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Deixem arder, por favor

por henrique pereira dos santos, em 22.12.18

A confirmarem-se as previsões que vejo hoje, e a ser certa a interpretação que faço do que vejo (o que está longe de ser seguro, não é uma área de que perceba muito), suspeito que entre o Natal e o Ano Novo haverá bastante área a ser objecto de queimadas.

A questão do post não é se esta previsão tem boas ou más probabilidades de estar certa, mas o apelo que faço agora e que é válido para qualquer altura em que as condições sejam razoáveis para queimar no Inverno: por favor, senhores da protecção civil, senhores comandantes dos bombeiros, senhores autarcas, senhores do ICNF, senhores jornalistas e senhores decisores, deixem arder, não corram a apagar estes fogos.

A menos que exista risco real, imediato e concreto de afectação de pessoas, infraestruturas, edifícios ou povoamentos florestais cujo valor social ou económico seja diminuído por estes fogos, deixem arder, controlem só o desenvolvimento da queimada, avaliem friamente a evolução que é possível esperar da queimada, para proteger os valores citados mas, na medida do razoável, deixem arder.

Arder agora, nas condições que se prevê que existam entre o Natal e o Ano Novo, é contribuir para os 50 mil hectares anuais de fogo controlado (é verdade que estas queimadas não são um fogo controlado, mas funcionalmente são muito semelhantes e desempenham o mesmo papel) que o Plano Nacional de Fogo Controlado tem como objectivo e, de forma mais substancial, é contribuir para uma gestão de combustíveis que nos permita ganhar controlo sobre o fogo, diminuindo o risco dos dias de meteorologia extrema que existem quase sempre no Verão.

E, ao Governo, talvez não seja pedir muito pedir que se deixe do discurso do Portugal sem fogos e passe a um discurso em que claramente se explique que as opções não são entre arder ou não arder, as opções são entre arder agora, de forma serena, sem efeitos relevantes sobre o solo e a biodiversidade, em mosaicos na paisagem, ou arder violentamente no Verão, de forma contínua e intensa, calcinando tudo pelo caminho e degradando o solo e toda a vida que contém, quando está de boa saúde.

Arder agora é uma vacina que a paisagem toma para evitar a doença no Verão.



3 comentários

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De Tiro ao Alvo a 24.12.2018 às 14:38

Difícil é descobrir as coisas simples. Os nossos governantes não vão acreditar no que o Henrique defende: é simples de mais para a (in)capacidade deles. 
Boas-Festas é o que lhe desejo.
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De Luís Lavoura a 26.12.2018 às 16:22

A menos que exista risco real, imediato e concreto de afectação de pessoas, infraestruturas, edifícios ou povoamentos florestais cujo valor social ou económico seja diminuído por estes fogos, deixem arder

Este conselho do Henrique faz todo o sentido, mas é muito difícil de aplicar na prática. Pois, como se diferencia um "povoamento florestal de valor social ou económico" de um outro que não tenha valor? Pois que, para o seu proprietário, qualquer povoamento florestal, por rasca que seja, terá usualmente valor! E como poderá um proprietário admitir que os bombeiros assistam, sem nada fazer, à sua (dele, proprietário) propriedade a arder, a sua propriedade que tanto valor tem, enquanto que tudo farão, mais tarde, para preservar uma outra propriedade de um outro proprietário qualquer? Nenhum proprietário tolerará tal coisa!

Para que este conselho do Henrique seja passado à prática, terá que haver uma definição concreta e objetiva de quais os critérios que permitem definir que propriedades têm "valor social e económico" e devem ser preservadas do fogo, por oposição às propriedades que não têm tal valor e podem ser deixadas arder. Não deverá ser fácil e incontroverso elaborar tais critérios...
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De Henrique Pereira Dos Santos a 26.12.2018 às 19:54

Se houver povoamento, combate-se, parece-me simples.

Se não houver povoamento, deixa-se arder.

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