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Dia de Portugal

por João Távora, em 10.06.18

Bandeiras.jpg

A razão por que um monárquico não poderá ficar indiferente à invasão desregulada de migrantes no espaço europeu é porque a coroa será a primeira instituição a ressentir-se duma fragilização do tecido social das velhas nações, como comunidades de história e língua.

Foi isso que me chamou a atenção na esplêndida série “The Crown” da Netflix que relata a história do reinado de Isabel II, com a exibição de imagens do início da década de 50, das viagens da Família Real para passar o Natal em Sandringham, em que se vê o povo a acorrer em massa às plataformas das estações para acenar à passagem do comboio real. Este entusiamo, que emana da pátria profunda, só é possível por uma sólida identificação da população com os seus monarcas, na cumplicidade dos acontecimentos partilhados desde os confins da História.

De facto, as nações europeias vivem em cima de uma bomba relógio com o prenúncio de uma crise demográfica que só vem sendo mitigada através do escancaramento das fronteiras, uma estratégia que deve pouco ao altruísmo, mas antes à cegueira economicista da burocracia que nos governa. Assim, sem tempo para a aculturação das novas populações que à Europa afluem com costumes e línguas muito diferentes, as redes comunitárias vêem-se ameaçadas, relativizando-se o chão comum, promovendo-se a desconfiança e acicatando-se veleidades nacionalistas.

Ironicamente, Portugal, histórico palco de cruzamento de povos e culturas diferentes, onde sempre prevaleceu uma assinalável capacidade de assimilação, se não escapa à crise demográfica, vai estando imune à invasão massiva de migrantes que aflige outros países europeus. Mas não evita a agressividade da massificação cultural deste mundo globalizado, razão que deve motivar os monárquicos portugueses a concentrar esforços na defesa da nossa língua, património cultural e histórico. Porque só uma casa com identidade e carisma próprios está capacitada para bem receber novos hóspedes e visitantes. E se é verdade que temos de nos preparar com inteligência para essa luta pela afirmação identitária, em bom rigor temos razões para nos orgulharmos do Senhor Dom Duarte e da Família Real, que se vêm afirmando resolutos defensores dos mais perenes valores da portugalidade. Aqui, no extremo ocidental da Europa, e nos quatro cantos do Mundo.  

 

O meu editorial para o Correio Real nº 17 em distribuição em Junho. 



3 comentários

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De Isabel a 10.06.2018 às 02:03

Problema cujo desfeixo nos escapa completamente. Como se começa a dizer, vai depender da contenda entre os defensores da Europa liberal ( merkel, bce, fim das nações, mundialismo ) e os antes ditos euro cépticos, reacionários, nacionalistas, xenófobos, etc etc e agora chamados defensores da Europa iliberal ou das nações.
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De Luís Lavoura a 11.06.2018 às 15:06

vai estando imune à invasão massiva de migrantes

Discordo veementemente que se utilize o termo "invasão".

Ninguém invade ninguém. Da mesma forma que há centenas de milhares de portugueses que se instalaram em países estrangeiros - não os invadiram.

Um sexto da população do Luxemburgo é portuguesa. Um décimo da população do cantão de Genebra é portuguesa. Mas esses países não foram invadidos por portugueses.
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De Anónimo a 11.06.2018 às 15:43

É a terminologia bélica, que dá mais jeito ao João Távora.

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