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Dezassete...

por João Távora, em 28.04.19

...é este o número de Otelo Saraiva de Carvalho. Otelo e o seu grupo terrorista, FP-25 de Abril, assassinaram dezassete portugueses nos anos 80. Um bebé está entre as vítimas. Querem saber o seu nome? Nuno Dionísio, tinha quatro meses. Querem saber mais nomes dos outros dezasseis? Agostinho Ferreira, Diamantino Pereira, Gaspar Castelo-Branco. Querem saber o nome de baleados que sobreviveram? João Mesquita ou João Oliveira. Juízes, magistrados e polícias portugueses arriscaram a vida para prender Otelo. Pelo menos um polícia perdeu a vida. Querem saber o seu nome? Álvaro Militão, inspetor da PJ, que morreu durante uma perseguição a membros das FP-25, uma organização que funcionava como qualquer outra organização criminosa e terrorista: extorsão, roubo, assassínios à bala e bomba. Este rol de atrocidades não se passou lá fora ou no nosso passado remoto. Passou-se nos anos 80. Nuno Dionísio foi assassinado a 30 de abril de 1984. Este terror não pode ser esquecido, não pode ser branqueado. Não, Otelo não é uma espécie de avô cantigas da democracia. Aliás, Otelo lutou sempre contra a democracia. Quis destruí-la antes, durante e depois das primeiras eleições livres; quis destruí-la antes, durante e depois da primeira assembleia constituinte.

Este insalubre branqueamento das FP-25 de Abril não existe por acaso. É a consequência óbvia de duas exigências da corte mediática e política que nos apascenta. Primeira exigência: os fantasmas da esquerda não existem ou são notas de rodapé; um homem de esquerda não pode ser um assassino ou terrorista; a esquerda não tem pecado, a esquerda é pura, prístina, primordial, a esquerda é a virgem intocável, a nossa senhora laicizada; a esquerda não assassina, limpa; a esquerda não dispara sobre rótulas, a esquerda “ajoelha fascistas”.

 

(...) Se tivessem sido assassinadas por um grupo de extrema direita composto por “retornados” ou “católicos”, aquelas dezassete pessoas seriam hoje mártires nacionais. Como foram assassinados por um gangue de esquerda, as dezassete vítimas de Otelo não existem na foto da memória coletiva. Alguém queimou os seus rostos com a ponta do cigarro “progressista”.

 

Henrique Raposo no Expresso, a ler na integra aqui




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