Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Déjà vu

por henrique pereira dos santos, em 17.06.21

As normas da DGS para as festas familiares (para jantar com os meus filhos e netos, se quisesse seguir as recomendações, teria de ter toda a gente a ser testada) fazem-me lembrar uma história bem antiga.

Há já mesmo muitos anos, uma pessoa que conheço resolveu fazer uma coisa muito pouco habitual na altura, em Portugal: uma casa em madeira.

Todos os projectos entregues na câmara para licenciamento, veio tudo indeferido porque faltavam os cálculos do betão.

Reclamação a explicar que não havia betão na construção, que era em madeira, voltou a vir tudo indeferido porque faltavam os cálculos de betão, que eram uma peça essencial exigida para o licenciamento da obra.

Como a pessoa em causa era do meio do projecto, pediu a um colega de engenharia que lhe arranjasse uns cálculos de betão de uma casa. "Mas qual casa?", perguntou o outro. "Não interessa, uma qualquer que não seja muito grande".

Entregues os cálculos de betão, o processo da casa de madeira foi imediatamente deferido.

Esta maneira de sermos governados não é de agora, é como o brandy Constantino, tem uma fama, e um proveito, que vem de muito longe.

De resto, tenho uma experiência muito directa nisto no que diz respeito à legislação florestal, que é extensíssima e pormenorizadíssima - vem do tempo em que florestar era um desígnio de Estado, não uma actividade económica - mas como ninguém fiscaliza coisa nenhuma, e ninguém passa cartucho à legislação (com excepção dos operadores que são certificados, porque o cumprimento da legislação é o primeiro requisito da certificação), tudo se passa como se a legislação não existisse: os que a deviam cumprir estão-se nas tintas, os que a deviam fazer cumprir vivem noutro mundo.



18 comentários

Sem imagem de perfil

De Anónimo a 17.06.2021 às 10:02

começou mal, vai acabar pior
há demasiados funcionários públicos a falar para se ouvirem
Perfil Facebook

De Antonio Maria Lamas a 17.06.2021 às 10:03

Deliciosa história.
Infelizmente é uma situação comum do conflito entre a burocracia e a realidade, como ver um funcionário da câmara a regar o jardim de impermeável e debaixo de uma carga de água, mas como estava no planeamento a rega para esses dia, fez-se.
A DGS, há duas semanas , numa cerimónia religiosa ao ar livre, proibiu os fiéis de se ajoelharem !!!
Sem imagem de perfil

De balio a 17.06.2021 às 10:11


As normas da DGS para as festas familiares


Eu não sei com que designação e definição essas festas são referidas pela DGS, mas não se trata de festas familiares e sim de festas sociais.


Entendamo-nos, trata-se de festas para as quais se convida pessoas que não fazem parte da família próxima, aliás, em grande parte nem sequer da família fazem parte. Para um casamento os noivos convidam tipicamente os seus amigos, os quais não são pessoas das suas famílias.


Pretender confundir festas sociais com festas familiares é uma mistificação.
Sem imagem de perfil

De balio a 17.06.2021 às 10:15


Todos os projectos entregues na câmara para licenciamento, veio tudo indeferido porque faltavam os cálculos do betão.


E muito bem indeferido, porque a lei é para se cumprir - vivemos num Estado de Direito, não é? - e portanto, se a lei diz que tem que haver cálculo de betão, então tem que haver mesmo.
Sem imagem de perfil

De balio a 17.06.2021 às 10:34


As normas da DGS para as festas familiares (para jantar com os meus filhos e netos, se quisesse seguir as recomendações, teria de ter toda a gente a ser testada)



Dei-me ao trabalho de ir ver um comunicado do Ministério da Saúde sobre o assunto.


https://covid19.min-saude.pt/testes-recomendados-em-contexto-laboral-casamentos-batizados-e-eventos-culturais-e-desportivos/


Reza assim


"Esta norma recomenda a realização de rastreios laboratoriais em eventos familiares, designadamente casamentos e batizados, bem como quaisquer outras celebrações similares, com reunião de pessoas fora do agregado familiar, aos profissionais e participantes sempre que o número de participantes seja superior a 10."



Ou seja, (1) trata-se de uma recomendação, não de uma lei, (2) os eventos relevantes são aqueles que incluam pessoas de fora do agregado familiar, e não as reuniões com filhos e netos, (3) as recomendações (que não são leis e, portanto, não são obrigatórias) são para tomar em conta somente quando haja mais de dez participantes no evento.
Sem imagem de perfil

De The Mole a 17.06.2021 às 13:01


(1) Não é costume os "filhos" (já Pais) e netos fazerem parte do agregado familiar (dos "Avós", neste caso).

(2) Dez pessoas, em muitos casos é muito pouco. Em famílias de 8 ou 9 ou mais pessoas - que as há - basta ter UM convidado para ser já um "evento" (!)
(3) As recomendações, como se tem visto, rapidamente se tornem em obrigações - sobretudo se houver hipóteses de recolher uns € de multas.
Imagem de perfil

De henrique pereira dos santos a 17.06.2021 às 15:03

Luis,
Os meus filhos e netos não fazem parte do meu agregado familiar;
As recomendações são recomendações, mas a lei manda cumprir as recomendações sob pena de crime de desobediência.
Que um liberal como tu defenda este tipo de abusos do Estado é uma coisa que sempre me espantará
Sem imagem de perfil

De balio a 17.06.2021 às 15:15


Eu não defendo este tipo de abusos. Apenas afirmo que pessoas privadas, com o Henrique e eu, não têm que cumprir nada disto, uma vez que são coisas que se aplicam somente em festas sociais e não em festas familiares, e uma vez que se trata somente de recomendações. Estas normas apenas têm força de lei para empresas que se dedicam à produção de festas sociais (casamentos e batizados, etc) nas quais participam (tipicamente muitas dezenas ou até centenas de) pessoas de diversas famílias.
É exatamente como as máscaras na rua, que nem o Henrique nem eu usamos, dado que, embora seja uma norma, de facto só é aplicável em casos raros.
Imagem de perfil

De henrique pereira dos santos a 17.06.2021 às 16:44

Dizes tu, não dizem nem o que está escrito e muito menos o que é a interpretação do polícia que resolver chatear
Sem imagem de perfil

De Carlos Sousa a 17.06.2021 às 10:52

Se o número de infectados está a subir a culpa é das pessoas.
Mas se o número de infectados que está a subir é de pessoas que já tomaram a vacina, a culpa é de quem?
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 18.06.2021 às 00:35

Dos que ainda não foram vacinados e vão para a borga no Bairro Alto?
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 17.06.2021 às 11:00

"com excepção dos operadores que são certificados, porque o cumprimento da legislação é o primeiro requisito da certificação" Já vendeu, comprou ou produziu madeira certificada ou não certificada? No mínimo, tem alguém de sua inteira confiança que compre, por ex., eucaliptais "certificados"? Comentar pelo que lhe dizem ou ouve dizer não é a melhor forma de espalhar a verdade.  

Sem imagem de perfil

De Anónimo a 17.06.2021 às 13:17

Ah, que saudades do balio e dos seus comentários a defender o status quo. Bem haja. 
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 17.06.2021 às 15:18

Quem me dera saber arquitectar assim um textozinho...
O sr.Arquitecto era a peça que faltava, hoje, no "Fronteiras XXI"... , sobre a Floresta. Estava gente boa, mas havia lá um senhor que seria engenheiro florestal, que se balançava no seu cadeirão articulado, parecia as senhoras quando estão á espera de vez, na cabeleireira, sempre a pensar- "que seca do caneco..." - devia estar morto por cavar dali. Parece-me que não gosta de investir no "monte"...
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 17.06.2021 às 22:05

É sabido que leis nesta terra são meras sugestões. Existem para "inglês ver" e nada se cumpre porque nada se controla e fiscaliza (excepto a caça à multa no tráfego rodoviário).

Comentar post


Pág. 1/2



Corta-fitas

Inaugurações, implosões, panegíricos e vitupérios.

Contacte-nos: bloguecortafitas(arroba)gmail.com




Notícias

A Batalha
D. Notícias
D. Económico
Expresso
iOnline
J. Negócios
TVI24
JornalEconómico
Global
Público
SIC-Notícias
TSF
Observador

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Comentários recentes

  • Anónimo

    "Mesmo quando se fala da guerra colonial (para os ...

  • Anónimo

    Que bem dito!

  • Anónimo

    (cont.)"havia rumores de fuzilamentos sumários; um...

  • Anónimo

    (cont.)Ainda assim, nos primeiros momentos a eufor...

  • Anónimo

    (cont.)Do lado de cá, em Portugal, sabemos como fo...


Links

Muito nossos

  •  
  •  
  • Outros blogs

  •  
  • Links úteis


    Arquivo

    1. 2021
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2020
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2019
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2018
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2017
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2016
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2015
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2014
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2013
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2012
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2011
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2010
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D
    157. 2009
    158. J
    159. F
    160. M
    161. A
    162. M
    163. J
    164. J
    165. A
    166. S
    167. O
    168. N
    169. D
    170. 2008
    171. J
    172. F
    173. M
    174. A
    175. M
    176. J
    177. J
    178. A
    179. S
    180. O
    181. N
    182. D
    183. 2007
    184. J
    185. F
    186. M
    187. A
    188. M
    189. J
    190. J
    191. A
    192. S
    193. O
    194. N
    195. D
    196. 2006
    197. J
    198. F
    199. M
    200. A
    201. M
    202. J
    203. J
    204. A
    205. S
    206. O
    207. N
    208. D