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Cultura popular

por henrique pereira dos santos, em 25.05.23

Por causa do meu post anterior fartei-me de ouvir comentários sobre a minha falta de respeito pela cultura popular, o direito às pessoas manifestarem as suas alegrias e tristezas no espaço público e argumentações que tais.

Hoje, púrpuro acaso, leio Tiago Velhinha Pereira a dar-me o mote para a resposta sobre cultura popular que eu gostaria de dar.

"Todo o momento que ali estive só queria ter dito uma frase aquele senhor, que achei que é muito bom no que faz e claramente um excelente compositor, só que se esquece das pessoas e a frase que eu lhe queria dizer, era apenas:
-Quanto mais o ouço, mais percebo porque gravo pessoas e não música.
E mais uma vez fica provado a música portuguesa a gostar dela própria, com mais de 7000 vídeos gravados, mais de 1200 de cante Alentejano, com mais de 100 grupos corais gravados no Alentejo e fora dele, não grava música, grava pessoas. Humaniza práticas".

Esta é a questão central.

Uma coisa são as comunidades que se juntam para celebrar o seu chão comum, seja na festa da aldeia, no compasso pascal, no São João do Porto, nas dezenas de festas do 25 de Abril que existiam nos bairros periféricos de Évora no fim dos anos 70, princípios de 80.

Outra coisa é a junta da freguesia aqui ao lado pegar no dinheiro dos contribuintes, que coercivamente lhes é retirado - não confundir com o dinheiro que os mordomos das festas conseguiam juntar, com constribuições voluntárias da sua comunidade, para as fazer - e contratar Romana, Toy, Ágata, Quim Barreiros, Jorge Guerreiro, Ruth Marlena, Nel Monteiro e Belito Campos, para dar música aos munícipes todos, quer eles queiram, quer eles não queiram, entre 2 de Junho e 17 de Junho, a pretexto do padroeiro de Lisboa, uma parte do chão comum que entretanto se dissolveu, já que pouca gente hoje reconhece padroados, padroeiros e a cultura que os criou.

E este comentário não tem nenhuma relação com a depreciação deste conjunto de agentes culturais (sou um grande fã da Ágata e lembro sempre que Quim Barreiros tocou num disco de José Afonso, quando ouço comentários sobranceiros sobre as pessoas que se dedicam a este tipo de música), poderiam ter contratado a Orquestra de Câmara Portuguesa, um quinteto de jazz ou Manuel Mota, que os meus comentários seriam os mesmos: não cabe ao Estado organizar festas, muito menos a pretexto de que se está a apoiar a cultura popular, que se caracteriza exactamente pelo que representa na vida das comunidades, de forma independente do Estado e da formalização académica do que é, ou deixa de ser, cultura.

O futebol faz parte da cultura popular e é normal que as pessoas comemorem as suas alegrias e tristezas em comunidade, o que não faz sentido, para mim, é que se considere legítima a sobreposição de legitimidades que obrigue outras comunidades a prescindir das suas celebrações colectivas, com medo dos primeiros.

É extraordinário que as manifestações políticas tenham um acompanhamento do Estado para garantir que o direito à manifestação se faça com o mínimo de prejuízos para terceiros, que os organizadores de manifestações se empenhem em impedir comportamentos ilegítimos, quer com apelos prévios, quer montando um sistema de segurança próprio para garantir o mínimo de problemas nas manifestações, que no caso dos promotores mais radicais, cujo objectivo seja mesmo provocar problemas, o Estado responde com repressão, mas no caso do futebol se admita que não há nada a fazer, os clubes e as federações não têm nada com isso, é deixá-los à solta.

Se os promotores da Feira do Livro se sentem suficientemente intimidados com isso, que fechem as tendas, é só um dia, ninguém leva a mal.

Eu limitei-me a dizer que não é verdade que ninguém leve a mal, eu levo, e isso não tem nenhuma relação com a bonomia e compreensão perante a cultura popular, mas sim com a forma como o Estado desiste de defender o direito dos mais fracos, neste caso, os interessados na Feira do Livro, mas poderia ser de um torneio de sueca, usar legalmente o espaço público de forma segura e razoável.

Quer isto dizer que eu defendo que a polícia de choque deveria entrar pela multidão que vá ao Marquês no Sábado, à bastonada, para assegurar a ordem pública?

Não, quer dizer que há uma longa cultura social de convivência com comportamentos marginais associados ao futebol que leva a que neste momento não haja outra solução que não seja fechar as pessoas em casa para não correrem riscos, mas que o Estado deveria compreender que isso é um falhanço social que o deveria fazer olhar para o ano seguinte de forma diferente, não aceitando a fatalidade de haver bandos de desordeiros (não, não é a maioria dos que lá estarão, são os bandos de desordeiros que lá estarão) que definem o que se pode ou não fazer no espaço público, por umas horas, a pretexto de que o seu clube (partido, terra, região, igreja, seja o que for) ganhou um campeonato seja do que for.


37 comentários

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De balio a 25.05.2023 às 11:22


O post sugere, ou dá a entender, que aquilo que está em causa é que os adeptos do Benfica irão provocar desacatos, agredir pessoas, delapidar propriedade, enfim, e que portanto é preciso fechar a Feira do Livro, caso contrário os amantes de livros acabariam todos no hospital e os livros todos entornados com cerveja.
Ora, que eu saiba, não é isso que está em causa. Os adeptos do Benfica são na sua maior parte gente pacífica, que deseja ir para o Marquês festejar, gritar, dançar, confraternizar, e não propriamente agredir nem partir.
Trata-se simplesmente de uma questão de separar pessoas que têm intuitos diferentes. As pessoas que querem festejar ruidosamente não devem estar no mesmo espaço que as pessoas que querem, em sossego, examinar livros. Fecha-se a Feira do Livro, não porque se tema depredações, roubos, violações ou destruições, mas sim porque os frequentadores da Feira do Livro também não quererão estar no mesmo sítio onde estão pessoas a cantar, ouvir música e tocar cornetas.
Penso eu que é assim.
(Declaração de interesses: não tenho o menor interesse pessoal, nem na Feira do Livro nem na festa do Benfica. Não frequento nem uma nem a outra.)
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De henrique pereira dos santos a 25.05.2023 às 14:25

Se bem percebo o teu comentário, os responsáveis da feira do livro fecharam a feira porque os frequentadores da feira do livro não se querem misturar com os adeptos do benfica.
É um ponto de vista original.
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De G. Elias a 25.05.2023 às 15:39

balio basicamente isso corresponde a dizer que a cultura (neste caso de livros) se deve subalternizar ao futebol...


É por estas e por outras que eu costumo dizer que "Portugal é uma monarquia onde o futebol é o rei".
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De Anónimo a 26.05.2023 às 09:56

A lei do mais forte existe num lugar: na selva. Aí a força bruta tem preponderância.  
É essa forma de pensar e de agir que descamba, muitas vezes, em abusos de poder pelos que se sentem "empoderados" por serem em maior número.
São sinais dos tempos. 
Esta espécie de "lei da selva" insinua-se em muitos dos comportamentos (e em diversas áreas) das sociedades actuais e  sem recurso à violência explícita: basta que os mais fortes se julguem "legitimados" para  terem  precedência  sobre grupos minoritários, o que acabará por anular e desconsiderar as pretensões legítimas desses pequenos grupos sociais e submetê-los à sua força, que é a forma mais acabada de desvalorização e de supressão de direitos...  Como no-lo demonstram os dois exemplos aqui trazidos.

As sociedades civilizadas têm traços distintivos: põem no centro o bem comum, o respeito pelos outros e o seu igual "direito de cidade". As sociedades civilizadas não contemporizam com comportamentos que menosprezam o "chão comum" e desvalorizam o bom senso da cedência.


 Estão tramadas as sociedades que perdem de vista a sua organização interna e se esvaziam dos seus valores estruturantes. Não tardaria muito e o vazio seria preenchido por outra "cultura" que despercebidamente  se ia alastrando como uma mancha, em todas as direcções. Pequenos passos bastam  para se regressar à barbárie.  
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De Anonimo a 25.05.2023 às 14:32


A própria Feira do Livro é uma organização do Estado. Que usa e fecha espaço público. Qual a diferença para a CML organizar um concerto da Ágata?


Ultimamente Coimbra e Figueira da Foz tiveram espaços bloqueados à circulação, devido a eventos, e ninguém se chateou.



em relação à potencial festa do Glorioso, o Estado sabe que tais ajuntamentos vão acontecer (acontecem em tudo quanto é cidade após vitórias desportivas relevantes, seja Europa, USA ou América Latina), limitam-se a controlar o espaço de modo a que a festarola ocorra com danos mínimos. Já tive o "prazer" de apanhar uma dessas comemorações enquanto conduzia, prefiro 1000 vezes que a Polícia feche um espaço e o faça antecipadamente, do que mamar umas horas parado à espera que a populaça resolva ir para casa.
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De henrique pereira dos santos a 25.05.2023 às 15:18

A feira do livro não é organizada pelo Estado, é uma organização da associação de editores e livreiros.
Vou tentar explicar mais uma vez: o problema não é haver coisas no espaço público, o problema é haver comportamentos que colidem com os direitos de terceiros e os obrigam a fechar porque o Estado se demite de gerir o problema, aceitando como uma fatalidade que, durante umas horas, é um bando de desordeiros que define o que se pode e não pode fazer no espaço público, e não o Estado e a sociedade como um todo.
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De balio a 25.05.2023 às 15:50


o Estado se demite de gerir o problema


Mas que queria o Henrique que o Estado fizesse? Como quereria ele que o Estado gerisse?


Sejamos razoáveis. As pessoas têm o direito de ir para o parque Eduardo 7º e de ficar lá a cantar e a gritar e a receber a visita dos jogadores seus preferidos. O Estado não pode impedi-las de o fazer, o parque é público. Essas pessoas podem até, em magotes, espalhar-se pela via pública e impedir os carros de circular - a polícia não vai carregar sobre elas à bastonada. Uma coisa é uma pessoa, ou dez ou cem, quebrar a lei, outra coisa é 1000 ou 10000 pessoas quebrarem a lei. Perante esta realidade, cabe aos livreiros fazer a única coisa que é razoável - afastarem-se temporariamente. Porque as pessoas que querem cantar e gritar "viva o Benfica" têm exatamente o mesmo direito de estar no parque que as pessoas que querem examinar livros - só que são em muito maior número.


Se os livreiros não quiserem ter este incómodo, pois bem, comprem um espaço só para eles, ponham um polícia à porta, e organizem a Feira do Livro num espaço privado e que só a eles pertença.


O que o Estado pode, e deve, impedir é que sejam montados e utilizados no parque equipamentos de som que perturbem de forma exagerada a vizinhança. Isso é que me parece essencial.
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De henrique pereira dos santos a 25.05.2023 às 19:08

Que fizesse cumprir a lei.
Parece-me uma coisa razoável.
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De G. Elias a 26.05.2023 às 10:17

"Essas pessoas podem até, em magotes, espalhar-se pela via pública e impedir os carros de circular - a polícia não vai carregar sobre elas à bastonada. Uma coisa é uma pessoa, ou dez ou cem, quebrar a lei, outra coisa é 1000 ou 10000 pessoas quebrarem a lei." 

As manifestações no espaço público têm de ser autorizadas previamente (salvo erro pelo ministério da Admin Interna), caso contrário são ilegais.


O que previsivelmente se vai passar no sábado é uma manifestação não autorizada, com a conivência do Estado, que se demite de agir. Não é primeira manifestação deste tipo e provavelmente não será a última, mas a tradição não legitima as ilegalidades.
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De balio a 26.05.2023 às 10:37


O que previsivelmente se vai passar no sábado é uma manifestação não autorizada


É verdade.


com a conivência do Estado, que se demite de agir


Agir como? De que forma? Colocando dezenas de polícias, o Corpo de Intervenção, barreiras, para impedir as pessoas de ir para o meio da rua e perturbar a circulação automóvel?


Os automobilistas - que à noite não serão muitos - podem, sem excessiva dificuldade, desviar-se dali. Valerá a pena o Estado provocar um escabeche para impedir as pessoas de fazer uns disparates na via pública?


Eu moro perto do Marquês de Pombal, e digo, muito maior perturbação me causa, em matéria de circulação automóvel, os dias todos em que, em manhãs de fins de semana, se organizam corridas e caminhadas por ali, as quais frequentemente causam enormes engarrafamentos nas ruas adjacentes, com carros a querer passar de um lado para o outro do eixo central da cidade e sem o conseguirem.


Tenhamos sentido das proporções. Aplicar a lei do ruído, sim. Impedir que haja uma discoteca ao ar livre, totalmente de acordo. Impedir as pessoas de se divertirem num parque público, não!
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De G. Elias a 26.05.2023 às 12:09


"Agir como? De que forma? Colocando dezenas de polícias, o Corpo de Intervenção, barreiras, para impedir as pessoas de ir para o meio da rua e perturbar a circulação automóvel?"



Compete ao Estado garantir a ordem pública. Compete ao Estado avaliar os meios necessários para garantir essa ordem. Se o Estado nada fizer, está a demitir-se da sua função.


"Valerá a pena o Estado provocar um escabeche para impedir as pessoas de fazer uns disparates na via pública?"


Depende. Se isto fosse uma manifestação a propósito de outra coisa qualquer, e o Estado não fizesse nada para garantir a ordem pública, certamente caía o Carmo e a Trindade. Como se trata de futebol, no pasa nada.
Dois pesos e duas medidas, como é por demais evidente. Mas como referi acima, o futebol é rei.


Aliás eu lembro-me bem que há uns 30 anos era prática corrente que quando havia jogos de futebol na Luz havia centenas de carros estacionados na Segunda Circular. A explicação é simples: como o espaço em redor do estádio não chegava, os automobilistas estacionavam onde calhava, incluindo na segunda circular. E isto só era possível porque havia uma recorrente complacência das autoridades. Noutra situação qualquer, quem estacionasse na Segunda Circular levava logo como a bela da coima, mas como era por causa de um jogo de futebol, no pasa nada.
Dois pesos e duas medidas, como é por demais evidente. Mas como referi acima, o futebol é rei.


Mas se formos ver bem a questão, nada disto é novo. Já os romanos diziam panem et circenses. O futebol é o circo da actualidade. E é essencial deixar o povo divertir-se com o circo.

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De Anonimo a 25.05.2023 às 16:49


A CML é Entidade organizadora. Ou pelo menos está referida como tal no site oficial. Na sequência de "não cabe ao Estado organizar festas, muito menos a pretexto de que se está a apoiar a cultura popular".


O resto não é o Estado a demitir-se, mas sim a precaver. Vai haver ajuntamentos e vai, prefiro que seja "organizado" do que tudo ao monte e quem não tem a ver com a festarola ter problemas. A opção seria impedir os ditos ajuntamentos... mas isso somente ao cacetete.
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De henrique pereira dos santos a 25.05.2023 às 19:09

Está enganado, vá ver bem o site, é a APEL que é organizadora (a Câmara aparece como parceiro cultural).
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De Anónimo a 25.05.2023 às 16:27

Calma, que o epicentro da festa pode ser ainda no Porto.
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De balio a 25.05.2023 às 16:55


o epicentro da festa pode ser ainda no Porto


Pois pode, mas nesse caso nenhuma Feira do Livro fica sem ter lugar e o Henrique aí já não se importa.


E de qualquer forma no Porto há sempre o São João, que é mais ou menos parecido aos festejos do título.
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De henrique pereira dos santos a 25.05.2023 às 19:13

Sobre o que me incomoda, ou não, escrevo eu, se não te importas.
Pelos vistos ainda não percebeste que aconteça o que acontecer no Sábado, 150 iniciativas foram canceladas e a feira reduziu o seu horário.
A feira estar ali não impede ninguém de ir gritar vivas seja ao que for.
É o facto de o Estado de demitir de gerir o problema que faz com que aquele ajuntamento limite a liberdade de terceiros com base nos comportamentos desordeiros esperados (se fosse um ajuntamento provocado por uma manifestação da CGTP garanto que o Estado e o promotor teriam procurado não perturbar a feira, que está marcada há meses, quer mudando itinerários e pontos de reunião, quer garantindo que as pessoas presentes não tinham rédea livre para ser desordeiros.
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De balio a 26.05.2023 às 09:38


150 iniciativas foram canceladas


A organização que organizou essas iniciativas decidiu cancelar as iniciativas que tinha organizado. Qual é o problema?



Quem organiza algo tem o direito de, depois, desorganizar, quando vê que as condições para a realização daquilo que tinha organizado não são as melhores.


O Estado não tem nada que intervir para garantir que algo que alguém organizou no espaço público possa efetivamente ter lugar.


O Henrique parece ainda não ter entendido que o parque Eduardo 7º é um espaço público. Não é uma propriedade da associação dos editores e livreiros. Toda a gente tem o direito de utilizar aquele parque, para seja o que fôr. O Estado não tem nada que garantir à associação dos editores e livreiros o usufruto exclusivo, e protegido pela polícia, de um parque público.


Se a associação dos editores e livreiros quer ter um bom espaço onde levar a cabo as suas 150 iniciativas, compre ou alugue tal espaço, e contrate os seguranças necessários para o proteger.
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De henrique pereira dos santos a 26.05.2023 às 10:08

O que eu não entendo são as pessoas que acham que eu entrego voluntariamente a carteira quando alguém me aponta uma pistola e me dá a escolher a bolsa ou a vida.
O resto compreendo bastante bem.
A quantidade de disparates que dizes num comentário tão pequeno é extraordinário, devias mandar uma carta ao Guiness World of Records que as tuas possibilidades, na categoria de disparates por carateres usados, são muito boas.
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De Anónimo a 26.05.2023 às 12:00


Ah ah ah, havia ou ainda há aí um sítio que quase semanalmente destaca(va) o cravo e a ferradura do Luís Lavoura: uma das famosas Lavouradas da semana.
Por aqui também se devia criar um destaque, algo como o 'balir do balio', para um personagem que altera a graça para não perder a graça.
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De Elvimonte a 26.05.2023 às 18:10

Mas quando alguém destacava as "pedradas da semana" de um certo Pedro Correia, ou as "cristinadas da semana" de uma certa Cristina Torrão e as designava como tal, à semelhança de "lavouradas da semana", os comentários não eram publicados, obviamente por delito de opinião.


Regras para eles, mas não para mim ou "olha para o que digo, mas não faças o que eu faço" em versão popular.  
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De Anónimo a 27.05.2023 às 13:51

Verdade. Por isso mesmo deixei de seguir o dito sitio.
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De Anonimo a 27.05.2023 às 16:31

Democracia aplicável à carta.
Aquilo é um espaço privado, frequenta quem quer.
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De Anónimo a 17.03.2024 às 10:55

O Pedro Correia é um fanático. Aprova e censura comentários a seu bel prazer (eu uma vez tive um comentário censurado simplesmente por indicar, sem insultar ninguém, a notícia em que um sondagem em Janeiro de 2022 dava a vitória ao PSD), conforme a sua narrativa dominante. E quando aprova comentários discordantes é para reclamar de anónimos como se o anonimato não fosse direito (afinal, eu até podia assinar como Pedro Correia e ninguém tinha como provar que esse não era o meu nome). Ou usar qualquer outro primeiro nome e apelido comuns a milhares de pessoas. Já para não falar de que vive obcecado com o PCP, obsessão essa muito para além do saudável.
No fundo aquilo não é um Delito de Opinião (até porque ainda existe liberdade de expressão, por muito que os eleitores da ganadaria Ventura queiram o contrário) mas sim um Delírio de Opinião. Ou não será mais um Delírio de Hipocrisia...
E assim se estraga um blog.
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De Anónimo a 25.05.2023 às 17:25

Sugiro que os adeptos vão comemorar para a  estrada da Beira e ou para a beira da estrada e já agora que levem com eles o Balio.
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De balio a 25.05.2023 às 18:19

A mim não me levam de certeza, que eu não sou benfiquista.
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De Anónimo a 26.05.2023 às 13:01

Se não é benfiquista, mais uma razão para o levarem. Vai de castigo.
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De Elvimonte a 25.05.2023 às 18:41

Na sequência dos festejos/manifestação/espéctulo, o cirurgião que não tinha conseguido dormir fruto do ruído, envolto na turbidez da sonolência, acabou por ter um deslize na mão que empunhava o bisturi, de que veio a resultar a morte do presidente (um qualquer, nem seja da República das Bananas) que dera entrada algum tempo antes na urgência.


O condutor do veículo pesado de transporte de matérias perigosas também tinha sofrido as consequências do ruído e não tinha conseguido dormir. Acabou por sair da estrada, tendo o camião que conduzia deslizado até à linha de comboio onde se imobilizou. Minutos depois deu-se o embate. No comboio de alta-velocidade pejado de passageiros registaram-se dezenas de mortes e o dobro de feridos. 


Em consequência do derramamento do líquido tóxico transportado na cisterna registou-se a morte de mais umas centenas de pessoas de localidades próximas antes que se tivesse conseguido proceder à sua evacuação.


O polícia que também não tinha conseguido dormir devido ao ruído, ainda no vestiário antes de começar o turno, ao efectuar manobras de segurança com a arma de serviço esqueceu-se de verificar se havia alguma munição na câmara e acabou por matar o colega do lado.


Depois de terem conhecimento dos factos, os organizadores dos festejos/manifestação/espéctulo puseram termo às suas próprias vidas, solidarizando-se com os anteriormente falecidos.


E todos viveram felizes para sempre.

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De balio a 26.05.2023 às 10:13


Elvimonte tem toda a razão.
Porém, nas últimas festas do Benfica, a aparelhagem de som foi desligada às 23 horas, o que me parece uma hora razoável.
A partir dessa hora, havia apenas o som de pessoas a gritar, cantar ou, eventualmente, tocar cornetas e apitos.
Sendo o parque Eduardo 7º um local mais ou menos isolado, esse ruído não seria mais incomodativo que o som normal de carros a passar na rua.
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De Anónimo a 26.05.2023 às 00:39

O Benfica não tem estádio para celebrar os seus títulos?
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De balio a 26.05.2023 às 09:43

A Associação dos Editores e Livreiros não tem um espaço para realizar a sua Feira? Ou, não tendo esse espaço, não pode alugar um?
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De G. Elias a 26.05.2023 às 19:41

balio o problema não é os adeptos irem comemorar para o Marquês de Pombal (apesar de isso ser uma manifestação ilegal, como já referi). O problema é o facto de se decidir fechar a feira do livro porque o Estado não consegue garantir que os festejos dos benfiquistas decorrem de forma pacífica e ordeira, sem perturbar a feira.

Por outras palavras, eu não estou sequer a sugerir que os benfiquistas não façam a sua manifestação ilegal; estou a sugerir que o Estado deveria tomar medidas para garantir que a manifestação ilegal não põe em causa a realização de um certamente cultural (esse sim, perfeitamente legal).
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De balio a 27.05.2023 às 09:38

Gonçalo Elias, o Estado não tem nada que gastar os seus recursos a proteger uma atividade mercantil que algumas instituições com fins lucrativos  decidem organizar no espaço público. São elas que têm de tratar da sua própria segurança, se a sentem ameaçada (e não há qualquer prova de que os adeptos do Benfica desejem saquear a Feira - eles apenas vão para ali para confraternizar, não para roubar).
Esta ideia de que o Estado, lá porque permite que alguma coisa seja feita, tem que a segurar, é um erro monumental em que muitos portugueses incorrem. O Estado não é uma companhia de seguros.
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De henrique pereira dos santos a 27.05.2023 às 09:48

Luís, até tu percebes a parvoíce que é dizeres que nas funções do Estado não cabe a segurança de pessoas e bens, em especial no espaço público.
E já nem falo de confundires a função das forças de segurança com a função das seguradoras.
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De G. Elias a 27.05.2023 às 19:49

balio, se é verdade que não compete ao Estado gastar recursos a proteger actividades económicas, também é verdade que compete ao Estado impedir que o espaço público seja indevidamente ocupado por uma manifestação ilegal.
Ou será que tudo se deve subalternizar ao futebol?


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De balio a 26.05.2023 às 11:34


É interessante observar que toda esta discussão se deve ao Campeonato do Mundo de Futebol no Qatar se ter realizado em dezembro.
Devido a isso, todos os campeonatos nacionais foram atrasados duas ou três semanas, o que fez com que a festa do título tenha sido adiada e tenha ficado a coincidir com a realização da Feira do Livro em Lisboa.
Noutros anos, a festa do título realiza-se (e realizar-se-á no futuro) normalmente quando a Feira do Livro ainda não abriu.
Talvez a Feira do Livro também devesse ter sido adiada...
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De G. Elias a 26.05.2023 às 20:38

Adiar a Feira do Livro porque o calendário de futebol se alterou é o mesmo que dizer que tudo se deve subalternizar ao futebol.
Como já referi acima, Portugal é uma monarquia e o futebol é o rei.
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De Anonimo a 27.05.2023 às 16:33

O que fez com que a festa fosse adiada foi o glorioso ter perdido com o f c p.

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