Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Eleições legislativas 2021

por Jose Miguel Roque Martins, em 28.11.20

Quando a pandemia começou, o plano, era simples. Transformar um desafio numa oportunidade. Reforçar a ideia de que o Estado tudo podia. E que o Governo tudo fazia pela população.

O resultado esperado por um optimista irritante? A população em êxtase,  agradecida aos Homens do leme. Uma recessão perfeitamente compreensível, nacional e internacionalmente. Um enorme triunfo político e eleitoral.

À euforia libertária das limitações financeiras do passado, sucedeu-se o inevitável choque com a realidade. A pandemia não foi tão curta como pensado. A exemplaridade no seu combate, mais dificil de mascarar. Mas o verdadeiro problema passou a ser, como tantas vezes acontece, a economia e as suas consequencias políticas.

Numa crise aguda, mas curta, o Estado está habituado a transferir uma parte significativa das suas responsabilidades sociais a empresas, que têm a missão de aguentar o emprego. Numa crise aguda e prolongada, as pequenas empresas simplesmente não têm capacidade para resistir. Implodem. Deixando de cumprir “a sua” parte: assumir prejuizos e impedir desemprego insustentável . Criando um problema de uma imensidão gigantesca: ou são apoiadas ( o que custa dinheiro) ou aumentam o desemprego ( ainda mais caro) em muitas centenas de milhar de trabalhadores. Sim, são pequenas empresas, mas são muitas. O problema económico agrava-se para além do esperado e gerivel! 

É por isso que a generosidade das medidas tomadas no inicio da pandemia , contrastam com a actual aflição. Antes, a saúde em primeiro lugar, justificava tudo. Agora não. Antes confinamento total era imperativo e possível. Agora não. Antes faltar para tomar conta de filhos, era um direito óbvio que era apoiado. Agora não. Antes apoiavam se empresas sem olhar a custos, como aconteceu com a TAP. Agora não.

E de um problema económico agravado, passamos a ter um problema político brutal. São centenas de milhar de votos, a receber perto de 400 euros por mês. Dezenas de milhar de pequenos empresários e trabalhadores independentes, desesperados, a receber perto de zero.  É  parte da população que não percebe porque, agora, a sua saúde deixou de estar acima de tudo. São os chamados negacionistas revoltados com o desastre económico.  É a evidencia de injustiças relativas por todos os lados. É o descalabro.

António Costa é um animal político. Mas até o Houdini teria dificuldade de sair deste colete de dificuldades, desespero e frustração.

E por isso, rapidamente, passamos do triunfo inicialmente tentado pelo governo, para o momento desejado pela oposição para eleições antecipadas.Antes que algo de bom aconteça. 

Um novo ciclo é inevitavel. 


5 comentários

Sem imagem de perfil

De Carlos Sousa a 28.11.2020 às 13:24

Não sei se é este o momento desejado pela oposição para eleições antecipadas. Os únicos partidos a ter algum ganho serão os extremistas e provavelmente um aumento da abstenção. Não vejo o que Portugal ganharia com isso. Mais instabilidade em cima dum caos económico? 
Ou será que a bazuca da europa já está a provocar a urgência da corrida aos tachos. 
Não será melhor esperar pelas eleições presidenciais, para ver como param as "modas ", talvez alguns tenham uma surpresa.
Imagem de perfil

De Jose Miguel Roque Martins a 28.11.2020 às 18:03

quando terá a oposição melhores condições? 
Sem imagem de perfil

De Carlos Sousa a 28.11.2020 às 18:24

Vamos aguardar as eleições presidenciais e depois com a cabeça fria fazer uma análise séria. A quente e com o caos gerado pela pandemia não é de certeza a melhor altura para experiências governativas.
Sem imagem de perfil

De balio a 28.11.2020 às 16:09

Se o novo ciclo fôr liderado pelo PSD, vou ali e já venho, isso não constituirá grande progresso. Em matéria de gestão desta epidemia, o PSD ainda seria muito pior do que o PS.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 30.11.2020 às 10:18

"António Costa é um animal político".  Os nomes/substantivos estão bem. Já a adjectivar....

Comentar post



Corta-fitas

Inaugurações, implosões, panegíricos e vitupérios.

Contacte-nos: bloguecortafitas(arroba)gmail.com



Notícias

A Batalha
D. Notícias
D. Económico
Expresso
iOnline
J. Negócios
TVI24
JornalEconómico
Global
Público
SIC-Notícias
TSF
Observador

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Comentários recentes

  • M.Sousa

    As únicas reformas que interessam aos portugueses ...

  • Tomás A. Moreira

    Venha o presidencialismo, e quanto mais cedo melho...

  • Anónimo

    Seja como for António José Seguro ganhou com uns c...

  • Ricardo Miguel Sebastião

    Parabéns, sou vosso leitor desde o início, saudade...

  • rafael

    não houve nenhuma suspensão de democracia.o que ho...


Links

Muito nossos

  •  
  • Outros blogs

  •  
  •  
  • Links úteis


    Arquivo

    1. 2026
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2025
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2024
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2023
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2022
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2021
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2020
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2019
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2018
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2017
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2016
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2015
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D
    157. 2014
    158. J
    159. F
    160. M
    161. A
    162. M
    163. J
    164. J
    165. A
    166. S
    167. O
    168. N
    169. D
    170. 2013
    171. J
    172. F
    173. M
    174. A
    175. M
    176. J
    177. J
    178. A
    179. S
    180. O
    181. N
    182. D
    183. 2012
    184. J
    185. F
    186. M
    187. A
    188. M
    189. J
    190. J
    191. A
    192. S
    193. O
    194. N
    195. D
    196. 2011
    197. J
    198. F
    199. M
    200. A
    201. M
    202. J
    203. J
    204. A
    205. S
    206. O
    207. N
    208. D
    209. 2010
    210. J
    211. F
    212. M
    213. A
    214. M
    215. J
    216. J
    217. A
    218. S
    219. O
    220. N
    221. D
    222. 2009
    223. J
    224. F
    225. M
    226. A
    227. M
    228. J
    229. J
    230. A
    231. S
    232. O
    233. N
    234. D
    235. 2008
    236. J
    237. F
    238. M
    239. A
    240. M
    241. J
    242. J
    243. A
    244. S
    245. O
    246. N
    247. D
    248. 2007
    249. J
    250. F
    251. M
    252. A
    253. M
    254. J
    255. J
    256. A
    257. S
    258. O
    259. N
    260. D
    261. 2006
    262. J
    263. F
    264. M
    265. A
    266. M
    267. J
    268. J
    269. A
    270. S
    271. O
    272. N
    273. D