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Da responsabilidade e do fogo

por henrique pereira dos santos, em 09.09.16

Neste video é clara uma situação de completa loucura em que alguns bombeiros se colocam numa situação em que não têm qualquer possibilidade de influenciar minimamente um fogo, mas têm uma forte probabilidade de diminuir drasticamente a sua esperança de vida.

Se quando um polícia mata um ladrão num assalto é objecto de investigação e pode ser responsabilizado por isso, se quando uma instrução de comandos corre mal os superiores hierárquicos podem ser responsabilizados por porem a vida de terceiros em risco, qual será a razão para que nunca se ponha a hipótese de responsabilizar criminalmente os comandantes de bombeiros que, por inconsciência ou incompetência na leitura do fogo, põem a vida de terceiro em risco, sem qualquer utilidade prática?

Não vale a pena dizer que o fogo é imprevisível: alguns dias antes de começarem as condições meteorológicas em que se verificam estas situações, o Laboratório de Fogos Florestais da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro publicou um post chamando a atenção para as características dos fogos que se iriam verificar com as condições meteorológicas previstas por volta de 6 de Setembro, pondo a tónica exactamente na elevada probabilidade de acontecer o que aqui aconteceu.

Note-se que havendo fogo posto na origem deste incêndio, o facto é que o fogo foi dado como em conclusão e os bombeiros tiveram três dias de condições meteorológicas favoráveis para fazer um rescaldo bem feito, o que se passou nestes últimos dias resulta de um reacendimento. Não há nenhuma responsabilidade a apurar sobre o rescaldo que foi feito de modo a saber se o reacendimento foi uma inevitabilidade ou o resultado de trabalho mal feito?

Compreendo que se fique fascinado com a coragem dos bombeiros em causa (pelo que percebi, não confirmei totalmente, três terão recebido tratamento por queimaduras) mas o que está aqui em causa não é a heroicidade de cada uma das pessoas envolvidas e sim o facto do pensamento mágico ter mais peso nas organizações que a racionalidade e o conhecimento que existe e pode ser mobilizado de forma socialmente útil.

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