Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Diplomacia, guerra e civilização

por Miguel A. Baptista, em 17.01.26

A embaixadora de Portugal na Rússia apresentou as suas credenciais sem cumprimentar Vladimir Putin. O gesto não foi ostensivo, mas, ainda assim, parece-me um erro. 

A diplomacia existe precisamente para funcionar quando a afinidade política é inexistente ou mesmo quando há hostilidade aberta. A História oferece exemplos eloquentes disso. Durante a Segunda Guerra Mundial, o embaixador alemão na União Soviética, Friedrich-Werner von der Schulenburg, apesar do choque ideológico absoluto entre os dois regimes, manteve relações pessoais corretas e até cordiais com Molotov. Esse respeito não significava concordância; significava civilização. 

O mesmo se passou com Percy Lorraine, embaixador britânico em Itália, que foi sempre tratado com cortesia e urbanidade por Galeazzo Ciano, ministro dos Negócios Estrangeiros e genro de Mussolini. Também Joseph Grew, embaixador dos Estados Unidos no Japão, foi consistentemente tratado com extrema correção pelas autoridades nipónicas, mesmo num contexto de crescente antagonismo que acabaria em guerra aberta. 

Estes exemplos lembram-nos algo essencial: o código diplomático não é um detalhe cerimonial nem um resquício anacrónico. É uma conquista civilizacional. A sua função é precisamente sobrepor-se à animosidade política, criando um espaço mínimo de respeito que permita comunicação, contenção e, em última instância, a possibilidade de evitar o pior. 

Num mundo cada vez mais polarizado, emocionalmente inflamado e, em muitos aspetos, civilizacionalmente em regressão, a preservação desses códigos deveria ser mais importante do que nunca. Quando até os gestos elementares de cortesia são sacrificados em nome da sinalização moral ou do aplauso fácil, não é a firmeza que ganha, é a barbárie que avança. 


12 comentários

Sem imagem de perfil

De Anónimo a 17.01.2026 às 00:17

Boa noite
Respeitosamente, assino por baixo.
Tenha um bom fim de semana. Saúde.
António Cabral
Sem imagem de perfil

De cela.e.sela a 17.01.2026 às 11:25

diplomata ou ''o que vai só até 1/2 da ponte'' tem 2 posições: a sua e a do governo. Lembro que o português preferiu não informar Hitler da entrega dos Açores.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 17.01.2026 às 11:26

Aplaudo e subscrevo integralmente, tudo o expresso neste post. 
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 17.01.2026 às 13:21

Muito correto, concordo absolutamente.
A Europa faz um enorme erro em recusar-se a dialogar com a Rússia, um país grande e importante que que fica muito próximo.
Erro que já está a ser pago e no futuro será ainda mais caro.
Sem imagem de perfil

De Anonimo a 17.01.2026 às 14:42

Discordo na conclusão 
Não é sinal de virtude, mas sinal dos tempos. Desprezo pelo ritual (nunca foi uma cena americana, custou mas chegou à velha Europa), e a sensação de que a populaça gosta é da malta que não é "sonsa" e "diz as coisas como são "
Sem imagem de perfil

De passante a 17.01.2026 às 18:50


Se fosse de algum país que metesse respeito, os russos recambiavam e pediam substituto que não fosse mau profissional.


Mas já perderam completamente o respeito pelos trapaceiros que somos, nem querem saber. Que nos afundemos na fossa que escavámos, a estrebuchar acerca de "orcs" e outras alucinações com que nos injectamos.
Sem imagem de perfil

De Silva a 17.01.2026 às 20:29

Conquista civilizacional seria o encerramento das embaixadas em Moscovo, mas as "conquistas civilizacionais" dos últimos séculos e em especial desde a Revolução Francesa, foi o aumento exponencial da burrice.
O regime russo, desde a Revolução Russa de 1917 foi o maior promotor de guerras e outros canalhices e irá continuar assim.
Com o Mal, corta-se definitivamente, não se tenta abrir diálogos, portas nem escapatórias; Apenas a burrice suportada pela forte ignorância, ignora as mensagens nas aparições de Fátima e actua de modo prejudicial, pensando que estão a promover o Bem.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 18.01.2026 às 13:51

Note que por duas vezes (Napoleão primeiro, Hitler de seguida) Potências Europeias tentaram  invadiram a Rússia.


Creio que o contrário nunca aconteceu.


É verdade que  elementos Russos, estiveram muitas vezes envolvidos em conflitos por regra, de natureza descolonizadora. 


Mas tal dificilmente se poderá classificar como "promoção de Guerras".


Note ainda, que os USA também se envolveram em conflitos do mesmo tipo o que por qualquer razão, não suscita o mesmo tipo de engulhos.


Concordo ser uma boa ideia cortar "definitivamente" com o Mal, resta é  saber e definir com precisão, o que é o Mal ?!


Estará o "Mal" só lado dos outros ?!


Encerrar "Embaixadas em Moscovo"  não será fechar a Europa no Bunker ?!


É que depois da Brilhante Ideia 💡 que alguém teve de explodir os gazodutos Russos e por-nos a Pagar gaz Americano mais caro, fechar a Europa na sua insignificância é de "cabo de esquadra".


Mas posso ser eu que esteja a ver mal a coisa
Sem imagem de perfil

De Silva a 18.01.2026 às 16:59

"Mas posso ser eu que esteja a ver mal a coisa"


Sim, está a ver muito mal a coisa, mas tem desculpa, pois como mencionei antes, "a burrice suportada pela forte ignorância" explica muita coisa.


Já não terá desculpa para o futuro, se não tiver a vontade de estudar e aprender sobre as Aparições de Fátima e as profecias sobre os "erros da Rússia" (expressão simpática de Nossa Senhora, quando deveria ter dito as maldades da Rússia).


Desde à promoção do comunismo, guerras (internacionais e civis), rebeliões, promoção da fome, sabotagens, tráfico de armas, tráfico de droga, actividades subversivas nos mais variados domínios da sociedade desde a política, aos negócios, religião, até às mais simples actividades civis das pessoas.


As consequências ultrapassam muito mais dos 100 milhões de mortos e entre os vivos durante mais de 100 anos toda a população mundial sofreu, sofre e irá continuar a sofrer as consequências devastadoras das maldades do regime russo.
Sem imagem de perfil

De lucklucky a 18.01.2026 às 17:23

"Creio que o contrário nunca aconteceu."


Continuaa mentir.  Descaradamente. Nem é preciso recuar muito, Foi Polónia atacou a URSS na 2 Guerra Mundia? Ou foi o contrario Soviéticos aliados com os Nazis que atacaraa Polónia?



Sem imagem de perfil

De Anónimo a 21.01.2026 às 18:48

Só agora dei com este seu post.


Recomendo vivamente que consulte um bom livro de história.


Em alternativa pergunte e pesquise no Google 
Perfil Facebook

De Alexandre Júlio a 25.01.2026 às 12:04

Antes de encerrar embaixada em Moscovo e transferir a representação para o Palácio do Itamaraty, Lisboa pode valorizar os laços dos seus Sefarditas com o Oblast Autônomo Judaico, na fronteira com a maior República Popular do Mundo.
Relembrando a ponte da amizado de Macau reconhecida em São Petersburgo, pode ser defendido um Oblast Autônomo Judaico, como Região Administrativa Especial [de acordo com os objetivos da Operação Militar Especial], entre a Ucrânia e a Rússia?
No olhar de Sefarditas & Asquenazes na Cisjordânia, há mais território disputado na Europa, do que na Palestina.

Comentar post



Corta-fitas

Inaugurações, implosões, panegíricos e vitupérios.

Contacte-nos: bloguecortafitas(arroba)gmail.com



Notícias

A Batalha
D. Notícias
D. Económico
Expresso
iOnline
J. Negócios
TVI24
JornalEconómico
Global
Público
SIC-Notícias
TSF
Observador

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Comentários recentes

  • Anónimo

    Parecem coisas e mundos de Planos diferentes e irr...

  • Anónimo

    Está a tornar-seOs mecanismos de educação dos sist...

  • Anónimo

    Os países em que o mercado livre funciona sem amar...

  • Anónimo

    Parece-me, ninguém terá dúvidas, em rotular a habi...

  • Anónimo

    A IA marxista ??


Links

Muito nossos

  •  
  • Outros blogs

  •  
  •  
  • Links úteis


    Arquivo

    1. 2026
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2025
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2024
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2023
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2022
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2021
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2020
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2019
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2018
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2017
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2016
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2015
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D
    157. 2014
    158. J
    159. F
    160. M
    161. A
    162. M
    163. J
    164. J
    165. A
    166. S
    167. O
    168. N
    169. D
    170. 2013
    171. J
    172. F
    173. M
    174. A
    175. M
    176. J
    177. J
    178. A
    179. S
    180. O
    181. N
    182. D
    183. 2012
    184. J
    185. F
    186. M
    187. A
    188. M
    189. J
    190. J
    191. A
    192. S
    193. O
    194. N
    195. D
    196. 2011
    197. J
    198. F
    199. M
    200. A
    201. M
    202. J
    203. J
    204. A
    205. S
    206. O
    207. N
    208. D
    209. 2010
    210. J
    211. F
    212. M
    213. A
    214. M
    215. J
    216. J
    217. A
    218. S
    219. O
    220. N
    221. D
    222. 2009
    223. J
    224. F
    225. M
    226. A
    227. M
    228. J
    229. J
    230. A
    231. S
    232. O
    233. N
    234. D
    235. 2008
    236. J
    237. F
    238. M
    239. A
    240. M
    241. J
    242. J
    243. A
    244. S
    245. O
    246. N
    247. D
    248. 2007
    249. J
    250. F
    251. M
    252. A
    253. M
    254. J
    255. J
    256. A
    257. S
    258. O
    259. N
    260. D
    261. 2006
    262. J
    263. F
    264. M
    265. A
    266. M
    267. J
    268. J
    269. A
    270. S
    271. O
    272. N
    273. D