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Costa e a concórdia do Expresso

por José Mendonça da Cruz, em 14.02.16

expresso-2016-02-13-2c6242.jpg

 

Há cerca de um ano que não comprava nem lia o Expresso. Comprei este fim-de-semana e li. Li, primeiro, a entrevista lamentável de um oportunista sem escrúpulos -- em linguagem popular um «chico-esperto» -- que, como todos os chico-espertos e oportunistas sem escrúpulos, pensa mal, fala pior, age aleatoriamente, mas acha a maior das graças a tudo o que faz, pensa e diz. Diz o lamentável Costa -- retratado na capa, mas sem os beiços untados -- que o PSD deve sair do «casulo» e a direita deve fazer o «luto».

O baixo nível ético, intelectual e político da graçola não precisaria de ser explicado a ninguém. Excepto, talvez, ao próprio Expresso. Na página 2, e não apenas, Costa lá encontrou um fiel. Nessa página, Pedro Santos Guerreiro (que ao sair do Jornal de Negócios deixou à mostra que a qualidade do Jornal de Negócios se devia a Helena Garrido, e não a ele; que agora, no Expresso, vai explicando na pág. 2 que gostava de ser vizir no lugar do vizir, o irmão sério de A. Costa) lá vitupera «a direita» por discordar e criticar o governo, ou, como ele diz, por de forma «lamentável» acreditar que as medidas da geringonça vão ser fatais para a economia e o país. Nessa pagina (onde, em tirocínio para assessor do PS também escreve Bernardo Ferrão), PSG vem recomendar, em defesa dos seus amores e como bom democrata de uma só mão, que a oposição aos socialistas os aplauda ou então se cale. 

Retomo, portanto, a saudável prática de não comprar nem ler o Expresso (as citações bastante completas dos textos de Miguel Sousa Tavares, Henrique Raposo e Henrique Monteiro, que continuarei a ler em blogs, resultarão em que não perco praticamente nada que valha a pena).

É meu dever confessar, porém, que esta edição me proporcionou um momento de grande prazer: foi, primeiro, a leitura do livrinho/oferta da série Cultura, «O Poder da Linguagem e da Escrita», de Dietrich Schwanitz, numa boa tradução; e, depois, o gozo de verificar como a escrita inteligente, didáctica, acutilante e irónica do autor contrasta com a insuportável presunção, codificação e cinzentismo de todo o caderno cultural (que Schwanitz objectivamente escarnece), de quase todo o caderno económico, e de muito do 1º caderno.

Foi bom, mas por agora basta. Lá me privarei do Expresso, longamente, outra vez. Com votos, porém, de insucesso às ambições de Guerreiro, persistência aos delírios de Nicolau, melhoras dermatológicas e intelectuais ao proprietário do orgão e suas parábolas equinas, e sinceros desejos de boa sorte ao Costa inteligente e sério. 

 


3 comentários

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De do norte e do pais a 14.02.2016 às 16:59

Um bom artigo!
O expresso, ou uma boa parte, preferiu seguir o caminho da subserviência ao poder político, onde abundam escroques como o costa. O costa deve ser um seguidor do vale e azevedo. Enquanto isso, vai arruinando o País. 
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De Anónimo a 14.02.2016 às 18:21

A prosa do senhor PM é uma coisa de tal modo miserável e ordinária que chega a tornar-se difícil encontrar adjetivos para classificar. E ele, recorde-se, é o que de melhor o PS tem para oferecer ao país. É demasiada porcaria junta.
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De kataklismo a 14.02.2016 às 21:53

Bonito post e bonitos comentários.

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