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O título do post vem directamente da crónica de Alberto Gonçalves no Observador de ontem.
Lembrei-me porque andava aqui às voltas, na minha cabeça, com um programa da Rádio Observador que tinha ouvido quando vinha da SIC, onde fui dizer lugares comuns sobre gestão da paisagem, a propósito do tempo (no sentido meteorológico da palavra) dos últimos dias.
Era um programa que juntava vários jornalistas da secção de político do Observador a fazer comentários sobre o pacote laboral e a anunciada greve geral.
Claro que se eu protestar com a péssima qualidade do jornalismo do programa, virá um dos papas do jornalismo actual chamar-me ignorante porque o programa não é jornalismo, é um programa de opinião, embora feito por jornalistas, que só são chamados a pronunciar-se por serem jornalistas.
Nenhum deles é especialista em economia do trabalho, ou direito do trabalho, ou macro-economia, ou em desenvolvimento e produtividade, nada, nada, nada, todos eles são apenas jornalistas a comentar a actualidade num programa de actualidade política, mas não é jornalismo, são programas de opinião em que não se aplicam as regras do jornalismo.
Passando por cima destas questões semânticas, o nível de discussão sobre o pacote laboral pouco ultrapassava o nível das discussões dos meus netos sobre quem é responsável por haver água entornada no chão.
"A greve é um direito, sem sopinhas nada feito" é como se conclui a introdução ao programa, que os jornalistas que não estão a ser jornalistas confundem com um programa de humor, fazendo trocadilhos sem sentido de que se riem muito no estúdio (a tendência para os trocadilhos e para a poesia de terceira qualidade devem ser coisas que me irritam mais no jornalismo actual, mais ainda que a sua má qualidade e incumprimento de regras básicas).
Nem vou pela parvoíce de andarem a repetir cem vezes que o governo não tem legitimidade para propor alterações à legislação laboral porque na campanha eleitoral não falou no assunto (por acaso, até está no programa eleitoral " 4.1.1. REFORMAS DO MERCADO DE TRABALHO: MAIS PRODUTIVIDADE, MAIS RENDIMENTOS ... Modernizar as regras para confrontar a segmentação do mercado e ajustar às transformações no mundo do trabalho ... Simplificação do código do trabalho através da racionalização do articulado, fo cada em reduzir custos de contexto, assim garantindo a maior implementação e compreensão das regras pelas partes ... Revisitar o enquadramento legal e privilegiar a concertação social na definição das regras da relação laboral, ajustadas à realidade de cada setor, ao invés do código do trabalho e demais enquadramentos genéricos legislativos associados;" página 265 e seguintes do programa eleitoral da AD, mas isso até é razoavelmente irrelevante), depois do país ter sido governado com base em acordos entre partidos que foram activamente escondidos numa campanha eleitoral, sem que estes jornalistas que afinal não estão a fazer jornalismo questionassem a sua legitimidade.
"Não deixa de ser, a questão da amamentação ... é completamente contra a ideia de que o país tem de puxar pela natalidade" e parvoíces semelhantes (há alguma indicação, por ténue que seja, de que existe alguma relação entre a regulamentação da amamentação e a taxa de natalidade em algum país do mundo?) ocupam o tempo do programa sem que, em nenhum momento, uma parte relevante da secção de política do Observador ache relevante explicar as razões que levam o governo a querer alterar a legislação laboral.
O governo pode não ter razão nenhuma, as propostas podem ser a maior estupidez, mas o governo não acordou um dia a pensar que era boa ideia chatear os sindicatos (sim, que anda chateado com as alterações da legislação laboral são os sindicatos, os trabalhadores, que os sindicatos de facto não representam, acharão bem uns, acharão mal outros, e não fazemos ideia do peso global de cada um dos pontos de vista no conjunto dos trabalhadores do país) alterando a lei laboral, há uma racionalidade relacionada com a capacidade das empresas se adaptarem aos contextos em que operam, por exemplo, seguindo o Bloco de Esquerda que despede trabalhadores quando as receitas disponíveis caem abruptamente por falta de votos.
Estes cortesãos, que se perdem em dichotes sobre questões marginais, em programas de jornalistas sobre a actualidade que não são jornalismo, acham inútil discutir as razões dos que estão contra ou a favor, limitam-se a dizer que "a greve é um direito, sem sopinhas nada feito", esperando que os ouvintes, leitores e afins estarão sempre disponíveis para pagar esta pessegada.
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Esses que por aqui andam a desconversar(ou a virar...
Não é obrigado a saber, pois parece-me ser você um...
a quem aprecie as ditaduras
A mim o que me provoca nervoso (e nem é miudinho) ...
A chamada Comunicação Social tem uma enorme, enorm...