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E nós, o que temos de fazer?

por henrique pereira dos santos, em 13.11.25

Tendo escrito sobre um contexto internacional e financeiro que empurra os preços das casas para cima, e sobre o efeito de um mercado de arrendamento disfuncional, sobra uma questão: e nós, o que temos de fazer para gerir o problema do acesso à habitação por parte de quem não tem capital nem crédito para comprar casas ao preço a que estão, nem encontra um mercado de arrendamento suficientemente dinâmico que lhe permita arrendar uma casa, deixando de lado as políticas sociais que devem ser completamente autónomas em relação ao funcionamento do mercado?

Usando palavras que não são minhas para resumir a parte mais pacífica do contexto actual: "se a economia entra em grande dinamismo e os salários reais crescem continuamente, a taxa de esforço para comprar casa baixa, ou espera-se que baixe, e é expectável que os preços subam, o que leva a movimentos (especulativos) de antecipação. O mesmo acontece em períodos de inflação esperada, onde a compra de imobiliário (mesmo que seja para manter a casa fechada) é uma boa forma de preservar o valor da riqueza acumulada. Mas a “âncora” dos rendimentos continua efectiva".

A questão é que a liberdade de circulação de capitais permitiu, no entanto, a entrada de capital vindo de outras origens, com rendimentos mais elevados e acumulação de capital mais robusta, o que fez o mercado imobiliário português desprender-se do nível de rendimento local, para o ajustar ao nível de rendimento de outros países (mais uma vez uso, talvez criativamente, ideias que não são exactamente minhas, mas que me parecem lógicas e com base empírica razoável, mas estou disponível para mudar de opinião).

Este processo foi potenciado pela criação de liquidez induzido, em grande parte, pelos bancos centrais.

Há, se estas coisas estiverem certas (sendo até potenciadas pelo turismo) duas opções centrais: 1) controlar os movimentos de capitais e o desenvolvimento do turismo, no fundo, limitar a criação de riqueza, para obrigar os preços do imobiliário a ajustarem-se de novo a níveis de rendimento mais baixos; 2) aceitar os factos da vida, trabalhar para melhorar os níveis de rendimento, inundar o mercado de casas e procurar deslocar emprego para zonas menos pressionadas do ponto de vista do imobiliário, limitando a expectativa de rendimento seguro, rápido e crescente que existe em relação ao imobiliário.

Se "as condições de taxas de juro baixas, abundante liquidez global e expansão de crédito alimentam essa procura de investimento", então parece claro que é preciso inverter a lógica patrimonial (cultural, ambiental e de procura de qualidade urbana) que preside ao licenciamento para a construção de casas pelo menos desde a segunda guerra mundial (que, na verdade, é uma expropriação pelo Estado do direito de construção que tradicionalmente era intrínseco ao direito de propriedade), passando do actual modelo de proibição de construção, a menos que haja licença, para um modelo de permissão de construção a menos que haja razões concretas para que seja limitado esse direito (prejuízo para vizinhos, valores culturais relevantes e reconhecidos como tal pela comunidade, questões ambientais concretas, reconhecidas como tal pela sociedade), abandonando de vez a possibilidade de questões de opinião ou de gosto (o que inclui, por exemplo, a altura dos edifícios) permitirem o bloqueio da construção de habitação.

Passa a caber ao Estado a demonstração das razões para impedir a construção, deixando de caber aos promotores demonstrar a bondade dos seus projectos.

E, por agora, fecho aqui um conjunto de posts sobre habitação, que isto está a tornar-se cansativo.


32 comentários

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De leitor improvável a 13.11.2025 às 10:34

Não estará o cerne da questão no stock acumulado de riqueza (vulgo património) em vez do fluxo de rendimentos?


O problema está longe de ser exclusivamente português ou europeu.


Enquanto tivermos offshores que permitem dois pesos e duas medidas, estaremos condenados à ineficiência do mercado habitacional, ainda para mais agora que ele é olhado como um outro mercado de activos financeiros.


A que tipo de cidades aspiramos?


https://leiturasimprovaveis.blogs.sapo.pt/admiravel-mundo-novo-54483


Querem fazer disto o Bangladesh?


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De henrique pereira dos santos a 13.11.2025 às 10:50

Como está sempre a sugerir leituras, penso que não se incomoda que eu sugira a leitura do primeiro censo da habitação, feito pelo INE em 1970, para ter informação segura sobre a distância, para muito melhor, entre as condições de vida e habitação nessa altura e hoje.
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De leitor improvável a 13.11.2025 às 11:57

Estou sempre receptivo a sugestões de leitura. É um vício.


De recordar que em 1970 a RayanAir não existia nem voava para Portugal, o turismo de massas era sazonal (tal como os gelados) e o dólar ainda não tinha renegado Bretton Woods. Acresce ainda a regulação da actividade financeira, fazendo uma clara distinção entre banca comercial e corporativa - ainda não era a "bandalheira" que é hoje.


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De henrique pereira dos santos a 13.11.2025 às 12:27

Embora aberto a sugestões de leitura, vejo que não seguiu a minha sugestão.
Se tivesse seguido a sugestão, e verificado o que está escrito no recenseamento geral da habitação de 1970, teria verificado que as condições de habitação em Portugal, quando nenhum dos factores que cita actuava, eram muito, muito, muito piores que as de hoje, ou seja, a sua tese de que o problema está nos factores que hoje existem e não existiam em 1970, não tem qualquer base factual.
Já agora, os portugueses nessa altura tinham emigrado, é certo (talvez milhão e meio de pessoas), mas a população do país apenas diminuiu 300 mil pessoas (no último censo, de 2021, a diminuição da população é de cerca de 200 mil pessoas), o que significa que a pressão sobre as cidades era enorme, do ponto de vista da habitação (para o caso de não saber, as grandes cidades estavam cercadas de bairros de lata).
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De leitor improvável a 13.11.2025 às 12:54


quer comparar alhos com bugalhos


pode faze-lo, explicitando os contextos de então e de agora


eu gostava era de jogar à bola na minha rua, coisa que hoje já não consigo fazer pela quantidade de carros a circular

se Portugal fosse uma mesa, já tinha tombado para dentro do Atlântico, seja à custa da desertificação do interior ou de migrantes à procura de melhores condições de vida








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De henrique pereira dos santos a 13.11.2025 às 13:44

Essa é mesmo a questão que interessa: o contexto é diferente e o que importa é ver as coisas no contexto geral: uma solução, que consiste em limitar o desenvolvimento financeiro, é geradora de mais pobreza, outra solução, que consiste em aumentar a liberdade dos agentes económicos, é geradora de mais riqueza.
E há muito mais soluções quando há mais riqueza.
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De M.Sousa a 14.11.2025 às 14:57

Se as sugestões de leitura forem contra o meu "pré-conceito", então, nem ligo. Pois é! Limita-se a dizer que não compara alhos com bugalhos ... e volta a bater na mesma tecla! A realidade ladra e a (minha) caravana passa ... Não é assim camarada improvável? 
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De leitor improvável a 14.11.2025 às 15:37

olhe que não, olhe que não  
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De leitor improvável a 13.11.2025 às 12:03

PS: Já para não falar dos portugueses que Emigraram, e dos que estavam em África (a viver ou na guerra colonial) - o que se reflecte no lado da procura de habitação na metrópole.
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De cela.e.sela a 13.11.2025 às 10:43

não faltam casas desabitadas no interior. até está à venda uma aldeia.
a invasão de 1,6 milhões de imigrantes concentrou-se principalmente nas cidades.
há 30 anos que o país se desenvolve miseravelmente e a dívida pública duplicou. para ajudar o desenvolvimento vai haver greve geral.
ouvi dizer que há 50 anos, no anterior prec, o Almirante P. de Azevedo gritou «bardamerda para o fascista!»


só falta às tvs o slogan 'grávidas de todo o mundo, uni-vos!'
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De Anónimo a 13.11.2025 às 13:15


não faltam casas desabitadas no interior


Pois. Tal como já referi, o Estado poderia, com todas as assistentes sociais que emprega, ter uma política de apoio a reformados que quisessem mudar-se para o interior do país.
Tenho um inquilino no Porto que paga 100 euros de renda. É reformado mas, como só tem 60 anos de idade, ainda poderá ficar na casa que ocupa por mais alguns decénios. Não vejo qualquer razão para que ele se mantenha a viver no Porto até ao fim da vida. Não lhe quero qualquer mal (tenho boas relações com ele), mas penso que seria boa gestão social convidá-lo a ir viver, sei lá, para algures no Alto Douro ou nas terras de Basto.
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De Anonimo a 13.11.2025 às 15:05

O ex-camarada Stal também tinha uns programas de "deslocalização" (esta palavra existe?). Se calhar era de fazer isso, mandar os velhos para as aldeias.
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De Filipe Costa a 13.11.2025 às 18:16

E se a familia dele viver toda no Porto e arredores? Muda a familia a reboque?
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De Anónimo a 13.11.2025 às 13:03

Se o Estado intervier, disponibilizando território, planeamento e criando habitação de cariz Social tudo se equilibra. 


No curto prazo incrementa logo a economia começando pelo emprego e de seguida todo o leque de estruturas e serviços necessários.


Do ponto de vista do Estado parece ser o caminho a seguir. 


Do ponto de vista das pessoas, o que é bom para o Estado é bom para o cidadão.
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De henrique pereira dos santos a 13.11.2025 às 13:46

O Estado é um instrumento de repressão nas mãos das classes dominantes.
O que interessa é saber quais são as soluções mais eficientes, e não há nenhuma demonstração de que o Estado seja mais eficiente que as pessoas agindo livremente.
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De Anonimo a 13.11.2025 às 15:02

Não percebo por que razão ainda não emigrou para o Sudão, onde o Estado é virtualmente inexistente, e portanto não pode reprimir.
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De henrique pereira dos santos a 14.11.2025 às 08:15

Porque o facto de reconhecer que o Estado é um instrumento de repressão nas mãos das classes dominantes não me impede de ver que a lei do mais forte, que se impõe na ausência do Estado, é pior.
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De Anonimo a 14.11.2025 às 19:33

Que resposta tola.
Quem defende liberalismo económico sem intervenção estatal também devia ir para o Sudão, por essa lógica, porque lá o estado não intervém. Só mesmo um totó para se sair com uma dessas respostas
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De Anónimo a 13.11.2025 às 15:34

Perdoar-me-á mas parece-me melhor que as Forças Armadas, de Segurança e Fiscais, Proteção Civil e estruturas de Governação em geral, permaneçam sob a alçada do Estado e antes que me esqueça as Judiciárias também.


Ninguém mais do que eu é pelo privado mas parece-me
 que os guardas que nos guardam, ficam melhor guardados se dependerem da esfera Pública.
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De Anonimo a 13.11.2025 às 19:44

Como dizem os gringos, free stuff é coisa de socialismo. Se pagam, e bem, por chamar a ambulância,  por que não devem pagar por chamar a polícia?
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De Anónimo a 13.11.2025 às 15:41

Prefiro imaginar o Estado como a representação do conjunto dos cidadãos e não como representação deste ou daquele grupo social. 


Aliás devia ser preocupação permanente do Estado, que tal esteja sempre bem claro.


Se não for assim o caminho pode tornar-se bem escorregadio perigoso.
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De zé onofre a 13.11.2025 às 14:34

Boa tarde
É o mercado a funcionar. 
Ou se é a favor do Mercado ou contra o Mercado.
Não há outra saída.
Zé Onofre
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De henrique pereira dos santos a 13.11.2025 às 20:00

Ser contra ou a favor do mercado é como ser contra ou a favor da chuva.
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De zé onofre a 13.11.2025 às 22:19

Boa tarde
O Mercado não é uma inevitabilidade como a chuva. É uma escolha política.
Ou se escolhe uma economia de Mercado, ou se escolhe outra.
Quem escolher uma ou outra sofrerá as consequências das suas escolhas.
Eu só vivi e vivo numa economia de Mercado e, sinceramente, não gosto.
Escolhas.
Zé Onofre
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De henrique pereira dos santos a 14.11.2025 às 08:18

O mercado é o ponto de encontro entre quem procura alguma coisa e quem quer vender alguma coisa, existe em quaisquer circunstâncias, como a chuva.
Pode ser mais aberto, isto é, com mais liberdade das pessoas para fazerem trocas, o que o torna mais eficiente, ou pode ser mais fechado, condicionando-se mais a liberdade de algumas pessoas que a de outras (se tenho fome, a minha liberdade para comprar comida diminui muito e compro a primeira porcaria que me apareça, em especial se alguém impedir que haja mais que um vendedor, a qualquer preço que me seja pedido).
Mas mercado existe sempre e os mercados mais fechados, sendo menos eficientes, acabam sempre a prejudicar os mais fracos.
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De Anónimo a 14.11.2025 às 12:07

Caro Zé Onofre




O Mercado é mesmo uma inevitabilidade.


Mesmo após a última fronteira do mercado, o mercado continua.


Veja uma Carmelita Descalça rezando; na verdade ela produz orações esperando em troca  Salvação.


Visto daqui de baixo parece mercado


 🛒 
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De Anónimo a 16.11.2025 às 21:09

Parece-me que todas as economias são de mercado. Sendo que este pode ser capitalista e iniciativa individual, como de um modo geral ocorre no Ocidente.


Noutras geografias há capitalismo de estado e outros ainda, uma mistura dos dois.


Todos têm vantagens e desvantagens. 
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De Anonimo a 14.11.2025 às 06:37

Exacto
Por há quem  viva na Dinamarca,  e quem prefira viver nas Arábias 
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De ASnonimo a 13.11.2025 às 15:01


Diria que, e falando globalmente, porque actualmente nem em Portugal resido, que um dos problemas estará na habitação se ter tornado num activo financeiro, e não num mero bem (antes que me venham chamar de socialista, acredito no capitalismo, mas não no capitalismo financeiro). Isto também faz com que as pessoas comprem em vez de arrendarem, porque na prática estão a investir.
Activos financeiros é suposto crescerem bem acima dos rendimentos, se um Zé qualquer for aumentado 3 ou 4% ao ano fica feliz, o cfo que apresente esse crescimento numa carteira de investimentos é posto de lado.
Mas isto é muito baseado em empirismo e ideologia, não tenho a bagagem académica e profissional do escriba, bem mais habilitado nestas matérias de economia e habitação.
E não, não tenho solução.
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De Anonimo a 13.11.2025 às 18:10

E, por agora, fecho aqui um conjunto de posts sobre habitação, que isto está a tornar-se cansativo.


Só temos de agradecer pela partilha de conhecimento. E aspirar que alguém com autoridade leia, e implemente as ideias expostas
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De Francisco Almeida a 14.11.2025 às 15:35

Admiro o esforço do HPS, neste e noutros assuntos mas, mesmo dando algum desconto ao meu pessimismo estrutural, não creio que a habitação ou os incêndios ou outros, tenham solução particular. Acho que exigiriam uma abordagem global.
Numa primeira abordagem diria que nada será possível sem um regionalização a sério que leve à inversão da desertificação do interior. Nem nada será possível sem uma redução real do consumo (por acaso agora possível com a parte do parque industrial desviado para defesa e a inerente falta de "chips"). Não digo que voltemos aos primeiros NOKIA, mas não poderemos continuar a adquirir a última geração de I-Pods e o mesmo se dirá para automóveis, férias com deslocações aéreas, etc.. E, particularmente, Portugal teria de abandonar o turismo de massas que chega a ser perverso para a economia e é-o sempre para a sociedade. Um país que importa muito do que come, tem de focar-se no turismo de 5 estrelas, no turismo cultural, na promoção turística do interior, independente da época alta balnear (o Douro é já um bom exemplo e não é por ser barato).
Numa segunda abordagem, seria necessário reforçar a segurança, a ordem e o estado de direito (não vejo nem impossibilidade nem inconveniente numa democracia musculada) e, sobretudo, separar a governação, estritamente regulada pela democracia liberal - dos restantes institutos em que o princípio "sine qua non" deve ser a disciplina (a escola, como  primeiro item, a administração pública como segundo). 
Numa terceira abordagem, seria necessário restaurar e reforçar os princípios civilizacionais que nos enformaram, basicamente derivados da moral judaico-cristã, da filosofia grega, do direito romano e também de contribuições menores como o indomável espírito de liberdade das tribos alemãs.
Quanto à viabilidade do "meu" programa, apenas dou um exemplo relacionado com a regionalização. Quando tentaram enviar o TC de Lisboa para Coimbra, quase houve uma guerra política e nada se vez. "Lasciate ogni speranza... "

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