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Dar a volta aos livros, ou Book in Loop:

por Vasco Lobo Xavier, em 27.01.16

Quem tem olhos para ver o que se está a passar neste país e para avaliar os políticos que o têm dirigido só pode sentir-se desmoralizado e descrente no futuro. No futuro do país, no dos próprios filhos e dos filhos dos outros. Uma pessoa pergunta-se se não deveria aconselhar as gerações seguintes a emigrarem de vez e voltarem cá apenas de quando em quando para uma visita aos velhotes que os educaram ou para saborearem um arrozinho de tomate à séria, com um peixinho fresco decente (se ainda existirem pescadores). E, acaso não aceitem o conselho, perguntamo-nos se não os deveremos obrigar à força à emigração, a fugirem deste país maluco em que alguns imaginam que tudo lhes é devido, que o dinheiro do Estado não é dos contribuintes, ou que os impostos são coisa para aumentar todos os anos até nivelar toda a gente pelo limiar da pobreza. É triste.

 

Depois, um dia, assistimos à apresentação de um projecto inovador feita por um jovem, num programa informativo (Discurso Directo, TVI 24), e deparamo-nos com rapazes novos com gana e genica, com capacidade inventiva, vontade de inovar e de tentar melhorar a vida das pessoas deste país. Capazes de ultrapassar a burocracia política portuguesa (cujas verdadeiras intenções se não conseguem descortinar). Capazes de ajudar os outros. Por muito jovens que sejam. Como o João Bernardo Parreira, o Manuel Barata de Tovar e o José Pedro Moura, que criaram o Book in Loop. E aí voltamos a acreditar em Portugal, no futuro, no futuro do país e dos nossos jovens, e a pensar que talvez não se deva aconselhar os mais novos a fugir daqui. Pelo menos alguns.

 

Estou convencido de que este projecto ainda vai ter de enfrentar inúmeras dificuldades. Jurídicas, algumas, principalmente se o poder político continuar a preferir proteger alguns em detrimento de todos os outros e a baldar-se para as despesas das famílias. Ou se o Ministério da Educação continuar a privilegiar o negócio à Educação. O Ministério da Educação é o grande cliente das editoras, ainda que quem pague os livros pelo “cliente” sejam as famílias. Isto é uma evidência absoluta! Não nos podemos queixar das Editoras, que se limitam a fazer o seu negócio e com o maior lucro que conseguirem obter do Ministério da Educação, mas apenas queixar deste último e dos  políticos que nos têm gerido nos últimos quarenta anos e não mudam as coisas, quando bastava deixar de as mudar quase todos os anos.

 

Desejo a estes jovens que criaram o Book in Loop o melhor dos mundos. O melhor dos mundos em Portugal. A ver se Portugal tem futuro.

 

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