Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Domingo

por João Távora, em 12.12.21

João Baptista por Leonardo da Vinci 

Evangelho segundo São Lucas 3, 10-18

Naquele tempo, as multidões perguntavam a João Baptista: «Que devemos fazer?». Ele respondia-lhes: «Quem tiver duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma; e quem tiver mantimentos faça o mesmo». Vieram também alguns publicanos para serem baptizados e disseram: «Mestre, que devemos fazer?». João respondeu-lhes: «Não exijais nada além do que vos foi prescrito». Perguntavam-lhe também os soldados: «E nós, que devemos fazer?». Ele respondeu-lhes: «Não pratiqueis violência com ninguém nem denuncieis injustamente; e contentai-vos com o vosso soldo». Como o povo estava na expectativa e todos pensavam em seus corações se João não seria o Messias, ele tomou a palavra e disse a todos: «Eu baptizo-vos com água, mas está a chegar quem é mais forte do que eu, e eu não sou digno de desatar as correias das suas sandálias. Ele baptizar-vos-á com o Espírito Santo e com o fogo. Tem na mão a pá para limpar a sua eira e recolherá o trigo no seu celeiro; a palha, porém, queimá-la-á num fogo que não se apaga». Assim, com estas e muitas outras exortações, João anunciava ao povo a Boa Nova».

Da Bíblia Sagrada

Comentário: João Baptista inserindo-se na linha dos profetas do A. T., para os quais a conversão consistia em voltar a viver o amor de Deus e do próximo, indica aos homens das mais diversas classes sociais qual a penitência agradável a Deus – o cumprimento dos seus deveres, em função do amor do próximo.
Mas a conversão, com o abandono do pecado, é também recepção do Espírito, ou Amor de Deus, princípio duma vida nova, que se comunica mediante um sinal de conversão – o Baptismo.
Ninguém é excluído desta conversão, pois todas as situações humanas se podem viver no amor.



7 comentários

Sem imagem de perfil

De balio a 13.12.2021 às 10:03


contentai-vos com o vosso soldo


Muito interessante recomendação. Comei e calai.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 14.12.2021 às 11:03

Julguei que fosse de fácil alcance para si, a interpretação desta parábola, Balio.

De facto, "ler" (qualquer texto) exige de nós um esforço, certas competências e alguma "destreza" _ onde não figura, certamente, a estreiteza de espírito_ mas inclui sobretudo, a capacidade de "ver" para lá das palavras e interpretá-las para além do óbvio que está à superfície do texto.


 Sabemos que a linguagem humana por mais polissémica ou plurívoca que seja e por mais "virtuosismos" que possua, tem sempre insuficiências: só "imperfeitamente" consegue a adequação necessária para traduzir realidades intangíveis e outras não tão visíveis, uma vez que o seu domínio (território) está para lá da matéria ... (Talvez a linguagem dos pássaros ou a da música se aproximem mais desse mundo).


Deve conhecer aquele provérbio chinês " quando alguém aponta para a Lua, o imbecil vê o dedo".  
Sem imagem de perfil

De balio a 14.12.2021 às 12:32

A interpretação das palavras do Novo Testamento é muito polémica. Por exemplo, o dito de Jesus "a Deus o que é de Deus e a César o que é de César" é canonicamente interpretado como significando "Deus não põe em causa os reinos humanos". No entanto, a esse dito pode ser atribuída esta outra interpretação: "a terra de Israel só pertence ao povo de Deus e César não tem o direito de mandar nela".
Sem imagem de perfil

De balio a 14.12.2021 às 12:47


Não é por acaso que o João Távora aqui coloca as palavras da Bíblia acompanhadas por um comentário. É que, ao contrário dos protestantes - que instam os fiéis a lerem a Bíblia e a interpretarem-na mais ou menos literalmente ou livremente -, os católicos sabem que as palavras da Bíblia podem ter variadas interpretações e que é preciso fazer os fiéis verem qual a interpretação "correta" (aos olhos do catolicismo) dessas palavras. O catolicismo não deseja que os fiéis leiam a Bíblia sozinhos, quer que a leiam sempre bem acompanhada por comentários e explicações.

No meu comentário eu pretendi enfatizar que àquelas palavras "contentai-vos com o vosso soldo" talvez não deva ser dado o sentido que o catecismo católico gosta que lhes seja dado.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 14.12.2021 às 14:20

"a Deus o que é de Deus e a César o que é de César".

Esta frase é muito mais simples de interpretar, pois  basicamente Ele refere-se  à existência de dois Mundos distintos feitos de matérias substancialmente diferentes: O mundo Divino e o mundo Humano. Este mesmo conceito, uma vez mais repete-o quando afirma: "O meu Reino não é deste mundo", ou seja, eu não pertenço aqui, o que remete para sua origem divina e não terrena.
Em "a Deus o que é de Deus e a César o que é de César" está presente a dicotomia: o Divino vs Humano que o mesmo é dizer o mundo espiritual(em cima) vs mundo terreno (em baixo). Repare no quadro do Da Vinci aqui colocado não por acaso, pelo JoãoTávora: S. João Baptisma aponta exactamente para cima.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 14.12.2021 às 15:15

(cont.)
Quanto às "inúmeras"  interpretações que os católicos façam ou não da Bíblia _ "guiadas" ou "induzidas" _ é uma afirmação sua.
Mas uma coisa tenha como certa, é que o "mundo" dos católicos tem uma coisa em comum: não vivem à margem (muito pelo contrário) do Mundo actual que os rodeia, nem do Conhecimento da Antiguidade Clássica e dos Filósofos da antiga Grécia. Antes está impregnado da sua influência. Lembre-se que há influências do Platonismo nos conceitos católicos acima referidos. E não só:  basta atentar na frase "contentai-vos com o vosso soldo"  muito semelhante à máxima dos estóicos "sustine et abstine"  em defesa do desapego das coisas "mundanas" e da indiferença de nada desejar em demasia (ataraxia), como forma de purificação para se atingir a liberdade moral e espiritual. Coincidentemente ao mesmo exortam as Filosofias orientais, por exemplo, o Budismo defende uma atitude semelhante: para se chegar ao NIrvana, ou estado de Perfeição, é preciso percorrer várias fases até se atingir um estado de desprendimento total das coisas materiais, e propõem que nada se deve desejar que perturbe ou nos desvie das coisas do Espírito. 
_ Melhor dizendo, há uma interpenetração de culturas e de Religiões que se "ligam" e influenciam: basicamente todas se referem ao caminho que se deve percorrer para se chegar a um estado Superior que nos pode conduzir ao Conhecimento Superior, a Gnose. Deus. Iluminação para uns.Mas Luz sempre. 
O ecumenismo defendido levado à prática pelos últimos Papas, o que é senão a "religação" da centelha de divino que há no seres humanos?
 
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 15.12.2021 às 09:54




(cont.)
Se o Balio conseguir responder com honestidade, diga-me o que há de errado nas palavras de exortação à renúncia do que é excessivo, despojando-se da posse de bens que se têm a mais, repartindo-os ? «Quem tiver duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma; e quem tiver mantimentos faça o mesmo»
Se conhece a parábola "Olhai os lírios do campo" saberá que vai no «mesmo» sentido: 

 " as coisas que ajuntaste, para quem serão? Assim é aquele que entesoura para si, e não é rico para com Deus. Jesus disse a seus discípulos: Portanto vos digo: Não andeis cuidadosos da vida pelo que haveis de comer, nem do corpo pelo que haveis de vestir. Pois a vida é mais que o alimento, e o corpo mais que o vestido"...

... igualmente disse noutro lugar que "nem só de pão vive o Homem", porque ele não é só "corpo". Precisa de outro "alimento" (espiritual) porque ele também é Alma. Não que se condene a riqueza em si, mas sim quando a acumulação de riqueza, a aquisição de bens e a busca de "tesouros" se tornam numa preocupação contínua, numa ansiedade pesada e se transformam num egoísmo supremo e único objectivo da vida. Aqueles que têm a Cobiça no centro da sua Vida, não olhará a "meios" e está disposto a cometer todos os "atropelos" necessários até satisfazer a sua avidez de bens pessoais (materiais). Nada de espiritual ou moral existe neles e, como diz a parábola,  "não é rico para com Deus".  A rapina de "entesourar para si" é fonte de egoísmo e causadora de desigualdades e, assim, de injustiça social. 


Uma vez mais, a parábola repete que a suprema virtude é a parcimónia, a moderação, o despojamento, o sentido de justiça e  incita  à promoção de relações humanas precedidas de partilha e fraternidade que conduzem à Justiça.

 
São vários preceitos  e regras de conduta correctas na vida. Bastar-nos-ia olhar para os exemplos diários de corrupção e dos biliões "a voar" em paradeiro incerto que deixam de ser aplicados no bem de todos e dos mais necessitados. São as vidas mais pobres que muitas vezes levam à  degradação moral.
 (Num post do Henrique Pereira dos Santos, há dias, falou-se nos "contextos" de miséria moral que levam à prostituição entre outros flagelos sociais).

Comentar post



Corta-fitas

Inaugurações, implosões, panegíricos e vitupérios.

Contacte-nos: bloguecortafitas(arroba)gmail.com




Notícias

A Batalha
D. Notícias
D. Económico
Expresso
iOnline
J. Negócios
TVI24
JornalEconómico
Global
Público
SIC-Notícias
TSF
Observador

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Comentários recentes

  • lucklucky

    "Parece-me que a história é, por definição, o pont...

  • lucklucky

    E como digo desde há anos: Fujam de Lisboa, fujam....

  • Elvimonte

    (continuação)Smith, J.D. et al. (2016) “Effectiven...

  • Elvimonte

    (continuação)Radonovich, L.J. et al. (2019) “N95 R...

  • Elvimonte

    "Have you ever wondered who's pulling the strings?...


Links

Muito nossos

  •  
  • Outros blogs

  •  
  •  
  • Links úteis


    Arquivo

    1. 2022
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2021
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2020
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2019
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2018
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2017
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2016
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2015
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2014
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2013
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2012
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2011
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D
    157. 2010
    158. J
    159. F
    160. M
    161. A
    162. M
    163. J
    164. J
    165. A
    166. S
    167. O
    168. N
    169. D
    170. 2009
    171. J
    172. F
    173. M
    174. A
    175. M
    176. J
    177. J
    178. A
    179. S
    180. O
    181. N
    182. D
    183. 2008
    184. J
    185. F
    186. M
    187. A
    188. M
    189. J
    190. J
    191. A
    192. S
    193. O
    194. N
    195. D
    196. 2007
    197. J
    198. F
    199. M
    200. A
    201. M
    202. J
    203. J
    204. A
    205. S
    206. O
    207. N
    208. D
    209. 2006
    210. J
    211. F
    212. M
    213. A
    214. M
    215. J
    216. J
    217. A
    218. S
    219. O
    220. N
    221. D