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Empresas a patrocinar abortos

por João Távora, em 28.06.22

mulhergravida.jpg

O artigo de hoje da Helena Garrido no Observador foi para mim como um pontapé na barriga. Talvez porque tenho em boa conta as suas opiniões em geral e sobre economia em particular, e esta seja favorável à banalização do mal na comunicação empresarial que é matéria do meu ofício – na sequência da decisão do Supremo Tribunal várias grandes empresas prometem patrocinar viagens das suas empregadas a outros estados para abortarem. Se sou capaz de entender os conflitos éticos e morais que comporta a opção do aborto, recuso-me a entendê-lo como um “direito humano”. Ao contrário um aborto é uma solução bárbara, que na maior parte das situações pode ser evitado por pessoas providas de vontade.
A questão é: não seria melhor para a reputação das empresas mencionadas no artigo, Disney, JP Morgan e Citi, Levi Strauss, Microsoft e a Apple, patrocinarem a boa utilização dos contraceptivos e uma vida sexual saudável entre os seus colaboradores? Não, porque isso não traz boa imprensa, e porque - suspeito - as consciências da maioria dos seus clientes não suportam enfrentar complexo conflito de valores que encerra uma gravidez acidental sem o resolver literalmente ao pontapé. Afinal tudo se resume a um umbigo. E à facturação, evidentemente. 



2 comentários

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De Sofia a 28.06.2022 às 22:15

João, vejo a atitude das empresas como o ato de repúdio a uma lei que tem mais de 50 anos e foi revogada. A mulher têm o direito de escolha! A lei das armas que matam todos os dias inocentes, não mudam, nem procuram solução. Cá já basta cá ver recém-nascidos  abandonados no contetor, mortos e crianças vítimas de maus tratos até à morte.
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De Anónimo 78 a 29.06.2022 às 14:35

Não é nem nunca foi lei. E por isso a decisão de 1973 foi muitíssimo bem revogada.
A liberdade de que os americanos gozam está protegida pela Constituição. Acho que ninguém - nem as Sofias, as Helenas Garrido ou as Barbaras Streisand deste mundo - se atrevem a defender que, há mais de dois séculos, um grupo de homens ultra-religiosos (por padrões de hoje, mais religiosos do que os europeus por padrões da época) consagraria o direto ao aborto na Constituição. 
A função do SCOTUS é interpretar a Constituição. Não é corrigi-la nem acrescentá-la. Para isso existe um poder Legislativo, a Câmara dos Representantes e o Senado. O SCOTUS cometeu um erro em 1973 e agora corrigiu-o. A Constituição é claríssima. Se não está na Constituição a decisão cabe aos Estado. Por isso os EUA são uma federação e não é uma maioria conjuntural de 9 juízes que pode alterar isso.
Em 1973 o SCOTUS errou 3 vezes. Legislou quando não lhe cabia fazê-lo. Usurpou para um órgão federal, um direito estadual  Finalmente - e isto já pode ser discutível mas para mim é claríssimo, deduzir o direito ao aborto como uma extensão do direito à privacidade é uma aberração em racionalismo jurídico.
A Constituição dos EUA tem, salvo erro, 27 emendas. Se quem de direito - o Congresso - entender que é indesejável deixar que os Estado legislem diversamente, então o caminho é fazer aprovar uma 28ª Emenda, consagrando o direito ao aborto.
Enquanto isso não acontecer, artigos como o de Helena Garrido, comentários como este de Sofia ou bocas como a de Barbara Streisand, estão num patamar pouco diferente das manifestações violentas que começam a fazer lembrar o ataque ao Capitólio

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