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Mais importante do que dissecar aquilo que Costa disse ("Numa ocasião difícil para o país, em que muitos não acreditaram que o país tinha condições para enfrentar e vencer a crise, a verdade é que os chineses, os investidores, disseram presente, vieram e deram um grande contributo para que Portugal pudesse estar hoje na situação em que está, bastante diferente daquela que estava há quatro anos"), o que não tem discussão nem possibilita segundas interpretações, é analisar a reacção da comunicação social e do PS à frase, que roça a desonestidade intelectual e noticiosa.
Com efeito, Costa limitou-se a dizer o óbvio: há quatro anos, o governo socialista de Sócrates deixou Portugal na bancarrota. Praticamente não havia dinheiro nos cofres do Estado e ninguém confiava em nós nem nos emprestava dinheiro. Hoje a realidade é bem diferente, e para melhor: há confiança em Portugal e nos portugueses e é-nos emprestado dinheiro a taxas de juro recorde. E ninguém acreditava que se conseguisse vencer a crise, que saíssemos do buraco em que os socialistas nos enfiaram sem um segundo resgate; e a verdade é que a crise foi vencida, mesmo que haja ainda muito por fazer. Isto não tem discussão e é bom que Costa tenha consciência da realidade.
Por isso detenhamo-nos antes nas reacções dos amigos de Costa, bem divertidas. Houve uma televisão que tentou minorar a coisa e vendeu o acontecimento como um empolamento da “Direita”, uma polémica artificial. Para essa televisão, inverteu-se tudo. A trabalheira que deve ter dado a “construção” da notícia!...
Nos socialistas assumidos, a reacção é bem mais divertida. Primeiro começaram por alegar que Costa falava como “Presidente da Câmara de Lisboa”, seja lá o que for que com isso quisessem dizer. Defendeu-se ainda que Costa não teria dito que Portugal estaria melhor, mas apenas “diferente”. Claro, está-se mesmo a ver que no contexto da frase o país estivesse pior (estilo, “agradeço aos chineses o investimento feito e que levou a que Portugal esteja pior hoje do que há quatro anos…”).
Depois elogiaram-no por ter agido com “sentido de Estado”. Uma vez que falava para chineses, o homem não podia dizer mal do país. Ou seja, Costa disse o que disse aos chineses, mas pensa coisa diferente. Mentiu-lhes, portanto. Também está bem, Costa fica lindo nesta fotografia. Hoje Ferro veio defender que se tratou de “uma frase imprecisa” e criticou os adversários políticos por “retirarem do contesto uma frase imprecisa”. Retirarem do contexto nada! E imprecisa coisa nenuma! A frase está dita e é aquela, não tem outro contexto nem segunda interpretação. Mas Ferro Rodrigues prefere apregoar que Costa profere “frases imprecisas”. Também é uma bela fotografia.
Os socialistas já nos habituaram ao facto de viverem num mundo irreal, de que para eles a realidade não conta, principalmente se ela for contra os seus desejos, mas não deviam tomar-nos por tontos lá porque a comunicação social amiga engole tudo o que eles lhes dão. Alfredo Barroso, que por tudo isto se desfiliou, não fica melhor na fotografia. Ele sai por considerar mau que Costa diga a verdade, quando esta, real e indiscutível, está contra “a narrativa” do PS. Não interessa que seja real nem verdadeira a frase: não devia ter sido dita por favorecer o Governo ou desfavorecer o PS. Os interesses partidários prevalecem sobre os interesses dos portugueses e até sobre a realidade.
Isto não é um mero episódio, uma pequena polémica sem relevância: isto diz muito sobre o carácter dos socialistas.
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