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Crónica dum destino miserável

por João Távora, em 03.04.19

Retrato de família.jpg

Há quem estranhe os casos de endogamia e nepotismo denunciados no governo e gabinetes por aí abaixo. Este fenómeno, mais do que demonstrar-nos que a elite socialista tem recursos limitados e é pouco permeável (sinal dos tempos de austeridade), revela-nos que perdeu o pudor. A vida é dura, o Estado é um apetecível salão de banquetes, mas também serve uma sandocha se for suplicada nos canais certos: em tempos soube de uma feroz disputa partidária por um lugar subalterno (de ordenado mínimo) numa junta de freguesia de Lisboa. Mas os lá de cima conhecem-se todos uns aos outros há décadas, e como nas famílias da antiga nobreza (como a minha) dão muita importância aos apelidos porque eles revelam parentescos e fidelidades sempre úteis. Frequentam os mesmos restaurantes e vernissages, encontram-se nas férias em selectos destinos de veraneio, os filhos frequentam as mesmas escolas privadas e laicas, enfim, falam a mesma linguagem, são a reserva da Nação. Quando um dia por improvável e injusto acaso os socialistas tiverem de saír do governo para alguém vir arrumar a casa, esta pseudofidalguia retornará aos seus lugares, a minar as autarquias, institutos, arrumadas em direcções e gabinetes de empresas entretanto recuperadas para a esfera do Estado, na certeza de que o inverno será curto. E que, com as relações certas, alguma dedicação ao partido e um pouquinho de sorte, em breve se reencontrarão com o estrelato nos corredores do Terreiro do Paço e muitas viagens para Bruxelas. Entretanto, cá em baixo os portugueses contentam-se com um ordenado de menos mil euros (a única forma de não serem esmagados por impostos) e um desconto no passe social (que dá para pagar pão, leite e frangos, dizia ontem um popular na TV). Esses portugueses que ainda não perceberam que eles são muito poucos e não andam armados, só vivem à nossa custa e ainda por cima riem-se de nós como alarves.

 

Fotografia Lusa

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14 comentários

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De Antonio Maria Lamas a 04.04.2019 às 07:42

Que grande comentário de João Távora. 
A terceira República está esgotada, minada por estes comportamentos. 
A "geração rasca" do Vicente Jorge Silva que agora está no poder, continua  a mostrar o rabo agora a todos os portugueses. 
Não vai acabar bem.
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De Anónimo a 04.04.2019 às 18:43

»são muito poucos e não andam armados»
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De Anónimo a 04.04.2019 às 09:05

net
«O vocábulo mequetrefe é utilizado para insultar uma pessoa sendo o seu significado utilizado de três maneiras distintas: intrometido, trapaceiro ou sem importância. São seus sinônimos as palavras: melcatrefe e melquetrefe.»
foto de FAMIGLIA, como vo escrito
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De André Miguel a 04.04.2019 às 12:49

Triste é o povo alinhar nisto, diz à boca cheia que fossem eles fariam o mesmo, afinal o sonho de qualquer labrego é um tacho na função publica. Só temos o que merecemos.
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De Anónimo a 04.04.2019 às 17:19

Este post é uma interessante descrição das elites portuguesas, mas não especificamente dos membros do PS. Esta descrição aplica-se bem às elites portuguesas, mas aplica-se sobretudo às elites de direita, embora também se aplique a algumas de esquerda.
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De Maria a 04.04.2019 às 23:44

Na mouche! um análise real e infelizmente triste do país.
 Irrita-me a passividade com que o país aceita ser enganado, gozado citando-o "só vivem à nossa custa e ainda por cima riem-se de nós como alarves."
 Irrita-me o desplante com que aparecem na TV a falar do défice mais baixo de sempre, como se fossemos ingénuos e não nos apercebemos que só podia ser assim, pois com tantas cativações, o SNS num caos completo e um aumento dos impostos se o défice aumentasse é que seria estranho, Enfim é com mágoa que digo, temos o que merecemos!










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De Makiavel a 05.04.2019 às 09:35

Em abono da verdade, o governo de cavaco nos idos de finais de 80/inícios de 90 tinha nada mais nada menos que 15 familiares 15 no governo.

Não me parece que a questão seja específica deste governo, como pretende a direitralha tuga neste início de pré-campanha eleitoral, de que este postal é um fidedigno exemplar.

O governo actual ainda está longe dessa cifra.
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De Anónimo a 05.04.2019 às 11:45

Quem são esses 15? Não diga disparates.
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De Eu mesmo a 05.04.2019 às 13:21

https://poligrafo.sapo.pt/politica/artigos/familygate-governo-de-cavaco-silva-tinha-15-mulheres-de-ministros-e-de-secretarios-de-estado (https://poligrafo.sapo.pt/politica/artigos/familygate-governo-de-cavaco-silva-tinha-15-mulheres-de-ministros-e-de-secretarios-de-estado)



Disparate é falar sem saber.
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De Makiavel a 05.04.2019 às 14:42

Obrigado pelo serviço público prestado.
Também já passou hoje nas notícias da RTP1.
Senti vergonha alheia ao ver as imagens da múmia a dizer o que disse há dias, enquanto mostravam a capa do independente da altura.
Senti vergonha alheia, mas passou-me logo.
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De Makiavel a 05.04.2019 às 14:39

Basta consultar o jornal que noticiou o assunto na altura.
O telejornal da RTP1 de hoje mostrou a capa. Tem box de TV? Puxe atrás e ouça os "disparates". Devem passar hoje no telejornal das 20:00.
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De JPT a 05.04.2019 às 10:38

Desista. Estão para ficar, como atesta o totem deles, o sujeito que conseguiu meter Oeiras na Região Demarcada do Douro, a comandar a capital, de leão na mão (burro dava muito nas vistas), a mostrar quem manda nisto.
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De Anónimo a 05.04.2019 às 11:33

A corja.
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De Anónimo a 05.04.2019 às 12:42

chiiiii...! Parecem formigas no mel...

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