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Conversa de surdos

por Jose Miguel Roque Martins, em 14.01.22

Ontem assisti ao debate entre António Costa e Rui Rio e, depois, a  parte da cobertura da CNN. Os comentadores socialistas deram a vitória ou um empate a António Costa. Os não socialistas deram a vitória a Rui Rio. A sondagem a quem assistiu ao debate, deu a vitória a Rui Rio com 42% dos votos, sensivelmente a percentagem dos não socialistas em Portugal. António Costa, com uma péssima prestação, ainda recolheu 38% de preferência dos inquiridos.

Parece não importar o que de facto acontece, nada muda. As interpretações da realidade, visam apenas justificar as opiniões previas de cada um. Como digo repetidas vezes, os Portugueses sabem o que querem, e a maioria continua a querer aquilo que têm. Foi bom ter começado a mudar-se o discurso.Não me parece que faça diferença tão cedo. Oxalá me engane. Mas que parece uma conversa de surdos, parece. 

PS: Só não percebi, aliás numa prestação que me surpreendeu positivamente, porque Rio insistiu no cenário ( muito possível) de que Pedro Nuno Santos, venha a ser o próximo primeiro ministro se o PSD vencer as eleições. Quer assegurar que os socialistas moderados não votam PSD? Ou recolher votos da esquerda radical desejosa de uma geringonça mesmo à séria? 

 



5 comentários

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De Anónimo a 15.01.2022 às 11:51


Tudo o que apontou teria solução, se os portugueses_ falando no geral _ tivessem outro discernimento para não comprar gato por lebre, ou seja, se soubessem "ler" e "interpretar" a realidade que lhes querem impingir (vender). Mas para saberem  fazer a distinção entre o genuíno e a falsificação teriam de ter "equipamento de protecção" contra essa manipulação e mistificação de que fala. Ora, como esse "equipamento" falta a  muitos eleitores, acabam por ser eles os alvos preferenciais (e os mais apetecíveis) de manipulação pela máquina da Propaganda e tornam-se também "presas" mais fáceis de capturar _ influenciar _ pela Comunicação Social. E sem se aperceberem do "aliciamento".
Mas há uma justificação para isso.
Como sabe há um problema grave numa parte da população portuguesa que é o chamado "analfabetismo funcional", i.e., são indivíduos que  lêem e escrevem, têm estudos, tiraram provavelmente os seus cursos e por isso podemos dizer que "tecnicamente" são alfabetizados. No entanto, para além do aspecto prático e utilitário da sua aprendizagem,  _ e aqui chegamos ao cerne da questão_ nunca foram estimulados a diversificar e a alargar os seus interesses e conhecimentos. Tal acontecerá por muitos factores e variadíssimas causas, mas às quais não é alheia a insuficiência de um sistema de ensino (público) ineficaz e de pouca qualidade, que não é capaz de esbater as "diferenças" socioeconómicas, que muitos trazem de origem no seu "ponto de partida". Mas independentemente dos contextos de cada um e de de todos os factores ater em conta, uma coisa é certa e tem falhado: em geral, a Escola não ensina a pensar ,querendo isso significar: desenvolver competências tais como, incentivar o sentido crítico e capacidade de analisar,  interpretar a realidade e compreender o mundo que nos rodeia. E estar informado. Este é o melhor "equipamento de protecção" contra a manipulação (para se "desmontarem" os seus mecanismos e distinguir-se a propaganda disfarçada de informação). Estas são as "ferramentas" que nos tornam mais prudentes nas nossas escolhas e decisões futuras, porque são pensadas, reflectidas e por isso mais conscientes. De contrário, continuaremos a viver nesta "alegre inconsciência" e mais grave: sem se ter "consciência disso"!
 
É exactamente este o destino dos países com elevada iliteracia como é o nosso. Todos têm como consequência o empobrecimento, por não se combater algumas das suas causas:  Desconhecimento / Ignorância  que estão na  origem das escolhas irreflectidas. 
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De Anónimo a 15.01.2022 às 12:58

"Dos debates e dos comentários aos debates para as eleições legislativas resulta uma certeza: Portugal continua “na cauda da Europa”. Somos, claramente, o país mais à esquerda do Continente, em termos ideológicos, partidários e mediáticos, e na economia e na sociedade sofremos as consequências disso" - Jaime Nogueira Pinto



Esta realidade aqui descrita por JNP é a única realidade que os portugueses conhecem e na qual vivem há mais de duas décadas.
Portanto, não estou de acordo consigo quando diz dos portugueses : "a maioria continua a querer aquilo que têm."
Os portugueses só conhecem a realidade que têm e em que vivem.  Desconhecem que existem muitas outras formas de as sociedades se organizarem para viverem melhor. Esse é o problema de se viver fechado na "caverna".


Por oportunismo político dos interesses instalados durante  mais de duas décadas de socialismo, não lhes são dadas a conhecer as  realidades de outros países, de como vivem, e porque são mais desenvolvidos que nós. Tudo isso é totalmente desconhecido da maioria dos portugueses. Ninguém lhes mostra, ninguém lhes diz, ninguém os informa de que poderiam ter melhor qualidade de vida com uma mudança de paradigma político e com outras políticas. Embora se note presentemente que os portugueses estão a ter mais consciência de que o empobrecimento do país não é uma inevitabilidade nem uma fatalidade e que pode e deve ser revertido. Há muitos sinais de vontade de mudança e os cidadãos estão muito mais atentos. Exigem melhores condições de vida e de bem-estar.  Mas se finalmente isso entrou na cabeça dos portugueses, há que dizer que se deve ao trabalho  incansável e permanente de todos os partidos moderados, ao centro e à direita, que repetiram exaustivamente, diariamente,  no seu discurso que era preciso urgentemente reverter o ciclo de pobreza do país. 
Os portugueses interiorizaram isso, assim como também perceberam que a informação que lêem ou ouvem é toda ela "trabalhada" nos bastidores pelos Agentes de propaganda que se sabem e outros que se vêem, e que defendem os seus interesses: estão nas órgãos de informação, nas redacções dos jornais e tvs,  nos pivots e comentadores "escolhidos" a dedo e com traquejo suficiente para influenciar a opinião pública e aqueles eleitores menos atentos ou menos informados. 
Como na teoria da Caverna, os portugueses só conheciam .as sombras e a realidade que lhes mostravam e em que viviam. Agora descobriram a luz, perceberam que há mais mundos do que lhes eram mostrados e por conseguinte há muitas mais possibilidades de escolher em que país querem viver.

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De anónimo a 15.01.2022 às 16:57


"The masses have never thirsted after the truth...Whoever can supply them with illusions is easily their master; whoever attemps to destroy their illusions is always their victim."

Contra Costa Rui Rio não tem hipóteses.
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De Anónimo a 16.01.2022 às 11:34


Aproveitando a deixa... gostaria de fazer uma pergunta e um pedido.


1º- "Dos debates e dos comentários (...) resulta uma certeza: Portugal continua “na cauda da Europa”. 


2º- Somos, claramente, o país mais à esquerda do Continente, em termos ideológicos, partidários e mediáticos


3º-  na economia e na sociedade sofremos as consequências disso" 



(J.Nogueira Pinto)


a) Uma pergunta aos portugueses :
_ Consegue estabelecer uma relação lógica entre os 3 itens e chegar a uma conclusão? Qual?
R: ..............................................................................................


b) Um pedido :
_ Seria capaz de, numa única frase, sintetizar a ideia dominante que está contida nos 3 itens acima referidos? Escreva a, por favor, cingindo-se ao essencial.
R: ................................................................................................
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De jose Martins a 17.01.2022 às 11:07

A resposta ás suas questões é a mesma: 
Somos de esquerda, independentemente dos custos do socialismo. 

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