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Há semanas o Dr. Marques Mendes determinou que os eleitores brasileiros deveriam eleger Fernando Haddad, do PT, para presidente da República, porque tendo em conta a alternativa Bolsonaro, Haddad seria o mal menor. Pormenor despiciendo: os brasileiros discordam. Então, ontem, o Dr. Marques Mendes determinou o reverso da sua opinião: disse que a rejeição do PT (que ele menosprezara) era tal, que Bolsonaro seria eleito, mas por essa única razão.

O Dr. Marques Mendes é um homem inteligente, mas vive e pensa num círculo muito restrito. Pode-se chamar-lhe oligarquia, ou círculo dos old boys, ou meio político. Esse círculo normalmente restrito tem, em Portugal, a pequenez correspondente à pequenez do país, mas fechou-se no mesmo casulo em que se fechou a oligarquia de EUA, Brasil, França, Alemanha, Itália, Áustria.

  

O Dr. Marques Mendes e seus amigos nacionais e internacionais convivem, conhecem-se, e têm uma enorme admiração pela inteligência uns dos outros. Ouvem-se, portanto, muito e reciprocamente. E ouvem muito pouco tudo o que se pense ou diga ou, aliás, aconteça, fora do círculo. Fundamentalmente, as coisas estão muito bem como estão. E em cada medalha vêem verso e reverso, mesmo quando não há medalha nenhuma. Fazem assim com Portugal, fazem assim com os EUA, fazem assim com o Brasil.

O PT transformou-se num coito de corruptos, tiranetes e ladrões? Sim, mas Haddad terá que flectir para o centro se quiser ser eleito.

As cidades brasileiras transformaram-se em selvas de bandidagem e homicídio, medo e insegurança? Sim, mas temos que ter atenção aos condicionalismos sociais.

As empresas públicas transformaram-se em centros de prejuízos, compadrio, roubo e incompetência? Sim, mas terá servido de lição.

A crise económica persiste, a dívida pública dispara e o elevador social avariou? Sim, mas devemos considerar as melhorias em sectores mais desfavorecidos.

 

O centro, a oligarquia, os old boys usam da mesma complacência para questões igualmente graves em países cujos eleitorados mostram sinais de igual cansaço.

O terrorismo, a insegurança, a imigração descontrolada, a recusa de assimilação, os conflitos culturais? Temos que nos mostrar melhores, temos que ser acolhedores, temos que ser multiculturais.

A concorrência internacional desleal e a falência de sectores nacionais inteiros? Temos que nos reinventar.

A perda de poder político e económico, a estagnação? Sim, mas a história, a cultura milenar...

 

Mas perante inevitabilidades como um Trump ou um Bolsonaro, ei-los que ficam perplexos. Primeiro, atiram epítetos:  fascista, xenófobo, desclassificado, extremista, inimigo da democracia! Depois, ofendem os eleitorados: deploráveis, ignorantes, retrógrados -- e recusam-se a compreender como e porquê. Por fim, perante resultados (como, por exemplo, os que Trump prometeu e cumpriu em termos de crescimento económico, investimento, baixa de impostos, emprego, política externa e renegociação de acordos comerciais) refugiam-se no silêncio ou na discussão de um penteado, um gesto de mão, um tweet.

O Dr. Marques Mendes e os seus amigos nacionais e internacionais refastelaram-se na armadilha do centro. Fazem como Boris Vian dizia que Proust fazia: vão bebendo golos da água do banho de imersão em que se confortam. O mundo que pula e avança é que já não é o deles.   

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