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Equilibradamente, alguém cita o seu próprio trabalho científico, mais que escrutinado internacionalmente pelas regras normais: "a estrutura florestal, incluindo a quantidade de combustível disponível para arder, é muito mais relevante q a composição do estrato arbóreo. Por isso é que pinheiro, eucalipto e sobreiro não se distinguem entre si, o que se distingue entre si são as variantes estruturais de aberto-alto, denso-fechado, etc. q se sobrepõem à espécie".
Muita gente de boa-fé e interessada em contribuir para uma gestão sensata e socialmente útil do fogo em Portugal retira ilações das conclusões citadas, a principal das quais é dizer que muito mais que a espécie arbórea dominante, é para a gestão dos povoamentos que interessa olhar com atenção.
Esse olhar com atenção pode suscitar inúmeras linhas de actuação e diferentes políticas, há quem defenda a remuneração dos serviços de ecossistema prestados pelos gestores do território (como eu), há quem tenha abordagens mais técnicas limitando-se a apontar as condições de boa gestão, mas sem se preocupar muito com custos e proveitos, há quem esteja convencido de que o que faz falta é legislação e repressão que obrigue os proprietários a fazer o que é sua responsabilidade social, enfim, há um conjunto muito largo de hipóteses para a definição de políticas, partindo dos mesmos factos, os que estão descritos no primeiro parágrafo.
E depois há o pensamento mágico.
Parte-se uma premissa (como Lysenko partiu da premissa de que a genética tinha de estar errada por ser contrária a princípios fundamentais do marxismo, conduzindo milhares de pessoas à fome e à morte), recusa-se qualquer discussão sobre a premissa, com base em argumentos do tipo "só não vê quem não quer" ou "quem diz isso é porque está a ser pago por eles" e coisas que tal, e desenvolve-se uma estratégia que permita proteger as conviccções do confronto com os factos.
A primeira fase consiste, normalmente, numa argumentação suave e amiga no sentido de que, ainda que seja verdade, não se pode dizer o que diz o primeiro parágrafo porque isso beneficia o eucalipto.
Se alguém argumenta que quando morrem 64 pessoas é demasiado mesquinho centrar-se na oportunidade que isso constitui para fazer avançar a agenda política relacionada com o controlo do eucalipto, rapidamente se passa a uma contra-argumentação agressiva e muito centrada em comentários pessoais.
O passo seguinte, porque os factos são o que são, é transformar o argumento inicial, que está no primeiro parágrafo (e que é irrefutável com conhecimento hoje existente) num argumento que seja facilmente contestável, fazendo equivaler o argumento inicial a um argumento conveniente: "arde tudo igual, as espécies ardem todas da mesma maneira". É tentador porque parece uma mera simplificação do que está dito no primeiro parágrafo, mas é uma grosseira deturpação que permite assacar a terceiros um argumento totalmente errado e facilmente contestado através da demonstração de que as espécies não ardem de forma igual.
A partir daí o Céu é o limite na argumentação, podendo facilmente chegar onde se quer: "Quantitativamente o mato é mais importante que a espécie arbórea directriz...ok...e daí!? Sim há mais reacendimentos em floresta autóctone...e daí!? O que interessa é termos um território heterogéneo...bem ordenado com descontinuidades...e andamos apenas a vociferar que (quantitativamente) a culpa não é do Eucalipto...Quantitativamente n é...mas em termos de ordenamento é...e n é porque meia dúzia de eucaliptais abandonados desenvolvem giestais e medronhais que o" eucaliptal" eqt sistema florestal de produção é tão ou mais biodiverso ou tão ou menos fire prone".
Num passe de mágica passa-se de uma discussão racional sobre fogos, estruturada com base no método científico, para uma discussão sobre os efeitos globais da produção de eucalipto no território, estruturada num pensamento mágico e afirmações desconexas que visa usar o problema da gestão do fogo no avanço da agenda anti-eucalipto ou na agenda de um mítico paraíso de biodiversidade na terra cuja gestão ninguém tem de pagar.
Mediaticamente funciona na perfeição.
Mas no próximo fogo trágico, e ele virá, mais tarde ou mais cedo, não se esqueçam do que andaram a dizer e fazer e do esforço posto no desvio de atenções e recursos da verdadeira resolução do problema para fazer avançar a vossa agenda política.
As boas intenções sempre foram armas de destruição maciça quando a sua aplicação passou a ser mais importante que os seus efeitos reais sobre a vida concreta das pessoas comuns, em nome de amanhãs que cantariam eternamente.
Essa é a vossa responsabiilidade.
A que escolho é centrar-me nas melhores das soluções exequíveis para que as pessoas possam viver a sua vida com mais dignidade no sentido de que "não é senão essa alegria que vem de estar-se vivo e sabendo que nenhuma vez alguém está menos vivo ou sofre ou morre para que um só de vós resista um pouco mais à morte que é de todos e virá".
Se há coisa que recuso é reconhecer a superiodade moral de que se reivindicam os bem intencionados que preferem carvalhos a eucaliptos.
Primeiro por nisso nada nos distingue. Segundo porque não há nenhuma superioridade moral em proclamar boas intenções, mas sim em as praticar consequentemente.
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