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Da importância da abstenção

por João Távora, em 23.01.26

BoletimVoto.jpg

A elevada taxa de abstenção nas eleições presidenciais de 18 de Janeiro, que atingiu 48%, revela uma preocupante falta de adesão dos portugueses ao modelo de Chefia de Estado vigente. Acrescente-se ainda que mais de 3% dos votos foram brancos ou nulos, indicando que a maioria dos cidadãos não se sente representada por este sistema, onde o Chefe de Estado é tradicionalmente escolhido entre líderes partidários. Estes números não surgem do nada, reflectem uma tendência de distanciamento crescente entre eleitores e instituições políticas nacionais.

Pela minha parte estou vivamente empenhado que o número de votos brancos e nulos suba substancialmente na segunda volta, reforçando e explicitando essa posição passiva.

No entanto não coloco as expectativas demasiado altas, pois sei que demasiada gente vive inebriada na contenda eleitoral do próximo dia 8. É natural, pois há décadas que se habituaram ao nosso sistema político que tudo reduz a disputas sectárias entre “nós e eles”. Nasceram e cresceram na guerra fratricida entre “direita” vs “esquerda”, um jogo viciante que entre nós tudo envenena, um jogo fácil a que tantos portugueses reduzem a sua participação cívica nos destinos da Pátria, perpetuando a fractura social que desincentiva o envolvimento dos cidadãos nas causas públicas. Curiosamente, é nos países mais desenvolvidos, onde não se perde tempo com esta coisa de eleições presidenciais, que a população mais intervém, através dos organismos e instituições dos seus países. Por exemplo, na Suécia e na Noruega, onde não há eleições presidenciais, a participação cívica é incentivada por meio de conselhos locais e associações comunitárias, resultando em níveis de envolvimento superiores a 70% segundo dados da OCDE.

Talvez fosse conveniente promover debates públicos sobre modelos diferentes de Chefia de Estado e colocar à consideração popular reformas que permitam outra solução.

Torna-se necessário enviar um sinal, a coerência é um assunto importante.


13 comentários

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De anónimo a 23.01.2026 às 18:03

Exacto. Não interessa aos partidos (com a boca sempre cheia de "Democracia"), todos, "direita" e "esquerda", no poder ou não, alterar o actual sistema de votação, em Legislativas, que é exclusivamente via partidos.
Sem eleições uninominais com deputados escolhidos pelo eleitor, e não pelo partido, o exercício poder político não é uma Democracia, é uma triste partidocracia.
Na AR os representantes dos partidos defendem óbviamente. apenas. os interesses do seu partido. Basta assistir a um qualquer debate na AR
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De lucklucky a 23.01.2026 às 19:07


"Por exemplo, na Suécia e na Noruega, onde não há eleições presidenciais, a participação cívica é incentivada por meio de conselhos locais e associações comunitárias,"


Há mais.  As pessoas com propriedade em vários conselhos  e que lá pagam impostos sobre essa propriedade mas que lá não moram não deveriam votar localmente nesses conselhos também, mesmo que o seu voto local valesse menos que 1?

No taxation without representation!


Este é mais um exemplo de como a Overton window é quase toda de esquerda. Pensar fora da lógica da esquerda.
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De Anónimo a 23.01.2026 às 18:58

Pois.


Mas aposto consigo que nunca vai acontecer 
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De Figueiredo a 23.01.2026 às 19:37


O Partido Socialista, Bloco de Esquerda, Partido Iniciativa Liberal, Partido Livre, Partido Comunista Português, Partido Animais Pessoas Natureza, o dr. Luís Mendes, dr. Francisco Santos, drª Maria Graça, dr. Miguel Maduro, e outros, apoiam o dr. António Seguro para impedir o fim do Partido Chega, se o dr. André Ventura - que não quer ser presidente da República - for eleito o Chega acaba pois é um partido de um homem só.


Aqueles que apoiam o dr. António Seguro e a abstenção do Sr.º Primeiro-Ministro, Luís Esteves, e do dr. Pedro Coelho, é uma manobra política para impedir o fim do Partido Chega caso o dr. André Ventura seja eleito na 2ª volta das Presidenciais.


O Partido Chega é fundamental para os liberais/maçonaria conseguirem manter o regime e impedir as reformas que o País precisa de serem feitas.  
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De Anónimo a 23.01.2026 às 19:53

Votos em branco ou abstenção - não. Votos NULOS. Porquê? - porque nenhum
dos candidatos demonstrou representar o que esperamos de um PR. (mfm)
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De Octávio dos Santos a 23.01.2026 às 21:20

«Talvez fosse conveniente promover debates públicos sobre modelos diferentes de Chefia de Estado e colocar à consideração popular reformas que permitam outra solução.»


Boa ideia. Quando é que a Causa Real e/ou a Real Associação de Lisboa tratam de a concretizar?
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De João Távora a 23.01.2026 às 22:14

Ainda no passado dia 10 ocorreu um bom debate no Porto com a participação do presidente da Causa Real Nuno Pombo e a Aline Gallasch-Hall da direcção da RAL. Se em vez de se armar em esperto participasse na vida do Movimento e nas nossas actividades fazia melhor. 
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De Octávio dos Santos a 24.01.2026 às 00:25

Não tinha conhecimento desse debate no Porto, não vi nem recebi qualquer informação sobre ele. Mas ainda bem que aconteceu. Houve outros do mesmo tipo recentemente? Estão previstos mais num futuro próximo, em Lisboa e não só?


Quanto à - minha - participação «na vida do Movimento e nas nossas actividades», tal já teria ocorrido se tivessem existido manifestações de interesse e, porque não, convites directos nesse sentido. Porém, a julgar pelo tom... depreciativo da resposta ao meu comentário anterior, não é de prever que a situação venha a ser alterada.   
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De Anonimo a 24.01.2026 às 11:17

Chapeau, Joao Tavora.
A colocar a plebe republicana no seu devido lugar.
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De Silva a 24.01.2026 às 14:32

"Talvez fosse conveniente promover debates públicos sobre modelos diferentes de Chefia de Estado e colocar à consideração popular reformas que permitam outra solução.

Torna-se necessário enviar um sinal, a coerência é um assunto importante."

Colocar à consideração popular, por norma, nunca dá certo, pois significa que é passar a bola de especialistas e pseudo-especialistas inclusivé os demagogos e mentirosos para uma grande maioria de incultos e burros.

Independente do tipo de regime ou de chefia de Estado o que há a fazer é gastar menos do que se recebe e isso passa essencialmente, pela implementação, rápida e em força, de reformas estruturais, a começar, repito, a começar pela abolição do salário mínimo, liberalização dos despedimentos e abolição dos descontos seguindo-se outras reformas estruturais.


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De zazie a 25.01.2026 às 09:26

"Talvez fosse conveniente promover debates públicos sobre modelos diferentes de Chefia de Estado e colocar à consideração popular reformas que permitam outra solução.


Isso não implica a alteração da Constituição?
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De Anónimo a 25.01.2026 às 13:45

Mas não se pode exprimir a opinião livremente ? 


Não podem os cidadãos discutir eventuais melhorias no Governo ou a organização da Cidade


A Constituição não garante a Liberdade de Opinião, reunião e o que daí decorre ??
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De zazie a 26.01.2026 às 11:40

Esqueça. Se não entendeu, adiante, é problema seu na leitura. E dou por terminados todos os comentários.

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