
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De G. ELias a 26.03.2024 às 15:16

Ok a parte que não consigo entender é a primeira metade, que cito: "Os bens públicos resultam das decisões privadas de cada um de nós"
Poderias talvez explicar melhor ou exemplificar a que bens te referes aqui e em que medida resultam de decisões privadas? É que não estou a conseguir pensar em nenhuma situação concreta.
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De henrique pereira dos santos a 26.03.2024 às 15:36

Certo, um exemplo simples: assegurar o abastecimento alimentar em quantidade e qualidade.
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De G. Elias a 26.03.2024 às 15:39

Sim, costumas dar esse exemplo. Mas para mim, assegurar o abastecimento alimentar em quantidade e qualidade constitui um "serviço essencial" e não um "bem público". Se calhar isto é apenas uma questão semântica e estamos a interpretar de forma diferente o que é um "bem público"...
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De henrique pereira dos santos a 26.03.2024 às 15:52

Comecemos então por aí: o que é para ti um bem público (isto ainda vai dar outro post).
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De G. Elias a 26.03.2024 às 16:06

Eu costumo distinguir entre bens e serviços, sendo que bens abrange tudo aquilo que é palpável, ou seja, que existe materialmente, e serviços refere-se ao que é imaterial e envolve mão-de-obra.
Neste sentido, bens públicos seria, todos os bens (materiais) que são públicos ou de propriedade pública ou do Estado, incluindo-se aqui por exemplo os edifícios públicos, os veículos de transporte público (comboios, autocarros, etc), os veículos e outros equipamentos ao serviço do Estado, por exemplo.
Já o abastecimento alimentar em quantidade e qualidade, de acordo com a definição que sigo e que apresentei acima, enquadra-se na categoria dos serviços. E nem sequer é para mim claro que seja um serviço público, porque ele não é prestado pelo Estado. mas é, sem dúvida, um serviço de interesse público (poderíamos usar, também, a expressão "serviço essencial", aliás nem todos os serviços públicos são essenciais, por isso convém distinguir).
Há aqui muita semântica pelo meio, mas creio que já me conheces o suficiente para saberes que gosto de ser rigoroso nas definições e que tenho alguma aversão a ambiguidades.
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De henrique pereira dos santos a 26.03.2024 às 17:14

Se defines o que é um bem ou serviço público o que é prestado pelo Estado, não há discussão possível, porque por definição é o Estado que providencia os bens e serviços que são prestados pelo Estado.
Eu é que não reconheço essa definição: a gestão da biodiversidade, ou da fertilidade, ou da água, são serviços públicos para mim.
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De G. Elias a 26.03.2024 às 18:00

Entendo a diferença que fazes e até concordo que faz algum sentido, mas faço notar que na tua última resposta já não usaste a palavra "bem" (que aliás foi o que motivou esta nossa troca de mensagens).
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De henrique pereira dos santos a 27.03.2024 às 08:11

Usei o serviço de providenciar bens públicos associado à alimentação, tu é que não quiseste esse exemplo e como não quis estar a discutir minudências, fui dando outros exemplos.
Tal como não quis ir buscar definições jurídicas consagradas, porque não é essa discussão semântica (como  dizes) que me pareceu fundamental.
Interesses difusos | DR (diariodarepublica.pt)
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De G. Elias a 27.03.2024 às 08:47

Sim, mas deixando as questões semânticas de lado, continuo a não perceber o que queres dizer com "Os bens públicos resultam das decisões privadas de cada um de nós". A menos que todo e qualquer serviço de fornecimento de qualquer coisa (quem diz alimentação diz vestuário ou limpeza) seja considerado um bem público. Levando este raciocínio ao limite, quase tudo é passível de ser considerado um bem público, e por isso é que essa expressão me parece demasiado ambígua, só isso.
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De henrique pereira dos santos a 27.03.2024 às 17:12

Sim, a expressão é ambígua porque a noção de bem público é não só ambígua para vai variando ao longo do espaço e do tempo.
Não vejo em que é que isso altere o essencial: qualquer que seja a definição de bem público (com excepção da noção de que público e estatal é a mesma coisa), ele resulta mais das decisões dos indivíduos que de conjuntos de sábios.
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De balio a 26.03.2024 às 14:43


a espécie até pode interessar marginalmente, mas deixa de ter relevância quando se avalia o peso da espécie, face ao peso do modelo de gestão, nos impactes gerados



Portanto, o principal, na opinião do H.P.S., é o modelo de gestão dos eucaliptais.


Eu perguntaria então ao Henrique que medidas de gestão sugere ele no sentido de minimizar os impactes negativos, e maximizar os positivos, dos eucaliptais.


Por exemplo, a que distância devem as árvores ser plantadas entre si, se devem ser adubadas ou não, com que idade devem ser cortadas, se se deve roçar o mato muitas ou poucas vezes, se se deve aplicar herbicida sobre esse mato, etc.
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De Filipe Bastos a 26.03.2024 às 15:36

Eu não vejo em que medida ter decisões tomadas por terceiros sobre recursos que são meus conduzirá a melhores opções para todos, a menos que se considere que os terceiros são tão melhores que eu, que mais valia que governassem a minha vida.

 
E governam: chamam-lhe "democracia". Até omitem o "representativa", para ficar ainda mais claro que esta é a única que existe ou pode existir.

De anos a anos, convidam-no a ir botar o botinho num partido ou candidato. Quer vá ou não, e quer vote no vencedor ou não, v. decide rigorosamente zero do que ele/ela fará depois. Tudo será decidido por si. 

 
V. não participa nas decisões, mas paga-as: sobretudo as que correm mal, que costumam ser a maioria, quando não todas. Os eucaliptos são uma pequena parte de tudo o que v., eu, todos nós não decidimos. 
 
Um ínfimo grupo de políticos decide 
tudo por nós sem nada nos perguntar. E um grupo ainda menor - de grandes empresas e 'criadores de riqueza', como gostam que lhes chamem - diz aos políticos como irão decidir. Daí os eucaliptos, daí as leis que temos, os contratos 'blindados', as nomeações, as adjudicações, as privatizações... daí muita, muita coisa.
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De henrique pereira dos santos a 26.03.2024 às 15:54

Confesso que fiquei baralhado.
Por um lado diz que são as empresas (cuja vontade ninguém sabe o que seja, mas deixemos isso) que dizem aos governos o que fazer, daí a legislação que existe.
Ora a legislação florestal que existe é fortemente penalizadora da produção de eucalipto (com razão ou sem razão, não vem ao caso), que é sempre negativamente discriminada nas decisões do Estado.
Como é que se concilia a sua ideia com a realidade?
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De Filipe Bastos a 26.03.2024 às 16:53


Constatar que são as grandes empresas, a começar pelo grande capital - a banca e os sacrossantos 'mercados' - que mandam nos governos (e na UE acima deles) é como dizer que o sol queima ou que a chuva molha: uma lapalissada. Salvo uma criança muito nova ou um direitista muito tapado, não vejo como pode alguém desconhecer ou duvidar de algo tão evidente. 

 
Ainda assim, até uma partidocracia corrupta como esta depende de votos e tenta manter uma (cada vez mais) débil ilusão de legitimidade. Isso passa por ceder ligeiramente aqui e ali, desde que não afecte muito a mama dos DDT.  
 
Com mais ou menos razão, a maioria das pessoas pensa mal dos eucaliptos, em particular do seu papel nos incêndios. Muitos especialistas, como v. diz no post, até concordam. Não sendo especialista, não sei se têm razão; mas sei que nestes casos o poder político prefere não arriscar. Assim ganham ou mantêm os botinhos e, como bónus, "seguem a ciência". 
 
(Tal como aconteceu na histeria covideira: o governo xuxa preferiu ir atrás dos exageros dos outros a arriscar acabar como o mau da fita.) 
 
Em todo o caso, citei a sua frase para realçar que não decidimos sobre eucaliptos nem sobre nada: toda a "democracia" é uma fantochada; tudo é decidido por nós; nada nos é perguntado. Limitamo-nos a rodar tachos.
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De henrique pereira dos santos a 26.03.2024 às 17:14

Resumindo, as empresas é que mandam, mas os governos decidem contra elas porque têm medo do público.
Estamos conversados.
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De Anonimo a 27.03.2024 às 08:51


As empresas mandam (acho que em inglês se chama lobbying), usando a arma que têm mais à mão: dinheiro. O povo é quem mais ordena, ou pelo protesto, ou pelo voto. São duas forças que muitas vezes estão em oposição.
Posso estar equivocado, mas também não sou das ciências sociais nem alguma vez fui esquiar com o Salgado.
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De Anonimo a 26.03.2024 às 17:49


No meio de tantas generalizações e verdades absolutas, apenas a primeira frase ""É bom para as empresas, mas um prejuízo público", já de si daria pano para enormes mangas.
O bem público, por si só, não implica que sirva e/ou beneficie toda uma população. Uma barragem será um exemplo de um bom bem público, mas que acarreta prejuízo público. Ou uma auto-estrada que é um bem público, mas acarreta prejuízos para quem vivia do comércio à beira da estrada. Normalmente estas decisões de prós e contras serão tomadas por alguém mandatado para o fazer, sabendo nós que as razões obedecem aos mais variados parâmetros.
A gestão privada de bens públicos, como água ou terrenos, obedecerá no mínimo a regras, mais uma vez estabelecidas por entidades compententes, que tentam manter o tal bem público. Por exemplo, não terei (ou não deveria ter) autorização para envenenar a água do meu poço, mesmo que seja meu.
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De lucklucky a 26.03.2024 às 19:47


"...entidades compententes, que tentam manter o tal bem público...."

A primeira função de uma "entidade competente" é justificar a sua existência.
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De Anonimo a 27.03.2024 às 06:28

Ha sempre a gestão por vontade popular. Afinal há mais socialistas que imaginava
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De lucklucky a 26.03.2024 às 19:49

"É dessa ideia que nasce outra ideia muito mais prejudicial, a ideia de que as empresas têm interesses."



As empresas têm interesses assim como todas as pessoas e organizações humanas seja qual a sua forma.
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De Anonimo a 27.03.2024 às 06:30

As IT de tedes sociais são um bom exemplo de ter ideias próprias, e desprezar o bem público, neste caso a saúde pública. 

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