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Divertimento eleitoral inútil

por henrique pereira dos santos, em 17.03.24

Por puro divertimento, resolvi olhar, lado a lado, para os resultados das eleições de Domingo passado e para os resultados das europeias de 2019, que se irão repetir dentro de menos de três meses.

Comecemos pelo número de votantes: cerca de seis milhões no Domingo passado contra cerca de três milhões em 2019.

Começar por aqui é importante para se poder ler os números seguintes, que seguem a ordem de voltação nas últimas europeias.

O PS elegeu então 9 deputados, com um milhão e cem mil votos e 33,38%. Daqui a menos de três meses irá, com certeza, perder alguns destes deputados, tendo em atenção que nas eleições de Domingo teve um milhão e oitocentos mil votos, o que é mais que em 2019, mas 28,7% dos votos, uma perda de quase 5%.

O PSD e o CDS (vou juntá-los porque parece fazer sentido), elegeram 7 deputados com com mais de novecentos mil votos, que comparam com o milhão e oitocentos mil que tiveram no Domingo passado, o que em percentagem quer dizer passar de 28% para 29%, por aí. Ou seja, devem eleger 6 a 8 deputados, se se considerar (consideração  assumidamente estúpida, o que não quer forçosamente dizer inútil) que as eleições de europeias terão alguma consistência de resultados com as de Domingo passado.

O BE elegeu dois deputados, com 320 mil votos e quase 10% dos votos, mas no Domingo passado teve 275 mil votos e menos de 5% de percentagem, portanto, poderá eleger, ou não, um deputado europeu (o último a eleger, em 2019, foi o PAN com 5% dos votos, perto de 170 mil), sendo mais provável que Catarina Martins acabe eleita, mas dificilmente haverá um segundo deputado europeu do Bloco de Esquerda.

O PC elegeu dois deputados, com cerca de 270 mil votos e quase 7% dos votos, que contrastam com os 200 mil votos e menos de 4% dos votos no Domingo passado, ou seja, eleger um deputado parece possível, tendo em atenção o número de votos do PAN nas últimas europeias, mas não é nada seguro tendo em atenção a diferença de 3 para 6 milhões de votantes entre umas e outras eleições.

O PAN elegeu um deputado com apenas 170 mil votos, mas 5% dos votantes, só que agora, com o dobro dos votantes globais, ficou-se pelos 120 mil votos e 2% dos votos, uma percentagem em linha com os vários partidos que não elegeram deputado nenhum nas europeias anteriores, portanto, deve perder o seu deputado europeu (na verdade, perdeu-o logo depois das eleições, à conta das divergências internas).

A IL e o Livre estão, essencialmente, na mesma posição, não elegeram com votações mais ou menos residuais em 2019 (30 mil e 60 mil votos, respectivamente, 0,88% e 1,83%), mas no Domingo passado tiveram votações com alguma expressão (300 mil e 200 mil votos, respectivamente, 5.08% e 3,26%), sendo possível que eleger um deputado cada, mais provável para a IL, mais difícil para o Livre.

O Chega não concorreu em 2019 e agora teve um milhão e cem mil votos, em torno dos 18%, o que quer dizer que deve ficar com os deputados todos que os outros perderem, 3 a 4 do PS, um do BE, um do PC e um do Pan, menos um que a IL pode ir buscar, ou seja, aí uns 5 deputados, mais coisa, menos coisa.

Claro que tudo isto não passa de um divertimento sobre o futuro, as variações do número de votantes inviabilizam qualquer comparação minimamente sólida, os cabeças de lista podem influenciar qualquer (pouco, mas pode ser a diferença entre ter mais um ou menos um deputado) e confesso que divertiria imenso que o Chega candidatasse Mithá Ribeiro como cabeça de Lista, para ver os branquelas todos dos outros partidos a acusá-lo de racista (a discussão sobre o racismo está tão absurda que Cristina Roldão, uma mulata que escreve no Público sempre a mesma crónica sobre diferenças de tons de pele, reconhece a ironia de ser o Chega o único partido a ter elegido deputados racializados (sem qualquer ironia, não consigo mesmo perceber este conceito de pessoas racializadas), dizendo que elegeu Mithá Ribeiro (ascendência em famílias pretas e indianas, se não me engano) e um outro deputado manifestamente mulato, nem reparando que Rita Matias é também mestiça, com ascendência indiana).


38 comentários

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De Marques Aarão a 17.03.2024 às 13:09

Olhando a sério, nada impede que Montenegro chegue á conversa com o Chega ainda que daí resulte um acordo de não haver acordo.
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De O apartidário a 18.03.2024 às 20:41

A 29 de Julho de 1976 o comunista José Rodrigues Vitoriano tornou-se vice-presidente da Assembleia da República. O presidente era naturalmente um socialista, Vasco da Gama Fernandes, pois fora o PS o vencedor das eleições legislativas de Abril de 76. O PCP que ficou em quarto lugar e teve 14,39 por cento dos votos viu também ser eleito para o lugar de secretário do parlamento o seu deputado José Manuel Maia.

Atente-se na data: Julho de 1976. O cerco à Assembleia Constituinte fora há escassos oito meses. O 25 de Novembro idem. Nesses acontecimentos e em muito daquilo que os precedeu ficara bem patente o papel do PCP no combate à democracia, o seu envolvimento em actos para subverter o regime e o pouco apreço do seu grupo parlamentar pelas regras da convivência pluralista.

Mas oito meses depois o PCP não só se sentava na mesa da Assembleia da República sem que se questionasse o seu direito a tal como conseguia um expressivo apoio das outras bancadas: José Manuel Maia foi eleito secretário com 219 votos e José Rodrigues com 210. Feitas as contas (não esquecer que o parlamento tinha então 263 deputados) torna-se óbvio que deputados do PS e do então PPD ou do CDS votaram nos nomes apresentados pelo PCP.

Por mais estranho que tudo isto possa soar aos apologistas contemporâneos das cercas, dos cordões sanitários e das estrambólicas linhas vermelhas, não é só no parlamento que a institucionalização do PCP foi garantida: apesar do seu evidente papel no clima de insurreição vivido no país, o PCP manteve-se no VI Governo Provisório após o 25 de Novembro. Vai aliás ficar no executivo até 23 de Julho de 1976 quando foi nomeado o I Governo Constitucional liderado por Mário Soares.

Recordar estes momentos fundacionais da primeira Assembleia da República pós-Constituinte é fundamental para perceber o carácter anormal do que aconteceu no parlamento português desde que André Ventura foi eleito deputado único em Outubro de 2019, com particular relevo para o período de 2022 a 2023, quando os deputados chumbaram por quatro vezes os nomes apresentados pelo Chega para o lugar de vice-presidente do parlamento. E note-se que não os chumbaram duma maneira qualquer.

O primeiro nome apresentado pelo Chega foi o de Pacheco de Amorim, que obteve apenas 35 votos a favor dos 116 necessários. Mithá Ribeiro conseguiu 37. Rui Paulo Sousa 64 e Jorge Valsassina Galveias 58. João Cotrim de Figueiredo da Iniciativa Liberal também foi chumbado mas conseguiu 108 votos a favor. O que aconteceu aos nomes propostos pelo Chega foi mais que um chumbo: foi uma humilhação.


Continua 
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De O apartidário a 18.03.2024 às 20:42

Continuação 


Para esta manipulação do parlamento contribuiu decisivamente a figura de Augusto Santos Silva que, ironia das ironias, corre agora o risco de nem ser eleito para o parlamento a que presidiu e cujo funcionamento condicionou por razões de táctica política. Mas por mais tentador que seja fulanizar na figura de Santos Silva a subversão da prática parlamentar, há que reconhecer que não esteve só.

Deputados virtuosos, líderes virtuosíssimos, jornalistas e comentadores impantes de virtude garatujavam sem parar linhas vermelhas em cenários políticos imaginários, onde invariavelmente se continha o Chega. As linhas vermelhas foram um dos maiores embustes da democracia, como se percebeu a 10 de Março: as linhas vermelhas que iam conter o Chega fecharam-se num círculo à volta dos outros partidos e o Chega corre do lado de fora.

Agora fazem-se contas sobre quanto tempo Montenegro aguentará, não percebendo que o maior risco não é Montenegro não aguentar mas sim “costizar”, ou seja conseguir manter o poder à custa de não governar.

Helena Matos no Observador
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De Marques Aarão a 20.03.2024 às 07:22

Admitir que o presidente da AR deve pertencer ao partido mais votado pode significar entregar o ouro ao bandido. Um sorteio entre os concorrentes pode não vingar, mas a liberdade de o dizer é mais importante que a do pensar.
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De O apartidário a 20.03.2024 às 10:09

Os cerca de 300 mil votos contados na segunda e terça-feira, isto é, quase 86% dos 350 mil boletins que deverão chegar a Portugal, permitem extrapolar o resultado final da emigração, em que a AD e o PS devem eleger um deputado cada e o Chega fica com dois mandatos. Falta apenas verificar se esta quarta-feira a tendência será a mesma. De sublinhar que, “até às 17h de quarta-feira, ainda podem chegar cartas com votos da emigração”, indicou ao ECO o porta-voz da Comissão Nacional de Eleições (CNE), Fernando Anastácio. Fontes partidários estimam que, esta quarta-feira, ainda terão de ser contabilizados mais cerca de 40 mil votos.
Se não houver alterações significativas no sentido de voto, esta quarta-feira, a AD vai manter a vantagem, que conseguiu no território nacional, de dois deputados sobre o PS, com os dois partidos a eleger um mandato cada pelos círculos do estrangeiro. A coligação, liderada pelo PSD, passará, assim, de 79 para 80 mandatos, e o PS, de 77 para 78. Quanto ao número de votos, a diferença de 50 mil entre AD e os socialistas, registada em Portugal, também deverá ser confirmada pelos votos dos emigrantes. A bancada do Chega sobe de 48 para 50 deputados, com a conquista de dois mandatos na emigração.

Augusto Santos Silva, ex-presidente da Assembleia da República e cabeça de lista dos socialistas pelo círculo Fora da Europa, arrisca não ser eleito, o que será uma espécie de “desforra” para o partido de André Ventura, como classificou o ex-dirigente do PSD, Luís Marques Mendes, no espaço de comentário de domingo à noite, na SIC.
https://eco.sapo.pt/2024/03/20/votos-recorde-da-emigracao-confirmam-governo-de-montenegro/
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De O apartidário a 20.03.2024 às 13:45

Segundo informação disponibilizada pela Secretaria-geral do Ministério da Administração Interna, foram expedidas "de 4 de fevereiro até 7 de março de 2024 um total de 1.541.873 cartas de envio" para 189 destinos, contendo "no seu interior um boletim de voto do respetivo círculo eleitoral, um envelope de cor verde onde deve ser colocado o boletim de voto após a votação, um envelope branco (envelope de resposta, com franquia paga) e um folheto que contém as instruções de preenchimento e devolução (em português, inglês e francês).

Há ainda registo de 5.283 eleitores no estrangeiro que optaram por votar presencialmente.

De acordo com os dados mais recentes da Administração Eleitoral, até terça-feira, 19 de março, tinham sido recebidas 311.113 cartas com votos de eleitores residentes no estrangeiro, a maioria provenientes da Europa (233.580 — 75%), seguida da América (65.507 — 21%), da Ásia e Oceânia (9.708 — 3%) e de África (2.318 — 1%).
https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/ad-e-ps-separados-por-dois-deputados-e-os-resultados-da-emigracao-podem-mudar-tudo-de-onde-vem-os-principais-votos
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De O apartidário a 20.03.2024 às 18:42

Resultados oficiais ao minuto (18,30h ultima actualização) com Chega à frente no circulo da Europa com 12 consulados em 16 tal como anunciado e previsto antes pelos média, faltam  7 em 8  consulados fora da Europa,prazo de recepção de votos alargado para as 19h

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De O apartidário a 20.03.2024 às 18:45

Com 12 consulados contados em 16 na Europa quero eu dizer, faltam 4 oficialmente.
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De O apartidário a 21.03.2024 às 08:51

Confirmados os resultados previstos(dois para o Chega e um para AD fora da Europa e outro para PS na Europa) e novamente a avalanche de nulos. 
Não sei se é mais previsivel ou mais patético. 
"Falta da cópia do cartão de cidadão no envelope"(ou seja no envelope branco exterior e não no verde do voto), foi este o motivo pelo qual um quarto dos votos dos eleitores a viver no estrangeiro foi anulado, disse ao SAPO24 o porta-voz da Comissão Nacional de Eleições (CNE), Fernando Anastácio, que confirma que o número de votos anulados é "anormal".


Foram anulados 122.327 votos, de um total de 333.520, ou seja, perto de 36,68% dos votos nos círculos da Europa e Fora da Europa, de acordo com a informação disponível no site da Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna. Além da própria Abstenção:
78,44%
1.213.227 de 1.546.747
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De Anónimo a 17.03.2024 às 13:32

Essa do "Chega" ser racista tem que se lhe diga...
Juromena
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De G. Elias a 17.03.2024 às 14:00

Não te esqueças que nas europeias há um círculo único por isso o apuramento de mandatos é feito apenas sobre esse círculo.
Já agora, eu acho que também devia haver um círculo único nas legislativas, em vez de haver círculos distritais.
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De henrique pereira dos santos a 17.03.2024 às 14:52

Eu sei, não me atrevi a ver quantos votos é preciso para eleger um deputado e há um problema com as eleições de 2019: entre o PAN, o último a eleger, e a Aliança, o primeiro a não eleger, há uma diferença tão grande que não dá para ter uma ideia de onde está a linha de corte.
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De G. Elias a 17.03.2024 às 16:22

A linha de corte estava nos 114079 correspondente ao segundo deputado do PCP que foi o último a entrar.
Em termos de percentagem isto corresponde a 3,4% o que significa que, nas últimas eleições, era necessário ter essa percentagem para conseguir um deputado. Nas próximas a percentagem poderá ser um pouco superior ou inferior, dependendo da distribuição dos votos (nas eleições de 2014 os 3,4% não foram suficientes e foi necessário conseguir mais de 3,5%)
Mas genericamente, podemos esperar que com cada 3,5 a 4% seja possível assegurar um mandato.

Já agora e ainda sobre as eleições de 2019 fica esta curiosidade: se fossem 41 mandatos (em vez dos actuais 21) a Aliança continuaria a não eleger. Seria preciso que houvesse 42 mandatos para que entrasse o primeiro deputado da Aliança.


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De anónimo a 18.03.2024 às 14:44


As divisões territoriais históricas são diferentes das actuais manchas demográficas e sócio-económica. 
As auto-estradas ultrapassaram o combóio, como este ultrapassou as vias fluviais. Portugal está politicamente diferente. 
A adesão à União Europeia e as gerações "Erasmo" (como se vê neste número crescente do voto extra-territorial) obrigam a uma urgente mudança, adaptação, do paradigma do dito "nacional". A começar pelo poder Legislativo: o que é ser cidadão eleitor "português". Afinal no Contimente nem se escolhem os legisladores dos Açores e da Madeira.

Será necessária uma nova, delicada, definição de cidadão eleitor, intra ou extra território. Universos eleitorais gigantescos podem ser muito interssantes para o ego "nacional". Mas são heterogénios, irreais e dão resultados incontroláveis. 
Por outro lado o voto por correspondência não é fiável. 
E o voto extra-território não tem estreita, indiscutível relação, com a representação obtida.



Portugal politicamente é um município (pobre) da União Europeia.

Portugal, precisa de duas modestíssimas, minimalistas, câmaras legislativas fiscalizando-se, equilíbrando-se mutuamente. Uma com base na demográfica total, uma AR, mas sem o deturpador e ridículo método d'Hondt.
Outra, mais pequena, um Senado, com representação de dois Senadores por cada zona sócio-económica, a redefinir. Equalitária em poder legislativo, seja essa uma região "rica ou pobre". Isso resultaria numa distribuição de recurso nacionais mais equitativa. 
A realidade do mundo, e da Europa do Sec. XXI, está a por em causa o desenho constitucional histórico vigente, de 50 anos, ele mesmo fruto de umas circunstãncias demasiado específicas.
Ps- O caricato que é os PMs de Países minúsculo, porem-se em bicos de pés nas reuniões com os "pares", na UE. Parecem a mesa do BE a afirmar que sem ela nada se fará.
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De balio a 18.03.2024 às 16:14


Será necessária uma nova, delicada, definição de cidadão eleitor


No outro dia falei com uma cidadã irlandesa emigrada (vive na Holanda). Disse-me que os emigrantes não podem votar para as eleições irlandesas. Disse-me que há tantos cidadãos irlandeses emigrados que, se todos votassem, teriam imenso poder.

Penso que em Portugal os emigrantes também não deveriam poder votar, a menos que pagassem IRS em Portugal. Se não pagam impostos para cá, por que raio hão de ter voz ativa sobre quem os paga?
Da mesma forma, imigrantes que já cá estejam há algum tempo e paguem cá impostos, deveriam ter direito a voto mesmo sem serem cidadãos. Quem paga deve ter direito de voz sobre como aquilo que paga é gasto.
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De Rodrigo Raposo a 18.03.2024 às 19:48

Por essa lógica, mais depressa votaria um holandês, um alemão, ou outro cidadão de um qualquer país contribuinte líquido para o orçamento europeu. Pois, na verdade, é dos impostos dos cidadãos destes países vem o dinheiro que torramos em PRR's e demais inutilidades do género ... 
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De lucklucky a 19.03.2024 às 10:26

"Penso que em Portugal os emigrantes também não deveriam poder votar, a menos que pagassem IRS em Portugal. Se não pagam impostos para cá, por que raio hão de ter voz ativa sobre quem os paga?"



Usando esse argumento:
Quem paga impostos a várias cameras municipais -por exemplo tem patrimonio - passa a poder votar nessas?



Quem recebe mais dinheiro dos impostos do que contribuí perde o direito ao voto?
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De balio a 19.03.2024 às 16:50


Quem paga impostos a várias cameras municipais -por exemplo tem patrimonio - passa a poder votar nessas?


É discutível. Não excluo isso. Uma pessoa que tenha uma casa valiosa num município qualquer, e que como tal paga um IMI elevado à respetiva Câmara Municipal, deveria ter o direito de votar para essa Câmara.



Quem recebe mais dinheiro dos impostos do que contribuí perde o direito ao voto?


Não perde. O que interessa é se a pessoa tem transações financeiras com o Estado português - sejam essas transações, no balanço final, a favor do Estado ou a favor da pessoa - ou não. Desde que a pessoa tenha transações financeiras com o Estado (seja por pagar impostos, seja por receber uma pensão de reforma, etc), deve ter o direito de votar.



Há muitos emigrantes que não têm nada a ver, financeiramente, com o Estado português - nem pagam impostos nem recebem qualquer pensão, salário ou bolsa. Esses não devem ter o direito de votar.
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De balio a 18.03.2024 às 11:36


também devia haver um círculo único nas legislativas, em vez de haver círculos distritais


Os distritos e os concelhos são uma maldita invenção de outros tempos que se insiste em preservar. Tanto uns como os outros deveriam ser unificados em unidades territoriais substancialmente maiores. Infelizmente, o governo de Passos Coelho não fez isso para os concelhos, contrariando as boas recomendações da troica.


Eu não falaria em círculo único para as legislativas. Apenas unificaria distritos. Todos os distritos do interior (de Vila Real a Beja) deveriam ser unificados num único círculo eleitoral. O mesmo para os dois distritos do Minho e para os quatro do Centro Litoral. Finalmente, a metade Norte do distrito de Setúbal deveria ser junta a Lisboa, e a metade Sul integrada no Interior. Ficaria o Continente com seis regiões eleitorais (Lisboa, Porto, Algarve, Interior, Minho, e Litoral Centro).
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De Paulo a 19.03.2024 às 07:53

O Norte do distrito de Aveiro é área metropolitana do Porto o que fala sobre essa zona está errado. 
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De balio a 19.03.2024 às 09:26


O Norte do distrito de Aveiro é área metropolitana do Porto


Sim. Naturalmente que, acabando de vez com os malditos distritos, poder-se-ia e dever-se-ia fazer ajustamentos como, por exemplo, colocar Espinho e a Terra de Santa Maria na região eleitoral do Porto.
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De Pedro Oliveira a 17.03.2024 às 14:30

Mulato é como quem diz.
Marcus Vinícius Santos, carioca , nascido no estado do Rio de Janeiro é negro diria eu.
Pelo menos considerando os padrões cromáticos que se "babaram" com Obama, o primeiro presidente negro dos Estados Unidos da América.
Quando é filho de mãe branca e de pai negro se for de esquerda é negro, Obama.
Já se for de direita o padrão cromático é o Ba do anti-racismo, é mais claro que o Ba? Então é branco.
Para os que diabolizam o Chega é impossível ser negro, estrangeiro e deputado pelo partido unipessoal de André Ventura, é impossível mas tal como na publicidade "Impossible is nothing".
[obviamente que não estou a defender o Chega. Só neste país é que um lampião comentador da CMTV, advogado da filha de José Eduardo dos Santos consegue eleger 48 deputados].
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De henrique pereira dos santos a 17.03.2024 às 14:55

Só tinha visto a cara de raspão no dia das eleições e não sabia o nome, de maneira que na pesquisa rápida que fiz não o encontrei.
Agora que olhei, sim, poderá ser preto, embora não tenha a certeza (em África depende muito das regiões, há umas regiões em que as peles têm mais melanina que noutras).
Para o efeito, é igual, seja ele preto ou mulato (e, para mim, também é igual, estou-me completamente nas tintas para o tom de pele).
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De Pedro Oliveira a 17.03.2024 às 15:20

Claro que sim, para mim igual. A cor da pele é-me indiferente.
Quanto a acusar-se o Chega de racismo e xenofobia a questão é diferente.
Quantos deputados negros tem a esquerda?
Quantos estrangeiros (de nascimento) foram eleitos pelos partidos de esquerda?
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De Anónimo a 17.03.2024 às 15:26

A Joacine foi eleita mas a escumalha da extrema-direita ficou triggered.
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De Cá não há bar a 17.03.2024 às 21:17

Oh anónimo parvinho do triggered,deves ser o tolinho de saia que andava atrás da "lady" gaga escurinha pelos corredores do parlamento ou então tens pena de não ser.
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De Rodrigo Raposo a 17.03.2024 às 22:06

Quem ficou triggered foi a "escumalha" livre da extrema-esquerda. Tanto que não voltaram a repetir a "experiência" ... 
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De Anonimo a 17.03.2024 às 16:44

Também se poderia questionar se racismo e xenofobia são "qualidades " exclusivas do caucasiano. É que parece...


O que ainda não percebi, mas sou limitado e não tenho formação em ciências humanas, é como Beja, um bastião da Esquerda,  de repente elege um facho. Os comunistas morreram todos, não os deixaram ir votar, houve uma corrente de migração de Santa Comba, algo terá acontecido.
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De balio a 18.03.2024 às 17:42


O que ainda não percebi é como Beja, um bastião da Esquerda,  de repente elege um facho.



Não elegeu um facho. O CHEGA não é um partido fascista. É um partido socialista e (ligeiramente) nacionalista (nacional-socialista, se se preferir, mas sem a Sturmabteilung). E corporativista. Defende os reformados e os polícias.
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De Hugo a 19.03.2024 às 00:26

Pedro, já se subiu outro patamar. ao que consta também se é nazi.
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De balio a 18.03.2024 às 10:36


em África depende muito das regiões, há umas regiões em que as peles têm mais melanina que noutras


Eu nunca pus os pés em África portanto não posso dizer. No entanto, a mulher que me limpa o gabinete é uma fula da Guiné-Bissau, que foi casada com um homem igualmente fula. Eu quando vi a filha deles (apareceu cá uma vez) notei que era imensamente mais preta que a mãe. A mãe é castanha, a filha é completamente preta, retinta.  A mãe explicou-me que ela saía ao pai, que também tinha sido assim.


Ou seja, mesmo numa mesma tribo (os fula, neste caso), pode haver tons de pele brutalmente diferentes.
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De Anónimo a 17.03.2024 às 21:28

O homem é evidentemente mestiço e em África, não passaria pela cabeça de ninguém classifica-lo como “negro”;
Aliás, os brasileiros que cabem nessa categoria são raros (basta “colocar” um grupo de brasileiros “negros” ao lado de um grupo de Bakongos para perceber a diferença);
Mas sim, agora qualquer um com uma vaga ascendência a sul do Saara é “negro”.
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De lucklucky a 17.03.2024 às 18:50

 (sem qualquer ironia, não consigo mesmo perceber este conceito de pessoas racializadas)



Não é difícil de perceber- é racismo da Esquerda - e no caso prático uma forma de construção de poder por exclusão do outro.


Divirta-se ainda com o mundo que o extremismo centrista ajudou a criar:


"The Fitzwilliam Museum has suggested that paintings of the British countryside evoke dark “nationalist feelings.” The museum, owned by the University of Cambridge, has undertaken an overhaul of its displays… The new signage states that pictures of “rolling English hills” can stir feelings of “pride towards a homeland”… with “the implication that only those with a historical tie to the land have a right to belong.”"



Ao cuidado da sua Montis. Depois perguntem porque o Chega tem 18%.



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De lucklucky a 17.03.2024 às 20:14

Continuem assim jornalistas:


 Observador:  Donald Trump volta a insultar Biden e antecipa: "Se eu perder, haverá um banho de sangue"


O que Trump disse:
Trump Declares It Will Be a ‘Bloodbath’ for Auto Industry if He’s Not Elected.
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De anónimo a 18.03.2024 às 12:00


Com. Soc. por cá. Medram nas redações analfabetos, incultos (baratinhos), ou fanáticos com apoio dos responsáveis. Depois queixam-se.
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De balio a 18.03.2024 às 09:32


Rita Matias tem ascendência indiana?! Como sabe?
Eu olhando para fotografias dela não noto tal ascendência.
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De Anonimo a 21.03.2024 às 06:30

O ps quase fazia a remontada nos descontos. Quase.
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De O apartidário a 21.03.2024 às 08:47

E houve prolongamento de duas horas não foi? Ainda pensei que fossem buscar os votos nulos para os validar a favor do Ps no circulo fora da Europa. 

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