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Em louvor de António Costa

por henrique pereira dos santos, em 21.01.21

ipma.jpg

Este boneco consta do pequeno relatório do IPMA que já citei num post anterior e que pode ser lido aqui.

Como se pode ver, e o IPMA explicitamente diz no seu relatório, há uma anomalia meteorológica que começa a 24 de Dezembro e terá terminado algures entre o dia 14 e o dia 19 de Janeiro (a partir de 14 ameniza, mas é a partir do dia 19 de Janeiro que as condições sinóticas, não perco uma oportunidade de usar esta palavra, se alteram mesmo a sério).

mort jan.jpg

Isto é a mortalidade total (covid e não covid) diária em Janeiro, até ontem (o número de ontem ainda será ajustado ao longo do dia de hoje) por classes etárias. Não é visível neste gráfico, mas quem quiser pode ir verificar aqui que ao longo de todo 2020 há meia dúzia de dias em que há mais de 200 mortes acima de 85 anos, e sempre com valores dois ou três números acima de 200, mas a partir de 3 de Janeiro deste ano todos os valores são acima de 200 e, na maior parte dos dias, acima de 300, ou seja, 50% acima do máximo anterior.

Temos então duas hipóteses de explicação para estes números:

1) os especialistas covid que entendem que essencialmente o Natal deu origem a esta situação;

2) este pobre homem da Póvoa - que todos os dias avalia o estado geral do tempo pela nível de actividade das formigas na sua cozinha - que diz que provavelmente as condições sinóticas entre 24 de Dezembro e 14 de Janeiro explicam melhor os números.

Avaliemos as duas hipóteses, mesmo dando de barato que é contra a vontade do mais influente modelador covid, Carlos Antunes, que considera "Não há tempo para ter dúvidas, mas sim de acção" (é um comentário rápido de facebook, portanto não olhemos ao português porque todos percebemos a ideia).

A hipótese dominante, partilhada pelos especialistas covid, implicaria a mortalidade a subir menos de dez dias depois do Natal, quando normalmente se fala em duas semanas entre contágio e morte (individualmente este tempo tem uma grande variação, mas o que interessa aqui é mesmo a estatísca dos grandes números, como escrevia um dia destes Luis Aguiar-Conraria, as pessoas não são números, mas os números são pessoas), implica aceitar uma explicação de contágio que pode ser válida para a covid mas deixa sem explicação o resto da mortalidade (o gráfico acima é de mortalidade global), deixa os especialistas sem perceber o que fez a letalidade neste grupo etário duplicar em 12 a 14 dias (ler Henrique Oliveira (às vezes assina Silveira) hoje no Público, que tem referido isto em vários sítios), deixa os especialistas covid sem explicação para o salto brusco na percentagem de positivos, obrigando-os a ir buscar explicações como a perda de qualidade dos dados por falta de testagem ou a falência da prestação de cuidados de saúde ou, o que é mais interessante, deixando-os perplexos porque o número de casos está a subir menos do que os seus modelos previram e a mortalidade está a subir mais que os seus modelos previram.

Agora avaliemos a hipótes aqui do mané. Na verdade é de muita gente, não é minha, evidentemente, ver, por exemplo, "Excess winter mortality in Europe: a cross country analysis identifying key risk factors", "Extrem weather events, mortality and migration", referências cedidas por Luís Aguiar-Conraria, que agradeço e que naturalmente têm um ponto de vista mais económico, ou a referência que fiz noutro post anterior sobre sazonalidade e actividade viral, como digo, apenas exemplos para eu não me enfeitar com uma ideia que não é minha, pelo contrário, é do mais banal e documentado que há e que me limito a verificar usando como indicador a actividade das formigas na minha cozinha.

A mortalidade global explica-se melhor a partir da sua relação com as condições sinóticas em detrimento do contágio covid, podendo a mortalidade covid explicar-se como dependente destes factores de risco globais para a população acima dos 85 anos, a mortalidade começa a subir logo a 28 de Dezembro, o que é mais compatível com as condições meteorológicas que com os tempos de infecção e desenvolvimento da doença, fornece uma explicação sólida para o aumento da letalidade e da percentagem de positivos e é escusado ir buscar explicações rebuscadas quando não há nos dados da mobilidade nenhum pico associado ao Natal, não há nos dados da testagem nada que suporte a ideia de falência do sistema de testagem (a perda das cadeias de contágio, que seria um argumento mais sólido que o limite de testagem, não ocorreu agora, está presente há meses) e nem mesmo existe qualquer evidência sólida de que o sistema de saúde tenha colapsado (está muito pressionado, com certeza, pode gerar pontualmente problemas relevantes, mas é absurdo dizer que colapsou e não está a prestar os cuidados essenciais na resposta covid que justifique uma subida da mortalidade covid).

Eu sei a figura de urso que faço ao pôr-me em bicos de pé a dizer que uma quantidade enorme de pessoas qualificadas estão a ver mal a coisa, mas isso é um problema meu e a que estou habituado (nos fogos, nos eucaliptos, no glifosato, na conservação da natureza, na evolução da paisagem, etc.), não afecta terceiros, mas se realmente estes modeladores estiverem a ver mal a coisa, e a influenciar - do meu ponto de vista passando os limites da sua legitimidade ao quererem impôr a sua formulação de políticas - pesadamente a vida de terceiros, eu acho que vale o risco de fazer figura de urso se isso contribuir para manter alguma racionalidade na gestão da epidemia.

E, sobretudo, não entendo por que razão esta hipótese, amplamente suportada pelo conhecimento da relação entre meteorologia e doenças respiratórias, é totalmente descartada como um factor relevante para a discussão (sendo justo, Carlos Antunes, hoje, no Público, ao dizer que não tem explicações para alguns factos, refere vários factores possíveis, entre eles o frio).

De qualquer maneira, dentro de uma semana será mais fácil avaliar o que de facto se está a passar: não foi feito confinamento nenhum nos termos em que estes especialistas entendiam como necessário e o que vier a ser feito hoje só tem reflexos, na melhor das hipóteses, daqui a uma semana.

Se, nessa altura, dia 27, os número de casos (em média de sete dias, que neste momento anda pelos 10 mil e quinhentos) estiver próximo dos 37 mil que previram, a letalidade e a percentagem de testes positivos se mantiver nos níveis da primeira quinzena de Janeiro e a mortalidade continuar a subir como até agora, cá estarei para responder pelo que escrevo hoje.

Mas se a mortalidade global começar a descer, a mortalidade covid se mantiver, subir pouco ou descer, a letalidade e a percentagem de positivos descer e o número de casos - em média de sete dias - estiver abaixo do meio do intervalo previsto por estes especialistas (entre 37 e 14 mil, ou seja, abaixo de 26 mil dentro de uma semana) - então talvez seja altura de reavaliar os modelos que andam a ser usados.

Provavelmente não vai acontecer nem uma coisa nem outra, mas alguma coisa pelo meio das duas hipóteses, o que torna estas discussões intermináveis mas ao menos deveria servir para nos deixarmos de dogmatismo e determinismo na defesa das medidas a aplicar na gestão da crise.

É aqui que entra o louvor a António Costa: com a sua especial habilidade para empurrar com a barriga, António Costa acabou por nos dar o tempo para esta avaliação, ao não seguir cegamente a pressão para fechar tudo e o mais depressa possível (Carlos Antunes, por exemplo, continua a achar um erro a abertura de escolas em Setembro).

Eu sei que as decisões de António Costa não radicam nas melhores razões, numa definição de bem comum (certa ou errada) mas no seu permanente cálculo eleitoral: sabe que Portugal não tem recursos para andar a fechar tudo, sabe que ao contrário do que sucedeu na Primavera não pode contar com uma nova chuva de apoios europeus e sabe que fechar tudo tem um efeito devastador no futuro - já agora, incluindo na saúde e mortalidade, a pobreza mata e é o principal factor de correlação com maus cuidados de saúde -, o que o vai fazer disputar as próximas eleições já longe da percepção inicial da epidemia (esta fase é uma boa demonstração de que apesar da opinião publicada, as pessoas comuns já olham para a epidemia de forma bem diferente), e no meio do furacão social que restará da imensa destruição de valor que estamos a fazer.

A resistência de António Costa à pressão pública não decorre da sua convicção, é o desespero de um homem sem alternativas.

Mas sendo boas ou más as razões, eu tiro o chapéu a António Costa pelo facto de estar a resistir o mais que pode e, já agora, não posso de deixar de manifestar a minha solidariedade em relação à injustiça de responsabilizar o governo (este ou outro qualquer) pelos efeitos de uma epidemia que está muito para lá do nosso controlo.

António Costa não merece essa solidariedade pelo que fez a Passos Coelho antes e depois do tempo da troika, sabendo perfeitamente que estava a ser injusto, mas eu não acho que me deva portar como António Costa e só posso agradecer-lhe a resistência tenaz à pressão irracional que está a ser feita sobre o Estado e a sociedade.

Adenda: Jorge Capelo teve a delicadeza de me chamar a atenção para esta tese. "Verificou-se que existe um atraso da mortalidade diária de “Inverno” no distrito de Lisboa em relação à temperatura do ar, sendo a relação mais forte com a temperatura média do ar. São os valores de temperatura média que ocorrem 4 a 7 dias antes que mais influenciam a mortalidade de um dado dia. Verifica-se ainda um máximo no atraso da mortalidade diária (R = -0,35) com a temperatura média entre o 6º e o 7º dia". 


14 comentários

Perfil Facebook

De Antonio Maria Lamas a 21.01.2021 às 11:49

Muito bem analisado.
Os números de mortos por Covid, são pouco credíveis. Conheço pelo menos dois casos na passada semana com pessoas próximas que me levam a duvidar dos registos. 
Uma pessoa idosa morre de repente à frente da filha e do médico do INEM com um AVC fulminante, por idiotice da Delegada de Saúde e da procuradora do MP manda efectuar autópsia. Ao fim de 15 (quinze) dias a morta é testada, detectam COVID, já não fazem autópsia nenhuma e mandam a família toda para quarentena. 
Onde está a verdade?
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De balio a 21.01.2021 às 15:15


Os números de mortos por Covid, são pouco credíveis.


Sempre foram. A política em Portugal (e em muitos outros países, mas não em todos) sempre foi de classificar como "mortos por covid" todos aqueles que faleceram infetados com o sars-cov-2.


Nestas condições, basta que o número de infetados aumente para que automaticamente o número de falecimentos classificados como "mortos por covid" aumente.


O facto triste é que não existe atualmente nenhuma medida fiável da mortalidade provocada pela covid-19.
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De lucklucky a 21.01.2021 às 12:12



Mas se a mortalidade global começar a descer, a mortalidade covid se mantiver, subir pouco ou descer, a letalidade e a percentagem de positivos descer e o número de casos - em média de sete dias - estiver abaixo do meio do intervalo previsto por estes especialistas (entre 37 e 14 mil, ou seja, abaixo de 26 mil dentro de uma semana) - então talvez seja altura de reavaliar os modelos que andam a ser usados."



Parece-me que isto enferma do problema de não se saber quanta população vulnerável ainda não foi levada pelo COVID ou morreu de outras causas.
O vírus pode deixar de matar na mesma escala apenas porque deixou de existir o mesmo número de hóspedes vulneráveis.
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De henrique pereira dos santos a 21.01.2021 às 15:14

Os modelos baseiam-se exactamente nessa retirada dos vulneráveis
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De Carlos Sousa a 21.01.2021 às 13:11

Infelizmente a pressão irracional que está a ser feita  para fechar tudo não é só nacional é também internacional. À oposição interessa provocar o caos e a queda do governo. A nível internacional interessa arrasar a economia para poder justificar, tal como na troika, a entrada do dinheiro.
Quem se lixa é sempre o povo, pois se não morre da doença vai de certeza morrer da cura.
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De Anónimo a 21.01.2021 às 14:35

Mais 221 mortes. De certeza que é por causa do frio...
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De henrique pereira dos santos a 21.01.2021 às 15:15

Está enganado, foram 708 mortos
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De Anónimo a 21.01.2021 às 16:31

Sim, quatrocentos e tal mortos que se "aceitariam" nesta época do ano mais os duzentos e vinte e um atribuídos á covid.


Este boneco é bastante assustador quando olhamos para a linha preta. A que se refere aos dados este ano. 
https://evm.min-saude.pt/#shiny-tab-a_total
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De henrique pereira dos santos a 21.01.2021 às 17:26

Na sua opinião os mortos covid, que em 90% são pessoas acima dos setenta anos e com condições de saúde frágeis, estariam todos vivos se não fosse a covid, e portanto somam aos praticamente 500 (muito acima dos 380 da média diária) do resto da mortalidade?
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De Anónimo a 21.01.2021 às 19:13

Olhando para o gráfico, os 500 não estão muito longe da taxa de mortalidade dos períodos homólogos.
É da opinião que os 221 restantes foi o gato que os comeu?
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De henrique pereira dos santos a 21.01.2021 às 22:05

500 são mais 25% que a faixa superior do habitual. Os 221 morreram com covid, mas não se somam ao habitual, parcialmente sobrepõe-se ao habitual. O que ainda não percebi é qual é a sua questão: mesmo considerando que os 221 se somam à mortalidade habitual, os 25% a mais que o habitual, retirando covid, resultam de quê?
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De Anónimo a 21.01.2021 às 15:18

a ministra Covid parece a Imelda Marcos
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De Anónimo a 21.01.2021 às 18:21

Não que esteja 100% relacionado as queria partilhar uma históriazinha.  Hoje, ouvi nas notícias algo que me deixou estupefacto e que me leva a questionar a inteligência das pessoas. Uma jornalista apresentou um estudo do instituto Dr. (gosto muito deste apendencie ao nome) Ricardo Jorge onde refere que dos 5xx mil infectados de covid em Portugal, só um número muito baixo é de pessoas com mais de 80 anos. A jornalista achou isto relevante e depois continua a dizer que apesar disto são os que mais morrem de covid. Nesta altura engasguei-me e comecei-me a rir. Em primeiro lugar é natural que pessoas com mais de 80 anos sejam uma % pequena de pessoas infectadas não fosse a esperança média de vida de 83 anos, logo o espaço amostral é pequeno. De seguida, mesmo sem covid, e se a esperança média de vida são os 83 anos é normal que estas pessoas morram.


Que este meu texto não seja entendido como uma negação da covid só me parece que muita gente fala sem saber bem o que diz. 
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De Carlos Guerreiro a 22.01.2021 às 16:17

“...nem mesmo existe qualquer evidência sólida de que o sistema de saúde tenha colapsado (está muito pressionado, com certeza, pode gerar pontualmente problemas relevantes, mas é absurdo dizer que colapsou e não está a prestar os cuidados essenciais na resposta covid…” - Quando a Tremido manda adiar cirurgias prioritárias e médicos de ORL, oftalmologia, ortopedia, cirurgia, pediatria são chamados para reforçar as equipas de urgência de medicina, não poderemos considerar que o sistema de saúde está a funcionar normalmente (a não ser que consideremos estas mudanças como parte da re-invenção do SNS da Tremido).

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