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E se o papão não passasse de um pobre pária iludido?

por José Mendonça da Cruz, em 16.03.22

Já conhecemos o retrato: «Um homem frio e inteligente; um líder imperialista e cruel; um ditador cínico e ambicioso; um génio da estratégia e da geopolítica».

Então, o que conseguiu até agora Putin?

Queria anexar a Ucrânia. Mas a conquista da Ucrânia, uma «operação» rápida e simples, está a ser «especial» no sentido em que não sendo rápida, nem simples, é bastante mortal para as tropas russas. Que talvez tomem Kiev com ainda mais pesadas baixas e em vão, para logo se garantirem uma longa guerra de guerrilha. Precisava de espaço vital, talvez obtenha um espaço mortal.

Queria espantar a NATO com o papão nuclear. Mas deu à NATO, uma aliança defensiva, todos e os mais fortes argumentos para se unir, reforçar e expandir. Obtém novas adesões junto às suas fronteiras, a união entre os membros, o reforço generalizado dos orçamentos de defesa, e o reavivar da aliança transatlântica.

Queria alargar o seu espaço económico. Conseguiu uma economia devastada, a quebra de laços comerciais, e a promessa de que a Rússia se tornará subsidiária atenta e veneradora (e explorada) da economia chinesa.

Queria afirmar a sobranceria, do alto do seu petróleo e do seu gás. Conseguiu boicotes parcelares, mas, sobretudo, que a União Europeia pense seriamente na questão energética, procure alternativas, e considere seriamente o regresso e incremento da energia mais limpa do mundo, a nuclear. [De caminho desacreditou a histeria das Gretas deste mundo, e, marginalmente, dos seus seguidores em Portugal.]

Viola o direito internacional, destrói as infraestruturas de um país, mata homens,  mulheres e crianças, destroi hospitais, creches, prédios de habitação, e assim conquista o ódio mundial generalizado, enquanto se constitui em criminoso de guerra.

O que suscita a pergunta: será Putin genial ou, sequer, inteligente?

 

 



21 comentários

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De anónimo a 16.03.2022 às 14:44


"...[De caminho desacreditou a histeria das Gretas deste mundo, e, marginalmente, dos seus seguidores em Portugal.]..." e nas Nações Unidas....

Tudo isso e mais.

Organizações ONGs pseudo-ambientalistas com fundos comprovadamente de origem russa defendem fanática e drasticamente o encerrar das centrais de energia ditas "poluente" -inclusive nucleares- baseadas em falsas permissas ecológicas.

Políticos na Alemanha e por essa UE, -a Ministra da energia belga ex-Gazprom- de vários tons defendem, só por interesses pessoais, algo que apenas aumentou ainda mais a dependência energética da Fed. Russa que, eficazmente, utiliza esses rendimentos de forma Imperial....
Mas há mais e bem por perto....
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De Anónimo a 16.03.2022 às 18:11

Uma vítima dos escombros chamou-lhe "Monstro". Ainda nenhum   Presidente lhe chamou directamente Criminoso.
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De Anónimo a 18.03.2022 às 09:16

Putin é um homem sinistro e sombrio. Tudo o resto decorre daí. Olhar vazio onde não passa nenhum vestígio de emoção. Percebe-se que desliza sem  precisar de levantar a voz, o tom é brando, quase ciciado e o seu rosto glabro, incolor, sem feições marcantes e sem expressão tem qualquer coisa da viscosidade de uma serpente silenciosa, cuja presença causa desconforto. Há ainda algo de inexplicavelmente magnético nele: ora nos repele, ora atrai pela vontade de antever qual é o seu limite, até onde pode ir, este homem  inquietante e enigmático. 


Não devemos estar tranquilos. 
Suspeito _  oxalá me engane _ que esta guerra está na fase preliminar, pois ainda  não vimos tudo quanto este homem  é capaz. 
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De Anónimo a 16.03.2022 às 21:23

Menos wishful thinking e um pouco mais de realismo, se faz favor Uma ajuda aqui:


https://www.youtube.com/watch?v=fAZJqQEe8mc


E já agora, aonde é que Putine disse que queria "anexar" a Ucrânia?




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De lucklucky a 16.03.2022 às 23:38

Putin disse que a Ucrânia é um pais sem direito a existir. Meia palavra basta, se lhe derem a oportunidade.
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De Anónimo a 17.03.2022 às 11:47

Não, claro que não!!! Longe disso... o Putin só ia ali fazer uma visita de médico, a pensar "apensar" a Ucrânia, ou seja, pôr-lhe um penso ...  rápido. 


Mas parece que se perdeu, não encontrou os "anexos" nem as dependências. Anda agora à procura de uma saída, "pensa-se".
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De Anónimo a 17.03.2022 às 12:08

Vejo que é muito receptivo ao "pensamento da complexidade" do tipo boaventura-sousa-santista, para quem a "Rússia foi provocada a expandir-se". LOL   cof cof cof
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De Anónimo a 17.03.2022 às 13:10

.... e assim, só resta concluir que les beaux esprits se rencontrent.
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De lucklucky a 16.03.2022 às 23:43

In Sri Lanka, Organic Farming Went Catastrophically Wrong
A nationwide experiment is abandoned after producing only misery.
MARCH 5, 2022, 7:00 AM
By Ted Nordhaus, the executive director of the Breakthrough Institute, and Saloni Shah, a food and agriculture analyst at the Breakthrough Institute.
Faced with a deepening economic and humanitarian crisis, Sri Lanka called off an ill-conceived national experiment in organic agriculture this winter. Sri Lankan President Gotabaya Rajapaksa promised in his 2019 election campaign to transition the country’s farmers to organic agriculture over a period of 10 years. Last April, Rajapaksa’s government made good on that promise, imposing a nationwide ban on the importation and use of synthetic fertilizers and pesticides and ordering the country’s 2 million farmers to go organic.
The result was brutal and swift. Against claims that organic methods can produce comparable yields to conventional farming, domestic rice production fell 20 percent in just the first six months. Sri Lanka, long self-sufficient in rice production, has been forced to import $450 million worth of rice even as domestic prices for this staple of the national diet surged by around 50 percent. The ban also devastated the nation’s tea crop, its primary export and source of foreign exchange.
(...)
continua pior...

https://foreignpolicy.com/2022/03/05/sri-lanka-organic-farming-crisis/ (https://foreignpolicy.com/2022/03/05/sri-lanka-organic-farming-crisis/)


Viram alguma notícia por cá?
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De Anónimo a 17.03.2022 às 19:36

Obrigado pela partilha. Acabei de ler o link que enviou e recomendo-o a toda a gente para que se informe.
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De passante a 17.03.2022 às 00:16

Se não lessem jornais / vissem TV faziam um grande favor a vós próprios

"He who reads nothing will still learn the great facts, and the details are all false."
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De Anónimo a 17.03.2022 às 10:20

Não vale a pena perder tempo a tentar "explicar" o homem com tantos e tão variados epítetos. Putin é um delinquente e, dentro dos transtornos mentais, encaixa no perfil de um psicopata.
 Está lá tudo: um provocador activo, um border line  que ultrapassa todos os "limites", um desafiador de todas as "convenções" e "regras", recorre à manipulação dos factos com ocultação da verdade, através de falsos argumentos e falsas razões (a fim de desviar a atenção dos seus verdadeiros intentos), narcisista e megalómano,  incapaz de sentir empatia, com traços de insensibilidade e crueldade sem culpa ou remorso, raciocínio frio e calculista. Putin, o Terrível, poderá sentir-se um "czar", mas não passa de um hediondo assassino em série. Presumo que, quem está à sua volta, viva no fio da navalha.


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De Anónimo a 17.03.2022 às 10:22


(cont.)
"Psicopata é a designação atribuída a um indivíduo com um padrão comportamental e/ou traço de personalidade, caracterizada em parte por um comportamento antissocial, diminuição da capacidade de empatia/remorso e baixo controle comportamental ou, por outro, pela presença de uma atitude de dominância desmedida. Esse tipo de comportamento agonista(1) é relacionado com a ocorrência de delinquência, crime, falta de remorso e dominância, mas também é associado com competência social e liderança. A psicopatia, descrita como um padrão de alta ocorrência de comportamentos violentos e manipulatórios, é frequentemente considerada uma expressão patológica da agressão instrumental, além da falta de remorso e de empatia".


" Egocentrismo patológico, prática comum de distorções dos factos, omissões e recurso à calúnia e à mentira, quando percebem que o seu comportamento está sob avaliação e reprovação.
 Na narrativa dos fatos, utilizam contextos fundamentados em acontecimentos verdadeiros, porém manipulados de acordo com seus interesses, e assim se tornam extremamente convincentes. Trapaceiam, manipulam dolosamente e são capazes de fingir com maestria comportamentos tidos como exemplo de ética social e capazes de fingir crenças ou hábitos (sociais ou religiosos) a fim de ocultar sua verdadeira personalidade. Pessoas sociopatas não sentem remorso pelo o que fazem. Jamais sentem culpa.



(1) "agonista"  indivíduo com propensão para a luta e o conflito ; é um desafiador  e um provocador ativo, com um projeto hegemónico baseado na possibilidade de liderança  e domínio  e na crença da subsequente  transformação ao nível da ordem política, social  e económica. 
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De Anónimo a 17.03.2022 às 18:02

Sem dúvida um homem-máquina, inexpressivo e rcruel com traços de psicopata. Tal como Hitler retirava o estatuto de  humanos aos judeus, eram "unmensch", não humanos, reduzindo-os à condição de "ratos" repulsivos que era preciso esmagar.  A mesma desumanização do inimigo uma sub-espécie animal também se verifica em Putin. Atente-se na linguagem da sua última intervenção, que ouvi há pouco
"...  o povo russo em particular sabe distinguir verdadeiros patriotas de degenerados traidores e vai cuspi-los como se se tratasse de moscas que acidentalmente lhes entraram na boca. A auto-purificação da Rússia não só é necessária como é natural". 
 Putin já terá o seu nome assegurado na lista dos monstros da História.
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De Anónimo a 17.03.2022 às 10:34

Por conseguinte, Putin deve ser levado em camisa de forças para um Hospital psiquiátrico e submetido aos tratamentos prescritos na sua antiga e tão amada pátria soviética: a trepanação "ucraniana" para que se extirpe de vez o delírio e a compulsão obsessiva.    
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De Anónimo a 17.03.2022 às 20:00

É impressão minha ou foi mesmo um erro político crasso do Presidente Marcelo ao dizer-se compreensivo com a abstenção de Moçambique face aos acontecimentos na Ucrânia? 
Depois percebi melhor a posição de Moçambique. Durante a guerra colonial receberam armas da URSS, China e treino militar de Putin, na Tanzânia. 
Eis a sua foto (o 3º à esquerda) com o camarada Samora Machel e outros futuros dirigentes "libertadores" dos povos "oprimidos" tal como agora  estão a "libertar" os ucranianos da opressão.


https://iharare.com/edsamora-machel-and-russian-president-putin/

  
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De Elvimonte a 17.03.2022 às 23:48


Quando a Alemanha retira a licença de emissão televisiva à RT (Russia Today), estamos numa democracia. Quando Zelensky retira as licenças de emissão a 3 estações de TV e prende jornalistas, continuamos numa democracia. Quando 
a Comissão Europeia proíbe a RT de emitir no espaço europeu, estamos na melhor democracia da história. Quando Orban retira a licença de emissão a uma estação de rádio, trata-se de acto de censura e estamos num regime autoritário e anti-democrático.


Quando em Hong Kong há manifestações e protestos, trata-se de uma luta pelos direitos humanos contra um regime autoritário. Quando os protestos da BLM incendeiam, vandalizam, roubam, agridem e matam, trata-se de protestos 
maioritariamente pacíficos. Quando os camionistas protestam pacíficamente no Canadá, trata-se de terroristas, invocam-se leis marciais e congelam-se as contas bancárias dos participantes e de quem os apoiou. 


Quando os EUA e a NATO invadem o Afeganistão, a milhares de quilómetros de distância, trata-se de acto legítimo contra a ameaça do terrorismo internacional. Quando os EUA invadem o Iraque, outra vez a milhares de quilómetros de distância, trata-se de eliminar a ameaça das armas de destruição massiva que nunca existiram. Quando os EUA e a NATO bombardeiam a Líbia, trata-se de mais um acto compreensível e justificado, havendo agora por lá mercados de escravos a atestar o notável progresso democrático. Quando a Rússia invade a Ucrânia para suprimir a ameaça de expansão da NATO e garantir a segurança das populações russófonas do Donbass, das quais cerca de 14 000 já morreram desde 2014 às mãos das milícias neo-nazis ucranianas, por não ser dos nossos trata-se agora de um acto de agressão motivado por alguém que é um ditador, um pária desumano e pouco inteligente.


Já quando a URSS estava a instalar mísseis em Cuba, lá para os idos de 1961, como resposta à instalação de mísseis da NATO na Turquia, os EUA consideraram isso como uma grave ameaça e nunca se esteve mais perto do holocausto nuclear como nesse ano. Quando ameaçam os nossos, isso é grave e exige resposta. Quando somos nós a ameaçar os outros, isso decorre do normal funcionamento da democracia. Nem mesmo quando existe um princípio reconhecido internacionalmente segundo o qual o reforço da segurança de um país não pode ser feito à custa da diminuição da segurança de outro país, algo elementar para a manutenção da paz, a imbecilidade deixa de comer gelados com  a testa. E ainda se atreve a perguntar, a imbecilidade, quando se fala em George Keenan, Henry Kissinger ou John Mearshimer, "quem são esses, que nunca os vi na televisão". 


Em síntese: uma senhora americana - não confundir com Victoria Nulan, sub-Secretária de estado dos EUA - viajou em Outubro de 2021 até Moscovo, onde acossou certas pessoas que têm huskys siberianos. Mais tarde, viajou até Kiev e convenceu uma criança - não confundir com Zelensky ou com a Greta - a fazer um discurso na Conferência de Segurança de Munique que acossasse ainda mais certas pessoas e os seus huskys. Apesar de o saber, não disse à criança que os huskys a iriam morder toda e até matá-la, porque para ela os ucranianos não passam de peões sacrificáveis e sempre é melhor que sejam eles a combater os russos e a morrer do que os americanos. 

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