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Como diria Tiririca, pior não fica.

por Jose Miguel Roque Martins, em 19.12.20

Muito falamos sobre os partidos ditos populistas. E os outros? Porque são melhores? A resposta que me parece mais certa é que não são. Pelo contrario. Ao terem o suporte de uma ideologia, ao terem assumido responsabilidades governativas com os tristes resultados que vemos, ao arrancarem para a sua caminhada com Pais fundadores de dimensão superior, tinham francamente que fazer melhor.

Aparentemente, até estamos bem servidos. Temos uma paleta de partidos que representam as principais ideologias e correntes do pensamento. O problema é que, ou são más e retrogradas, como o comunismo, ou são inexpressivas, no caso dos conservadores e liberais, ou são objecto de interpretações horríveis, no caso do socialismo ou da social-democracia. 

O PCP, de Cunhal é agora de  Jerónimo. É de todos os partidos, aquele que é mais fiel e honesto à sua ideologia e principios. Pena é, que o seu conceito de democracia seja semelhante ao do Estado Novo. E que não haja ideologia mais testada e comprovada na sua capacidade de produzir sofrimento e desgraças como o comunismo.

O CDS/PP, de Freitas do Amaral e de Amaro da Costa, é agora de Chicão. O cansaço de atrair adeptos insuficientes, fez com que balance ideologicamente nas ultimas décadas, numa procura de um espaço que não é suposto ser o seu. Garantindo que, no final, não representa conservadores, liberais, nem coisa nenhuma. A continuar assim, do partido do táxi, passa ao partido da lambreta. Ou dos patins em linha.

A Iniciativa liberal, que dá os seus primeiros passos, acrescenta um espaço não representado historicamente, o Liberalismo. Uma simplificação ideológica exessiva, apesar de normal numa novidade política, condena o partido a uma relativa insignificância, ao fazer esquecer que a redistribuição de rendimentos e políticas sociais, não são impeditivas do liberalismo. Tal como no caso do PCP, pureza e simplicidade ideológica, não rima com popularidade. Apesar de tudo, tal como o PCP; representa um espaço político claro.

O PS, de Mário Soares agora é de António Costa. Vive rasgado entre os verdadeiros ( e ultrapassados ) socialistas de esquerda de barba rija, e os sociais-democratas, que dão mais votos. Diz se de  mercado, com a mesma tranquilidade que assassina os seus mais básicos princípios. Assume o seu Estatismo, fazendo de conta que os impostos são uma questão irrelevante . Numa permanente confusão ideológica, tentando agradar a gregos e a troianos, soma o seu maior pecado, uma inultrapassável incapacidade para governar de forma minimamente decente. Um desastre tão pronunciado e comprovado pelos factos, que faz com que encontrar críticos nos seus próprios e antigos ministros da economia e finanças, seja tão fácil como ver relva num campo de futebol da primeira divisão.

O PSD, de Sá Carneiro, é agora de Rui Rio. Ideologicamente é tão confuso como o PS, tentando conciliar uma ala genuinamente social democrata com a maior parte dos seus apoiantes, mais conservadores ou liberais, que preferem o voto útil ao ideológico. Teoricamente são o partido de alternância ao poder hegemónico do PS. Na pratica, passaram a ser um partido que apanha os cacos, depois de mais um desastre agudo socialista. Melhores gestores do que o PS, menos avessos ao mercado, não é evidente que sejam menos adeptos de um grande estado director do que os socialistas.

A exigência dos votantes não é expectável que suba, num pais em que os partidos são como clubes de futebol. Uma vez de um partido, sempre do mesmo partido.Porque sim. 

Se o panorama parece desanimador, também representa uma oportunidade. Se algum dia mudarem, de novo, o perfil de líder partidário dos grandes partidos, de demagogos para Homens de Estado, é possível que alguma coisa mude para muito melhor.

È que, como diria Tiririca, pior não fica.

 

 

 



2 comentários

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De Anónimo a 19.12.2020 às 18:14


Exacto. O fim das ideologias partidárias nacionais. Na verdade estando Portugal tão fortemente inserido nesta União Europeia, quem co-ordena é Bruxelas. Até orçamentos e TAPes, do "País", têm que passar pela sede, Bruxelas, antes de serem "aprovados" no parlamento nacional. Assim mesmo.

Estão portanto, o parlamento nacional e os inseridos partidos, completamente inibidos de prosecutar uma ideologia própria, mesmo que ganhando maiorias parlamentares nacionais. Não há que ter receios nem de PCs, Blocos ou Chegas.

Se em Bruxelas preponder a ideologia do tipo "X" terá que ser essa a que vigora nos orçamentos pré-elaborados por cá. A tremenda dívida "soberana", a dependência de emprestimos e necessário finaciamento unionista. Money talks.

Ideologicamente resta aos "nossos" deputados realizar uma boa gestão de interesses dos seu escassos eleitores, via reais ou falaciosos argumentos eleitorais. Só assim conseguirão sobreviver bem acomodados nos seus estimados assentos parlamentares.
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De lucklucky a 20.12.2020 às 06:52

Mas demonstrou que os partidos têm uma ideologia: Estatismo

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