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Domingo

por João Távora, em 11.09.22

O Filho Pródigo.jpg

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, os publicanos e os pecadores aproximavam-se todos de Jesus, para O ouvirem. Mas os fariseus e os escribas murmuravam entre si, dizendo: «Este homem acolhe os pecadores e come com eles». Jesus disse-lhes então a seguinte parábola: «Quem de vós, que possua cem ovelhas e tenha perdido uma delas, não deixa as outras noventa e nove no deserto, para ir à procura da que anda perdida, até a encontrar? Quando a encontra, põe-na alegremente aos ombros e, ao chegar a casa, chama os amigos e vizinhos e diz-lhes: ‘Alegrai-vos comigo, porque encontrei a minha ovelha perdida’. Eu vos digo: Assim haverá mais alegria no Céu por um só pecador que se arrependa, do que por noventa e nove justos, que não precisam de arrependimento. Ou então, qual é a mulher que, possuindo dez dracmas e tendo perdido uma, não acende uma lâmpada, varre a casa e procura cuidadosamente a moeda até a encontrar? Quando a encontra, chama as amigas e vizinhas e diz-lhes: ‘Alegrai-vos comigo, porque encontrei a dracma perdida’. Eu vos digo: Assim haverá alegria entre os Anjos de Deus por um só pecador que se arrependa». Jesus disse-lhes ainda: «Um homem tinha dois filhos. O mais novo disse ao pai: ‘Pai, dá-me a parte da herança que me toca’. O pai repartiu os bens pelos filhos. Alguns dias depois, o filho mais novo, juntando todos os seus haveres, partiu para um país distante e por lá esbanjou quanto possuía, numa vida dissoluta. Tendo gasto tudo, houve uma grande fome naquela região e ele começou a passar privações. Entrou então ao serviço de um dos habitantes daquela terra, que o mandou para os seus campos guardar porcos. Bem desejava ele matar a fome com as alfarrobas que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava. Então, caindo em si, disse: ‘Quantos trabalhadores de meu pai têm pão em abundância, e eu aqui a morrer de fome! Vou-me embora, vou ter com meu pai e dizer-lhe: Pai, pequei contra o Céu e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho, mas trata-me como um dos teus trabalhadores’. Pôs-se a caminho e foi ter com o pai. Ainda ele estava longe, quando o pai o viu: enchendo-se de compaixão, correu a lançar-se-lhe ao pescoço, cobrindo-o de beijos. Disse-lhe o filho: ‘Pai, pequei contra o Céu e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho’. Mas o pai disse aos servos: ‘Trazei depressa a melhor túnica e vesti-lha. Ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés. Trazei o vitelo gordo e matai-o. Comamos e festejemos, porque este meu filho estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado’. E começou a festa. Ora o filho mais velho estava no campo. Quando regressou, ao aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças. Chamou um dos servos e perguntou-lhe o que era aquilo. O servo respondeu-lhe: ‘O teu irmão voltou e teu pai mandou matar o vitelo gordo, porque ele chegou são e salvo’. Ele ficou ressentido e não queria entrar. Então o pai veio cá fora instar com ele. Mas ele respondeu ao pai: ‘Há tantos anos que eu te sirvo, sem nunca transgredir uma ordem tua, e nunca me deste um cabrito para fazer uma festa com os meus amigos. E agora, quando chegou esse teu filho, que consumiu os teus bens com mulheres de má vida, mataste-lhe o vitelo gordo’. Disse-lhe o pai: ‘Filho, tu estás sempre comigo e tudo o que é meu é teu. Mas tínhamos de fazer uma festa e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado’».

Palavra da salvação.

Há três pródigos na mesma parábola, porque a prodigalidade é uma palavra ambígua e com significados antagónicos. 
Mas, no fundo, o único que só é pródigo é mesmo o Pai.
O Pai é pródigo em Amor. Assume uma prodigalidade positiva, total, de dádiva e de gratidão inteiras.
O filho mais novo foi pródigo a esbanjar, mas parcimonioso e "poupado" ao pedir para si no seu regresso à casa do Pai. Envergonhado, acanhado, humilhado pela própria conduta.
O mais velho também é pródigo porque desbaratou a possibilidade de amar o irmão ao lado do Pai, mas foi avaro na partilha da atenção deste e na "contabilidade" que procurou estabelecer entre o que deu e o que recebeu, apesar de tudo o que era do Pai ser seu, e foi rancoroso ao não reconhecer toda a bondade que recaíra sobre ele nem a possibilidade de redenção ao irmão.
Quem somos nós nesta história? Normalmente um dos irmãos... e nem sempre o mesmo. Queira Deus que um dia sejamos capazes de ser tão inteiramente pródigos como o Pai.

Comentário de João Vacas

Imagem: O Retorno do Filho Pródigo, de Rembrandt c. 1661–1669. 262 cm × 205 cm. 



6 comentários

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De pitosga a 11.09.2022 às 17:03


Um livrinho que me ajudou, do Padre Henri Jozef Machiel Nouwen: “O regresso do filho pródigo”.

Margarida Maria Osório Gonçalves fez uma excelente tradução.
«««

Keneth Bailey, na sua perspicaz explicação da história de Lucas, diz que a forma como o filho se foi embora é equivalente a desejar a morte do pai. Bailey escreve:

«Ao longo de mais de 15 anos, tenho andado a interrogar povos de todo o tipo, desde Marrocos à Índia, da Turquia ao Sudão, sobre as implicações que poderia ter o facto de um filho reclamar a herança em vida do pai. A resposta foi sempre a mesma... A conversa desenrolava-se como se segue:

– Houve alguém do seu povo que tenha pedido uma coisa assim?

– Nunca!

– Poderia alguma vez alguém pedir uma coisa assim?

– Impossível!

– Se alguma vez alguém o fizesse, que aconteceria?

– O pai matá-lo-ia à pancada, imediatamente!

– Porquê?

– Uma petição assim significaria que desejava que o pai morresse».

Bailey explica que o filho pede, não só que se faça a partilha da herança, mas reclama também o direito de dispor da sua parte.

«Depois de renunciar aos seus bens em favor do filho, o pai tem contudo o direito de viver dos rendimentos... enquanto for vivo. Assim, o filho mais novo não tem nenhum direito sobre o património até à morte do pai. A contradição de “Pai, não posso esperar que morras”, está subjacente à petição do filho».

»»»

Cumprimenta

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De pitosga a 11.09.2022 às 17:26


João Távora,
é notável a quantidade de patetices que aparecem nos comentários. Sobretudo vindas de gente que tem inveja de não ter título algum (excepto o de dr ou eng).


Abraço,
que os cães fazem o seu dever — ladram.
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De balio a 12.09.2022 às 11:11


Sempre achei esta fábula uma completa tontice. É premiar quem faz mal. É irracional.
Isto parece-me próprio de mães, que amam os seus filhos mesmo que eles se portam mal e as maltratem. Um homem, mesmo um pai, deve ser racional no seu amor.
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De João Távora a 12.09.2022 às 11:59

Se o Balio na sua idade ainda não percebeu esta parábula (as fábulas são com animais), que aborda o amor incondicional (e o perdão) receio que o seu problema seja grave. 
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De balio a 12.09.2022 às 11:12

Ainda maior tontice é o que está antes, um pastor abandonar no deserto 99 ovelhas para ir procurar uma única que se tresmalhou. Arrisca-se a perder todas as 100, porque não encontra a que se perdeu e as outras 99 são comidas por lobos. Que pastor disparatado!
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De Anónimo a 12.09.2022 às 15:56

E até dizem que a ovelha que se tresmalhou estava cheia de pieira, brucelose e febre azul. Infectava todo o rebanho. E nem sei bem se foi o que acabou por acontecer. Anda tanto joio enfiado no trigo ainda hoje, à sorrelfa ...

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