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É difícil ser republicano em Portugal

por Corta-fitas, em 28.10.23

01_caricatura.jpg

Aceitei com gosto o convite do João Távora para um repasto em sua casa [almoço anual do Corta-fitas] em vésperas de casamento real. A morada dada era muito exata, mas se não fosse também teria sido fácil identificá-la pela bandeira azul e branca (nada relacionado com futebol) na janela. Uma bandeira bonita, diga-se. Eu não monárquico, não aprecio privilégios políticos herdados e tenho pouco interesse pelas componentes estéticas da monarquia, embora uma parte dos países que utilizo como exemplos de boa governação o sejam. Holanda, Luxemburgo, Dinamarca, Suécia, todos monarquias. Pelo contrário, todos os maus exemplos são repúblicas. 
 
Depois do almoço, fui pela autoestrada a fazer o exercício mental de pensar em todas as coisas negativas para o país que resultariam de termos uma monarquia. 
- Se fôssemos uma monarquia, arriscaríamos a ter constantemente familiares diretos em diferentes lugares de governação... hummm...Bem, se calhar não é por aqui.
- Se fôssemos uma monarquia, poderíamos hoje ainda ser liderados pelos filhos das elites do estado novo... hummm... Se calhar, também não é por aqui.
- Se fôssemos uma monarquia, veríamos os mesmos apelidos a repetirem-se constantemente nas direções de várias organizações, de empresas a universidades... humm... Também não.
- Se fôssemos uma monarquia, a mobilidade social de quem nasce fora de boas famílias poderia ser complicada... hummm... ainda não foi desta.
 
Continuo republicano, mas... é muito difícil ser republicano num país de privilégios em que o apelido vale tanto. Naquela tarde foi especialmente difícil ser republicano, depois de comer tão bem em casa de monárquicos.
 
Carlos Guimarães Pinto


16 comentários

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De urinator a 28.10.2023 às 15:46

não volto a ser republicano.
as melhores repúblicas são as de Coimbra
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De Cá não há bar a 30.10.2023 às 16:15

Nada disso, a melhor República é a de Atenas de 431 a.c
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De balio a 28.10.2023 às 15:53

Realmente, com esse apelido "Pinto" o CGP não vai a lado nenhum...
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De balio a 28.10.2023 às 15:54

Como liberal que é, o CGP deveria olhar mais para o exemplo da Suíça, que é por larga margem o país mais liberal da Europa e... é uma república desde sempre.
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De O apartidário a 28.10.2023 às 16:44

Não se preocupem meus caros,a nova Agência para o asilo vai arranjar casa para todos, todas e todes desta República das/os bananas.
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De Impronunciável a 28.10.2023 às 21:55

1 – Como se «republicano» ou «monárquico» representasse alguma coisa de relevante para o presente e futuro do ser-humano.

2 – Também possuo um título do tempo da monarquia, vindo da decisão legitimada por Carta Real de D. João II de Portugal em 25 de junho de 1482, confirmada em 8 de junho de 1487 e em 9 de julho de 1487, e que se prolonga até à decisão de 21 de agosto de 1879.

3 – Esse tempo dos "monárquicos" e "republicanos" já pertence ao Passado. Atualmente, o ser-humano é outro.

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De Anónimo a 29.10.2023 às 11:08

Engana-se quando afirma que "já pertence ao Passado". Esta designação de República só está no nome, pois nunca foi interrompido o antigo sistema "fechado" onde os privilégios de casta se mantêm... quase automaticamente, como que por hereditariedade!!!
(Como disse Lampedusa n' O Leopardo: "é preciso uma revolução para que tudo fique na mesma".).



Foi isto que o Carlos Guimarães Pinto veio denunciar, com verdadeira nobreza de carácter...


A diferença dentro deste regime (republicano), é que (ainda) sobrevivem  pessoas honradas e íntegras, com um verdadeiro espírito democrata, que chamam (e bem) a esses privilégios dos filhos das elites de "nepotismo"!!! São gente inconformada que não se resigna e se recusa pactuar com o "status quo". E com nobreza, repito, não transigem e pugnam por uma verdadeira democracia, onde haja uma maior equidade e justiça social, onde o "elevador social" funcione porque  são dadas as mesmas oportunidades a todos os cidadãos, independentemente da sua condição, circunstância familiar e/ou origem social e económica. 
E foi isto que o C.Guimarães Pinto e muitos de nós, ainda não viram.


Uma sociedade é e será  mais justa, mais democrática e mais humana, quando  o apelido sonante e o cartão do partido "certo" deixarem de ser um dos dos critérios para se singrar na vida e poder amesendar-se à mesa do banquete onde se distribuem cargos, privilégios e prebendas...


A verdadeira nobreza não é a de sangue, mas a de carácter. Mas também sei de quem tem o privilégio de ter ambas (a de sangue e a de carácter), pois são indissociáveis. Noblesse oblige!  porque, mais do que um privilégio, a nobreza de sangue é uma síntese de humildade,  responsabilidade e exigência.
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De Impronunciável a 29.10.2023 às 12:54

1 – “Já pertence ao Passado”, no sentido de que, com «o atual ser-humano» (este que possui esta mentalidade, espírito, e «genética homo sapiens sapiens»), qualquer regime adoptado por ele será sempre um “sistema fechado, onde os privilégios de casta se mantêm”.

2 – Não há escapatória possível. Como a História comprova. Logo, tanto faz ser monárquico, republicano, democrático, liberal, socialista, social-democrata, ditatorial, fascista, antigo, moderno, de «esquerda, do centro, ou de direita», etc. Todos esses regimes (“sistemas”) padecem da mesma lógica de fechamento, e o poder em todos eles está «nessa casta que detém o poder». Basta constatar os factos da realidade atual do mundo.

3 – Por exemplo, no sistema Liberal, está na «lei do mais forte» (aqueles que são capazes de ganharem a todos os outros, e detêm 90% de toda a riqueza e recursos do Mundo).

4 – No regime dito “Democracia”, essa casta fechada, dos que decidem e mandam, são os que não são escrutinados pelo voto. Por nas Leis e Constituições dessa “Democracia” estar estipulado, obrigatoriamente, que têm “poder separado”. A famigerada “separação de poderes”, que faz escapar ao escrutínio do voto os que decidem (juízes e tribunais), os que detêm as armas e decidem as guerras (militares), e os que manda na economia (accionistas das sociedades anónimas liberais, bolsistas, e transnacionais). Na Democracia, o rebanho dessa facção quer que os outros acreditem que quem governa o Mundo é uma espécie de Rei Divino, consuetudinário, transmitido pelo sangue dessa casta Liberal, fechado no seu poder fixo e inamovível (sem possibilidade de qualquer “elevador social”), a que chamam “Mercado”).

5 – Logo, o meu argumento é o do “Novo Testamento”. O de Jesus na cruz, no estertor da morte, com medo e receio. A pedir a Deus que o ajude, porque vai morrer. E Deus, a responder-lhe aquilo que está na Epístola de S. Paulo aos Coríntios… «Filho, não receies a morte. Porque a morte é a condição para deixares de ser o que és, e te transformares num ser novo. Esse sim, com possibilidade de não cometer os pecados que cometes, e entrar no reino dos céus».

6 – Portanto, “já pertence ao Passado” refere-se a esse «ser que há-vir», de nós transformados. Pois, enquanto cá estiverem todos e quaisquer regimes ou sistemas feitos pelo atual ser-humano não se conseguirá nada. É esse «ser novo que há-vir», de dentro de nós, que conseguirá resolver o problema. Até lá, o mínimo que se pode fazer, é não nos deixarmos enganar com a propaganda das facções, das ideologias, das certezas e verdades tidas como definitivas ou absolutas, e das suas falsas promessas.

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De Anónimo a 29.10.2023 às 11:15

Em síntese, o CGP acaba de pôr em causa a cínica "ética republicana".
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De Impronunciável a 28.10.2023 às 22:39

ALIÁS… Tanto faz que sejam “monárquicos” ou “republicanos”. Pois…

1 – A LUSITÂNIA vai de Viseu ao Algarve, e está cá há mais de 8000 anos. Não tem nada a ver com a PORTUCALENSIA (Galegos do Condado Portucalense) que só cá chegou há 1138-43 anos.

2 – Afonso Henriques, filho de D. Teresa, para nós Lusitanos, é um estrangeiro. D. Teresa, foi a amante do galego Fernão Peres de Trava, casada com o borgonhês-francês D. Henrique. Os PORTUCALENSES (Galego-Portucalenses) apenas para cá vieram com Vimara Peres no ano 800, e depois com o Conde de Borgonha em 868, e depois com Afonso Henriques em 1138.

3 – No território a que atualmente chamam «Portugal» há duas Nações. A Nação Portucalense-Galega (do galego-borgonhês Afonso Henriques), que só para cá veio em 800-1143. E a Nação Lusitânia (de Viriato, que Luis de Camões referiu no Canto I dos “Lusíadas”, que vai de Viseu, ao Algarve, e aos Açores), que está cá há mais de 8000 anos. Os Mouros só chegaram à Península Ibérica em 711, quase ao mesmo tempo do que os Portucalenses-Galegos. Os Romanos, ao território dos do Condado Portucalense chamavam “Galécia”, e não tem nada a ver com a Lusitânia.

4 – De facto, os LUSITANOS (a Nação Lusitana) são muito anteriores neste território aos Portucalenses-Galegos. MUITO ANTES de, há 1612 anos, os Romanos terem entregue a Península Ibérica aos Alanos (em 411). MUITO ANTES de, há 1312 anos, os Muçulmanos terem cá chegado (em 711, através do general muçulmano Tárique, ao derrotar Rodrigo, o rei Visigodo). MUITO ANTES de, há 1155 anos, os Galegos serem donos do Condado Portucalense (Vimara Peres em 868), e o terem oferecido como presente de casamento ao francês-borgonhês D. Henrique. MUITO ANTES de, há 885 anos, o estrangeiro Afonso Henriques o ter surripiado em 1138/1143.

5 – Os Portucalenses venderam a soberania dos que habitam este território designado atualmente por Portugal. Traíram o compromisso que estabeleceram, em 1138/1143, com os Lusitanos. Venderam a independência em troca de «30 dinheiros» (designados “Fundos e Subsídios da União Europeia”), em 1980, naquela faustosa cerimónia nos Jerónimos, para gáudio dos republicanos Mário Soares e do Cavaco Silva, com a cumplicidade do silêncio dos atuais monárquicos.

(Cont.)

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De Anonimo a 29.10.2023 às 08:28

Pronto, ninguém gosta da Alemanha ou da Finlândia...
Basicamente discutimos se a legitimidade de quem tem o bordão é ou não 100% genética. 
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De Impronunciável a 29.10.2023 às 09:49

Se fossemos à genética encontraríamos os corpos macacos dos Hominídeos.

1. Mas muito antes de chegar aí verificaríamos o que dizem os três mais prestigiados estudos científicos feitos à população portuguesa e da Península Ibérica, publicados nas prestigiadas e insuspeitas revistas científicas 'Science', ‘Nature’, e 'PNAS':

1.1 Iñigo OLALDE, et alli., 2019, “The genomic history of the Iberian Peninsula over the past 8000 years”, Science, 15 mar 2019, vol 363, pp.1230-1234).

1.2. Jonathan A. HAWS, et al., 2020, “The early Aurignacian dispersal of modern humans into westernmost Eurasia”, The Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), September 28, vol. 117(41)].

1.3 – Ludovic Orlando, 2023, “Ancient genomes show how humans escaped europe’s deep freeze”, Nature, 1 march 2023.

2 – O estudo publicado na Science em 15/03/2019, foi liderado pela Harvard Medical School (EUA) e pelo Instituto de Biologia Evolutiva de Barcelona, tendo tido a colaboração de um total de 111 investigadores, incluindo portugueses, da Universidade do Minho, da Universidade de Coimbra e da Universidade de Lisboa.

3 – O “regere fines” (como os Romanos diziam), que constrói a Identidade das populações humanas, não tem nada a ver com a genética. Apesar de fazer parte do processo natural e evolutivo de diferenciação e diversidade imposto pela Natureza.

4 – Se o ser-humano desejasse ser igual aos outros ou aos seus vizinhos, acabaríamos todos no Comunismo e no Unionismo (as famigeradas “Uniões”, UE, URSS, USS, etc.), e noutros rebanhos semelhantes.

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De Cá não há bar a 29.10.2023 às 13:01

Parece que (desejando ou não) estamos a acabar todos nos unionismos social-capitalistas ou capital-socialistas. 
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De Anónimo a 29.10.2023 às 12:37

Mas eu, que não entendo nada de política, adorei este texto - fresco, invulgar, com graça, refrescante no meio destas redes sociais todas a quererem brilhar com originais cheios de comentários e que já enjoam.
- "Se fôssemos ..."


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De Octávio dos Santos a 30.10.2023 às 17:50

Carlos Guimarães Pinto também demonstra aqui a sua «qualidade» (na verdade, defeito) de republicano ao escrever em «acordês» («exata», «diretos», «direções»). Alterar constantemente a ortografia sempre foi uma obsessão dos «republicanistas» dos dois lados do Atlântico, e a actual versão «só-cretinista lulista» é apenas a mais recente. 
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De Ricardo a 31.10.2023 às 18:12

Check https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/bouza-serrano-isto-da-etica-republicana-e-treta-em-portugal-nao-existe

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