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""Se essas ilegalidades se vierem a confirmar, serão certamente uma desonra para a nossa democracia. Mas se não se vierem a confirmar é a demonstração que o nosso sistema de justiça funciona”, respondeu António Costa."
Eu não sei a que pergunta respondeu António Costa, sei que, mais uma vez, António Costa manteve as coisas no estrito plano legal (para além da esperteza de dizer que é a Democracia que se envergonha e não o partido que, com o seu forte apoio, elegeu Sócrates, em 2011, por 93,3% dos votos do congresso em que António Costa fez um entusiástico discurso de apoio a Sócrates, mesmo depois do pedido de resgate).
Que Costa funcione assim não me incomoda, nem me incomoda especialmente que as pessoas votem em quem funciona assim: a beleza da Democracia está em nos garantir a todos o direito à asneira.
O que me incomoda é não ouvir um único jornalista a perguntar-lhe, oportunidade sim, oportunidade sim, se, deixando de lado as questões legais, está ou não de acordo com a aplicação de um princípio ético básico: um político no activo não pode receber empréstimos não comerciais de privados (ou qualquer outra forma de acesso a recursos para uso próprio), sejam quem forem esses privados, e ocultá-los de toda a gente.
O drama ético do actual regime, o charco de corrupção, não resultam de termos pessoas sem princípios em cargos públicos, isso é da natureza das coisas e sempre será assim em qualquer parte do mundo, o nosso drama é esses cargos não serem suficientemente escrutinados e, em grande parte, essa é uma responsabilidade que cabe à imprensa.
Na verdade quem devia ter vergonha com isto tudo não era o PS, eram os jornalistas que não viram nada, não perguntaram nada e ainda têm tempo para se indignar com o não jornalismo de quem, bem ou mal, faz minimamente o trabalho de escrutínio que justifica o lugar central que a liberdade de expressão ocupa nas democracias maduras.
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