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Metamorfose de Narciso - Salvador Dali.jpg

Expulsa do Éden, a humanidade tornou-se escrava dos elementos, receosa da criação, desconfiada do seu olhar. O homem ganhara consciência de si, prenúncio de uma tragédia. Com o tempo, foi aprendendo (e obrigado) a olhar à sua volta, a interpretar o Mundo e assim defender-se da sua violência, iludindo a precariedade. Olhando para fora identificou as ameaças mas descobriu a Beleza onde se esconde Deus. Seduzido pelo seu reflexo, assim foi progressivamente fortificando a ideia de individualidade que o olhar de Cristo consolidou na noção de Livre Arbítrio (vontade) e na consciência da sua singularidade de criatura divinal e dramática. Esse percurso é reflectido nas artes, da literatura à pintura, passando pela música; do formalismo à exacerbação do filtro das paixões, desejos e frustrações, da genialidade com que o artista foi submetendo a realidade à sua recriação. Daí ao auto-convencimento da supremacia do seu olhar sobre a realidade em si mesma, fixado na sua auto-suficiência, o “eu” arvorou-se no fim e o princípio de todas as coisas e até a beleza caiu em desuso. Não interessa mais o que são as coisas, mas como cada um as sente, e vai aonde te leva o coração. Assim, o individuo desliga-se dos outros e da História, descarta o compromisso por troca com o efémero, todos filhos únicos, geração espontânea,  tudo é relativo, sensações, uma pedrada, uma “experiência”, um estado de espírito, o amor-próprio e outras balelas, uma "assinatura" esborratada num monumento, “ó Leonilde is lôve”, que a Arte é um direito de todos como a opinião. 

Aqui chegados, tornámo-nos todos narcisos definhando estéreis à beira do rio que flui indiferente, embevecidos (ou acabrunhados) com o próprio reflexo, que a vida são só dois dias e amanhã é o fim do mundo.

 

Imagem: Metamorfose de Narciso, Salvador Dali 



3 comentários

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De Anónimo a 14.09.2018 às 09:15

pênis (português brasileiro (https://pt.wikipedia.org/wiki/Portugu%C3%AAs_brasileiro)) ou pénis(português europeu (https://pt.wikipedia.org/wiki/Portugu%C3%AAs_europeu)) (do latim (https://pt.wikipedia.org/wiki/Latim) penis, "pincel")

pinceladas
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De J.S.M.suave e nas tintas a 16.09.2018 às 00:58

Duas pinceladas impressionistas sobre uma tela surreal! Ou sera ao contrario?!  Ou, humanos seremos apesar de ja o sermos: o paradoxo de sermos humanos 'a procura da humanidade. Somos sabe-se la o qu^e! A ontologia 'e apenas util, como qualquer codigo, mas n~ao define. Bem haja Dali, malgre tout!




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De Anónimo a 18.09.2018 às 08:54

Para se ir onde o coração nos leva é preciso, primeiro, avaliarmos o coração para ver se está a bater certo ...

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