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Deixem o interior em paz

por henrique pereira dos santos, em 08.06.18

Penso que terá sido a Frederico Lucas que ouvi, ou li, a frase que usei para título do post e lembrei-me dela a propósito de um colóquio cuja organização é da Montis, uma associação de sou presidente.

Na verdade não foi apenas a propósito desse colóquio, mas também da sessão sobre empreendedorismo a que fui falar no dia 5 de Junho, em Vila de Rei.

Há muitas pessoas a achar que se deve discriminar positivamente o interior (não vou discutir o conceito de interior, que me parece razoavelmente absurdo e que só uso aqui por facilidade de comunicação) e eu confesso que não vejo a menor utilidade social em investir milhões em economias ineficientes, dar benefícios fiscais para sustentar empresas não competitivas, e por aí fora.

Quer isto dizer que não vejo utilidade social em ter uma gestão de áreas marginais socialmente mais útil que a que fazemos agora e que rejeito qualquer papel do Estado nessa melhoria? Não, não quer dizer isso, quer apenas dizer que não é atirando dinheiro para cima de um problema que ele desaparece (ele, o problema, o dinheiro de maneira geral desaparece mesmo).

E foi ao pensar nessa sessão sobre empreendedorismo, em que alguns (não todos, sejamos justos) dos presentes se achavam no direito de ser pagos para viverem no interior, que olhei para o programa do colóquio e no seu efeito nos agentes económicos e sociais da região em que ocorre, e me lembrei da frase do título.

Não há razão nenhuma para beneficiar os residentes no interior: têm uma qualidade de vida melhor, têm casas mais baratas, têm acesso a melhor alimentação e mais barata, se quiserem, têm um acesso a boa parte dos serviços públicos que é muito melhor que os que vivem nas maiores cidades, e têm, também, outras coisas em que os habitantes das grandes cidades estão mais bem servidos.

No essencial, estamos ela por ela.

Há menos emprego, é certo, mas isso é uma questão menor: ou há razão para supôr que deve haver mais gente nos territórios de baixa densidade, e é preciso explicar que razão é essa, ou não há, como penso que não há, e a gente que lá está é o que é, nem bom, nem mau.

O que é um problema é o facto de haver uma gestão do território modelada pelo abandono, que tem efeitos positivos (os nossos sistemas naturais estão em franca evolução positiva) mas tem grandes efeitos negativos, quer na produção de riqueza (o risco de fogo diminui muito a competitividade de várias actividades económicas), quer nos custos sociais em mortes, destruição de infra-estruturas, diminuição da amenidade do território, etc..

Isso não se resolve com mais gente, resolve-se com mais gestão, o que não é a mesma coisa.

É aqui que entra o tal colóquio: o tema é exactamente a gestão da transição dos matos para os carvalhais, aumentando a diversidade e utilidade social dos territórios, e os palestrantes são do melhor do país nas suas áreas de trabalho: Carlos Aguiar é seguramente dos melhores botânicos e ecólogos que temos, António Salgueiro das pessoas que melhor usam o fogo controlado, Aldo Freitas é reconhecidamente do melhor que se encontra no uso da engenharia natural, Avelino Rego tem um trabalho notável de gestão do baldio de Alvadia com gado e a Mossy Earth é uma boa ilustração de como uma start up internacional se pode interessar pelo assunto e trazer recursos para a gestão.

Dir-se-ia que as pessoas que estão no tal interior e que reclamam recursos de terceiros para fazer não sei que benefícios sociais para todos, estariam interessadas em discutir o assunto, ver o que poderiam eles próprios fazer pela gestão do território em que vivem, etc..

Não, não é assim: uma boa parte destas pessoas especializaram-se em fundos europeus e projectos de financiamento, a sua verdadeira actividade (as autarquias são exímias nisso) é a captação de recursos de terceiros para manter em funcionamento uma economia e uma sociedade que reclama o direito divino a viver onde está, sustentada por terceiros.

E é aqui que está o busílis da questão: do que o interior precisa (e até tem em muitos exemplos, a que infelizmente o "interior" dá pouca atenção) é de pessoas que se especializem em contar consigo próprias, que inventem soluções sustentáveis para a sua vida.

Mas para quê fazer este esforço, para quê meter-se nesse caminho de pedras, incerto, trabalhoso, quando é tão fácil reclamar mais e mais estatuto de excepção que canalize recursos de terceiros para as regiões?

Do que o "interior" precisa é de menos paternalismo de quem lá não está, e menos choraminguice de quem está.

Do que o interior precisa é de pessoas que saibam e, sobretudo, queiram, fazer empresas competitivas que não têm medo de vender em qualquer parte do mundo, não é de apoios a modos de produção e gestão que, objectivamente, prolongam uma agonia económica que se justifica com mitos sobre o passado e sobre as injustiças do passado a que o "interior" foi sujeito.



31 comentários

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De Kruzes Kanhoto a 08.06.2018 às 21:57

O que o interior precisa é de menos investimento no litoral.
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De João Espinho a 09.06.2018 às 20:02

  Concordo com o KK
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De Anónimo a 09.06.2018 às 08:46

As gentes do interior têm uma vida melhor, mais barata, mais saudável, etc. etc. e, imagine-se, até com melhores serviços públicos. Henrique, você parece o Jacinto da Cidade e as Serras. Faltou-lhe falar no arrozinho com favas. ;) Tanto paternalismo  Não quer então explicar o paradoxo de, apesar disso tudo, o interior se estar a desertificar?  E está a dizer que o interior precisa de menos choraminguice? Esta é já a parte da arrogância. 
O que você não percebe é que em lugar nenhum do mundo um empresário investe se não houver Estado, infraestruturas públicas, serviços públicos, investimento do Estado, seja aqui, seja nos Estados Unidos. Isso do aventureirismo, de gente que investe porque gosta de arriscar, era no tempo das descobertas, em que os pobres diabos iam nos barcos dos capitães, porque já não tinham nada na terra deles e queriam ir ver se apanhavam um bocado de ouro lá na selva.
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De Henrique Pereira Dos Santos a 09.06.2018 às 14:35

O interior perde pessoas porque produz pouco e, logo, há pouco emprego, não vejo qual é a sua questão. As pessoas escolhem viver onde podem ganhar a vida, não é onde existe melhor qualidade de vida.
O resto não percebi porque se há sítio em que o Estado está presente é no "interior", aliás um dos problemas é esse, é o emprego depender quase todo do Estado e da segurança social porque não há riqueza a ser produzida.
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De João Espinho a 09.06.2018 às 23:57

O interior produz pouco? Já viu quanto é que o Alentejo contribuiu para o PIB em 2017? ( e pode retirar o Alentejo litoral/Refinaria de Sines)  Desinformação.
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De henrique pereira dos santos a 10.06.2018 às 10:04


Sem retirar o Alentejo Litoral, que inclui Sines, por exemplo, todo o Alentejo representa 6,6% do PIB, que é produzido num terço do território.
Agora que já respondi à sua pergunta, qual é exactamente a desinformação de que se queixa?
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De Anónimo a 10.06.2018 às 00:12


Nao, o estado está presente é em Lisboa, onde existem mais funcionários públicos por metro quadrado do que no resto do país e investimento do Estado nem se fala. Há muita gente com bons salários e reformas do Estado, Henrique, mas nao é tanto no interior...
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De Anónimo a 09.06.2018 às 11:40

Do que o Interior precisa é isto que se diz aqui e também que os nossos governantes sejam rectos - se lembrem de distribuir pelo "Interior" também...
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De João Espinho a 09.06.2018 às 19:59

Vou reflectir. Vivo em Beja, cidade do sul e do interior sul, seja lá isso que for.
Convido-o a vir aqui passar 1 (um) mês, para lhe provar que: 
1 - Não temos  uma qualidade de vida melhor;
2 - Não temos  casas mais baratas;
3 - Não temos acesso a melhor alimentação e mais barata (esta deixou-me de boca aberta);
4 - Não temos acesso a boa parte dos serviços públicos. Posso adiantar-lhe que a maior parte dos serviços fugiu daqui. 

Aconselho-o a vir
a) de carro, para perceber o que é não ter boas vias de acesso  (sabia que Beja é a única capital de distrito que não é servida por autoestrada?);
b) de comboio, onde poderá experimentar uma das mais impressionantes viagens em automotora dos anos 1960, sem garantia de chegar ao destino (poderá ter que fazer um transbordo para autocarro da RN ou táxi), sem climatização (já ouviu falar do calor que aqui faz no Verão?) e sem as mínimas condições de uma circulação segura.
c) de avião, onde tem uma coisa a que chamam "aeroporto", mas a que teimam em não  dar asas para voar...
Aconselho-o a vir cheio de saúde, pois aqui o Hospital não lhe pode garantir uma assistência  digna desse nome: Faltam-lhe muitas valências, talvez por ser um Hospital do interior.
Venha, será bem recebido, pois nisso, em hospitalidade, nós, alentejanos do baixo, somos imbatíveis.
Fico à espera do seu contacto. Pode ser que se arranje um quarto num dos poucos hotéis existentes.
A açorda de coentros, essa, está garantida.  Acompanhada de uma moda alentejana.
Cá o espero, caro HPS.
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De Henrique Pereira Dos Santos a 09.06.2018 às 23:44

Típica resposta de quem acha que as pessoas que pensam de maneira diferente é porque não têm informação.
O que o faz pensar que eu não sei quais são as condições de vida em Beja?
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De João Espinho a 09.06.2018 às 23:51

Vou reler o que escreveu. Desta vez em voz alta.  Pode ser que, nas entrelinhas, esteja aquilo que pensa, mas não escreveu. 
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De Anónimo a 10.06.2018 às 12:29


Joao Espinho, confesso que estou muito interessado na continuaçao deste teatro cómico de um lisboeta a convencer um bejense de que Beja tem uma excelente qualidade de vida.
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De João Espinho a 10.06.2018 às 14:50

Não vale a pena discutir quando do outro lado está alguém que diz que não disse o que escreveu. Não tenho paciência para tal.
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De Henrique Pereira Dos Santos a 10.06.2018 às 15:16

O que é que eu disse que não disse?
E já agora, vai explicar a sua afirmação de que o Alentejo produz muito quando num terço do território produz 6,6% do PIB ou prefere andar nestes jogos florais?
Quer comparar o preço das casas em Beja e Lisboa?
Quais são os serviços públicos a que não tem acesso?
São as duas únicas afirmações concretas e verificáveis que fez e, curiosamente, fundamentou-as tanto como a história da percentagem do PIB produzida no Alentejo.
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De João Espinho a 10.06.2018 às 15:38

Comparar Beja com Lisboa é como comparar o olho do cu com a Feira de Castro (não se ofenda, é uma expressão muito característica desta região.) Quanto ao resto, já deixei um comentário a convidá-lo a vir aqui passar um mês. E também já disse que não tenho paciência para discutir com quem desconhece a realidade de Beja.  Mantenha-se na sua que eu por aqui vou ficando  (no gerúndio)
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De Henrique Pereira Dos Santos a 10.06.2018 às 18:00


Muito obrigado pela sua demonstração das fragilidades criadas pela cultura de calimero que se instalou no interior.
Ficou muito enxofrado com meia dúzia de coisas absolutamente factuais, fez meia dúzia de afirmações falsas e outras que não sendo falsas tinham implícita informação falsa, e de cada vez que eu trago números e factos concretos desconversa.
É exactamente essa atitude dominante no interior, e que rende imensos votos a quem decidir repeti-la em campanha (essencialmente, dizer que o interior é muito rico e se isso não se nota é apenas por ser mal tratado pelo resto do mundo), que tem constituído um forte travão à emergência daquilo que o interior mais precisa: criação de riqueza contando com o resto do mundo como destino e não como o mal de que temos de nos defender.
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De henrique pereira dos santos a 10.06.2018 às 15:21

Em meia dúzia de minutos procurei casas até 60 mil euros numa imobiliária, em Bela e Lisboa.
Em Beja há 152, em Lisboa há 4.
Se preferir, posso procurar casas que custam mais de um milhão de euros em Beja e Lisboa, mas parece-me menos relevante para a discussão.
Tem mesmo a certeza que quer continuar a fazer afirmações não fundamentadas à espera que eu não saiba verificar a informação?
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De Anónimo a 11.06.2018 às 13:50

Casas em Beja por 60.000€? Beja- distrito? Na cidade de Beja encontra casas a 60.000€? Em que condições? Localizadas onde? Pode ver o valor do aluguer de um apartamento na cidade? Fazer um estudo mais exaustivo...
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De G. E. a 10.06.2018 às 20:06

João Espinho, não sei onde foi buscar a ideia de que Beja é a única capital de distrito que não é servida por auto-estrada. Experimente ir até Portalegre de auto-estrada e depois diga-me qual o trajecto que seguiu, que eu também gostava de saber :)
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De João Espinho a 10.06.2018 às 22:43

Fui induzido em erro.
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De João Espinho a 10.06.2018 às 22:50

Já agora, quantos km  são de Portalegre ao primeiro nó de AE? Aqui são 60km em estrada que está num péssimo estado.
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De G. E. a 11.06.2018 às 00:02

De Beja ao nó da A2 não são 60 km.
São 44 km se for apanhar o nó de Aljustrel ou então 52 km se for pelo IP8 até Santa Margarida do Sado.


De Portalegre até à auto-estrada são 51 km se for apanhar a A23 no nó de Gardete e 62 km se for apanhar a A6 no nó de Estremoz.
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De Anónimo a 10.06.2018 às 23:18

Henrique, o Joao já abandonou por falta de pachorra, mas eu ainda continuo interessado na sua demomstraçao de que Beja tem mais qualidade de vida, melhor alimentaçao e mais barata e melhores serviços públicos, saúde, educaçao, transportes, acessos, etc. Quanto ao preço da habitaçao, deve ter razao. É essa Uma Grande vantagem de Beja? Homem, eu estou interessado em trazer gente de valor para a minha terra e posso indicar-lhe Uma vivenda com quintal que está aqui à venda por 50 mil euros, negociável.
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De henrique pereira dos santos a 11.06.2018 às 00:23

Agradeço que não ponha na minha boca o que eu não disse: seria absolutamente estúpido dizer que Beja tem melhores transportes que Lisboa, mas as pessoas em Beja reivindicam a alteração do actual modelo de transporte público, caro, ineficaz e que não serve em especial os mais pobres e mais velhos, para um modelo de transporte a pedido, ou reivindicam melhores comboios para andarem cheios de ausentes?
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De Anónimo a 11.06.2018 às 11:00

Acabou aqui, da minha parte, este tema, bem como o outro, o da famosa lenda do Forno de Jales. 
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De Anónimo a 11.06.2018 às 14:02

O desemprego é um mal menor? Com que então no "interior" as pessoas têm de ter "outra visão"... Em Lisboa, no Porto, em Aveiro, todos os habitantes são empreendedores? São "visionários"? 
Tem de estudar "in loco" antes de escrever o que escreveu e perceber a real realidade do "interior" de Portugal... quanto à habitação, porquê comparar Lisboa e Porto a Beja se podemos comparar Braga, Maia, Gaia...
Fica então feito mais um convite para viver em Beja durante uns tempos e perceber o que aqui se passa... passo a informar que morei muitos anos no Porto e por motivos profissionais fui "obrigado" a mudar-me para Beja... sei das duas realidades...
Já agora... não faça muitas contas de PIB e afins... dois indivíduos têm um frango para comer... só um deles o come... em termos estatísticos cada um teve direito a meio frango....
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De Henrique Pereira Dos Santos a 11.06.2018 às 16:07

Mas alguém disse que o desemprego é um mal menor? Já vivi em Évora, em Bragança, em Braga, em Arcos de Valdevez, nas Caldas da Rainha, em Rio Maior, trabalhei toda a vida sobre territórios de baixa densidade e marginais, fiz um doutoramento sobre a evolução da paisagem rural ao longo do século XX, escrevi três livros sobre o assunto e agora tenho de ir viver para Beja para saber o que é o interior?

Mas não se enxergam mesmo? Ainda não perceberam que não é com parvoíces sobre meios frangos que se contestam os números do PIB?
Tem alguma dúvida que há, proporcionalmente, muito mais gente a viver do Estado e da Segurança Social em Beja que em Lisboa, Porto, Braga, Maia?
Porque são piores ou incapazes? Não, evidentemente, é porque é muito mais difícil criar riqueza em Beja que tem cerca de 35 mil habitantes e uma envolvente de baixíssima densidade populacional que em Braga que tem 135 mil habitantes e uma envolvente de elevada densidade populacional.
É exactamente porque é muito mais difícil criar riqueza em Beja que é preciso contar menos com as migalhas que os outros deixam e contar mais com a capacidade das pessoas criarem riqueza com as circunstâncias que têm, em vez de perderem o seu tempo a tentar demonstrar que são umas vítimas que mereciam melhor tratamento.
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De Anónimo a 12.06.2018 às 08:49

"Há menos emprego, é certo, mas isso é uma questão menor..." são palavras suas!

Quanto às pessoas que vivem da Segurança Social e de ajuda do Estado, vamos voltar à "história do frango"... falou em "...proporcionalmente...", tal como lhe disse, vivi no Porto e sei bem da realidade e quantas pessoas vivem do "rendimento mínimo" a morar em bairros sociais e sem vontade de trabalhar... no "interior" será assim? Claro que não... basicamente ajudas são para as minorias étnicas e para a agricultura... e não é preciso tirar nenhum curso superior para lhe demonstrar isso!!! 
Aqui no "interior" a "malta" queixa-se de uma falta de proporcionalidade de ajudas e de oportunidades... 
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De henrique pereira dos santos a 12.06.2018 às 17:07

Portanto, para si, dizer que haver menos emprego é um mal menor (no contexto em que é dito) é o mesmo que dizer que o desemprego é um mal menor.

Sabe que pode haver muito, muito menos emprego e, também, menos desemprego?
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De Anónimo a 12.06.2018 às 20:40

A sua última frase mostra alguma presunção e um certo "nariz empinado" de senhor doutor que não me agrada... se não há tanto emprego será normal haver mais desemprego... 
Venha conhecer a realidade de Beja e de outras cidades "grandes" do interior de Portugal... todos os estudos que possa ter não vencem algo que é a realidade e mais uma vez lhe garanto que não conhece a realidade!
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De henrique pereira dos santos a 13.06.2018 às 07:44


Haver ou não emprego depende da riqueza produzida e do trabalho necessário para a produzir.
Haver ou não desemprego depende de haver pessoas que vivem num sítio e que não têm trabalho.
Por exemplo, no deserto do Saara não existe grande emprego, mas também não existe grande desemprego porque não está lá ninguém.
O que a minha frase, que tirou do contexto, diz é que ter ou não gente no interior (ou noutro lado qualquer) não é bom nem mau em si mesmo, já não ter gestão do território tem efeitos que podem ter efeitos positivos e negativos, não havendo relação directa entre gestão e emprego no sentido de que eu posso aumentar a gestão e diminuir o trabalho humano necessário se, por exemplo, comprar máquinas que fazem mais com menos gente.
O fundamental, para as pessoas, é que as pessoas que estão vivam bem e é claríssimo que para haver mais pessoas num determinado sítio o factor chave é haver ou não emprego, não é estradas, ou piscinas, ou rotundas, ou quartéis de bombeiros, etc..
Eu até acredito que não conheça a realidade, mas convenhamos que para me convencer de que não sei do que estou a falar é preciso um bocadinho mais que dizer-me que o senhor é que sabe e de cada vez que apresenta argumentos não sai de coisas absurdas como contestar que a produção de riqueza no Alentejo é baixíssima, tal como outras pessoas fazem afirmações delirantes como a de que a habitação não é mais barata nesses sítios que no litoral (para lhe dar o exemplo, sendo eu presidente de uma associação que tem sede em Vouzela, e precisando de alugar uma casa, alugámos rapidamente uma casa por um preço que em Lisboa, Braga, ou Aljezur seria pura e simplesmente impossível de encontrar).
Portanto agradeço muito que queira ensinar-me para evitar que eu diga asneiras no que escrevo, ou que pelo menos diminua, mas tem de usar argumentos um bocadinho mais fortes que "eu é que sei", tem de falar de coisas concretas que possam ser verificadas porque até agora, nada, na típica atitude reacionária de que ninguém pode olhar para o meu mundo porque só eu é que sei do meu mundo, mas têm de me dar condições para eu fazer um mundo fantástico porque se me derem condições Beja será o centro do mundo.

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